3 KVINNESPØRSMÅLET I LØNNSPOLITIKKEN
3.2 Utviklingen i synet på kvinnelønningene
As atuais discussões sobre texto, língua, linguagem, discurso, enunciação e gênero apresentam uma significativa ligação com as considerações de Bakhtin (2000) acerca da linguagem. De uma forma geral, temos registros de vários trabalhos nas ciências da linguagem que partem do embasamento teórico de Bakhtin para suas reflexões.
Na realidade, o filósofo da linguagem russo revela uma concepção de língua tão ampla que ainda não se explorou, de forma satisfatória, as suas ideias presentes em vários de seus escritos. Desse modo, é essencial o que ele ressalta nas considerações iniciais do seu texto: “Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão sempre relacionadas com a utilização da língua” (BAKHTIN, 2000, p.279). E, a partir dessa afirmação, Bakhtin desenvolve toda uma noção sobre língua que ultrapassa sua imanência e discute, então, os gêneros do discurso como “tipos relativamente estáveis de enunciados”.
Bakhtin (2000), no tocante aos gêneros do discurso, deu ricas contribuições à Linguística e isso é comprovado nas suas obras. Dessa forma, é relevante valorizarmos as suas considerações quanto à importância dos gêneros. O autor assegura que a riqueza e a variedade dos gêneros não têm fim, pois a variedade virtual da atividade humana não se esgota e cada esfera dessa atividade engloba um repertório dos gêneros do discurso que se diferencia e se amplia à medida que a própria esfera se desenvolve e se torna mais complexa. Devido a esse fato, a comunicação verbal torna-se possível.
Contrário a uma concepção de língua pautada no código, somente no valor normativo, Bakhtin (2000) ressalta o valor plástico dos gêneros, sua capacidade de combinação no uso. Na visão do falante, o valor normativo dos gêneros é algo que existe e lhe é concedido, especialmente porque “a língua penetra na vida através dos enunciados concretos
que a realizam, e é também através dos enunciados concretos que a vida penetra na língua” (BAKHTIN, 2000, p. 282). Dá-se, então, a relevância de se refletir sobre a língua no universo bakhtiniano do ponto de vista da enunciação. Esta relação descrita pelo autor é essencial para a relação enunciador-enunciatário.
Seguindo a mesma linha de abordagem, observamos que Marcuschi (2000) revela concordância com o mesmo pensamento de Bakhtin quanto ao fato da importância de se comunicar por gênero. Para o linguista brasileiro, não é possível haver comunicação verbal se não por algum texto. Desse modo, Marcuschi (2000) deixa evidente sua posição em considerar os gêneros como eventos comunicativos, e assim enaltecer sua funcionalidade sociocomunicativa.
É necessário frisar que, na questão da enunciação, o papel do outro é fundamental no processo de interação, visto que locutor e interlocutor têm papéis semelhantes no processo interativo e não existe sujeito passivo nessa situação, conforme salienta Bakhtin (2000).
Bakhtin (2000) afirma, então, que a especificidade das ciências humanas está no fato de que o seu objeto é o texto ou o discurso. Ele caracteriza assim o que seriam os gêneros: são enunciados elaborados em cada esfera de troca social; distinguem-se por três elementos – conteúdo temático, estilo e construção composicional; um gênero é escolhido tendo em vista a esfera, as necessidades da temática, o conjunto das práticas e a vontade enunciativa ou a intenção do locutor.
Os diversos gêneros discursivos concretizam-se em eventos comunicativos através de textos orais ou escritos. Segundo Bakhtin (2000), gêneros textuais são tipos textuais, relativamente estáveis, os quais estão relacionados a situações da comunicação social, e que possuem natureza socioideológica e discursiva. Desse modo, os gêneros são constituídos historicamente a partir de novas situações de interação verbal da vida social. Embora muitos deles sejam de conhecimento do senso comum, não estão cristalizados, de forma que se modificam a depender das novas demandas enunciativas que apareçam.
O enunciado, então, é concebido como unidade concreta e real da comunicação discursiva e é na materialidade do enunciado que o discurso se realiza. Assim, constatamos que a composição do gênero discursivo extrapola o linguístico, visto que também apresenta uma dimensão social por estar vinculado à situação social de interação, tendo cada gênero sua própria finalidade discursiva e sua própria concepção de autor e destinatário.
Para o círculo bakhtiniano, a constituição social do homem e da linguagem é mediada pelo texto: ideias e pontos de vista se concretizam apenas em textos (verbais e não verbais). É assim que surge a relação próxima e necessária entre linguagem e ideologia, de forma que a linguagem reflete diretamente a ideologia – não havendo texto/enunciado/discurso neutros – sendo, assim, os gêneros o lugar da manifestação da ideologia, por serem formas de ver e significar o mundo, não sendo este um processo consciente.
Para Bakhtin (2000, p. 263), perante a heterogeneidade dos gêneros discursivos, diferenciam-se duas categorias de gêneros: os primários, que são aqueles oriundos de condições comunicativas imediatas, surgidos de situações de comunicação verbal espontânea do dia a dia e ligados a situações informais de uso da linguagem, como as conversas familiares ao telefone; e os secundários, que surgem de situações de comunicação mais complexas e, portanto, relativamente muito desenvolvidas e organizadas, estando mais relacionados principalmente com a escrita.
Acrescenta Bakhtin (2000) às suas considerações que os gêneros textuais são enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, proferidos pelos participantes de uma ou outra esfera da atividade humana onde o uso da língua é efetuado. Afirma ainda que, através dos tempos, no quadro das atividades sociais, foram e são produzidas determinadas formas comunicativas que, estabilizando-se de forma mais ou menos forte, constituem os gêneros textuais. A diferenciação das esferas da atividade teria levado, e ainda leva, a uma constante diferenciação dos gêneros de textos próprios de cada uma dessas esferas. Segundo o autor, o sujeito falante necessita de pistas para poder se inscrever no mundo dos signos, para significar suas intenções e se comunicar.
De acordo com as considerações de Sobral (2009), o qual apresenta questões de análise de gênero na perspectiva bakhtiniana, para uma análise de gêneros, devemos considerar que estes possuem uma lógica orgânica, sem, contudo, obedecer a uma forma fixa, trazendo o novo articulado ao mesmo, possibilitando composições potencialmente infinitas, porém que podem recorrer a certos tipos estáveis de textualização.
O modo de textualização do gênero (tipos de frases ou organizações frasais) não implica sua definição. Sobral (2009) afirma que o gênero será definido pelo projeto enunciativo, no qual a autoria e o contexto em que o discurso está inserido transcende a soma
dos componentes textual-discursivos. Acrescenta, ainda, o autor que a audiência do enunciado determinará o gênero deste enunciado, sua composição e estilo, todos em dependência da relação específica entre os interlocutores na esfera de atividade.
No ambiente escolar, é comum a análise de gêneros apenas no plano textual. Elementos como a composição e a audiência pretendida e suas implicações no projeto enunciativo do texto não são considerados de maneira adequada. Desse modo, desenvolver metodologias de análise na escola para a distinção de discurso, gênero e texto é propiciar o desenvolvimento da criticidade e da construção dos sentidos do texto.
Schneuwly (2004), dando sua contribuição às considerações de Bakhtin, acrescenta que o gênero é um instrumento, ou de outra forma, em uma situação sociocomunicativa, há um sujeito, o locutor-enunciador, que age discursivamente por uma série de parâmetros, com o auxílio de um instrumento que aqui é um gênero, isto é, uma forma de linguagem, que permite, a um tempo só, a produção e a compreensão dos textos.
Todas essas considerações oriundas dos autores mencionados, especialmente as de Bakhtin (2000), serão de grande importância para o desenvolvimento da nossa pesquisa e consequentemente para a análise do corpus, uma vez que são ideias que nos renderão discussões pertinentes.
Dessa forma, adotamos como gênero as considerações de Bakhtin, o qual afirma que os gêneros textuais são enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, proferidos pelos participantes de uma ou outra esfera da atividade humana onde o uso da língua é efetuado, embasado na perspectiva sociointeracionista.
A seção próxima refere-se aos gêneros textuais sob o olhar de Bazerman, o qual enfatiza a função social do gênero e todas as suas implicações sobre o assunto, uma vez que trabalhamos com a autobiografia, que possui um caráter social latente à sua construção.