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UTSLIPP FRA VEGTRAFIKK - HOVEDKOMPONENTER OG VIRKNINGER

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Como referimos, a dimensão pedagógica do ecoturismo é um meio para um fim: o da consciência ecológica. Assim, uma interpretação com maior potencial para desafiar valores e comportamentos passa por, estrategicamente, tendo em conta esse objectivo, estabelecer as relações entre os seres vivos e o habitat, evidenciando as dinâmicas de determinado ecossistema. Ou seja, a partir da compreensão, facilitar a transição para a consciencialização de determinada realidade.

Assim, mais do que apenas transmitir uma série de factos, a interpretação deve procurar revelar os sentidos e as relações num determinado ecossitema (Tilden, 1977 e Alderson & Low, 1985 apud Moscardo, 1998: 3 e 10). Podemos, inclusive, considerar, como Tilden (1977), que “the chief aim of interpretation is not instruction but provocation” (Tilden, 1977 apud Moscardo, 1998: 9). Recordemos, neste âmbito, o papel das emoções no potencial da interpretação: como suscitar um apreço especial pelo mundo que leve a uma vontade de o proteger se apenas são debitados factos que poderiam ser ditos por qualquer pessoa? Esta questão levanta duas problemáticas fundamentais, que podem estar relacionadas, nesta estratégia específica: por um lado, como conciliar os conhecimentos de um biólogo ou naturalista especializado, ou seja cientificamente competente, com a necessidade de proporcionar uma interpretação informativa mas que, simultaneamente, ofereça algum entretenimento; por outro, que tipo de competências devem ter os guias para poderem proporcionar experiências interpretativas eficazes?

A abordagem analítica das ciências exactas dificilmente atinge o objectivo de sensibilizar as pessoas para o seu lugar no mundo e a sua relação directa com a natureza (Newhouse, 1990, e Miles, 1991 apud Kimmel). Além disso, sendo uma das funções da interpretação, justamente, 'traduzir' a linguagem natural, cultural e histórica para uma linguagem que todos entendam (Kohl, 2008: 128), a comunicação entre interlocutores dificilmente se ficaria pela ciência, excepto se todos os intervenientes do processo comunicativo partilharem competências científicas semelhantes, caso em que haveria uma troca de experiências e conhecimentos bastante específicos. Contudo, na generalidade dos casos, em que os interlocutores não são necessariamente especialistas, para que possa existir uma dinâmica comunicativa interactiva, será necessário tomar em especial atenção os termos utilizados no discurso do guia ou intérprete para evitar um monólogo criado pela força das circunstâncias.

Não se trata necessariamente de reduzir a quantidade e/ou complexidade da informação disponibilizada durante a experiência. Trata-se, antes, de proceder à 'tradução' de linguagens, como referimos, incorporando outros elementos – que não são nem factuais nem informativos – na experiência comunicativa proporcionada, tendo sempre em mente o objectivo de aumentar a consciência ecológica do ecoturista.

Moscardo (1998) realça a importância de, para promover a intercompreensão entre os intervenientes da experiência pedagógica, se ter um especial cuidado quando se trata de evidenciar as relações entre elementos dos ecossistemas. De acordo com a autora, esta tarefa pode ser concretizada através de dois principais métodos: criar um tema transversal à experiência interpretativa, e contar uma história, com personagens e introdução, meio e fim (Moscardo, 1998: 10).

Além disso, uma expressão talvez ainda mais elucidativa da importância de ir para além dos factos na experiência interpretativa é a de 'literacia ecológica' (Tidball & Krasny, 2011). Os autores evidenciam o facto de não ser necessário comprometer a componente científica, considerando que uma interpretação eficaz envolve o seguinte: “go beyond factual knowledge, and incorporate understandings of ecological processes, scientific reasoning, and the relationship of individual actions to the larger ecosystem” (Tidball & Krasny, 2011: 1). A razão pela qual a expressão 'literacia ecológica' nos parece particularmente interessante é por se referir a um processo que vai para além do entendimento de determinados assuntos ecológicos: esta expressão sugere desde logo um empoderamento do sujeito, que passa a ter a capacidade para a acção. Ou seja, não só o sujeito conhece as letras do alfabeto como passa a saber escrever, se nos é permitida a comparação. O interesse da perspectiva de Tidball & Krasny (2011) provém igualmente da importância atribuída ao sujeito e à sua interacção com o ambiente. Por outras palavras, tornar evidente que a natureza não é algo externo e que os humanos fazem parte do ecossistema. Posto isto, parece-nos importante realçar que responsabilizar o ecoturista não deve resvalar para uma demonização da influência humana sobre os ecossistemas, o que não seria produtivo ao nível da promoção de valores e comportamentos mais sustentáveis.

Por exemplo, Kaplan (2000) distingue três características na nossa vontade de adquirir conhecimento: as pessoas têm um interesse em perceber o que as rodeia e odeiam estar confusas ou desorientadas; gostam de aprender e preferem assimilar informação ao seu ritmo, bem como responder às suas próprias perguntas; querem desempenhar um papel activo e odeiam serem incompetentes ou impotentes (Kaplan, 2000: 497-498). Este último aspecto parece ser um dos elementos mais importantes a considerar quando o objectivo é o de incentivar a adopção de determinados valores ou comportamentos. Aliás, Kaplan ilustra a importância de nos sentirmos úteis citando um estudo em que foi testado o impacto de três factores (autoestima, controlo pessoal e pertença) sobre o comportamento ambientalmente responsável. Os resultados demonstraram que apenas o factor de controlo pessoal apresentou uma relação significativa com o comportamento ambientalmente responsável. A percepção de impotência é, pelo contrário, corrosiva. (Kaplan, 2000: 498). Não é por isso, surpreendente, que uma das questões mais colocadas pelos turistas seja sobre o comportamento que devem ter em ambientes naturais (Ballantyne et al, 2009; Moscardo, 1998).

A este propósito, salientemos que “protection motivation arises from the cognitive appraisal of a depicted event as noxious and likely to occur” (Rogers, 1975: 99), e que tal acontece quando existe a percepção de que se pode fazer algo para evitar a ocorrência do acontecimento. Caso seja percepcionada uma incapacidade de evitar o acontecimento, essa motivação não existe (Rogers, 1975). Assim, se a interpretação serve, entre outros propósitos, para informar o ecoturista acerca do

impacto das suas acções, faz, então, todo o sentido que, relativamente aos possíveis impactos nocivos do turismo e do turista, “to lay all blame at [the tourists'] door would be as wrong as denying their responsability. But they should certainly be made aware of the situation” (Krippendorf, 1987 apud Moscardo, 1998: 7).

Como referimos no capítulo anterior, tanto o conhecimento factual como a afinidade emocional são importantes de transmitir ou suscitar para aumentar as hipóteses de que a experiência ecoturística fique na memória do visitante, o que, como vimos, é um factor importante para a manutenção de um interesse a longo prazo por questões ecológicas. Aliás, um estudo cujo objectivo era investigar as memórias de ecoturistas quatro meses depois da experiência, para depois as relacionar com os processos que as podem transformar em alteração de comportamentos, concluiu que a combinação entre as dimensões factual e emocional parece ser a que provoca um impacto maior no visitante (Ballantyne et al, 2011: 774). Acrescentemos, a este propósito, e retomando o conceito de preocupações biosféricas, bem como os resultados do estudo de Schultz (2000), referidos no capítulo anterior, que as dinâmicas de comunicação estabelecidas neste contexto têm uma importância fundamental. Tendo em vista a criação ou confirmação de preocupações biosféricas, pretende-se uma abertura psicológica para a tal afinidade emocional de que falávamos, sendo para isso necessária uma versatilidade dos lugares do discurso que permita a participação e o envolvimento do ecoturista no decorrer dos eventos/situações de comunicação. Por exemplo, no estudo de Ballantyne, “it was the information visitors had been given about the dangers faced by 'their' animals that had stayed in their memories longer than the factual information about the animals” (Ballatyne et al, 2011: 774).

A qualidade dos guias, o que inclui as suas competências tanto sociais como científicas, reflecte-se na qualidade da experiência pedagógica como um todo. Como realçam Weiler & Ham (2001), a questão da adequação dos guias à tarefa proposta pela interpretação é tanto mais importante quanto a qualidade da experiência está directamente relacionada com a satisfação do turista. Ora, como temos sugerido, se é importante para qualquer negócio que o cliente fique satisfeito, este aspecto é também fundamental para que o ecoturista se sinta envolvido na experiência, aceite e confie na informação veiculada, e aumente as probabilidades de participar nos processos comunicativos.

O rápido crescimento do ecoturismo enquanto negócio não foi acompanhado pelo aumento do número de guias qualificados (Kimmel, 1999) para oferecer a interpretação que temos vindo a descrever ao longo da nossa reflexão. Contudo, de acordo com Kimmel (1999), apesar de a qualidade dos guias variar muito, o problema não se concentra apenas na questão das competências científicas dos profissionais, salientando-se a necessidade de formar guias no que diz respeito

também a competências sociais para cuprirem a sua função de forma eficaz: “Individuals with excellent communication/interpretative skills, organizational and leadership abilities, as well as environmental expertise and knowledge are surely few and far between. (…) What appears to be lacking, then, is training in the area of tour leadership and environmental interpretation techniques” (Weiler & Davis, 1993: 96 apud Kimmel, 1999). A escolha do vocabulário e o estabelecimento de uma determinada relação entre o ecoturista e a natureza através da linguagem é uma parte fundamental dessa competência.

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