NORMER OG RETNINGSLINJER FOR LUFTKVALITET
2 NORMER OG RETNINGSLINJER .1 Karbonmonoksyd, CO
Tendo em conta a capacidade generativa das línguas, dificilmente se poderia afirmar que existe um campo lexical específico à função pedagógica do ecoturismo na sua vertente mais responsável, tal como temos vindo a descrevê-la. Claro está, os termos utilizados são o reflexo de intenções, devendo estas últimas ser produto de uma decisão ao nível fundamental, ou seja, comunicacional, tal como referimos. Não obstante, mais do que a enumeração dos termos a utilizar para reflectir uma certa intenção e dinâmica comunicativas, a literatura indica, contudo, termos ou campos lexicais a evitar.
Os autores Mühlhäusler & Peace (2001) começam por referir a função de, através do discurso da interpretação, evidenciar a interrelação entre elementos do ecossistema, por exemplo. Ora, no seu estudo, os autores verificaram a utilização de vocabulário bélico, referindo-se à construção discursiva de uma metáfora para descrever o ambiente natural que remete para uma zona de guerra. Foram destacados termos como “exército”, “terrorismo”, entre outros. Tendo em conta o objectivo de traduzir o comportamento dos elementos do ecossistema de forma a tornar evidente a interrelação e interdependência entre eles, o vocabulário bélico é indicado como algo a avitar na medida em que “all these metaphors reinforce the idea that nature is characterised by the survival of the fittest, rather than the ecological view that most relationships between species are mutually beneficial” (Mühlhäusler & Peace, 2001: 365). Há que relacionar também esta ideia com o facto de a utilização de vocabulário bélico ser contrária à criação do sentimento de pertença e de empatia que referimos anteriormente, na medida em que pode instigar, pelo contrário, uma sensação de perigo e de crueldade na natureza.
Esta observação relativa à criação de um sentimento de pertença leva-nos à questão da relevância da utilização de certos pronomes no discurso. Apesar de, à primeira vista, poder parecer um detalhe sem importância, os autores referidos realçam que, pelo discurso, se incluem e excluem intervenientes. Assim, “pronouns, as suggested by Mühlhäusler and Harré (1991), are primarily devices for carving up people space – i.e. to include, exclude, create group solidarity, etc. – rather
than place holders (anaphors) or referring words” (idem: 366). Ora, como referem os autores, “a major requirement for a successful ecowalk is to create a group” (idem). O pronome “nós” ou “we”, por exemplo, é um pronome inclusivo, por natureza. Contudo, pode ser utilizado tanto para incluir todos os intervenientes do grupo, como para excluir os turistas daquilo que está a ser dito, ao utilizar o pronome para se referir aos locais, sendo este um uso considerado “não-ecológico” do pronome. É o caso de frases como “we have several species of monkeys” ou “we take care of our natural resources”, por exemplo, que excluem o ecoturista do discurso. Além disso, no caso de estudo dos autores, foi verificado que um guia com menos experiência utilizou sobretudo os pronomes “I” e “you”.
Outra questão que merece ser realçada neste âmbito é o vocabulário que remete para uma antropomorfização da natureza. Mühlhäusler & Peace (2001) verificaram a utilização destes campos lexicais em situações comunicativas tanto unilaterais como interactivas. Exemplos incluem a utilização da metáfora do circo e adjectivos como “feio”, “cómico”, entre outros. Perante tal observação, os autores realçam o seguinte: “Ecologists such as Lorenz (1974) have emphasized the danger of seeing nature as a mirror of humanity” (Mühlhäusler & Peace, 2001: 366). Assim sendo, é sugerido que se evite este tipo de vocabulário pelo perigo que representa a humanização da natureza tendo em vista uma abordagem interpretativa ou 'tradutora' da natureza, tal como deve ocorrer no contexto da interpretação em particular, e na função pedagógica do ecoturismo em geral. Impõe-se contudo uma observação: recordemos as vantagens que pode trazer a criação de empatia entre os ecoturistas e o ambiente que os rodeia. Assim sendo, parece-nos mais sensato optar por um meio-termo, ou seja, uma utilização pensada de campos lexicais que remetem para a humanização da natureza, não pondo de lado, à partida, pelas decisões comunicacionais tomadas, o potencial particularmente elevado de experiências pedagógicas que envolvem animais selvagens, por exemplo, para a criação de empatia e de preocupações biosféricas, como vimos.
Conclusão
Apesar de ter surgido há apenas 20 anos, o ecoturismo tem vindo a chamar a atenção tanto da comunidade científica como do mercado. As tensões não resolvidas entre factores económicos e ecológicos são uma das principais críticas ao conceito, que tem atravessado uma crise de legitimidade devido à observação de incongruências entre realidades e modelos teóricos. Em reacção a este beco sem saída, a comunidade científica tem vindo a reconceptualizar o ecoturismo, equacionando-o na sua relação com os extremos de determinados contínuos, mais do que insistindo na contraditória tarefa de estabelecer um conjunto de regras universais para o conceito. Tendo, na sua raiz, um conjunto de princípios que, em si, não são inequívocos, a tentativa de determinar uma
'receita' para o ecoturismo revela-se infrutífera. A heterogeneidade de realidades tem, por isso, resultado numa reflexão sobre os ecoturismos nos contextos em que se inserem, procurando optimizar as vantagens do ecoturismo tanto para o sector do turismo em geral como para os ecoturistas em particular. Com a evolução das definições de ecoturismo, a dimensão pedagógica tem adquirido cada vez mais importância, servindo, inclusive, de meio para o ecoturismo alcançar vários dos seus objectivos. Um desses objectivos e, talvez, o mais promissor e entusiasmante a nível global, é o de promover a adopção de valores e comportamentos mais sustentáveis junto dos seus públicos. A dimensão pedagógica do ecoturismo tornou-se indestacável do conceito, adoptando contornos específicos por decorrer neste contexto. As características que a interpretação adquire no ecoturismo, nomeadamente o facto de ser uma experiência pedagógica informal e voluntária, que estimula as emoções e que é proporcionada em contacto directo com o objecto, facilitam o objectivo transversal ao conceito de ecoturismo de desafiar os esquemas mentais dos seus públicos tendo em vista a adopção de valores e comportamentos mais sustentáveis. Contudo, o potencial deste contexto de interpretação depende em grande parte, para a sua eficácia, da forma como a experiência é proporcionada. Defendemos que devem ser tomadas decisões conscientes e informadas ao nível das práticas discursivas e das dinâmicas comunicativas que são estabelecidas no âmbito das experiências pedagógicas no contexto do ecoturismo. De uma caracterização da comunicação segundo a sua intencionalidade e a relação estabelecida entre os intervenientes do processo comunicativo, concluimos que, tendo em conta a dimensão ética do ecoturismo e da tarefa que se propõe realizar no âmbito da sua função pedagógica, uma comunicação predominantemente direccionada para a intercompreensão, mais do que para a imposição de determinada mensagem, é mais adequada a este contexto. Apesar de se pretender que os ecoturistas adoptem um certo conjunto de valores e comportamentos, consideramos que esse objectivo é melhor atingido através de uma comunicação interactiva onde todos os intervenientes têm direito ao discurso do que através de uma dinâmica discursiva em que se impõem regras. Assim, mais do que ditar regras a cumprir, consideramos que a tarefa da interpretação no ecoturismo passa pela estimulação de um processo reflexivo e de interesse por questões ecológicas que sejam mantidos a longo prazo. Consideramos que estas dinâmicas e intencionalidades comunicativas constituem os pilares fundamentais a partir dos quais são desenvolvidas estratégias de comunicação mais específicas, como as que estão relacionadas com o conteúdo e a linguagem utilizada. Posto isto, deixamos em aberto a questão seguinte: “We in the Western industrialized nations have an incredible opportunity for restorative and regenerative change through ecotourism. There seem little doubt that tourism will continue to grow; the most important question remains: Will it be ecologically responsible and sustainable?” (Ivanko, 1996: 33).
CAPÍTULO 4