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Em 1952 Bratke foi convidado pelo amigo Oscar Americano para construir a residência da família. Elaborou um projeto adaptado às depressões naturais do terreno, além de seguir um extenso programa, com cinco quartos, salas de recreação e de projeção, etc. A setorização é claramente demarcada na obra, dividida em três partes básicas: a área íntima e a de serviços nas extremidades, e a área social, sendo que o programa principal está distribuído no piso mais alto, deixando o inferior para lazer e serviços. O pórtico contínuo da fachada torna o jardim interno parte integrante do volume.

Figura 116 ‒ Setorização Residência Maria Luísa e Oscar Americano Fonte: Elaborada pelo autor.

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O projeto adapta-se às depressões naturais do terreno, além de seguir um extenso programa, com cinco quartos, salas de recreação e de projeção etc., sendo que o programa principal está distribuído no piso mais alto, deixando o inferior para lazer e serviços. O pórtico contínuo da fachada, que torna o jardim interno parte integrante do volume.

Figura 117 ‒ Residência Maria Luisa e Oscar Americano: plantas térreo e nível Fonte: Redesenho elaborado pelo autor.

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Figura 118 ‒ Residência Maria Luisa e Oscar Americano: cortes AA, corte BB, fachada 1 e fachada 2 Fonte: Redesenho elaborado pelo autor.

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A residência hoje é ocupada pela Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, que recebe diariamente estudantes e apreciadores de arte e se tornou uma referência da arquitetura residencial moderna paulistana. Atualmente, a residência expõe obras de arte e seus interiores são ocupados por móveis que fazem parte do acervo da família, porém não condizem com os ideários modernos do projeto arquitetônico, conforme podemos observar nas fotos a seguir.

Figura 119 - Fotos do mobiliário atual da Fundação Maria Luísa e Oscar Americano Fonte: Fundação Maria Luísa e Oscar Americano.

Seus interiores, conforme o projeto original, foram mobiliados com móveis da Branco

& Preto. A residência apresenta uma relação forte com as áreas externas através dos seus

grandes planos de vidro. O projeto de interiores conseguiu desenvolver uma linguagem condizente e integrada entre o espaço interior e a casca arquitetônica. Pode-se começar essa análise com as fotos inseridas na sequência.

Figura 120 - Ambientes da Residência Oscar Americano mobiliados com os móveis da Branco & Preto Fonte: Fotos Peter Scheier (Fundação Oscar Americano).

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A obra é marcada por uma volumetria que não conflita com a natureza e se adapta ao perfil natural do terreno. Logo, o desenho é horizontalizado, a fim de usufruir da vegetação e dos jardins. A entrada da propriedade localiza-se na parte baixa do terreno, enquanto que a construção está na parte superior, para que assim possa propiciar maior privacidade. Foi construída uma estrutura metálica na lateral da residência, que pode ser montada para receber eventos como formaturas e casamentos.

Figura 121 – Fotos atuais da parte externa da Residência Maria Luísa e Oscar Americano Fonte: Fotografias capturadas pelo autor.

A Branco & Preto utilizou nesse projeto peças do seu catálogo que eram produzidas em série, mas algumas delas foram desenvolvidas exclusivamente para essa casa. Podemos notar, por exemplo, quartos com peças que se encaixam perfeitamente com as dimensões da

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arquitetura, conforme pôde ser observado nas fotos apresentadas anteriormente e na maquete apresentada a seguir, que será estudada em detalhes, para que se possa verificar a existência de uma relação conceitual e sua explicitação.

A seguir temos a perspectiva que reconstitui a sala de descanso e a planta com localização da sala de estar que será detalhada.

Figura 122 ‒ Redesenho da sala de descanso Residência Maria Luisa e Oscar Americano Fonte: Elaborada pelo próprio autor.

Figura 123 ‒ Localização da sala de estar no pavimento térreo Fonte: Elaborada pelo autor.

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A sala de estar da residência tem os fechamentos laterais em vidro com vista para a área externa, composta pelos jardins e a fonte interna criada pelo arquiteto.

Figura 124 – Residência Maria Luísa e Oscar Americano: layout sala de estar

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Figura 125 – Residência Maria Luísa e Oscar Americano: cortes AA, BB, CC e DD ‒ sala de estar Fonte: Redesenho elaborado pelo autor com base na Revista Acrópole, n. 226, p. 358-262, ago. 1957.

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Ao observarmos no layout a ligação entre os móveis através dos eixos e nos cortes ficou nítida a preocupação em não se bloquear os visuais.

Figura 126 – Residência Maria Luísa e Oscar Americano: layout sala de estar com relação entre os móveis Fonte: Desenho elaborado pelo autor com base na Revista Acrópole, n. 226, p. 358-262, ago. 1957.

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Na maioria dos projetos de interiores desenvolvidos pelos membros da loja predominava a utilização de móveis já pertencentes ao catálogo, mas também foram criadas peças pontuais, a fim de propiciar a interligação com a arquitetura ou suprir questões dos programas de necessidades. A sala de estar da residência Maria Luisa e Oscar Americano teve seus móveis desenvolvidos com exclusividade, ficando nítida nos desenhos apresentados a seguir a preocupação em não se obstruir os visuais criados pelos planos de vidro e, de forma mais sutil, nos sofás, nos bancos que têm seus volumes suspensos do chão pelos pés, e no desenho das estantes laterais, seguindo assim o conceito de interação da obra proposto por Bratke.

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Figura 127 – Residência Maria Luisa e Oscar Americano: móveis sala de estar

Fonte: Redesenho elaborado pelo autor com base na Revista Acrópole, n. 226, p. 358-362, ago. 1957.

Na sequência encontram-se o layout e com as perspectivas dos móveis. Pode-se observar que, assim como no projeto arquitetônico, as linhas retas e a horizontalidade predominam também no projeto da mobília.

Segundo o arquiteto Romeu Castro de Souza:

O móvel era pensado para se relacionar com a arquitetura do local. Porque eles estavam inseridos nesse conceito. Quando foi criada, a Branco & Preto fazia os móveis de acordo com os projetos que estavam surgindo (...). Havia um relacionamento entre a estrutura do móvel em si e o desenho da casa

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Figura 128 ‒ Residência Maria Luisa e Oscar Americano: Layout da sala de estar com desenhos dos móveis Fonte: Elaborada pelo autor a partir das fotos de Peter Scheier apresentadas anteriormente.

Figura 129 - Residência Maria Luisa e Oscar Americano: Perspectiva sala de estar Fonte: Elaborada pelo autor.

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Pode-se observar nas fotos da maquete a seguir uma transparência possibilitada pelo grande fechamento em vidro e no mobiliário. As estantes nas extremidades evidenciam que seus núcleos principais não chegam até o teto, o que a princípio poderia ser a solução mais usual para uma estante. Os sofás e bancos não são totalmente fechados e a mesa de centro evidencia essa transparência com o uso do vidro, o que possibilita maior integração entre os espaços interno e externo da residência. Há simetria entre os móveis. As poltronas, por serem peças que possuem um desenho diferenciado na parte de trás, foram posicionadas de forma a se sobressaírem. Além disso, nota-se o cuidado de não encostar peças altas na parede envidraçada, valorizando assim a integração do interior da residência com o jardim.

Figura 130 – Residência Maria Luisa e Oscar Americano: vista 1 maquete sala de estar

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Figura 131 – Residência Maria Luisa e Oscar Americano: vista 2 maquete sala de estar Fonte: Elaborada pelo autor com base na Revista Acrópole, n. 226, p. 358-262, ago. 1957.

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Figura 132 – Residência Maria Luisa e Oscar Americano: vista 3 maquete sala de estar Fonte: Elaborada pelo autor com base na Revista Acrópole, n. 226, p. 358-262, ago. 1957.

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Figura 133 – Residência Maria Luisa e Oscar Americano: vista 4 maquete sala de estar Fonte: Elaborada pelo autor com base na Revista Acrópole, n. 226, p. 358-262, ago. 1957.

Figura 134 – Residência Maria Luisa e Oscar Americano: vista 5 maquete sala de estar Fonte: Elaborada pelo autor com base na Revista Acrópole,n. 226, p. 358-262, ago. 1957.

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Figura 135 – Residência Maria Luisa e Oscar Americano: vista 6 maquete sala de estar Fonte: Elaborada pelo autor com base na Revista Acrópole. 226, p. 358-362, ago. 1957.

Figura 136 – Residência Maria Luisa e Oscar Americano: vista 7 maquete sala de estar Fonte: Elaborada pelo autor com base na Revista Acrópole. 226, p. 358-362, ago. 1957.

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Pôde-se constatar no estudo uma forte relação entre o projeto arquitetônico e seus interiores através de diversas opções projetuais, como a composição dos móveis a partir dos eixos dos ambientes, a predominância de um desenho que se desenvolve em linhas horizontais, assim como da própria residência. No projeto da residência Maria Luisa e Oscar

Americano, fica mais evidente a relação da arquitetura com o projeto dos interiores pela

criação de um mobiliário exclusivo que enfatizava a criação dos visuais através das transparências e fluidez. Constatou-se que os projetos dos interiores e do mobiliário apresentados estão relacionados e integrados ao projeto arquitetônico.