2.2 Ungfiskundersøkelser
2.2.1 Elektrisk båtfiske i Røssåga
Destaca-se em 1947 a fundação da primeira faculdade de Arquitetura de São Paulo, no Mackenzie, por iniciativa do arquiteto Christiano Stockler das Neves (1889-1982), formado em 1911 pela Graduate Schoolof Fine Arts, da Universidade da Pensilvânia (EUA), que aplicava os métodos de ensino baseados no programa da Escola de Belas Artes de Paris. Stockler das Neves, na condição de diretor e professor, exerceu papel ao mesmo tempo centralizador e polêmico, por inibir a realização entre os alunos daquela faculdade de projetos modernos, por sua vez, supriam muitas vezes o anseio pela modernidade, buscando o acesso a revistas estrangeiras consideradas progressistas. O arquiteto, tendo sido o responsável pela criação do curso de arquitetura da Escola de Engenharia Mackenzie em 1917, permaneceu à frente da direção da escola até 1956. Nesses 40 anos esteve sempre difundindo os conceitos clássicos e procurando desenvolver nos arquitetos ali formados esmerada competência para representação do espaço e composição, afirmando o pendor acadêmico da escola, sem conseguir inibir, no entanto, o avanço da arquitetura moderna intramuros mackenzistas (PEREIRA, 2005). Professor rigoroso e competente foi também defensor de uma arquitetura de moldes acadêmicos e estimulou a prática exaustiva do desenho no ambiente acadêmico (PEREIRA, 2005), formando arquitetos hábeis nessa instrumentação e que, sobretudo, se utilizaram dela para alcançar o patamar de propagadores da arquitetura moderna.
Apesar do esforço de Stockler para manter o ensino nos moldes da arquitetura clássica, a repressão instigou os alunos a procurar novas informações acerca da arquitetura e das artes
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modernas, o que acarretou o surgimento de diversos grupos que partilhavam ideários modernos, conforme nos relata Miguel Forte:
Existia um grupo Jacob Ruchti, Galiano Ciampaglia, Igor Sresnewsky e outros poucos – que, escondidos do Christiano, estudava por conta própria os movimentos da arquitetura dessa época. Então nós ficávamos empolgados com Frank Lloyd Wright, Le Corbusier, Mies Van der Rohe, Gropius, Richard Neutra e, quase que escondidos dos nossos professores de projetos, ficávamos manuseando revistas e livros com a publicação desses arquitetos. E contávamos um para o outro: “Você viu? Olha, eu comprei um novo livro, você viu a residência do Frank Lloyd Wright publicada? Você viu aquela obra do Mies Van der Rohe?” E assim por conta própria éramos professores uns dos outros (FORTE, 2001, p. 15).
Esses arquitetos integram uma geração que vivenciou a transição da arquitetura acadêmica à moderna, porém muitos se dedicaram ao estudo da arquitetura moderna estimulados por publicações estrangeiras que aqui chegavam. O interesse e o desenvolvimento de habilidades para a prática da projetação e construção modernas se viram reforçados ainda pelo ambiente urbano em modernização que se formava nas principais capitais brasileiras, o que contribuiu para a substancial modificação da paisagem e da vivência do espaço urbano (ABASCAL; BRUNA; ALVIM, 2009) na década de 1950.
Uma educação fundamentada na crença da relevância da articulação entre arte e arquitetura acadêmica contribuiu para que os arquitetos formados nesse ambiente produzissem obras modernas com grande competência do ponto vista de nível de detalhamento projetual, complementando-se o fato a partir da vivência no Mackenzie de um ideário pragmático (PEREIRA, 2005). Este meio acadêmico, embora muitas vezes não estimulasse a uma referência pluralista de fontes arquitetônicas, não comprometia mentalidades frente a uma única vertente da arquitetura moderna, estimulando que se viesse beber de variadas referências e fontes, uma vez que não se constrangia à obediência do dogma funcionalista. Dentro desse espírito, de não haver qualquer compromisso exclusivo com o racionalismo de Le Corbusier, por exemplo, Miguel Forte e Jacob Ruchti buscaram outras fontes em contatos, estudos e viagens, tal como a que foi realizada aos Estados Unidos em 1947. Nessa ocasião, estreitaram laços com as arquiteturas de Richard Neutra, Philip Johnson, John Gaw Meen, Rudolf Mock, William Wurster e Frank Lloyd Wright, arquitetos representativos da prática de arquitetura moderna, tendo a grande maioria de suas obras espaços com mobiliário compatível às concepções arquitetônicas (ARGAN, 1997).
Tudo isso possibilitou que esses arquitetos formados nesse meio híbrido pudessem se tornar arquitetos modernos de grande competência projetual e prática (PEREIRA, 2005).
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Depois de formados, alguns destes profissionais, até mesmo trabalhando próximos uns dos outros, com escritórios à Rua Barão de Itapetininga (MATERA, 2005), reuniram-se em 1952 para criar a loja de móveis Branco & Preto, que funcionou até meados de 1970 contribuindo consideravelmente para a consolidação da utilização de um mobiliário com uma linguagem condizente com arquitetura que estava sendo produzida, e, sobretudo para a disseminação de conceitos e princípios modernos por meio de seus projetos de móveis.
Roberto Aflalo um dos sócios da loja obteve experiência em desenho de mobiliário na loja Ambiente pioneira na fabricação e venda de móveis modernos. Jacob Ruchti era filho do arquiteto suíço Frederico Ruchti, que se formou na Technische Universität de Berlin, mas veio ao Brasil trabalhar para a família Klabin, em 1919. Vivendo no meio cultural de seu pai, teve a oportunidade de conhecer importantes personalidades, como o arquiteto Vilanova Artigas e outros artistas renomados, como Bonadei, Volpi e Di Cavalcante. Posteriormente, Aflalo trabalhou no escritório do arquiteto Warchavchik e, em 1951, lecionou na escola de design do Instituto de Arte Contemporânea do MASP.
I Chen Hwa diplomou-se na Pennsylvania State University, nos Estados Unidos, e imigrou para o Brasil durante a revolução comunista. Trabalhou no escritório de Philip Johnson5 e, em 1952, veio ao Brasil para trabalhar no escritório de Plínio Croce e Roberto Aflalo, em São Paulo (ACAYABA, 1994, pag. 53). A seguir, o arquiteto Romeu Castro de Souza relata sobre a facilidade de Chen com o desenho: “Ele é o mais perfeito que eu vi até
hoje, era um artista. Os arquitetos pediam para ele desenhar as perspectivas do exterior, os jardins, ele fazia as folhagens, as árvores tinham a aparência da estação do ano, secas no inverno” (Anexo 2).
Carlos Millan (1927-1964) era membro de uma família espanhola, caçula de três irmãos. O mais velho, Roberto, era médico; Fernando era advogado de formação e proprietário de galeria de arte; Carlos tocava piano. Fernando foi proprietário do antiquário Ouro Preto na Rua Augusta, depois na Alameda Jaú, e da galeria Fernando Millan na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, que até hoje é endereço de galerias e lojas de design. Estudaram no Colégio São Luís. Casou-se com Ana Tereza Del Nero, formada em Línguas. Residiram na Rua Dona Veridiana, depois na região da Serra da Cantareira. Na sequência, mudou-se para o condomínio do Banco Lar Brasileiro na Rua Ministro Godói em Perdizes, em um prédio projetado por Salvador Candia, Plínio Croce e Roberto Aflalo. Teve seis filhos, porém um menino faleceu nos primeiros meses. Millan fumava muito. Estagiou nos
5Arquiteto norte-americano referência na arquitetura moderna e ganhador do prêmio Pritzker, o mais importante
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escritórios de Abelardo de Souza, Arthur Oswaldo Bratke e Rino Levi (MATERA, 2005, p. 50).
Millan foi membro da Câmara de Arquitetura do CREA, quando concorreu à presidência em 1963 e acabou perdendo para Alberto Botti. Foi diretor do IAB entre 1959 e 1961 e tesoureiro na gestão de 1962 a 1963. Em 1957 passou a ser professor da Universidade Mackenzie. É autor de projetos muito bem-elaborados, conforme podemos verificar na citação sobre arquitetura produzida na década de 1960: “Uma produção que atingiu alta qualidade arquitetônica, especialmente no programa de residências, cabe destacar o apuro das casas concebidas por Carlos Millan entre 1960 e 1964” (BASTOS; ZEIN, 2010, p. 141).
Millan faleceu prematuramente em um acidente de automóvel em 5 de dezembro de 1964, quando voltava com a esposa Ana Tereza e três dos cinco filhos de uma fazenda em Joaquim Egídio, no interior paulista. Ele perdeu o controle do carro e caiu no rio Atibaia entre as cidades de Valinhos e Joaquim Egídio. A única sobrevivente foi à filha mais velha.
O arquiteto Plínio Croce (1921-1984) trabalhou um ano na Regis & Augustinis, entre 1946 e 1947, quando era recém-formado. Em 1948 ingressou na filial paulista do renomado escritório do designer americano Raymond Lowey. Em 1949 abriu seu próprio escritório e em 1950 se filiou a Aflalo, que funcionou até 1962. Também lecionou na FAU–USP.
Roberto Aflalo (1926-1992) ingressou na universidade em 1946 e já no primeiro ano estagiou no escritório do Plínio. Em 1950 formaram o escritório Plínio Croce & Roberto Aflalo, que funcionou até 1962. Aflalo conforme já citado obteve sua experiência iniciando com o desenho de mobiliário para a loja Ambiente, onde desenvolveu uma série de móveis. Em 1962, ele e Plínio Croce se juntaram a Gian Carlo Gasperini e participaram do concurso para a construção do Edifício da Peugeot, tendo essa parceria inicial evoluído para uma sociedade.
Jacob Ruchti (1917-1974), conforme já destacado anteriormente, era filho do arquiteto suíço Frederico Ruchti, que se formou na Technische Universitätde Berlin, mas veio ao Brasil trabalhar para a família Klabin, em 1919. Convivendo no meio cultural de seu pai, teve a oportunidade de conhecer importantes personalidades, como o arquiteto Vilanova Artigas e outros artistas renomados, como Bonadei, Volpi e Di Cavalcante. Ele se formou arquiteto em 1940 e foi trabalhar com seu pai, que era voltado principalmente ao desenvolvimento de projetos e construções de residências. Em 1947 Jacob viajou com Miguel para os Estados Unidos durante seis meses onde manteve contato com a arquitetura que estava sendo produzida naquele país. Foi docente de composição decorativa no Instituto de Arte Contemporânea de São Paulo da FAU-USP (1954-1961). No campo da arquitetura
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desenvolvia projetos principalmente residenciais engajados no organicismo proposto por Frank Lloyd Wright.
Miguel Forte (1915-2002), assim como Ruchti, formou-se engenheiro arquiteto pelo Mackenzie. Trabalhou no escritório do arquiteto Rino Levi de 1938 até 1942, ano em que abriu com seu cunhado Galiano Ciampaglia a firma de Projetos e Construções Forte e Ciampaglia. Fez parceria em 1946 com Jacob Ruchti para participar do concurso que visava à construção do edifício sede do Instituto de Arquitetura do Brasil, e conquistaram o primeiro lugar, em conjunto com a equipe de Rino Levi. Foi à paixão e a admiração de Miguel Forte pela arquitetura de Frank Lloyd Wright que o estimulou, juntamente com Jacob Ruchti, a fazer a viagem aos Estados Unidos. A partir de 1964 Miguel também passou a dar aulas de projeto na Faculdade de Arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.