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A relação população-recurso é um tema que acompanha a ciência demográica há anos. Ricardo (1986) aborda a obra Ensaio sobre a população de Malthus (1798), na qual o autor levanta um debate sobre essa polêmica relação. O autor estuda as consequências do crescimento populacional em progressão geométrica contra a progressão aritméica da produção de alimentos. Com isso apontava, à época, a importância do controle populacional seja pela natureza, por doenças ou guerras, para se manter o equilíbrio entre a população e os recursos do planeta.

Em discursos mais atuais, a pressão do crescimento populacional e da urbanização sobre os recursos afetam principalmente a água e questões como saneamento básico, preservação do meio ambiente, reuso dos recursos hídricos, consumo consciente, entre outros, passam a fazer parte das preocupações.

O crescimento veriginoso de São Paulo e, como consequência, de todas as cidades em seu entorno, levaram à deterioração dos recursos hídricos da capital.

Ao longo do tempo, a RMSP vem se transformando, de uma urbanização compacta desde a colonização até a década de 1960, com a concentração urbana parindo do triângulo histórico e crescendo ao seu redor, nos limites da capital.

Ainda durante a primeira metade do século XX, com a barragem do Rio Guarapiranga em 1907 e do Rio Grande após 1924, que deram origem, respecivamente às Represas Guarapiranga e Billings (Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP)), iniciou-se um crescente potencial de lazer na região sul paulistana. Foram construídos clubes de campo, clubes náuicos, balneários, etc. Em suma, tratavam-se de empreendimentos que ocuparam grandes áreas às margens das represas, que logo se sucederam pelas aberturas de grandes vias, como a Washington Luiz e Interlagos. Consequentemente,

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a especulação imobiliária não demorou a exercer pressão sobre a região.

O desenvolvimento também foi se intensiicando ao longo das estradas e avenidas abertas para acesso aos novos bairros, que surgiam e a década de 1960. Com isso, deu-se a transformação de uma São Paulo compacta em uma metrópole que se fragmentava no senido rural da cidade, inclusive sobre os mananciais.

As décadas de 1970-80 apresentam uma ação de periferização da população, formando, de maneira cada vez mais intensa, outros centros urbanos nas cidades vizinhas, e gerando a conturbação com a capital (Figura 25 e derivadas).

Figura 25 – RMSP: Evolução da Expansão da área Urbanizada – até 2002

Figura 25.1 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – até 1881

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográica do Alto Tietê (2014)

Figura 25.6 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de 1963 até 1974

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográica do Alto Tietê (2014) Figura 25.2 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de

1882 até 1914

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográica do Alto Tietê (2014)

Figura 25.3 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de 1915 até 1929

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográica do Alto Tietê (2014)

Figura 25.4 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de 1930 até 1949

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográica do Alto Tietê (2014)

Figura 25.5 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de 1950 até 1962

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Figura 25.11 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de 1998 até 2002

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográica do Alto Tietê (2014) Figura 25.7 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de

1975 até 1980

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográica do Alto Tietê (2014)

Figura 25.8 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de 1981 até 1985

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográica do Alto Tietê (2014)

Figura 25.9 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de 1986 até 1992

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográica do Alto Tietê (2014)

Figura 25.10 – RMSP: Mapa de Expansão de área Urbanizada – de 1993 até 1997

O crescimento populacional é indicador das transformações no tecido urbano da cidade. Tendo dado um salto de 375% em São Paulo na segunda metade do século XX, a cidade se tornou o maior centro urbano da américa laina (PMSP). Ocorre uma desaceleração no crescimento da capital (Gráico 04) e na RMSP (Gráico 05) a parir da década de 1980.

Isolada isicamente da capital pela Serra da Cantareira, Mairiporã também se desenvolve (Figura 26). Na década de 1960, quando a Capital alcançava 4 milhões de habitantes, Mairiporã, mesmo com a instalação da Companhia Cinematográica Muliilmes4 no início da década, ainda apresentava uma

mancha urbana reduzida com 12.800 habitantes. O quadro, que já se alterava ao inal da década de 1960 provavelmente pelo aumento do luxo devido a abertura da Rodovia Fernão Dias em 1959, viria a sinalizar a formação de núcleos urbanos, sobretudo devido à barragem do Rio Juqueri e à criação da Represa Engenheiro Paulo de Paiva Castro, em 1974.

Ao inal da década de 1970, Mairiporã se vê diante de quadro semelhante ao da época de formação das represas na Capital 40 anos antes. Ocorria uma melhora no sistema viário, somada à riqueza natural da região que agora ganhava outra caracterísica posiiva, de forma que a represa Paiva Castro alavancou grande valorização imobiliária, sobretudo de residências de médio e alto padrão, inicialmente para veraneio e posteriormente para moradia deiniiva.

A Lei de Proteção de Mananciais de 1975 impõe área de preservação equivalente à 80% do território municipal. Isso esimulou a criação pelo poder público do Distrito de Terra Preta, fora da área de proteção, onde seria implantado um bairro industrial com incenivos iscais às empresas na década de 1970.

Pinto (2007, p. 140) aponta a década de 1990 com sendo a de maior transformação urbana do município quando “[...] acontece o verdadeiro povoamento da “área rural” do município, com a “urbanização” se dispersando em todo o território municipal”. Enquanto nessa década a capital reduzia seu grau de crescimento, a SRN (Gráico 06) e o município de Mairiporã (Gráico 07) passavam a receber boa parte da população que ainda migrava para a periferia em busca de áreas mais baratas, ou em outro extremo, em busca de casas de médio e alto padrão em meio às belas paisagens naturas para melhor qualidade vida, seja para lazer sazonal, seja para moradia ixa.

4 A Companhia Cinematográica Muliilmes foi criada em 1952 e atuou sob a direção do cineasta Mário Civelli e encerrou sua aividades em 1958. Ainda hoje existem os galpões onde foram gravados os primeiros ilmes coloridos do brasil.

Gráico 04 – Evolução da População de São Paulo Capital até 2010 Fonte: EMPLASA (2011, p. 40) - Elaboração: Ruis (2016)

Gráico 05 – Evolução da População da RMSP até 2010 Fonte: SMDU de São Paulo - Elaboração: Ruis (2016)

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Figura 26 – Expansão Urbana de Mairiporã (1881-2002) Fontes: Pinto (2007, p. 139)

Segundo dados do Atlas Brasil (2013)5, o úlimo Censo Demográico do IBGE de 2010 demonstrava uma

Taxa Geométrica de Crescimento Anual (TGCA) de 3,02% para o município de Mairiporã, superando a taxa de 2% da SRN e invertendo a tendência de crescimento demonstrada nos censos anteriores. Ademais, manteve-se a superação de crescimento populacional do Município de São Paulo (MSP) de 0,8% e da RMSP de 1%.

O gráico a seguir (Gráico 08) mostra o alto TGCA da capital, alinhado ao índice da RMSP até a década de 1970, enquanto na SRN e em Mairiporã o índice crescia em proporção menor. No entanto, o quadro se inverte a parir da década de 1980, dadas as transformações urbanísicas expostos anteriormente. Outro aspecto que pode ser apontado como indicador do crescimento de Mairiporã é a frota de veículos. O periódico online da cidade, Correio Juquery (2015), divulgou que a quanidade de veículos registrados junto ao DENATRAN entre aos anos de 2004 e 2014 cresceu 190%, parindo de 16.308 para 47.302 veículos. No mesmo período, o crescimento de veículos na capital foi de 49.63%. Na contramão do desenvolvimento sustentável, os veículos de transporte coleivo aumentaram apenas 103%, enquanto o acréscimo de automóveis foi de 170%, o de motocicletas 191% e o de veículos de carga foi de 332% durante o período (Gráico 09).

Mairiporã possui uma topograia acidentada, com seu centro comercial instalado na cota mais baixa da cidade, nas proximidades da Represa Paiva Castro (Foto 22) entre as serras da Cantareira, Japi, Pedra Vermelha e o morro do Juqueri. 80% de seu território está instalado em APRM, e sua população cresce acima das médias de cidades vizinhas, da capital, da RMSP e do estado. Todos esses fatores inluenciam as transformações socioeconômicas da cidade.