7 DRØFTING
7.3 Risikostyringsprosessen
7.7.2 Utfordringer ved ROS-‐analysen
No cotidiano é bastante comum encontrar declarações, pensamentos e comportamentos diversos acerca de vários assuntos. Empregados que são contra ou a favor de determinada norma exigida pela empresa; alunos de uma universidade estão a favor ou contra a mudança de normas para cálculo de aproveitamento de cursos, opiniões opostas sobre o comportamento dos outros ou acontecimentos sociais etc.
Quaisquer divergências de opiniões, como as citadas no parágrafo anterior, se referem a fatos onde é impossível determinar qual seria a posição ‘correta’ ou ‘verdadeira’. No entanto, cada posicionamento é baseado em valores, crenças e experiências que são traduzidas em comportamentos diferenciados. As razões da existência desse “comportamento diferenciado”, é estudada na Psicologia Social, sobre o nome de ‘atitudes’ (MONTEIRO; VALA, 2004).
A ‘atitude’ é um conceito da psicologia que engloba a avaliação de uma realidade social e retrata “[...] sentimentos pró ou contra pessoas ou objeto com quem entramos em contato.” (JABLOSKI; ASMAR; RODRIGUES, 2012, p.160). Inúmeros são os conceitos de atitude, mas todos os conceitos postulados pelas teorias da Psicologia Social por autores como Albeson; Ajezen; Allport (1976; 1988; 1935 apud MONTEIRO; VALA, 2004) tendem a caracterizar as atitudes sociais como sendo integradas por três componentes claramente discerníveis: (a) o componente cognitivo; (b) o componente afetivo e (c) o componente comportamental.
Acerca dos componentes citados anteriormente, Smith e Mackie (1997) os clarificam nos seguintes tipos de informação aos quais se baseiam as atitudes: crenças sobre as características positivas e negativas do objeto; sentimentos e emoções sobre o objeto e informação sobre ações passadas e presentes que dizem respeito ao mesmo.
Essas atitudes costumam se desenvolver de forma coerente com a maior parte daquilo que o indivíduo conhece, sente e experimenta (FEATHER, 1969; ROSENBERG, 1956 apud SMITH; MACKIE, 1997). Essa coerência é uma força poderosa, visto que uma informação positiva sobre um objeto gera uma atitude favorável, enquanto que – de forma similar e análoga – sentimentos ou condutas negativas produzem atitudes negativas, cujo processo pode ser exibido na Figura 4.
Figura 4: Desenvolvimento e medição da atitude. Fonte: adaptado de Smith e Mackie (1997).
Na Figura 4, consta um exemplo de um aluno se informa que a UFRN é a universidade
mais bem-avaliada do eixo Norte-Nordeste, se sente orgulhoso de estudar nesta instituição, é consciente de que frequenta as aulas todos os dias e estuda regularmente para todas as disciplinas do seu curso. Logo, ele está aberto para exercer uma atitude positiva acerca da universidade. A atitude, por sua vez, influirá em pensamentos, sentimentos e condutas observáveis. Os pesquisadores costumam basear-se nesses aspectos como uma forma de medir a atitude subjacente, aquela que está oculta ou subtendida.
Procura-se medir a atitude subjacente desta forma porque supõe-se que aquilo que o indivíduo pensa ou sente no seu íntimo influi em sua conduta, que consiste em “uma sequência finalizada de comportamentos” (VALA; MONTEIRO, 2004, p. 66). Essa afirmação é corroborada através da ‘teoria da dissonância cognitiva’ de Festinger (1957 apud JABLOSKI; ASMAR; RODRIGUES, 2012) e “teoria do equilíbrio” (HEIDER, 1958 apud VALA; MONTEIRO, 2004), que sugere a coerência interna dos três componentes da atitude devem ser internamente coerentes. Com base neste fato, a finalidade desta pesquisa é verificar a predisposição dos alunos da UFRN em seguir uma Política de Segurança da Informação,
investigando aspectos de conduta do indivíduo a partir do seu grau de concordância com afirmações retiradas de modelos teóricos sobre o tema.
Para Newcomb, Turner e Converse (1965 apud RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 2012), as atitudes do ser humano são propiciadoras de um estado de prontidão que, se ativado por uma motivação específica, resultará num determinado comportamento. Com isso, pode-se afirmar que o comportamento é uma resultante de múltiplas atitudes.
À motivação, de forma leiga, pode-se atribuir como uma força interna que nos leva a agir e, por ser interna, só nós mesmos a podemos sentir. Porém, o uso técnico/ científico desse conceito, mais especificamente nos campos da Administração e Psicologia é bem mais diversificado, assumindo vários significados. Um exemplo disso pode ser encontrado em um texto de Bergamini (1997, p.23; 27):
“Se, no início do século, o desafio era descobrir aquilo que se deveria fazer para motivar as pessoas, mais recentemente tal preocupação muda de sentido. Passa-se a perceber que cada um já traz, de alguma forma, dentro de si, suas próprias motivações. Aquilo que mais interessa, então é encontrar e adotar recursos organizacionais capazes de não sufocar as forças motivacionais inerentes às próprias pessoas (p.23). [...] não existe o pequeno gênio da motivação que transforma cada um de nós em trabalhador zeloso ou nos condena a ser o pior dos preguiçosos. Em realidade, a desmotivação não é nenhum defeito de uma geração, nem uma qualidade pessoal, pois ela está ligada a situações específicas (p.27)”
No trecho acima, num primeiro momento, a motivação está dentro do indivíduo, algo que Todorov e Moreira (2005) relacionam a um lócus de controle interno. Já no segundo momento, ela passa a estar relacionada a um lócus de controle externo, algo que depende de situações específicas para motivar os indivíduos ou, no mínimo, não desmotivá-los. Esses “lócus de controle” interno e externo também poderiam ser denominados como fatores motivacionais intrínsecos e extrínsecos, respectivamente.
Os fatores motivacionais intrínsecos, movem a pessoa para a ação, pois são motivos internos baseados em necessidades intrínsecas e a gratificação da pessoa é pela ação em si, sem que sejam necessários benefícios externos como impulsionadores ao indivíduo (APPEL- SILVA; WENDT; ARGIMON, 2010). Portanto, constitui-se no desejo de ocupar-se de uma atividade porque gosta dela e a julga interessante, e não por causa de recompensas ou pressões externas (ARONSON; WILSON; ARKET; 2002).
Já o fator motivacional é extrínseco quando a pessoa é movida por condições externas a ela, sejam benefícios ou punições, mas que a ação por si só não a satisfaça (APPEL-SILVA; WENDT; ARGIMON, 2010); tratando-se de uma recompensa contingente de fatores externos
(HERATH; RAO, 2009) como, por exemplo, as pressões sociais (ARONSON; WILSON; ARKET; 2002).
Correlacionado essa temática ao objeto de estudo em questão, infere-se que algumas atividades extrínsecas que podem influenciar na aceitação das normas são relacionadas ao processo de comunicação da política de segurança, treinamento e conscientização a fim de auxiliar os funcionários a compreender seus papéis e responsabilidades. Sobre este fato, Furnell e Thompson (2009), apontam que as organizações não podem verdadeiramente proteger seus ativos sem garantir que os funcionários tenham a compreensão desses papéis para que estejam suficientemente aptos a realizá-los.
Os referidos autores ainda corroboram que embora o conhecimento obtido com o treinamento seja importante, ele só será eficaz se a formação centrar-se significativamente em incentivar e motivar funcionários a usar esse conhecimento. Para tanto, a organização precisa influenciar o comportamento do usuário e, nesse quesito, Herath e Rao (2009) lembram que se pode contar com a ‘Teoria da Agência’ (Agency Theory) ou ‘Paradigma do Agente Principal’, que está bastante relacionado aos esforços feitos por cada membro e a motivação dada a eles para obter o esforço desejado. Um relacionamento na agência existe quando uma parte (principal) confia uma autoridade de decisão à outra parte (agente).
Nessa base teórica, são analisadas as relações entre os participantes de um sistema, em que propriedade e controle são designados a pessoas distintas, o que pode resultar em conflitos de interesse entre os indivíduos que é denominado “Conflito de Agência” (ARRUDA; MADRUGA; FREITAS JUNIOR, 2008; ASSIS, 2011). Trata-se, então, de um modelo de tomada de decisão, com enfoque prescritivo, embasado num modelo normativo que envolve a teoria da utilidade (HENDRIKSEN; BREDA, 1999).
No próximo tópico, serão apresentados alguns modelos teóricos internacionais que procuram identificar aspectos comportamentais do empregado na organização que poderiam incitá-lo ao cumprimento às normas e procedimentos de segurança.
2.4 Fatores motivacionais intrínsecos e extrínsecos no comportamento de segurança