16. Situasjonen nå: Sluttresultat av statsborgerskapshendelsene
16.5. Utenlandske statsborgere som (ennå) ikke har blitt norske
Ao formular a concepção de comunidade étnica definindo-a a partir da crença subjetiva numa origem comum, Weber nos aponta que:
A crença na afinidade de origem – seja ela objetivamente fundada ou não - pode ter conseqüências importantes particularmente para a formação de comunidades políticas. [...] Nutrem uma crença subjetiva na procedência comum, de tal modo que esta se torna importante para a propagação de relações comunitárias, sendo indiferente se existe ou não uma comunidade de sangue efetiva (WEBER, 1999, p. 270).
Essa concepção inaugura uma visão ampla sobre grupo étnico. Para o autor não é viável buscar a fonte da etnicidade na posse puramente de traços físicos. Weber enfatiza, portanto, que a etnicidade deve ser buscada no ato de construir,
aprofundar e manter as diferenças. Dessa forma, a definição de comunidade étnica supõe a existência da chamada pertinência, isto é, “quando é sentida subjetivamente como característica comum” pelos seus membros (WEBER, 1999, p. 267).
Weber afirma ainda que as diferenças se tornam impossíveis de serem avaliadas, para além da significação que as pessoas, nas relações sociais do dia-a- dia lhes atribuem. Sendo assim, nas relações comunitárias são estabelecidas ações comuns que têm como referência o “nós”. Dessa forma, Weber se distancia do conceito de raça, pois no seu entender, este acarreta uma hereditariedade efetiva, uma herança biológica. Enquanto que, segundo sua concepção, o grupo étnico se constitui a partir de outros parâmetros, entre eles o da subjetividade que sustenta o senso de pertença e a crença na origem comum, cujo reconhecimento se dá pela motivação política.
Nós viemos da África, meus bisavós, acho que foram escravos, estão enterrados aqui neste cemitério. Aqui antes tinha os Guajajara, eles foram também escravos. Aqui se derramou muito sangue de negro e de índio. Nós hoje temos que nos juntar, unir nossas forças, levantar a cabeça e fazer nossa cidade bonita e elevada. Amanhã é dia de Preto Velho, é dia de n´so festejar de negro, mas aqui em Pindaré todo mudo festeja e entra na festa (D. Celina, mãe de Santo, entrevista realizada em 12. 05. 2006).
Pelo depoimento acima, nota-se que múltiplos sentidos são atribuídos às festas que são realizadas em Pindaré. Os motivos da população não são apenas fazer uma e outra festa. Se Sobressaem no ato de festejar, apoiados em várias dimensões, dentre elas, a memória que lembra e a memória que ajuda a esquecer; o desejo de se apresentar bem “lá fora”, a sustentação de um imaginário ideal: todos bem, todos iguais independente da cor, do sexo, da religião, uma comunidade unida e alegre. No conjunto de depoimentos das pessoas também aparece embutido no ato das constantes festas, o desejo de a cidade ser vista pelo lado bom e não pelos estigmas da escravidão ou pela inglória do Engenho Central.
Partimos, portanto, da posição de que a identidade se constrói dentro de contextos sociais e estes são fundamentais para que as pessoas ou os grupos façam suas escolhas, podemos entender que essa construção identitária produz um efeito social de fato.
Cardoso de Oliveira (1976), discute o conceito de identidade contrastiva. O autor põe em evidência o fato de que a identidade étnica só se afirma numa oposição que nega o outro. Isto remete à questão das classificações, uma vez que em Pindaré as pessoas utilizam princípios para se identificarem com pindareenses, bem como para identificar os outros que não são da cidade. O princípio mais latente sustentado pela população, é o espírito festeiro:
Quem é de Pindaré logo se nota, porque sabe brincar e festejar, anda bem arrumado. Em Pindaré não se vive sem festa. Aqui bem perto, Santa Inês, é tudo parado. As festas de lá são muito diferentes. (depoimento de um brincante do Bumba-Boi, 25.06.2006).
O discurso do brincante permite reiterar que a categoria festa é situacional e interna no imaginário da população de Pindaré e surge do confronto entre os “daqui” (pindareenses) e os “de lá” (de outras cidades). Os últimos vistos pelos primeiros como diferentes, com festas de menor qualidade, ou mesmo que não sabem fazer festas. Portanto, a população de Pindaré se apresenta como uma identidade contrastiva (OLIVEIRA, p. 1976, p. 36). Daí a questão da identidade étnica implicar numa abordagem relacional.
Nossas indagações a respeito da relação festa-identidade nos remeteram também a análises de Poutignat e Streiff-Fenart, uma vez que os autores afirmam: “A etnicidade [...] provoca ações, reações entre um grupo e outros em uma organização social que não cessa de evoluir” (POUTIGNAT E STREIFF-FENART, 1998:11).
É nessa perspectiva de movimento, de mudança, de dinâmica e não de uma identidade estática que se encontra a base pela qual procurei analisar as festas em Pindaré-Mirim. Deste ponto de vista, novamente acerco-me das discussões desses autores. Eles afirmam que:
O que diferencia, em última estância, a identidade étnica de outras formas de identidade coletiva é o fato de ela ser orientada para o passado. [...] Mas este passado não é o da ciência histórica; é aquele em que se representa a memória coletiva. [...] Tornam-se símbolos destas ‘significações imaginárias sociais (POUTIGNAT, STREIFF-FENART, 1998:13)
Ao levantar a discussão sobre as fronteiras dos grupos étnicos Fredrick Barth adota a análise de Weber ao retomar suas principais idéias no tocante aos grupos étnicos. Para Barth, “Se um grupo conserva sua identidade quando os membros interagem com outros, isso implica critérios para determinar a pertença e meios para tornar manifestas a pertença e a exclusão” (BARTH, 1998, p. 195).
O cerne da abordagem de Barth é o grupo e não a cultura. Diante da incapacidade de determinar o limite de uma comunidade étnica pelos traços culturais objetivos, torna-se fundamental a análise da forma como a diversidade étnica se articula e se mantém socialmente. A compreensão de Barth sobre grupo étnico está centrada na ênfase relacional. Esta abordagem parece superar a problemática dos pólos subjetivismo-objetivismo, pois para o autor compreender o fenômeno da identidade étnica exige passar pela ordem das relações entre os grupos sociais. Sendo assim, em sua definição o autor sustenta que “os grupos étnicos são categorias de atribuição e identificação realizadas pelos próprios atores e, dessa forma, têm característica de organizar a interação entre as pessoas” (BARTH, 1998, p. 189).
Assim, a etnicidade está relacionada com processos sociais, em que podem ser excluídos ou incorporados elementos que irão favorecer a elaboração de significados simbólicos, no caso, de uma identidade tanto coletiva como individual. O próprio Barth afirma isso ao expressar que:
Na medida em que os atores usam identidades étnicas para categorizar a si mesmos e outros, com objetivos de interação, eles formam grupos étnicos neste sentido organizacional. [...] As características que são levadas em consideração não são a soma das diferenças ‘objetivas’, mas somente aquelas que os próprios atores consideram significantes (BARTH, 1998, p. 194).