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Tendo por referencial alguns dos mais destacados modelos teóricos de crescimento econômico (Harrod-Domar, Solow e MRW), e com base nas evidências empíricas a eles associadas, o presente trabalho teve por objetivo avaliar o impacto do Crescimento do PIB, do Estoque de Capital e da Abertura Comercial sobre o Índice de Capital Humano (ICH), e como essas variáveis, além da Produtividade Total dos Fatores (PTF), estabelecem a probabilidade do crescimento do ICH no grupo de países ser acima da média histórica.

Nos aspectos metodológicos, utilizaram-se as bases de dados do Banco Mundial (World Development Indicators – 2014) e da Penn World Table (versão 8.0), e duas metodologias econométricas distintas: o Modelo de Dados em Painel, estimado pelo Método dos Mínimos Quadrados em Dois Estágios (MQ2E), com Variáveis Instrumentais, por Efeitos Fixos e Aleatórios e o Modelo de Escolha Discreta (Variável Dependente Binária), estimado pelo Método da Máxima Verossimilhança, considerando a amostra composta de 10 países, no período de 30 anos (1982-2011).

Os resultados, em relação à primeira metodologia, indicam que a abertura comercial, associada à acumulação de capital físico, possuem impacto positivo na explicação do comportamento do Índice de Capital Humano (ICH) na amostra de países selecionados, admitindo-se, no presente estudo, como sendo uma proxy do nível de desenvolvimento econômico de um país. Sob o nível de confiança de 90%, o crescimento do PIB não é estatisticamente significante. Cerca de 62% das variações no ICH são explicados pelas variáveis dos modelos propostos, por Efeitos Aleatórios, levando-se em consideração os instrumentos adotados.

Na segunda metodologia, verificou-se que a abertura comercial e o crescimento do PIB (ambos em sua primeira defasagem) apontam para a redução nas chances de crescimento do ICH determinado país, e que a Produtividade Total dos Fatores, em todas as estimações, possui influência positiva na chance de crescimento do ICH de um país acima da média. Nas estimações que consideraram a abertura comercial, o estoque de capital (em logaritmo) e a produtividade total dos fatores (defasada, não defasada e em logaritmos), o coeficiente da variável Crescimento do PIB (defasado) não foi estatisticamente significante.

De acordo com as estimações realizadas, e em termos de política macroeconômica, a abertura comercial e o acúmulo de estoque de capital se mostram fundamentais para explicar o nível de desenvolvimento de um país, mensurado pelo Índice de

Capital Humano, e que a produtividade dos fatores, em especial no longo prazo, é significante para explicar a probabilidade de crescimento do ICH de um país acima do nível médio, o que sugere a realização de fortes investimentos, por parte dos governos e da iniciativa privada, em tecnologia e infraestrutura.

Destaque-se que dados referentes à taxa de juros real da economia, ao nível de poupança e à inflação, que poderiam robustecer ainda mais a presente análise pela sua relevância, não estiveram disponíveis em relação a todos os países da amostra e/ou no período considerado, podendo pesquisas futuras relacionar o impacto dessas variáveis no nível de crescimento e/ou desenvolvimento econômico dos países.

De acordo com Mankiw (2012), os dados internacionais confirmam as evidências de que os países que possuem maior abertura ao comércio internacional (como resultante de uma política de maior desburocratização institucional, maior flexibilidade aduaneira, tarifária e tributária etc.) são países que contam com melhor nível de desenvolvimento econômico, expresso pelo ICH, e que a probabilidade de verificar em determinados países uma “bolha” de crescimento do ICH se deve, em especial, à elevação da produtividade total dos fatores, sendo imprescindível o investimento em tecnologia para a melhor otimização do estoque de capital e de outros fatores de produção presentes na economia.

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