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In document The Multiplayer Storybook (sider 49-54)

A GRI – Global Reporting Initiative, cofundadora do IIRC, elaborou uma pesquisa a partir de informações públicas de seu banco de dados, disponibilizadas pelas empresas aderentes às diretrizes GRI de relatórios de sustentabilidade. Foram selecionados os relatórios autodeclarados integrados, com informações de 2010 a 2012. (GRI, 2013a).

O objetivo da pesquisa foi analisar a tendência e extrair informações gerais sobre o processo de geração desses relatórios. Não teve objetivo de analisar a qualidade do processo de integração em si.

A amostra reuniu, dos três anos, 756 relatórios, de 51 países e de 519 empresas, das quais 25 são participantes do Programa Piloto do IIRC.

A GRI (2013a) selecionou um grupo da amostra e enviou um questionário, que incluía perguntas sobre o motivo para a geração do relato integrado, qual o maior desafio para prepará-lo. Os temas abordados geraram boas orientações para avaliação do processo de se gerar o relato integrado.

Dentre os motivos, foram destacados a oportunidade de mudança cultural, com a quebra de silos na empresa, aumentando a sinergia entre departamentos e consequentemente melhorando a eficiência; a possibilidade de oferecer aos stakeholders uma história completa sobre o processo de negócios da empresa; outros consideraram que o relato integrado é uma forma natural de expressar a estratégia de uma empresa que tenha a sustentabilidade em seu cerne.

Quanto aos desafios, as empresas ponderaram a necessidade de vencer a resistência dos silos; eleger conteúdo para que o relato seja

suficientemente sucinto e focado; equilibrar informações não financeiras com a mesma qualidade das informações financeiras, ou seja, com o mesmo rigor, assegurando assim a qualidade do relato.

Houve ampla avaliação de que o relato integrado foi bem recebido pelos stakeholders.

Foi identificada pela autora uma relevante melhora do relatório de sustentabilidade do Itaú Unibanco inserido no contexto do Relatório Anual Consolidado.

Baseada na análise do Relato Integrado do Itaú Unibanco, a clara definição do modelo de negócio, onde se evidencia a cadeia de criação de valor da organização, suas ameaças e impactos sobre os capitais definidos pela empresa, é o item que proporciona um conhecimento holístico da empresa aos stakeholders, gerando grande valor ao relatório.

Com estas considerações, e o referencial teórico apresentado ao longo desta pesquisa, acrescentaria as seguintes sugestões aos interessados em publicar seu relato integrado: é fundamental o compromisso da alta cúpula no processo; as áreas envolvidas, inclusive contabilidade e auditoria devem estar sincronizadas nas discussões desde o início.

Um grande desafio é estabelecer quais capitais são relevantes no modelo de negócios da empresa, e estabelecer a conectividade entre esses capitais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como resultado desta pesquisa, pode-se observar que o Itaú Unibanco trata o tema sustentabilidade com relevância. Apresenta iniciativas pioneiras em diversas oportunidades. A sustentabilidade, já incorporada na sua estratégia, é incentivada através da disseminação da cultura por toda a organização, orientada no ‘mapa da sustentabilidade’, que foca em educação financeira; riscos e oportunidades socioambientais; e diálogo e transparência.

Uma vez implantada uma ação, continua com melhorias no processo, muitas vezes evidenciadas nos relatórios de verificação independente emitidos pela auditoria. Embora já tenha uma linha mestra na condução dos negócios em contexto de sustentabilidade, a cada ano apresenta novas ações, sejam elas de inovação, como o lançamento de novos produtos, sejam elas na melhoria de ecoeficiência e de processos.

Apresentou os relatórios com a evolução sugerida pela GRI em todos os anos. Alterou padrão dos relatórios durante o período, gerando alguma dificuldade para o leitor que quisesse comparar informações retrospectivas com relatórios anteriores. Pode-se identificar melhorias na apresentação dos relatórios a cada ano, inclusive passando de divulgação impressa para divulgação exclusivamente digital. Observa-se uma nítida melhora no relatório de sustentabilidade de 2013. Esta melhora pode ser atribuída a dois fatores: a mudança para o modelo G4 da GRI, com foco em uma maior reflexão sobre os temas materiais a serem relatados e ao processo de geração do relatório consolidado, que permitiu uma organização mais adequada dos temas e indicadores.

O Itaú Unibanco apresentou ações contínuas em relação à governança corporativa, e evidencia atuação nos três pilares da sustentabilidade.

No primeiro exercício de relato integrado, apresentou conformidade em praticamente todos os itens, exceção à completude. Não tem sido prática da organização divulgar nos relatórios de sustentabilidade, informações negativas ou informar porque não as divulga. Com o relato integrado não foi diferente.

A conectividade de informações, principalmente entre os capitais poderia ser melhorada. Situações concretas que já se apresentam nas metas e desafios poderiam ter sido melhor explicadas. Por exemplo, qual a avaliação que o Grupo tem do impacto social a ser gerado em Mogi Mirim após a implantação no novo data center?

Cumpre destacar que um ponto forte do processo do relato integrado, que culminou na divulgação do Relatório Anual Consolidado e do Relato Integrado, foi a grande contribuição para a clareza das informações, com maior grau de objetividade do que o apresentado nos demais exercícios.

Quanto à Estrutura do Relato Integrado proposta, é bastante abrangente, e dá um alto grau de liberdade ao relator de descrever seus negócios e estratégias, desde que siga as diretrizes. Se por um lado, facilita a geração dos relatórios e estimula o pensar no próprio negócio, por outro lado dificultará a comparabilidade entre empresas.

A Estrutura é bastante abrangente, mas poderia focar com maior ênfase a necessidade de a empresa relatar a responsabilidade pelos seus produtos. Não estabelece uma orientação clara sobre a dimensão que esta avaliação deve ter. Por exemplo, um alerta do auditor nas questões da relação do gerente de agência com o cliente, ao oferecer um produto não adequado ao cliente, por pressão de cumprimento de meta.

Um ponto fundamental da Estrutura é o foco nos capitais. A empresa passar a considerar como ativo o que antes só era visto e contabilizado como custo (capital, humano, social e de relacionamento, natural), pode ser o início de mudanças de paradigmas na gestão das empresas e na contabilidade.

Essa pesquisa analisou o relato integrado e a relevância da sustentabilidade em uma única empresa e de grande porte. Estender a análise com comparações entre outras empresas do setor e de outros países, além de uma análise sobre empresas que não relatam sustentabilidade, poderia trazer informações importantes para se entender as deficiências que devemos superar para alcançar um estado de desenvolvimento sustentável.

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