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A construção de mapas é tão antiga como a própria civilização, pelo menos no sentido em que a ideia de representação geográfica se apresenta como anterior à linguagem escrita. Segundo Matias, os mapas são uma forma de comunicação: “podemos dizer que o uso de mapas para transmitir conhecimentos sobre o mundo não é uma prerrogativa da sociedade moderna, ao contrário, pode ser encarada como um dos meios mais tradicionais de comunicação inter-humana.” (Matias, 1996, p. 32).

Um dos mapas mais antigos e autênticos, que se conhece, tem cerca de 5.000 anos de idade, estando representado em uma tabuinha cerâmica. Este mapa representa uma frente rochosa, massa de água e área da Mesopotâmia. Por muito pouco exato que esteja, este mapa integra a noção de distância, como noção regional. É uma representação simbólica, e não literal. O mapa mais antigo é o Mapa de Ga-Sur, concebido numa placa de argila original (2.500 a.C., sem título e sem escala).

Abordar Cartografia não é somente uma abordagem aos mapas, mas sim da ciência que se apresenta numa linguagem entre o cartógrafo e o utilizador, entre os dados e o mapa. A cartografia apresenta-se como a ciência que estuda os mapas e afeta todos os aspetos da nossa vida como história, economia, política, sociologia, geologia, botânica, biologia e outros campos científicos.

O que é cartografia? A cartografia é a transformação do espaço físico representado num suporte em desenho, que comunica ao leitor essas representações gráficas, que descrevemos como mapa. Portanto, a cartografia passa pelo estudo dos mapas (linguagem, legendas, numeração e grafismo), que servem para comunicar a representação exata do espaço. Para Robinson, Sale e outros “la cartografia incluye

cualquier actividad en la que la representacion y utilizacion de mapas tenga un interes básico” (Robinson, Sale, Morrison, Muehrcke, 1987, p. 3). Hoje, entende-se a

cartografia como a ciência que estuda a superfície da terra por meio de mapas, que representam, com maior exatidão possível, uma dimensão territorial real.

A palavra ‘cartografia’ tem origem na língua portuguesa, em 1839. A primeira vez que foi utilizado este termo foi pelo Visconde de Santarém, Manuel Francisco de Barros e Sousa, nesse mesmo ano.

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A Cartografia não passa pela informação simples de ‘ler’, mas pela ‘utilização’, isto é, explorar, manipular e integrar com outras informações. Como definiu a Associação Internacional de Cartografia, em 2003, por Dias (2007), a cartografia é a “ciência que trata da criação e manipulação de representações do espaço geográfico. Visuais ou virtuais, para permitir a exploração, análise, compreensão e comunicação de informação acerca do espaço” (Associação Internacional de Cartografia, 2003).

Um mapa é uma representação gráfica, que facilita a compreensão espacial de objetos, conceitos, condições, processos e factos do mundo humano. Tem, portanto, duas técnicas, que são uma extensão de corpo e dos sentidos.

A cartografia contém cinco funções (Rimbert, 1995):

• Função de Localização - Este foco pretende criar um modelo cartográfico métrico e de análise. São estes cálculos que representam o espaço com escalas. O foco geométrico contém tarefas como medir distâncias, posições, direções e superfícies de volume. É importante referir que é o processo de exatidão de reconhecimento de dados, manipulação e representação dos mesmos. Assim, representa acidentes de relevo, hidrografia, fronteiras, vias de transporte e de comunicação. Este foco da cartografia também representa temas sociais e políticos, como a população.

• Função de simulação - A cartografia é um processo relacionado com o reconhecimento de dados, desenho de mapas, produção e reprodução. A tecnologia traz inovação e exatidão nas técnicas para preparação de um mapa. A inovação traz rapidez de produção para produção. São tecnologias eletrónicas que revolucionam, ajudando no tratamento de dados, estética dos desenhos dos mapas, exatidão e efetividade.

• Foco documental - Este foco liga a várias ciências como geodésia, prospeção, perceção remota e fotogrametria. Apresenta o desenho do mapa como foco central e como atividade intrínseca. Assim, a tarefa de um cartógrafo passa por representar a informação com símbolos gerais. • Função de análise espacial - É a representação do mapa na qualidade

visual (cor, equilíbrio, contraste, desenho, linha, forma, seleção, exagero e entre outras capacidades visuais) com a função da percepção.

• Função comunicativa - Este foco tem de fazer com que mapa comunique, por exemplo gráficos. A comunicação é um processo entre linguagem natural e matemática. Por isso, essa informação recebe um tratamento para comunicar com o utilizador. Este foco aparece nos mapas temáticos, pois estes indicam dados mais precisos sobre a informação do que sobre a cartografia. Os dados são tratados e generalizados em processo abstrato de selecção, classificação, simplificação e simbolismo.

Os materiais cartográficos são uma representação da terra e do corpo celestial em qualquer escala (dimensional ou tridimensional, atlas, globos, cartas de navegação e aeronáuticas, fotografias aéreas, perfis, secções, cartogramas, entre outras).

A cartografia aparece como uma forma de arte na adaptação dos símbolos, cores, na sua interpretação e no grafismo de representação. O contexto aparece com maior pormenor nos antigos mapas, pois os mapas mais recentes são menos decorados, uma vez que se pretende que sejam mais informativos, do que as preocupações como expressão de forma de arte. Segundo Harley, Woodward e Lewis a cartografia apresenta quatro ligações distintas na forma de arte (Harley, Woodward e Lewis 1987). Os cartógrafos usam duas soluções de legendas de símbolos pré-formatados ou literacia da informação.

A ciência e a cartografia ligam-se às ferramentas analíticas das ciências físicas e sociais para criar valores e códigos de símbolos, que ajudam à compreensão de valores e relações geográficas (MacEachren, 1995). Assim, criou-se um sistema de perceção cognitiva numa abordagem eficiente quanto a legibilidade, eficiência e precisão.

Em suma, a cartografia trabalha, segundo Robinson, Sale e outros, com “coleção e seleção de dados para elaboração de mapas; manipulação e generalização de dados, para desenho e realização de mapas; leitura e observação de mapas e resposta a interpretação de dados” (Robinson, Sale, Morrison, Muehrcke, 1987, p. 17).

A cartografia não é só o processo de representação de espaço, mas também um processo informativo de dados. Os focos apresentam como objetivos e base para representação de um mapa. Um mapa sem o desenho, sem a tecnologia, sem a legenda e sem a noção de escala não funciona como mapa. Estes processos interligam-se a outros para tornarem o mapa válido, pois a cartografia moderna contém muitos dos

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fundamentos teóricos e práticos aplicados actualmente aos sistemas de informação geográfica.

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