7 Foreign and international law .1 Theme and structure
7.7 United States
A Interpretive Structural Modelling (ISM) é uma metodologia inicialmente proposta por Warfield, em 1973, com o objetivo de analisar os sistemas socioeconómicos mais complexos. Faz uso da experiência e do conhecimento do perito (especialista da área em análise) para decompor um sistema complexo em vários elementos e assim construir uma estrutura hierárquica. Trata-se então, de um método de análise e resolução de problemas complexos para a gestão da tomada de decisões.
Segundo Attri et al. (2013), o ISM é definido como um processo que visa auxiliar o ser humano a melhor compreender o que ele não consegue compreender, sendo que a sua função essencial dá-se a um nível organizacional e não propõe qualquer acréscimo de informação. O valor acrescentado a ser obtido é estrutural, permitindo a transformação de sistemas de modelos mentais mal articulados em modelos mais bem definidos. Ainda de acordo com estes mesmos o
95 ISM é um processo de aprendizagem interativo no qual um conjunto de diferentes elementos relacionados, direta ou indiretamente, estão estruturados em um modelo sistemático abrangente. Este modelo é utilizado para a identificação de relações entre itens específicos que definem um problema ou uma questão. Segundo os autores para qualquer problema complexo sob consideração, existe um número de fatores que podem ser relacionados com o problema, contudo, as relações diretas ou indiretas entre os fatores irão descrever a situação com maior precisão do que um fator individual tomado em isolamento.
Segundo Castro (2014), citando a Raj et al. (2008), existem dois conceitos essenciais para uma melhor compreensão da Metodologia ISM:
a) Transitividade (transitivity): se o elemento i relaciona-se com o elemento j (iRj) e o
elemento j se relaciona com o k (jRk), então a transitividade implica que o elemento i se relaciona com o elemento k (iRk). De igual modo, isso implica que o elemento i relaciona-se ao elemento m (iRm) e o elemento j relaciona-se com o m (jRm), ajudando assim a manter uma consistência conceitual (Figura 26).
b) Acessibilidade (reachability): é o bloco de construção da metodologia ISM, onde
diferentes elementos são identificados e comparados numa base de pares em relação à sua inter-relação. Esta informação é representada sob a forma de matriz binária (Matriz de Acessibilidade – Reachability Matrix ou RM). A RM consiste em algumas entradas a partir das comparações de pares e algumas entradas deduzidas.
As principais características do ISM, segundo Attri et al. (2013), são:
a) Trata-se de uma metodologia interpretativa, em que o julgamento do grupo decide se
e como os diferentes elementos estão relacionados;
b) É estrutural, com base de relacionamento mútuo, através do qual extrai-se uma
estrutura global a partir de um complexo conjunto de elementos;
c) É uma técnica de modelagem, na medida em que relações específicas e a estrutura
global são retratadas em um modelo dígrafo;
d) Ela ajuda a impor a ordem e orientação sobre a complexidade das relações entre os
vários elementos de um sistema;
e) Destina-se principalmente como um processo de aprendizagem em grupo.
i
k
j
m
96
A seguir segue a descrição passo-a-passo da técnica de ISM, segundo Grzybowska (2012):
i. Identificação das variáveis que estão ligados a um determinado problema;
ii. Desenvolvimento de uma Matriz Estrutural de Auto Interação (SSIM), no qual são identificados as relações existentes entre as variáveis do sistema. Esta matriz é analisada para aplicação do método de Transitividade;
iii. Uma Matriz de Acessibilidade (RA - Reachability Matrix) é desenvolvida a partir do SSIM;
iv. A Matriz de Acessibilidade é dividida em diversos níveis;
v. A Matriz de Acessibilidade é convertida na sua forma canónica (ou binária, 0 e 1);
vi. Tendo em conta o passo anterior, desenha-se um grafo orientado e as suas ligações de transitividade são removidas;
vii. O grafo é convertido num modelo ISM, substituindo-se os elementos dos nós em declarações;
viii. O modelo ISM é verificado para inconsistência conceitual e, se necessário, são incorporados algumas modificações.
Assim sendo, na Figura 27 poderá ser possível observar um diagrama que descreve o sistema de preparação do modelo ISM, passo a passo.
6.3.1.Elaboração do Modelo ISM Seleção das Variáveis
Para identificar a relação existente entre as tendências que estão a afetar as cadeias de abastecimento e as medidas de desempenho das mesmas foram consultados alguns profissionais e académicos com conhecimento da área em análise e cuja familiaridade com o tema foi relevante para o desenvolvimento do trabalho.
Os profissionais selecionados pertencem a uma das empresas mais influentes da Indústria de Bebidas de Cabo Verde, a Cavibel S.A., que, apesar de se tratar de uma país insular que apresenta grandes desafios ainda assim conseguiu adaptar-se a culturas organizacionais estrangeiras, tornando-a exemplar na sua área de atividade.
97 Obter opinião de peritos. Lista de fatores relacionados a um problema. Revisão de literatura sobre o
problema.
Estabelecer relação contextual entre Xij entre as
variáveis (i, j).
Desenvolver uma matriz estrutural de Auto interação (Structural Self-Interaction Matrix –
SSIM).
Desenvolver uma matriz de Acessibilidade (Reachability Matrix - RA).
Distribuir a matriz de acessibilidade em diferentes níveis.
Desenvolver a matriz de acessibilidade em sua forma canônica.
Desenvolver o grafo orientado Remover o transitivo do grafo.
Substituir nós variáveis com as demonstrações de relacionamento. Existe alguma inconsistência conceitual? Sim Não
Representação das relações identificadas no modelo para os fatores associados
98
Tabela 14. Perfil dos Especialistas questionados.
PROFISIONAIS LINHA DE PRODUTOS POSIÇÃO NA CADEIA DE ABASTECIMENTO Nº DE EMPREGADOS ENTREVISTADO
EMPRESA 1 cerveja e água Refrigerante, Fabricante 208
Diretor da Supply Chain
Diretor Técnico Diretor de Logística
EMPRESA 2 Pellets de biomassa torrificada
Fabricante 20 Diretor de Produção
ACADÉMICOS
ESPECIALIDADE AFILIAÇÃO
ACADÉMICO 1 Gestão de Cadeias de Abastecimento /Logística Universidade da Beira Interior
ACADÉMICO 2 Gestão Industrial Universidade da Beira Interior
ACADÉMICO 3 Gestão de Transportes e Logística
Ministério das Infraestruturas e Economia Marítima; Instituto Democracia e Desenvolvimento
ACADÉMICO 4
Gestão de Cadeias de Abastecimento, sustentabilidade, Avaliação de
desempenho de SC.
Universidade Nova de Lisboa
Na realização do primeiro questionário (Anexo A) as opiniões dos especialistas foram de suma importância para dar suporte à seleção das tendências mais relevantes que estão a afetar as cadeias de abastecimento, assim como também quais as medidas de desempenho das SC mais importantes.
Após obter os resultados, estes foram analisados da seguinte forma:
i. Primeiramente foram somadas as pontuações dadas por cada um dos inquiridos, para cada uma das tendências e medidas de desempenho em análise;
ii. Seguidamente a soma total de cada uma das variáveis foram divididas pelo número total de respostas;
iii. A seguir as variáveis (tendências e medidas de desempenho) foram hierarquizadas, ou seja, organizadas por ordem de importância, como poderá ser observado na Tabela 15; iv. Por fim, as variáveis com maior pontuação são as selecionadas para entrar na
99 Tabela 15. Respostas dos Especialistas.
CLASSIFICAÇÃO DOS ESPECIALISTAS: TENDÊNCIAS QUE ESTÃO A AFECTAR AS CADEIAS DE ABASTECIMENTO NA INDÚSTRIA DE BEBIDAS E MEDIDAS DE DESEMPENHO DAS CADEIAS DE ABASTECIMENTO
(Respostas de especialistas de 1 a 5) ESPECIALISTAS
TENDÊNCIAS E1 E2 E3 E4 E5 Ʃ Tendências/Nº Especialistas Mudanças na Infraestrutura de Transporte e
Mercadorias 3 4 5 4 5 4,50
Controlo em tempo real da Cadeia de Abastecimento 4 3 5 4 5 4,25 Uso de novas tecnologias de produção 3 2 4 4 5 3,75
Gestão de Relacionamentos 4 3 4 5 3 3,75
Alterações económicas globais 5 3 4 3 3 3,25 Produção baseada no sistema Pull 4 4 5 3 1 3,25 Uso de e-commerce para acompanhar o crescimento
populacional 4 2 4 1 3 2,50
Implementação da Produção Interna 4 1 4 1 1 1,75
MEDIDAS DE DESEMPENHO E1 E2 E3 E4 E5 Ʃ Medidas de Desempenho/Nº Especialistas
Gestão de Stock 4 4 5 4 5 4,50
Qualidade 4 5 4 2 5 4,00
Satisfação dos clientes 5 4 3 4 5 4,00
Custos 5 5 3 3 5 4,00
Tempo 5 4 4 3 1 3,00
Nível de confiança entre os membros 4 4 5 2 1 3,00
Desperdícios de negócio 4 3 3 4 1 2,75
Custos Ambientais 3 3 4 2 1 2,50
6.4. Resumo
Um dos objetivos do presente trabalho é a proposta de um modelo explicativo da relação existente entre as tendências e o desempenho das Cadeias de Abastecimento, logo, a aplicação do modelo ISM é a mais indicada para o pretendido. Assim sendo, no capítulo que se segue será possível identificar e clarificar essa relação, assim como será possível verificar os resultados obtidos da aplicação deste modelo.
100