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Ungfiskundersøkelser i Gaula

Como já foi mencionado anteriormente, Bakhtin vê a linguagem como um fenômeno social e histórico, que visa à comunicação entre os indivíduos. Assim, para o filósofo da linguagem, a palavra possui natureza dialógica. As palavras são usadas a partir de um efeito de sentido que o sujeito pretende alcançar no momento da enunciação, ou seja, no momento do uso concreto da língua.

O enunciado vivo, surgido propositalmente num determinado momento histórico e num meio social determinado, não pode deixar de tocar milhares de fios vivos e dialógicos, tecidos pela consciência social-ideológica em torno de um objeto dado de enunciação; não pode deixar de tornar-se um participante ativo do diálogo social. Esclarece o autor:

ofato de ser ouvido, por si só, estabelece uma relação dialógica. A palavra quer ser ouvida, compreendida, respondida e quer, por sua vez, responder a resposta, e assim ad infinitum. Ela entra num diálogo em que o sentido não tem fim. (BAKHTIN, 1992, p. 357).

De acordo com Bakhtin, o dialogismo é a condição de sentido do discurso que decorre da interação entre o emissor e o receptor, em que o sujeito é substituído por várias vozes. Ao abordar esse aspecto, Fiorin ( 2003, p. 25) comenta:

de acordo com as reflexões sobre o dialogismo disseminadas pela obra desse pensador, as relações dialógicas, que implica necessariamente o conceito de vozes, não podem ser reduzidas nem às relações lógicas, nem às relações psicológicas, nem às relações naturais ou mecânicas. Elas constituem uma classe específica de relações entre sentidos, cujos participantes podem ser unicamente enunciados completos, ou vistos como completos, e por trás dos quais estão os sujeitos discursivos. Conseqüentemente, a compreensão de um enunciado é sempre dialógica, pois implica a participação de um terceiro que acaba penetrando o enunciado na medida em que a compreensão é um momento constitutivo do enunciado, do sistema dialógico exigido por ele. Isso significa que, de alguma maneira, esse terceiro interfere no sentido total em que se inseriu. Esse jogo dramático das vozes, denominado dialogismo ou polifonia, ou mesmo intertextualidade, é uma forma especial de interação, que torna multidimensional a representação e que, sem buscar uma síntese do conjunto, mas ao contrário uma tensão dialética, configura a arquitetura própria de todo discurso.

sociais, que fazem dele um sujeito histórico e ideológico, ou seja, o sujeito não é o centro do discurso e nem se lhe aceita a idéia de liberdade discursiva individual. Brandão (2005, p.70), comentando sobre o “Esboço de uma Teoria Polifônica da Enunciação” escrita por Ducrot, diz que o autor ataca a tese da unicidade do sujeito falante, atribuindo ao sujeito três propriedades:

a) ele é encarregado de toda atividade psicofisiológica necessária à produção do enunciado;

b) ele é o autor, a origem dos atos ilocutórios executados na produção do enunciado (atos do tipo da ordem, da pergunda, da asserção ...);

c) além da produção física do enunciado e da execução dos atos ilocutórios, é habitual atribuir ao sujeito falante uma terceira propriedade, a de ser designado em um enunciado pelas marcas da primeira pessoa quando elas designam um ser extralingüístico: ele é, neste caso, suporte dos processos expressos por um verbo cujo sujeito é eu, o proprietário dos objetos qualificados de meus, é ele que se encontra no lugar chamado aqui ... E toma-se conseqüentemente que este ser designado por eu é ao mesmo tempo o que produz o enunciado, e é também aquele cujo enunciado exprime as promessas, ordens, asserções etc.

Uma vez que Ducrot não defende a unicidade do sujeito, Brandão (2005, p.71) comenta que ele esboça a sua teoria polifônica, baseando-se em duas idéias:

x a atribuição à enunciação de um ou vários sujeitos, que seriam sua origem;

x a necessidade de se distinguir entre estes sujeitos pelo menos dois tipos de personagens, os locutores e os enunciadores.

Essa distinção entre locutores e enunciadores significa que a figura do locutor corresponde à figura do narrador e o enunciador é a figura da enunciação, que apresenta os fatos sob o seu ponto de vista.

Seguindo a mesma concepção de Brandão, cabe-nos aqui fazermos uma diferenciação entre locutor, enunciador e sujeito falante. Sobre o locutor Brandão (2005, p. 72) diz que “ele é apresentado como responsável pelo dizer, mas não é um ser no mundo, pois trata-se de uma ficção discursiva. É aquele que fala, que conta, que é tido como fonte do discurso. É a ele que referem o pronome eu e as outras

marcas da primeira pessoa.” O sujeito falante refere-se ao “produtor efetivo do enunciado e exterior ao seu sentido” (BRANDÃO, 2005, p. 72), ou seja, ele é considerado o autor de uma narrativa. É ele quem mobiliza um narrador, que será responsável pela narração e que terá características diferentes da do autor. Já o enunciador “se distingue tanto do locutor quanto do sujeito falante. Ele é a figura da enunciação que representa a pessoa de cujo ponto de vista os acontecimentos são apresentados.” (BRANDÃO, 2005, p.73) Isso significa que, se o locutor é aquele que fala, que narra o fato ou a história, o enunciador será aquele que vê, ou seja, serão seres que se exprimem através da enunciação, sem que, no entanto, lhes sejam atribuídas palavras precisas. Conseqüentemente, locutor/enunciatário/sujeito falante constituem papéis não atribuíveis a um único ser.

Portanto, a polifonia, característica das mais relevantes em um discurso, provém justamente dessa pluralidade, isto é, da possibilidade de um sujeito se revelar como múltiplo e incluir em si outras vozes.

Logo, é importante descobrirmos as vozes do discurso, como se relacionam, como se posicionam no texto, e, assim podermos compreender o porquê do discurso, qual sua utilização, notarmos o entrelaçamento das vozes: algumas explicitadas e outras escondidas porque foram abafadas, todavia, não são desconhecidas no contexto histórico, social e ideológico.

Um dos meios de nós descobrirmos essas vozes é por meio da interdiscursividade e da intertextualidade estabelecidas no texto. Quando conseguimos estabelecer uma ponte de um discurso com outro discurso, conseguimos depreender as vozes neles estabelecidas e principalmente analisar o seu caráter ideológico.