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Andre større sidevassdrag

3.2 Ungfiskundersøkelser i sidevassdrag

3.2.3 Andre større sidevassdrag

Conforme Bakhtin, um enunciado, ao ser isolado do seu processo de enunciação e transformado numa abstração lingüística, perde o que tem de essencial, a sua natureza dialógica, pois a realidade fundamental da linguagem é o dialogismo. Este conceito tem como base o movimento de dupla constituição entre a linguagem e o

processo de interação e este, por sua vez, só se constrói na linguagem e através dela. Porém, o dialogismo não se reduz às relações entre os sujeitos nos processos discursivos; pelo contrário, se refere também ao permanente diálogo entre os diversos discursos que configuram uma sociedade. É esta dupla dimensão que nos permite considerar o dialogismo como o princípio que determina a natureza interdiscursiva da linguagem.

Uma vez que o discurso está preso a esse aspecto social, podemos dizer que um discurso comporta outros discursos. Dessa forma, nós precisamos discutir um pouco as noções de interdiscursividade e intertextualidade. Segundo Mamed (2002, p. 44- 45)

quando se fala em interdiscurso, deve-se entender que se trata de uma interação entre discursos e, obviamente, quando se fala em intertexto, quer dizer que há uma interação entre textos. (...) a relação entre o discurso e o texto é a que existe entre o objeto teórico e o da análise, ou seja, analisa-se o texto através de uma análise do discurso. Em outras palavras, poder-se-ia dizer que nessa relação teríamos o discurso como processo e o texto como produto do mesmo. A análise de um discurso, no momento, não precisa estar em forma de texto, mas para a análise de um texto, necessita-se fazer uma análise do discurso, já que nem todo discurso é texto, mas todo texto é discurso.

Percebemos que na colocação de Mamed que a interdiscursividade não implica necessariamente a intertextualidade. Poderíamos dizer, dessa forma, que a interdiscursividade é um hiperônimo da intertextualidade, pois quando o enunciador se refere a um texto e faz relação com outros textos, ele está se referindo também ao discurso que ele se manifesta, pois consideramos que um texto é a materialização de uma ideologia. Por outro lado, a interdiscursividade pode envolver, além de discursos textuais, discursos não-textuais, como é o caso da mensagem não verbal. Sendo a intertextualidade a relação entre textos e a interdiscursividade a relação entre discursos, elas concernem para a questão das vozes, conforme já abordado, quando tratamos sobre a polifonia.

Primeiramente abordaremos o aspecto mais abrangente, que é a interdiscursividade. Maingueneau (2001, p. 55-56) diz que “o discurso só adquire sentido no interior de

um universo de outros discursos, lugar no qual ele deve traçar seu caminho. Para interpretar qualquer enunciado, é necessário relacioná-lo a muitos outros.” Por isso, a condição de sentido do discurso está no dialogismo, que é o princípio constitutivo da linguagem.

Bakhtin (1997, p.33) afirma que “o discurso não é individual, porque se constrói entre pelo menos dois interlocutores, que são seres sociais: ‘diálogos entre discursos’ mantendo relações com outros discursos”. Assim, não nos basta conhecer um discurso, precisamos conhecer o discurso do outro, embora, dentro de cada discurso exista o outro implícito. Temos assim, no “outro”, o intradiscurso para quem é determinado o discurso e o interdiscurso, que é a soma de discursos anexados ao seu discurso. Para Bakhtin, a interdiscursividade é que constitui a linguagem e a condição de ser do discurso, e decorre da interação verbal entre o enunciador e o enunciatário, no espaço do texto.

Retomando um pouco do que já foi dito, a formação discursiva é marcada pelas diversas posições ideológicas, que estão no processo sócio-histórico em que as palavras são produzidas. Assim, é possível estabelecermos a interdiscursividade, ou seja, estabelecermos o diálogo com “o que está dizendo” com o “já dito”. Segundo Orlandi (2001, p. 32) “o fato de que há um já-dito que sustenta a possibilidade de todo dizer, é fundamental para se compreender o funcionamento do discurso, a sua relação com os sujeitos e com a ideologia”. Este fato dá origem à heterogeneidade enunciativa que pode se manifestar de forma explícita ou de forma implícita (AUTHIER-REVUZ, 1990).

A primeira forma é conhecida como heterogeneidade mostrada, em que as fontes de enunciação são possíveis de serem localizadas. A segunda trata-se da heterogeneidade constitutiva, uma vez que essas fontes não são explícitas, mas podem ser recuperadas através de hipóteses formuladas sobre a constituição da formação discursiva em análise e as possíveis relações com seu exterior, ou seja, com outras formações. Desse modo, a identidade de uma formação discursiva não pode ser buscada em uma análise fechada, mas em uma análise que relacione a formação discursiva com outras formações discursivas com as quais dialoga. Sobre essa questão, Brandão (1988, p. 217) comenta que uma

é bastante instável, não há um limite rigoroso que separa o seu “interior” do seu “exterior”, uma vez que ela confina com várias outras formações discursivas e as fronteiras entre ela se deslocam conforme os embates da luta ideológica. É assim que se pode afirmar que uma formação discursiva é atravessada por várias formações discursivas e, conseqüentemente, que toda formação discursiva é definida a partir do seu intradiscurso.

Portanto, quando analisamos a interdiscursividade, devemos levar em conta que uma formação discursiva deve estar aberta à inscrição de outras formações para que haja um diálogo de um discurso com o outro, para que possamos depreender os “dizeres” que influenciaram o modo como o enunciador se posiciona em uma determinada situação discursiva.

Em relação à intertextualidade, podemos afirmar que não existe um texto puro ou autônomo, ou seja, constituído por ele mesmo sem referências a outros textos. Um texto sempre estabelece um diálogo com outros textos, sendo assim, todo texto é dialógico. Ao identificarmos esse diálogo estabelecido entre dois ou mais textos, estamos identificando o que chamamos de intertextualidade, que pode ser analisada sobre três aspectos:

1) A apropriação explícita do produtor. Nesse aspecto, o texto analisado faz referência a outro texto, através de citações, enunciados semanticamente vizinhos, para construir o seu próprio texto. “É um processo de incorporação de um texto em outro” (FIORIN, 2003, 29), mas feito de forma clara. Brandão chama esse tipo de intertextualidade de externa. Ela diz que “numa intertextualidade externa um discurso define certa relação com outros campos conforme os enunciados destes sejam citáveis ou não” (BRANDÃO, 1998, p.76)

2) A apropriação implícita do produtor. Aqui, o texto faz referência a outro texto, mas de forma transparente. Perrone-Moisés (1979, 211) diz que “o escritor passeia pelos territórios da literatura com uma desenvoltura que não é permitida ao crítico: nada declara, pode dialogar com outros escritores sem os chamar pelo nome, utiliza os bens alheios como se fossem seus.” É claro que esse tipo de intertextualidade não se aplica somente aos textos literários, mas a todo tipo de texto, uma vez que em todo discurso precede uma voz já dita.

3) Uma apropriação em que o produtor nem tem controle, pois ela está centrada no emissor. Ela ocorre quando esse leitor tem contato com o texto e devido ao seu conhecimento de mundo faz referência a outros textos. Muitas vezes a construção de significado que um texto tem para um leitor, devido a sua experiência, não tenha para o produtor.

Portanto, a intertextualidade configura um intercâmbio de informações que faz com que os enunciados sejam constituídos por pedaços de outros enunciados. Além disso, ele remete ao fato de que os textos podem transformar textos anteriores e reformular convenções existentes como gêneros e discursos para criar novos textos. Fiorin (2003, p. 29) diz que "o conceito de intertextualidade concerne ao processo de construção, reprodução ou transformação do sentido” de um texto.

Sabemos que a construção desse enunciado é organizado por um enunciador, que ocupa o seu espaço no universo e ele é caracterizado pelo modo como ele arquiteta essa construção. Por isso, ao falarmos sobre o ethos temos que recorrer a Aristóteles.