• No results found

2 Teori

2.8 Undervisningspraksis, tospråklig opplæring

De acordo com HOCKETT (1965), a história da linguística se divide em quatro grandes descobertas. Descobertas com características de rupturas (com os pressupostos de pesquisa anteriormente demarcados) na medida em que novas hipóteses sobre o mesmo objeto de estudo (a língua) eram formuladas.

O primeiro momento seria por volta de 1786 (ano base, segundo Hockett, de nascimento da Linguística Moderna). Neste momento, utilizava-se o método comparativo de pesquisa com uma hipótese genética – que se apoiava na visão de que as semelhanças, muitas de profunda sutileza, nas várias línguas, eram possivelmente provenientes de uma mesma

101

138 língua em tempos mais remotos.

O segundo momento teria tido início por volta de 1875 com os encaminhamentos de uma técnica heurística – como uma opção de estudos comparativos – não baseada puramente em analogia, mas no descobrimento de mudanças de sons (finitos) da fala na língua e sustentada pela hipótese da regularidade, apostando nas investigações dos estudos diacrônicos de como e através de quais mecanismos linguísticos as línguas mudam e com qual regularidade.

O ano de 1916, com a publicação do livro clássico de Saussure, Curso de Linguística Geral, marcaria o terceiro momento ao desenvolver soluções para os problemas encontrados com os avanços dos estudos dos sons da língua (iniciados com os estudos diacrônicos), agora nomeados fonemas. As novas pesquisas, de base sincrônica (pela preocupação com as funções dos diferentes sons da(s) língua(s) em um dado momento), estavam fundamentadas pela proposição de uma hipótese fonética – que Hockett prefere chamar de hipótese da quantização –, uma vez que os estudos da fala indicavam a produção de uma infinidade de sons durante as articulações do aparelho fonador humano.

O quarto (e atual) momento concretizou-se em 1957, com a publicação do livro Estruturas Sintáticas de Chomsky. Obra que sustenta uma hipótese que Hockett denomina de responsabilização exata (também baseada em estudos sincrônicos) e que propõe a formalização de uma teoria (de natureza finita) da língua. Essa teoria pretendia descrever as relações (infinitas) gramaticais e de sentido entre as sentenças da língua assim como o próprio falante as relacionavam. As relações (e a devida distinção) estabelecidas por Chomsky e seus colaboradores entre uma teoria formal (finita) e uma descrição prática (infinita) da língua caracterizou o que HOCKETT (1965, p. 197) classificou de "matematização da linguística".

Na visão de KOERNER (1976), o primeiro paradigma na Linguística – ao contrário do que narram alguns historiadores de seus historiadores – inicia-se com as ideias de August Schleicher (estudioso com influência darwiniana), que, entre os anos de 1850 e 1860, discorreu sobre a natureza da linguagem como um organismo natural e o status da linguística como uma ciência natural. Segundo Koerner, as ideias de Schleicher, apesar de muito questionadas e rejeitadas, contribuíram para a teoria e metodologia da investigação linguística, antecipando, até, alguns procedimentos da descrição da linguagem no estruturalismo moderno. Koerner enfatiza, ainda, que o que ele classifica como paradigma schleicherniano estendeu-se para o que ficou conhecido, a partir de 1876, como paradigma neogramático, que para muitos historiadores teria sido o verdadeiro precursor do primeiro

139 paradigma na Linguística – visão claramente não compartilhada por Koerner.

No entanto, Koerner, concorda com a visão de historiadores sobre a revolução saussureana ter sido proporcionada pelos argumentos dos neogramáticos. O paradigma saussuriano iniciou-se na última década do século XIX impulsionado, também, porém não totalmente influenciado, segundo KOERNER (op. cit., p. 702), pelo surgimento de estudos na área das ciências sociais, como a psicologia e a política, e "enfatizou a natureza social da linguagem", referindo-se ao social/individual ao propor a dicotomia langue/parole.

Para DASCAL (1978) o primeiro paradigma na Linguística inicia-se com os estudos desenvolvidos na Linguística Histórica e Comparada até meados do século XIX – o que nomeamos historicismo. A primeira revolução científica ocorreria com as ideias revolucionárias de um dos mais famosos linguistas do início do século XX, Ferdinand de Saussure, instaurando, assim, o que se convencionou a chamar de estruturalismo. Esse segundo paradigma da Linguística, no entanto, ao se fortalecer, ganhando adeptos em todo o mundo, acaba por desenvolver algumas facetas dividindo-se no que ficou conhecido como estruturalismo americano e o de outras escolas como a de Praga, Copenhague e Moscou. A escola americana, ainda segundo Dascal, passou por uma nova revolução científica com o impacto das ideias do linguista norte-americano Noam Chomsky, surgindo, assim, o que seria o terceiro paradigma da Linguística, predominante até os dias atuais.

Nas colocações de BORGES NETO (2004, p. 26), o tema revoluções na história da Linguística é pouco estudado e, por esse motivo, pouco conhecido. Mas o autor explica que no final do século XIX e início do século XX a noção abstrata de fonema ligada à noção de língua como sistema foi extremamente revolucionária para o campo de estudos linguísticos. Esse momento atingiu o seu ápice na busca da unidade entre os estudos dos sons da fala e os estudos da linguagem como meio de comunicação – que ora encontravam-se implicados em radical separação – por alguns linguistas ligados à linguística funcional, principalmente da escola de Praga. No entanto, é somente com Saussure "que a noção de fonema vai poder ser tratada sistematicamente numa teoria geral da linguagem", o que credita a esse linguista o caráter de pivô da revolução ocorrida na Linguística naquela época. A partir de Saussure

[...] passa-se a entender a linguagem como a união de dois níveis distintos – língua e fala – e coloca-se a multiplicidade, a diversidade, a desordem num dos níveis (a fala), enquanto o outro nível (a língua [de onde derivam os fonemas]) garante a ordem, a unidade, a sistematização.

140 as ideias igualmente revolucionárias de Chomsky. O linguista norte-americano propõe uma nova teoria linguistica em que a noção de fonema, justificada pelos linguistas europeus pelo caráter funcional da linguagem, perde o significado.