4 Empiri
4.3 Resultater og drøfting av problemer
4.3.2 Generell drøfting
A úlcera venosa representa, aproximadamente, 70% a 90% do total das úlceras de perna, e o fator etiológico mais comum é a insuficiência venosa, desencadeada pela hipertensão venosa (DOUGHTY; WALDROP; RAMUNDO, 2000).
A insuficiência venosa crônica é um problema de saúde comum na população idosa, com incidência de aproximadamente 5,9% nos países industrializados. Mais de 7 milhões de pessoas, nos Estados Unidos, são afetadas por esse agravo. Segundo Wipke-Tevis et al. (2000), é difícil determinar o número exato de úlceras venosas, mas sua prevalência é de, aproximadamente, 1% no mundo ocidental. Embora esse agravo acometa os adultos jovens, a sua prevalência é maior na população idosa. Na população de americanos de mais de 65 anos, é estimado um aumento de aproximadamente de 12% a 22% no período de 1988 a 2030.
No Reino Unido, as úlceras de perna afetam 1% a 2% da população, o que representa 80 mil a 100 mil pacientes com úlcera aberta em algum momento, e a possibilidade de recorrência em 400 mil indivíduos com úlcera cicatrizada (MORISON et al., 1997). A prevalência está estimada entre 1,5 e 1,8 por 1.000 do total da população, e essa relação tende a aumentar, com a idade, para 3 por 1.000 na faixa etária de 61 a 70 anos e 20 por 1.000 em pessoas acima de 80 anos.
O resultado do levantamento epidemiológico, realizado no Distrito de Harrow (Reino Unido), comprovou o aumento da prevalência de úlceras com o aumento da idade. Em uma população de 198.900, foram encontrados 357 pacientes com 424 pernas com úlceras, resultando em uma prevalência global 0,18%, que aumentou para 0,38% no grupo de pessoas com mais de 40 anos. Nesse mesmo estudo,
foram examinados 100 pacientes (193 pernas) com auxílio de ultra-som e fotoplestimografia e detectaram-se 117 pernas com ulceração ativa, das quais, 38% tinham evidências de incompetência do sistema venoso profundo, 43% do sistema venoso superficial, 31% isquemia e apenas 10% não evidenciaram sinais de insuficiência arterial ou venosa (CORNWALL; DORÉ; LEWIS, 1986).
No distrito de Newcastle (Reino Unido), cuja população era composta de 240.000 pessoas, o resultado do levantamento epidemiológico apontou uma prevalência de úlcera de membros inferiores de 1,9 por 1.000 pacientes com mais de 45 anos e uma incidência anual de 3,5 por 1.000, nesse mesmo grupo. As úlceras recorrentes representavam 47% do total e 50% de todas as úlceras estavam presentes por mais de 6 meses (LEES; LAMBERT, 1992).
Em um estudo, realizado em uma comunidade escocesa, foram avaliados 600 pacientes com 727 úlceras, sendo que 76% delas eram úlceras venosas. Em 40% desses pacientes, a primeira úlcera foi desenvolvida antes dos 50 anos e 60% deles tiveram recidiva da ferida. Metade das úlceras estava presente por mais de nove meses e 20% dos pacientes não tiveram a cicatrização por mais de dois anos (SIBBALD et al., 2001).
Na cidade de Skaraborg (Suécia), foi encontrada uma prevalência de úlcera de perna de 0,16% em levantamento realizado em 270.800 habitantes. A predominância era feminina (62%) e a maioria dos pacientes possuía suas úlceras por mais de um ano (54%). A úlcera venosa era mais comum na população idosa e 22% dos indivíduos tiveram a primeira úlcera até 40 anos e 72% até 60 anos. Foram encontradas 72% de recorrência das feridas tratadas, sugerindo a importância do suporte da terapia compressiva por toda a vida, sendo que 44% eram na perna esquerda, 35% na perna direita e 21% em ambas as pernas. A região do terço
médio da perna estava envolvida em 61% dos casos. A história de trombose venosa profunda estava presente em 37% dos pacientes, e a mesma porcentagem dos pacientes tinha sido submetida à cirurgia prévia de veias varicosas (SIBBALD et al., 2001).
No Brasil, em estudo realizado no Município de Botucatu (São Paulo), foi encontrada uma prevalência de aproximadamente 1,5% de casos de úlceras venosas ativas ou cicatrizadas. Essa estimativa foi calculada baseada nos dados de um estudo de prevalência de doenças venosas crônicas em pessoas atendidas por outras doenças, além das afecções nos membros inferiores, no Centro de Saúde Escola de Botucatu (MAFFEI; MAGALDI; PINHO, 1986).
Borges (2000) realizou um estudo intitulado Tratamento de Feridas: avaliação
de um protocolo, desenvolvido no ambulatório de dermatologia de um hospital
universitário de Belo Horizonte (Minas Gerais), com uma amostra de 40 pacientes portadores de feridas, a maioria dos pacientes era do sexo feminino (70%), com idade acima de 51 anos, sendo 62,5% na faixa etária de 51 a 70 anos e 7,5% com mais de 70 anos. Quanto à etiologia das feridas, 85% dos pacientes eram portadores de úlcera venosa, 6% diabética, 6% por anemia falciforme e o restante (3%), por trauma. Quanto ao tempo de existência da ferida, 50% possuíam-na há menos de um ano e 26,4% tinham feridas entre 11 e 30 anos de existência.
As úlceras venosas causam danos ao paciente porque afetam significativamente o seu estilo de vida, em decorrência da dor crônica ou desconforto, depressão, perda de auto-estima, isolamento social, inabilidade para o trabalho e, freqüentemente, hospitalizações ou visitas clínicas ambulatoriais.
Em um estudo a respeito do impacto das úlceras de perna na qualidade de vida financeira e social, e psicológica, realizado em 1994 por Phillips et al., 68% dos
pacientes relataram que a úlcera tinha efeito negativo sobre a vida deles e existia uma correlação positiva entre o tempo gasto com o cuidado da úlcera e os sentimentos de raiva e ressentimento. A insuficiência venosa e a úlcera venosa tinham também importante efeito econômico resultante da perda da produtividade e do custo do tratamento (DOUGHTY; WALDROP; RAMUNDO, 2000).
Já o estudo realizado por Yamada e Santos (2005), com o objetivo de analisar a qualidade de vida de pessoas com úlceras venosas crônicas, encontrou resultado diferente em relação à qualidade de vida dessas pessoas. A amostra constituiu-se de 89 portadores de úlcera venosa de membros inferiores. A autora concluiu que 37 (41,57%) e 35 (39,32%) pessoas apresentaram qualidade de vida considerada como “muito boa” e “boa”, respectivamente.
Em 1985, o custo anual estimado para o tratamento das úlceras venosas, na Escandinávia, foi de 25 milhões de dólares, sendo de 200 milhões de dólares para o tratamento, em 1989, no Reino Unido. O custo para os Estados Unidos não tem sido calculado formalmente, contudo, o tratamento tem sido projetado em um bilhão de dólares por ano (SIBBALD et al., 2001).
Apesar de poucas publicações dessa natureza no Brasil, percebe-se que o portador de úlcera venosa é usuário dos serviços da unidade básica de saúde, permanecendo com a ferida por vários anos. Os custos para a União, também, são desconhecidos, uma vez que não existem registros epidemiológicos de prevalência e incidência e, conseqüentemente, de custo indivíduo até a cicatrização.
A causa mais comum da úlcera venosa é a insuficiência venosa, e as condições predisponentes para esse agravo envolvem processos que desencadeiam a hipertensão venosa, incluindo trombose venosa profunda, múltiplas gravidezes, edema, ascite, anomalia congênita, traumas graves na perna, tumores e estilo de
vida ou trabalho sedentário, que predispõe à permanência na posição em pé ou sentada por muitas horas, sem alternar com a deambulação. O surgimento da úlcera venosa é o auge de uma cascata de eventos deletérios e do fracasso das condutas para controle efetivo da hipertensão venosa (DOUGHTY; WALDROP; RAMUNDO, 2000).
A insuficiência venosa das extremidades inferiores é definida como a inversão do fluxo sangüíneo desde o sistema venoso profundo ao superficial, o que implica a insuficiência valvular das veias comunicantes. Na doença venosa há, também, incompetência na bomba do músculo da panturrilha onde a pressão venosa, durante a deambulação ou exercícios, não acontece, propiciando a ocorrência de fluxo retrógrado (VASQUEZ, 1983).
A insuficiência venosa crônica é caracterizada pela presença, nos membros inferiores, de forma isolada ou associada, de um dos seguintes sinais: veias varicosas; edema, mais freqüente na perna e desencadeado ou agravado pelo ortostatismo prolongado; distúrbios tróficos, tais como dermite ocre, eczema, angiodermite purpúrica, celulite endurativa, crises de linfangites, hipodermite ou dermatoesclerose e úlcera de estase, de localização mais comum na face interna do terço inferior da perna (MAFFEI, 1995; SILVA, 1995; MORISON et al., 1997).
As úlceras por insuficiência venosa, geralmente, são iniciadas por trauma; na maioria dos casos, surgem em decorrência da insuficiência do sistema venoso profundo e, raramente, ocorrem pela insuficiência do sistema comunicante ou superficial. As úlceras venosas têm caráter recorrente e, normalmente, no mesmo local (FALANGA, 1997).