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Vale ressaltar que referências sobre a temática no estágio de formação docente ainda dependem de estudos mais precisos na área. Essa realidade sinaliza a necessidade de entender melhor os lados pessoal e profissional de docentes, professores formadores e licenciandos, por haver carência de estudos relacionados com esse período, principalmente os relacionados com mal-estar do licenciando em formação.

Como já destacamos as vivências e os diversos olhares que se entrelaçam nas várias etapas em que tanto o professor formador e o discente em formação, assim como o docente em estágio inicial de carreira enfrentam no seu universo de trabalho, são de extrema relevância, pois, acreditamos que é a partir desse enredamento que os referenciais pessoais e profissionais vão se impregnando na vida do licenciando/docente.

Esta assunção está diretamente ligada ao pressuposto da indissociabilidade do professor pessoa e profissional com traços formativos de seus vários momentos de vida, como bem destaca Nóvoa (1992, p. 15) ―o professor é a pessoa; e uma parte da pessoa é o professor‖. Assim, pode-se afirmar que as vivências do contexto social, familiar, escolar em que está inserido, contribuem para sua formação pessoal e profissional. Por isso, o processo formativo do docente é um processo social e não pode ser separado do desenvolvimento pessoal (MOROSINI; COMARÚ, 2009). A mesma ênfase é destacada pelas autoras ao considerarem prioritário o desenvolvimento do professor indissociado de sua pessoa.

Grillo (2004) também corrobora nesse sentido, dizendo que o ponto inicial para análise da figura do professor como pessoa e profissional é a sua inseparabilidade. Novamente, recorremos a Nóvoa (1997, p. 31), justificando essa assunção, quando nos diz que ―ser professor obriga opções constantes que cruzam nossa maneira de ser com nossa maneira de ensinar, e que desvendam na nossa maneira de ensinar a nossa maneira de ser‖. Nesse sentido, a identidade do professor para a Grillo (2004, p. 79), define-se num ―equilíbrio entre as características pessoais e profissionais, do que se conclui que suas ações traduzem a plenitude se sua pessoa‖.

As reflexões sobre o professor, são evidenciadas a décadas por Mosquera (1977) que destaca que ele é primeiramente um ser humano, com seus potenciais energéticos, suas ideias, estruturações mentais e limitações. Como pessoa, diz o autor, o professor tem um passado histórico que se mede não apenas em um relato subjetivo, mas também, e principalmente, nas experiências realizadas e nas ações que conseguiu estabelecer através de comportamentos

sucessivos. Nesse sentido, para o autor, a história do indivíduo parece ser fundamental para entender o significado de sua profissão.

Estudos com professores iniciantes, já destacados anteriormente por Mizukami e Nono (2006) e Papi (2011) evidenciam dados que destacam a importância dos saberes advindos da própria história de vida, da escolarização anterior, da própria experiência na sala de aula e na escola. Em suma, experiências vividas no contexto pessoal e profissional convergem e contribuem decisivamente para a constituição da pessoa do professor.

Concordamos com Sousa (2006) quando nos lembra que a formação é um movimento constante de construção e reconstrução da aprendizagem pessoal e profissional, envolvendo saberes, experiências e práticas. Essas considerações não são recentes e, Mosquera (1978), já nos recordava de que como pessoa, o professor tem um passado histórico que não se mede apenas por um relato subjetivo, mas principalmente nas experiências que realizou e nas ações que conseguiu desencadear através de comportamentos sucessivos. Conforme o autor, a história do indivíduo torna-se importante e necessária e parece ser fundamental para entender o significado da sua profissão considerando todo enredamento das experiências do lado pessoal. O autor enfatiza ainda, que o ser humano deve ser pensado em sua totalidade para visualizar o mundo que o rodeia e com o qual mantém um constante diálogo, sendo importante para o desenvolvimento da personalidade e para um processo educacional mais aberto e adequado. Afirma ainda, (MOSQUERA, 1983, p. 86) que, assim, ―[...] o professor partilha então, como pessoa, do destino comum dos seus congêneres, ou seja, da fundamental necessidade de viver, de autoformar-se e de autorealizar-se‖.

Apoiado em Giles, Mosquera (1978) enfatiza que o ser humano deve ser pensado em sua totalidade e, para isso, é necessário visualizar o mundo que o rodeia e com o qual mantém um constante diálogo, sendo importante para o desenvolvimento da personalidade e para um processo educacional mais aberto e adequado.

Assim, nos lembra o autor, da importância em considerar, refletir e até ser revistas às considerações sobre as representações sociais que os estudantes dos cursos de licenciatura desenvolvem sobre o trabalho no processo de sua formação. Seus pensamentos e ações resultam dos modos de pensar e agir não somente com seus colegas e professores formadores, mas também sobre e com o meio; não são atividades isoladas e que ―nascem‖ das elucubrações da vida, mas, sim, situações constituídas pelas experiências humanas que modificam o sujeito e, ao mesmo tempo, modificam o meio em que ele está inserido.

No mesmo sentido, Freire (2009, p. 47) afirma que é fundamental partimos do pressuposto ―[...] de que o homem, ser de relações e não só de contatos, não apenas está no

mundo, mas com o mundo. Estar com o mundo resulta de sua abertura à realidade, que o faz ser o ente de relações que é‖. Como afirma Tardif (2005, p. 8), o trabalho docente é ―[...] uma forma particular de trabalho sobre o humano, ou seja, uma atividade em que o trabalhador se dedica ao seu ‗objeto‘ de trabalho, que é justamente um outro ser humano, no modo fundamental da interação humana‖. Essa concepção também é reforçada por Vásquez (2007, p. 31) quando diz que ―[...] o homem comum e corrente é um ser social e histórico; isto é, encontra-se imerso em uma rede de relações sociais e enraizado em um determinado terreno histórico‖.

Essas considerações nos dão conta de que nas interações do contexto de socialização profissional, há também as relações com o meio, que transformam a formação docente em uma atividade humana permeada por subjetividades. Santos et al. (2012) elencam possibilidades práticas de construção pessoal de docentes, baseado numa perspectiva de formação pela auto formação. Salientam desse modo, a importância da autonomia, do trabalho cooperativo, do bem-estar docente, da autoimagem e da autoestima positivas no desenvolvimento do autoconhecimento, representando uma estética profissional visível na práxis. Assim, através das inúmeras vivências no percurso da vida, os autores destacam que o ser humano vai configurando sua autovaloração, muito ligada ao contexto social em que vive. Na mesma linha, Antunes (2007) destaca que as vivências sociais determinam a construção do ser humano em cada pessoa.