Chapter 8 - Contributions
8.1. Theoretical contribution
8.1.1. Understanding the role of training in cultivating CoPs in ICT4D contexts
O tema SAE tem sido conceituado também como PE e MAE. Desta forma, consideramos que o Processo de Enfermagem e o Método de Assistência de Enfermagem são importantes elementos da SAE.
Segundo Bachion, Ramos e Antunes (2010), a SAE é uma expressão de larga utilização na profissão de Enfermagem e diz respeito à cultura da enfermagem brasileira, uma vez que, nos demais países, essa expressão não é empregada.
SAE é a organização do trabalho, segundo as fases do seu fluxo. Implica tanto a definição da natureza do trabalho a ser realizado (por exemplo, urgência e emergência, Clínica Cirúrgica e outros) quanto a definição do PE (o trabalho a ser realizado), desde a base teórico-filosófica até o tipo de profissional requerido, as técnicas, os procedimentos, os métodos, os objetivos e os recursos materiais para a produção do cuidado. É a organização do trabalho de Enfermagem quanto ao método, pessoal e instrumentos, de modo que seja possível a realização do PE (LEOPARDI, 2006).
A Resolução n.º 358/2009 do COFEN considera que ao enfermeiro incumbe a liderança na execução e avaliação do PE, de modo a alcançar os resultados de enfermagem esperados, cabendo-lhe, privativamente, o diagnóstico de enfermagem acerca das respostas da pessoa, família ou coletividade humana em um dado momento do processo saúde e doença, bem como a prescrição das ações ou intervenções de enfermagem a serem realizadas, face a essas respostas. Tal metodologia subsidia ações de Assistência de Enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, família e comunidade.
A SAE é um processo que instrumentaliza o enfermeiro para uma atuação científica baseada em evidências e contribui para solidificar a atuação desse profissional, o que será um diferencial dentro da Equipe de Enfermagem. Com a implementação dessa metodologia, o enfermeiro poderá realizar, com maior eficácia, ações de supervisão, de avaliação e de gerenciamento dos cuidados prestados pela Equipe, bem como acompanhar os resultados das ações implementadas (MUSSI et al., 1997).
Para este conceito, destaca-se que a SAE envolve todos os elementos do processo de trabalho em Enfermagem. Assim, podem-se elencar diversos componentes que influenciam o funcionamento desse sistema, ou seja, o cenário de saúde escolhido, os recursos humanos existentes, o método de Assistência de Enfermagem adotado e a implantação das etapas do Processo de Enfermagem, bem como de seus instrumentos.
1.2.2 Sistematização da Assistência de Enfermagem Enquanto Processo
No que tange ao conceito de PE, alguns autores (HORTA, 1971; HORTA, 1979; CASTELLANOS; CASTILHO, 2000; CIANCIARULLO, 2003) o definem como um conjunto de elementos, ações, etapas, fases ou passos sistematizados, utilizados pelos enfermeiros para a solução dos problemas/diagnósticos dos clientes. Entretanto, alguns pesquisadores (YURA; WALSH, 1978; CRUZ, 2008) também o apresentam como um método ou um instrumento metodológico da Assistência de Enfermagem.
Tannure e Gonçalves (2008) utilizam SAE como sinônimo do PE, destacando que é preciso selecionar e adotar uma teoria de enfermagem como etapa que inicia a implantação das etapas da SAE.
Fuly, Leite e Lima (2008), por sua vez, afirmam que, do ponto de vista semântico, as concepções de processo (ato de proceder, ir adiante) e de método (caminho para chegar a um determinado objetivo) são diferentes (FERREIRA, 2004). Segundo Horta (1971), processo “é uma série de ações sistemáticas visando certo resultado; ato de proceder; ação de ser feito progressivamente; qualquer fenômeno que mostra uma contínua mudança no tempo, como o processo de crescimento; ou uma série de ações ou operações que conduzem definitivamente a um fim”, e metodologia do PE “é a arte de guiar ou orientar a dinâmica das ações sistematizadas de enfermagem, visando à assistência de enfermagem ao indivíduo, família e comunidade” (HORTA, 1971), caracterizando-se pelo inter-relacionamento e dinamismo de suas fases ou passos (HORTA, 1979).
Cianciarullo (2001) igualmente entende o PE como uma série de etapas ou passos que focalizam a individualização do cuidado através de uma abordagem de solução de problemas, utilizando-se o método científico. O referido autor é orientado por teorias ou modelos conceituais de Enfermagem, regendo-se também pelos conhecimentos científicos e pelas experiências individuais (CIANCIARULLO, 2003).
O PE é o método através do qual essa estrutura é aplicada à prática da Enfermagem. Trata-se de uma abordagem deliberativa de solução de problemas que exige habilidades cognitivas, técnicas e interpessoais, e está voltada à satisfação das necessidades do sistema do cliente/família (SMITH; GERMAIN, 1975). Tal método pode ser definido à luz de três grandes dimensões: propósito, pois oferece
uma estrutura de atendimento às necessidades individualizadas do cliente, família, e comunidade; organização, uma vez que está dividido em cinco fases (histórico, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação); e propriedades, pois trata- se de um método intencional, sistemático, dinâmico, interativo, flexível e baseado em teorias.
Segundo Castellanos e Castilho (2000), o PE representa a implementação da SAE, elaborado a partir dos dados e levantamentos realizados pelo enfermeiro, visando a proporcionar assistência individualizada e de qualidade aos clientes, com embasamento científico. Por se tratar de um conjunto de elementos dispostos de uma forma determinada e coordenados entre si, para que possam funcionar como uma estrutura organizada da Assistência de Enfermagem, é necessário o engajamento não só das equipes mas também da instituição hospitalar.
É uma metodologia de solução de problemas que requer habilidades cognitivas, técnicas e interpessoais, voltadas para a satisfação das necessidades do cliente e da família, buscando o alcance do bem-estar ou a melhoria da qualidade de vida, pelo tempo que for possível (SILVA, 2001).
O PE é um instrumento metodológico e sistemático de prestação de cuidados, que serve à atividade intelectual do enfermeiro e que provê um guia para um determinado estilo de julgamento (CRUZ, 2008). É um método contínuo, sistemático, crítico, ordenado, de se coletar, julgar, analisar e interpretar informações sobre necessidades físicas e psíquicas do paciente, para levá-lo à saúde, à normalidade (YURA; WALSH, 1978).
Já para Mussi et al. (1997), o PE é um instrumento de trabalho que sugere uma sequência de raciocínio lógico, comum a várias atividades humanas, profissionais ou não. E, nesse sentido, constitui uma ferramenta que pode ser de uso comum pelos enfermeiros na prática de sua profissão. O uso desse instrumento poderá favorecer o direcionamento, a organização, o controle e a avaliação das atividades inerentes ao ato de cuidar, possibilitando o raciocínio que os enfermeiros utilizam na prática, isto é, o encadeamento de seus pensamentos e juízos.
Para Jesus (1992), o PE, por um lado, é um método de organização da assistência, de modo a torná-la mais científica e não intuitiva e, de outro, um método de organização do trabalho, que possibilita uma prática sistemática e organizada em passos preestabelecidos. Segundo Rossi (1997), tal processo é também uma filosofia que oferece um conjunto de crenças e que orienta o método.
Enquanto método que sistematiza a Assistência de Enfermagem de forma mais humanizada, o PE segue etapas sequenciais e interligadas, visando à eficiência e alcance de resultados benéficos para o cliente em longo prazo, considerando prioritariamente os interesses, expectativas e desejos do cliente (pessoa, família, comunidade) no atendimento de sua saúde (ALFARO-LEFEVRE, 2000).
Por outro lado, Leopardi (2006) considera que o PE é resultado da interação entre os agentes responsáveis pelo cuidado (enfermeiro e cliente), com objetivos específicos, com vistas a um alcance de bem-estar ou de uma morte tranquila. É um conceito unificador da profissão, à medida que discrimina os elementos do processo de trabalho assistencial e demonstra a função da Enfermagem por meio do uso da ciência, arte e método. Tal autora também pontua que o PE ainda restaura para a Enfermagem seu primeiro compromisso, que é o de cuidar das pessoas, numa base personalizada, humana e técnica, bem de acordo com a Prática de Enfermagem, que exige conhecimentos e habilidades para diagnosticar e cuidar terapeuticamente, considerando as respostas das pessoas a problemas reais ou potenciais de saúde, por meio de ações pensadas para manter o máximo bem-estar possível.
Diferentemente de outros autores, Leopardi (2006) enumera seis componentes do PE: motivo (necessidade apresentada), agente profissional (enfermeiro), interagente enfermo (indivíduo com uma necessidade), marco teórico (conhecimento necessário), objetivo (meta após o cuidado) e recursos (instrumentos).
De uma forma geral, o PE tem sido conceituado como a aplicação dos passos do histórico, do diagnóstico, da prescrição e da evolução de enfermagem, que auxiliam o enfermeiro na identificação dos problemas e na tomada de decisão para a implementação do cuidado.