3. Rescaling Norway
3.4 Understanding rescaling in the Norwegian setting
Num mundo em que o talento é um instrumento relevante da vantagem estratégica, a natureza das estruturas organizacionais terá de ser repensada. Hierarquias flexíveis, novas formas de medir e recompensar o desempenho, novas estratégias de atração e retenção de talentos qualificados tornar-se-ão fundamentais para o sucesso das organizações (Schwab, 2016).
O pensamento académico sobre a importância dos recursos humanos tem uma longa tradição. Começa com a afirmação de Adam Smith, no século XVIII, de que as aptidões adquiridas e utilizadas dos indivíduos são uma fonte de receita ou lucro sendo senso comum que as aptidões, conhecimentos e experiências podem ser aproveitados para benefício organizacional e/ou pessoal (Ployhart & Moliterno, 2011).
Os investimentos em recursos humanos são, pois, uma fonte potencial de vantagem competitiva que tende a observar-se no desempenho das “boas” empresas.
Neste sentido, a quantidade dos recursos e o seu custo foram as variáveis selecionadas para relacionar com vários indicadores de análise financeira da empresa, nomeadamente: o EBITDA1 e o Volume de Negócios (VN).
De acordo Wayhan e Werner (2000), o crescimento das vendas tem prevalência na literatura da performance de uma empresa (Venkatraman & Ramanujam, 1986) pela sua importância como um objetivo de uma gestão estratégica competitiva (Penrose, 1959; Porter, 1980; Thompson & Strickland, 1996).
Para Ly, Esperança e Davcik (2018), as características do gestor da empresa, nomeadamente a idade, a educação, a experiência internacional podem influenciar a tomada de decisão de investimento internacional. Os resultados do estudo destes autores sugerem (i) que até à idade de 53 anos o gestor tende a exibir uma atitude positiva face a mercados novos e de risco; (ii) que o nível de escolaridade também determina a atitude do gestor face ao risco que é determinado pela escolha do mercado e pelo capital investido.
Para explorar as determinantes da performance das empresas, segundo a teoria explicativa Structure Conduct Performance, importa analisar investigação realizada sobre a matéria em apreço.
De acordo com Vasconcelos e Cyrino (2000) esta teoria procura explicar a performance através da relação com a estrutura de mercado (structure) e estratégia adotada pelas empresas (conduct). Este modelo defende que a performance das empresas numa indústria particular depende do comportamento (estratégia) de compradores e vendedores, níveis de cooperação tácita e competição, políticas de pesquisa e desenvolvimento, publicidade, investimento, etc.
Os autores defendem que a teoria Structure Conduct Performance (SCP) supõe que a
performance económica das empresas é o resultado direto do comportamento concorrencial em
termos de fixação de preços e custos e que esse comportamento depende da estrutura da indústria na qual as empresas estão inseridas.
O paradigma tradicional SCP tem sido uma das hipóteses mais testadas na literatura sobre organização industrial e propõe que a concentração do mercado reduz o custo da concorrência desleal entre empresas e resulta em maiores lucros para todos os participantes do mercado (Evanoff & Fortier, 1988).
A literatura sobre a performance e os seus determinantes é relativamente abundante e concentrada em vários aspetos, desde o estudo da definição e medição do conceito, análise de eficiência e eficácia e determinantes (Pantea, Gligor, & Anis, 2014). Um dos métodos utilizados para a sua medição são as análises financeiras que usam índices de rentabilidade como medidas da eficiência e lucro (Pervan & Višić, 2012).
Tradicionalmente, o lucro é medido através do retorno sobre o património (ROE); retorno sobre os ativos (ROA); lucro líquido; lucro antes de juros e impostos (EBIT); e lucro
antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) (Kaen & Baumann, 2003; Pervan & Višić, 2012).
Existe um grande número de variáveis que pode influenciar a performance, pelo que, ainda não existe um modelo universal que possa ser aplicado a todas as empresas (Tayeh, Al- Jarrah, & Tarhini, 2015).
Contudo, temos de ajustar o método à informação recolhida no INE.
Assim, para medir a performance da empresa vamos utilizar o indicador: Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização - Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation
and Amortization (EBITDA) e o crescimento do volume de negócios (VN).
Dividimos o estudo das determinantes da performance da empresa em dois modelos, o primeiro com a variável dependente “EBITDA”, e o segundo com a variável dependente “crescimento do volume de negócios”.
Um estudo realizado por Xavier, Moutinho e Moreira (2015) verificou que a eficiência aumenta quanto melhor o uso de recursos (entradas) e o EBITDA (saídas).
Ambos têm diferentes variáveis explicativas pois existem várias determinantes da
performance segundo a literatura. É possível observar no Quadro 1, os vários tipos de variáveis
que podem determinar a performance da empresa.
As empresas usam variáveis de desempenho para medir, gerir e comunicar resultados (Fávero, Serra, dos Santos, & Brunaldi, 2018). Os autores demonstraram que as características da empresa, da indústria e do país (aqui denominadas determinantes) afetam o desempenho e a estrutura das empresas.
Para resumir as possíveis variáveis determinantes da performance, demonstramos o Quadro 1 de Pantea et al. (2014) onde é possível observar várias determinantes dentro das diferentes categorias de variáveis por este definidas (indústria, empresa relativamente aos concorrentes, empresa e organizacionais).
Quadro 1- Determinantes da Performance da empresa
Variáveis Autor Determinantes da Performance da empresa
Variáveis da indústria Ravenscraft (1983) Schmalensee (1985)
Crescimento, concentração, intensidade de capital, intensidade de publicidade
Variáveis da empresa relativamente aos seus concorrentes
Shepherd e Wiklund (2003) Quota de mercado relativa
Variáveis da empresa Tan e Peng (2003)
Peng e Luo (2000) Dimensão da empresa
Variáveis
organizacionais Ahmada e Schroeder (2003)
Fluxo de comunicação, ênfase nos recursos
humanos, práticas de tomada de decisão, organização
do trabalho, projeto de trabalho, ênfase do objetivo
O indicador EBITDA tem várias vantagens (1) demonstra uma boa avaliação da saúde do negócio se as principais operações da empresa funcionam; (2) não leva em conta investimentos financeiros; (3) considera apenas despesas operacionais diárias; (4) ilustra o fluxo de caixa das operações correntes; (5) é uma boa representação da lucratividade de uma empresa; e (6) é um valor confiável de benchmarking (Vogne, Van Zuylen, & Iania, 2018). O EBITDA pode ser visto como uma medida de retorno sobre investimento pois é possível que algumas empresas de uma indústria possam adotar uma estratégia de margens altas e baixo volume de vendas, enquanto outras, uma estratégia de margens baixas e elevado volume vendas (Kaen & Baumann, 2003).
Entre os indicadores contabilísticos utilizados para medir a eficácia do desempenho organizacional destaca-se, o indicador Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation And
Amortization (EBITDA), sendo considerado como um dos principais indicadores
contabilísticos no mercado de capitais, sendo utilizado por analistas, credores, investidores e acionistas. (Oliveira Ritta, Jacomossi, Rocha Fabris, & Klann, 2017).
Os indicadores do EBITDA mostram que para cada unidade monetária, como por exemplo, de Receita Líquida; o quanto se consegue de retorno operacional (Oliveira Ritta et al., 2017).
O EBITDA é relativamente mais simples de ser entendido do que os outros métodos de análise de performance como o ROE, o lucro residual e o valor de mercado adicionado (Frezatti & de Aguiar, 2007). Existem vários pontos fortes e fracos associados ao EBITDA que são possíveis de observar no Quadro 2.
Quadro 2 - Pontos fortes e fracos do EBITDA
Pontos Fortes Pontos Fracos
Possibilita a estimativa de fluxos de caixa futuros. A utilidade do EBITDA é menor quando não está associado a outros indicadores.
Desconsidera os efeitos financeiros que podem distorcer o resultado.
Não é aplicado para as instituições financeiras, pois desconsidera despesas financeiras.
Auxilia nas decisões de políticas de gestão. Ignora as variações do fundo de maneio. Mostra o grau de cobertura das despesas financeiras
para remunerar os credores.
Não considera as necessidades de reinvestimento em bens operacionais.
Pode ser utilizado como benchmark financeiro para comparar empresas.
Pode dar a falsa ideia sobre a liquidez efetiva do negócio.
Evidencia a viabilidade dos negócios, por meio de aferição da eficiência operacional.
Dado a excluir as despesas financeiras, pode não refletir a situação real económico-financeira das empresas.
As apreciações do indicador EBITDA originam discussões no âmbito académico e empresarial, ao nível de se identificar o real impacto desse indicador na qualidade da informação contabilística (Oliveira Ritta et al., 2017). No entanto, o EBITDA é um indicador importante usado por gestores e investidores no seu processo de decisão (Siessere, Jones & Nakamura, 2015).
O crescimento das vendas (Volume de Negócios) é um dos indicadores de performance mais importantes pois descreve a competitividade da indústria, as oportunidades de mercado e como as empresas estão estrategicamente posicionadas para agregar valor (Fávero et al., 2018) considerados estáveis os restantes indicadores.
Esta investigação fornece uma visão geral do desempenho das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) da indústria da pedra, durante o período de 2011 e 2016, e uma análise dos determinantes da sua performance.
As empresas da pedra são maioritariamente PMEs, sendo que apresentam um volume de negócios inferior a 50 milhões de euros e menos de 250 empregados (Pérez-Gómez, Arbelo- Pérez & Arbelo, 2018).
Dada esta importância crucial das PMEs, juntamente com o aumento da concorrência causada pela queda das barreiras comerciais e pelo forte desenvolvimento das tecnologias da informação, é necessário analisar tanto o desempenho das PME como os fatores que afetam o seu desempenho (Pérez-Gómez et al., 2018).
Esta investigação é dos primeiros estudos que avalia os resultados gerais de
performance de PMEs da indústria da pedra usando o conceito de performance.