4. Data and methods
4.1 A survey to regional bureaucrats
Além das mudanças nos padrões de crescimento, no mercado de trabalho e no futuro do perfil do trabalho que naturalmente influenciam as organizações, há evidências de que as tecnologias que sustentam o novo paradigma tecnológico (ou, para muitos, a quarta revolução industrial) estão a ter um impacto significativo na forma como as empresas são geridas, organizadas e equipadas.
Para Schwab (2016), um sintoma particular deste fenómeno é a redução histórica na vida útil média de uma empresa listada no S&P 500 de cerca de 60 para aproximadamente 18 anos.
Importa observar a questão da digitalização da economia na sociedade.
O estudo Digitalização da Economia e da Sociedade Portuguesa, de 2017, pelo Ministério da Economia, constata que apesar de Portugal ter uma excelente cobertura de banda larga, o país ainda tem défice de adesão e utilização da internet, sugerindo que 28% dos portugueses nunca utilizaram a internet e 48% não têm competências digitais básicas; 19% das PME vende online e 7,9% destas para o estrangeiro, com o comércio eletrónico a representar já
13% do seu volume de negócios; 44% dos portugueses efetuaram compras online mas apenas 8% venderam bens ou serviços online em 2015 (Andrade, Dores & Matos, 2017).
O estudo refere, ainda, que as empresas portuguesas têm acesso a banda larga mais rápida que na média europeia, mas têm menos websites, sendo que os existentes apresentam menos funcionalidades face à média da EU. Por comparação, aos seus congéneres europeus, os empresários portugueses que ainda não vendem através do seu website, não vêm como grande obstáculo ao comércio eletrónico o enquadramento normativo nacional.
Enquanto na UE28 apenas 16% das pessoas nunca utilizaram a internet, 28% dos portugueses nunca o fizeram. De igual modo, a utilização da internet por 76% dos europeus contrasta com a mesma utilização por apenas 65% dos portugueses. Tal poder-se-á explicar, em parte, pelo facto de 48% dos portugueses não terem ainda competências digitais básicas.
Portugal é o segundo país onde é mais fácil contratar especialistas em TIC devido à baixa procura deste recurso. Nesse sentido, um relatório do Ministério da Economia, em 2017, refere que é estratégico para o país investir no aumento das competências digitais e na utilização da internet por parte dos seus cidadãos e apostar na empregabilidade dos especialistas em TIC.
O nível médio de digitalização das empresas do setor industrial deverá crescer, de 33% para 72%, dentro de 5 anos. Globalmente, as empresas prevêem gastar cerca de 5% das suas receitas anuais em digitalização. As empresas esperam que os níveis elevados de digitalização permitam obter uma redução de custos de 3.6% e um aumento das receitas digitais, em média, de 2,9% a cada ano (Andrade, Dores e Matos, 2017).
A trajetória positiva do Índice de Digitalização da Economia e da Sociedade (IDES) (figura 6) para Portugal deve-se, em grande parte, à evolução ao nível do capital humano.
Figura 6 - Índice de digitalização da economia e da sociedade 2016 – Desempenho relativo de Portugal
Fonte: IDES, Comissão Europeia (2016): 8
Portugal está em vigésimo lugar no sub-ranking de Capital Humano deste Índice. O posicionamento do país no pilar do capital humano não se deve ao número de licenciados em ciências, tecnologias, engenharias e matemáticas mas sim à baixa utilização da internet e baixas competências digitais, assim como ao baixo número de especialistas em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) (Andrade, Dores & Matos, 2017).
Para Carvalho (2018), apesar do forte investimento português em I&D, e no sistema de ensino, não se soube criar uma estratégia inclusiva, autossustentável e competitiva para o Sistema de Ciência e Tecnologia.
No final de 2013, a UE promoveu do maior programa de apoio à investigação: “Horizonte 2020”. Portugal tem um SCT desenvolvido e com um conjunto de investigadores numerosos e dinâmico. Nos últimos anos foi um dos países da UE com maior taxa de crescimento anual do número de publicações e, também de novos doutoramentos. Em 2012, o país atingiu o 4º lugar em investigadores por 1.000 habitantes, apenas ultrapassado pela Finlândia, Dinamarca e Suécia (Carvalho, 2018).
Segundo Carvalho (2018), este facto é um elemento importante para o futuro de Portugal.
O autor observava que os dados não parecem anunciar êxitos. Assim, em 2013, a taxa de sucesso de Portugal na obtenção dos mais competitivos financiamentos europeus (“European Research Council”) era, apenas de 5% para uma média europeia de 13%; estava, ainda, no 18º lugar na EU-28 no indicador de excelência em C&T, no 17º lugar no “Innovation
Union Scoreboard” e num dos últimos lugares no pedido de patentes. Cerca de 80% dos
0 0,2 0,4 0,6 0,8 Conectividade Capital Humano Utilização da Internet Integração de Tecnologia Digital Serviços Públicos Digitais Portugal UE28
doutorados em Portugal continuavam na Academia, e apenas 3% nas empresas, posicionando o país atrás da Espanha (15%) e distante da Bélgica, Dinamarca e Holanda (mais de 30%).
Para Carvalho (2018), Portugal cresceu “em números”, mas “falta” enfrentar a exigência do mercado privilegiando a qualidade e a capacidade de promover parcerias entre os diversos intervenientes, sejam eles os investigadores, a academia e as empresas.
De acordo com Amaral (2017), na Indústria 4.0 teremos, desejavelmente, uma nova infraestrutura social no ambiente de trabalho permitindo uma mudança no paradigma da interação do homem com a tecnologia, sendo as máquinas a adaptar-se às necessidades do ser humano, havendo cada vez mais: a) “e-learning” tecnológico no posto de trabalho na lógica do
“work-place-based training”; b) formação e c) desenvolvimento profissionais contínuos (CPD - “continuing professional development”)
O autor defende que a evolução tecnológica provoca sempre a destruição de empregos numas áreas e a criação noutras. Existem empregos menos qualificados que podem ser automatizados, mas serão criados outros. Existe, também, uma nuvem escura sobre um número significativo de pessoas que ainda não sabem que são “futuros analfabetos”.