4. Results and Discussion
4.1 The Use of Biogas in the Visited Households
4.1.2 Benefits from Biogas Production and Use
4.1.2.2 Health
Este protocolo tomou como base as técnicas desenvolvidas por Cascon (2010; 2009), Pagán-Jiménez e Oliver (2008), e Pagán-Jiménez (2011); adaptados para os materiais líticos de Lapa Grande de Taquaraçu. Como parte complementar a recuperação de grãos de amido em artefatos líticos, foi decidido realizar uma prova simples que indicasse a presença de sangue sem interferir com o mencionado protocolo para detecção de amidos. A técnica eleita foi a detecção por fitas de uranálise. É tomado como base o método descrito por Malainey (2011). A seguir, as etapas do protocolo são apresentadas de maneira geral e alguns aspetos técnicos são destacados. Começa-se com uma análise superficial do artefato em lupa de 10 aumentos. A partir de esse passo, dois tipos de sedimentos são recuperados14: Sedimento
I, resultante de uma escovação seca (sedimento escovado) e Sedimento II, recuperado por banho ultrassônico (sedimento associado). Parte-se do pressuposto que o primeiro estaria relacionado ao sedimento circundante ao
14O sedimento das peças 350, 354, 592, 709, 718, 1455, 1473, 1476, 1477, foi recuperado na totalidade da peça, pois se tratavam de líticos informais cujas partes ativas não sempre eram evidentes. Já o sedimento das peças 2052 e 2081 (lesma), é originado de artefatos formais e o sedimento foi recuperado diferencialmente, distinguindo entre o sedimento das partes ativas e do cabo.
38 artefato arqueológico, e o segundo estaria relacionado com o uso efetivo deste artefato.
Na etapa seguinte, os sedimentos recuperados15 são separados dos grãos de
amido. Grande parte dos estudos de identificação de amidos em contextos arqueológicos utiliza a centrifugação para concentração do sedimento (CASCON, 2009, 2010; COIL et al., 2003; GIOVANNETTI et al., 2008; HARDY et al., 2009; PAGÁN-JIMÉNEZ, 2011; WESOLOWSKI et al., 2010) e este trabalho não foi a exceção.
Para realizar uma primeira separação de amidos do sedimento, utiliza-se uma solução de Cloreto de Césio (CsCl) com um peso específico de 1,8g/cm3. Esse
peso é utilizado porque de acordo com Banks e Greenwood (1975, apud Pagán-Jiménez 2011:4), os amidos tendem a apresentar um peso específico de até 1,5g /cm3. Porém, Acosta Ochoa (2011, comunicação pessoal) faz notar que existem grãos de amido com um peso específico maior, portanto recomendou centrifugar tanto o sobrenadante como o sedimento resultante deste passo de maneira paralela. Neste trabalho seguimos esta recomendação. Por último, a solução resultante é montada numa lâmina e selada com esmalte de unhas. Os amidos são contabilizados. A contagem começa desde no canto superior esquerdo e prossegue da esquerda para a direita e da direita para a esquerda (em zigue-zague) até alcançar o final da lâmina. Esta contagem é feita a 200X e 1000X com microscopia de luz polarizada. Os microvestígios achados debaixo da capa do esmalte de unhas resultante da montagem das lâminas não foram contados, pois não se tinha a certeza que esses vestígios não correspondessem ao esmalte de unhas.
VI.4.1 Precauções contra contaminantes
15 Pagán-Jiménez e Oliver (2008) sugeriram 0,006g como a quantidade mínima de sedimento para ser analisado na recuperação de grãos de amido. Tinha-se pensado seguir essa sugestão, porém, as peças líticas ocupadas neste trabalho correspondem à indústria lítica de Lagoa Santa e são pequenas, o que resultou em que na maioria das vezes esta quantidade não se pudesse alcançar. Por isso, optou-se por centrifugar o sedimento não importando se esta massa era atingida e mesmo se não era perceptível no olho nu.
39 A fim de minimizar o risco de contaminação por amidos modernos o material de vidraria e de plástico usado é imerso por 8 horas numa solução de dimetilsulfóxido (DMSO), e limpa com água destilada. Esta vidraria inclui a usada para cobrir as amostras enquanto eram secas na estufa, assim como os frascos usados para armazenar as soluções. A área de trabalho foi limpa com álcool após a análise de cada peça. A manipulação do material arqueológico se faz com luvas de látex clorohidratadas (nitrila) sem talco e sem amido. Para a detecção de possíveis contaminações pelos amidos presentes no ar, foram colocadas caixas de petri com aguas destilada nas áreas de trabalho, seguindo as recomendações de Laurence et al. (2011). Essas placas de petri foram deixadas por 12 dias no ar livre; durante este tempo, as janelas do laboratório permaneceram abertas e o pessoal continuou trabalhando nos seus respetivos projetos. As soluções ocupadas foram analisadas para presença de grãos de amido.
VI.4.2 Material empregado na análise de amidos e sangue em artefatos líticos
Varetas de plástico descartáveis
Laminas novas, seladas (padrão Knittel Glasser) Lamínulas novas (24x50mm) Escovas dentais descartáveis Papel-toalha Luvas de látex clorohidratadas
(nitrila) sem amido ou talco Microscópio de luz polarizada,
com câmara digital integrada
Banho ultrassónico
Sacos com fecho (tipo “zip-loc”) Papel-alumínio Pipetas descartáveis Balança analítica
Centrífuga Tubos tipo eppendorf para
centrífuga (2mL) Esmalte de unhas transparente Caixas de petri
Fitas de uranálise (Sensi 10) Frascos tipo Flacom (15 mL) Vidro de relógio
40 VI.4.3 Soluções
Dimetilsulfóxido (DMSO, CH3SOCH3)
Cloreto de césio (CsCl)
Sal ácido de sódio etilenodiaminotetracético (Na-EDTA) Água destilada
Glicerina
VI.4.4. Descrição de passos.
O Protocolo descrito a seguir, divide-se em distintas etapas. O leitor pode
ocupar a Figura VI-2 como guia:
1.Uma análise superficial do artefato é feita ao microscópio sob luz normal e campo escuro, a fim de perceber concentrações grandes de amido ou manchas aparentes de sangue.
2. A peça é escovada sobre um papel-alumínio com uma escova-de-dentes descartável. O sedimento resultante destas escovações é separado num Eppendorf (2mL) e analisado em separado (Sedimento II).
3. Uma segunda escovação é feita, usando outra escova-de-dente umedecida com água sanitária.
4. O artefato é submergido em água destilada em um frasco tipo Falcon de 15 mL e posto num banho ultrassônico por 10 min.
5. Hum mL do sedimento aquoso resultante (Sedimento I); esse banho será usado para o teste de presença de sangue.
6. Vertem-se 0,5 mL são vertidos sobre uma fita de uranálise. Esperam-se 60 segundos para ver uma reação positiva (ou não) na almofadinha reativa. 7. Adicionam-se 0,5 mL da solução resultante do passo 4 aos outros 5 mL de Na-EDTA, utilizando uma vareta de plástico ou agitando a solução no eppednorf por 30 segundos.
41 9. Para pesar o sedimento resultante do passo 4, o mesmo é centrifugado 3 vezes por 10 min. a 3000 rpm, com menos água de cada vez.
10. Esse sedimento é colocado sobre um vidro-de-relógio e seco numa estufa a não mais do que 41°C, e pesado numa balançada analítica.
11. A amostra de sedimento é introduzida num Eppendorf de 2mL para depois receber uma solução de cloreto de césio (CsCl), com uma gravidade específica de 1.8 g/cm3
12. A amostra é agitada por 30 segundos.
13. As amostras são pesadas em balança e colocadas na centrífuga a 2.500 rpm por 12-15 mais.
14. Os amidos com um peso específico inferior a 1.8g/cm3 ficam no sobrenadante (A). O sedimento resultante deste passo (B) é separado e analisado de maneira paralela ao sobrenadante.
15. Feito isso, A e B são vertidas em dois tubos na centrífuga, adicionando neles 0,5mL ou 1mL de água destilada, de jeito que o balanço dos tubos seja igual. Esta mistura é agitada por 10-15 segundos, a fim de eliminar os cristais salinos, reduzindo assim o peso específico.
16. As amostras são centrifugadas por mais 20-25 minutos a 3.200 rpm, recuperando-se nesta ocasião o sedimento.
17. Os passos 15 e 16 devem ser repetidos mais duas vezes, mas com menos água em cada ocasião.
18. Uma gota do sedimento resultante deste processo é montada sobre uma lâmina e coberta com uma placa-de-petri.
19. A lâmina é seca numa estufa a 41°C.
20. Uma vez seca, é adicionada uma gota de glicerol e espalhada pela lâmina com uma vareta descartável de plástico.
42 22. A contagem das lâminas é feita em 200 e 400X com luz polarizada e começa desde o canto superior esquerda com um sentido de esquerda à direita e direita à esquerda (zig-zag) até alcançar o final da lâmina.
23. No caso do sedimento escovado no passo 2 (Sedimento II), ele é pesado numa balança de precisão, e diluído em 1mL de água destilada.
24. São feitos os passos 6, 7 e 8 para detectar a presença de hemoglobina nesse sedimento.
25.Os passos 11-22 são repetidos para este sedimento.
Figura VI-2 Diagrama do protocolo