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Kapittel 2 – Forskningshistorisk bakgrunn

2.1 Undersøkelsesområdet i forskningshistorisk lys

Para Skliar (2003), quando fundamentamos o problema da exclusão unicamente em bases econômicas, fugimos da questão essencial, pois o sujeito se torna um dado estatístico, em apenas mais um a ser contado entre os desempregados, os mais pobres, os analfabetos, os deficientes (dentro ou fora da escola), enfim são sujeitos sem corporalidade, aprisionados nos tópicos quantitativos da exclusão.

O autor chama a atenção para o fato de que a tradicional roupagem economicista da exclusão produz e cria uma imagem do mundo em torno de localizações absolutas e a partir de noções tais como renda mínima, linhas de pobreza, viver com menos de um dólar diário, lares sem eletricidade etc. Tal realidade é inegável, mas, se analisada exclusivamente como problema econômico, o sujeito permanece anulado e aprisionado nas estatísticas de quantificação da exclusão. Skliar considera crucial a diferenciação entre o sujeito excluído

como dado estatístico e o sujeito portador de um rosto, de uma identidade, de subjetividade, de um corpo que lhe seja singular, que exista independente do sujeito da exclusão. E além da dimensão econômica não ser capaz de dar visibilidade ao sujeito, tampouco poderia banir a exclusão social, se a igualdade econômica e social fosse concretizada na sociedade.

Os mecanismos de inclusão e de exclusão se infiltram em cada fresta das relações

humanas, desafiando os sujeitos mais conciliadores e “desprovidos de preconceitos”. Mesmo

o chamado excluído, tido como o mais propenso a incluir um outro — talvez ainda mais excluído ou mais “diferente — exclui e inclui a todo instante, já que não é um simples dado estatístico, mas um ser real dotado da mesma natureza humana de todos, que distingue, escolhe e determina a todo instante conforme seu próprio entendimento. O excluído não é um ser à parte que, pelo fato de ser colocado em um grupo de excluídos, não possa ser encontrado

entre as normalidades dos ditos “incluídos”. Afinal inclusão/exclusão não são dois espaços,

dois destinos únicos e antagônicos que dividem, distinguem e aprisionam os indivíduos. As relações humanas são bem mais complexas, como nos afirma Skliar (2003):

Acaso todo o humano está aprisionado em uma relação de exclusão/inclusão? É toda voz, todo corpo, cada gesto, cada olhar, todo espaço e todo tempo exclusão e/ou inclusão? Não é este binômio uma forma perversa de olhar, de representar-se e agir no mundo e, também, um modo de esconder/obscurecer o híbrido, o inclassificável, o indeterminável, o ambíguo, o ambivalente e, enfim, a contradição? E, sobretudo: não é essa relação uma forma de acabar justamente com a relação, isso é, não se estará acabando assim com as contradições em que a exclusão se dilui na inclusão e a inclusão resulta em um Paraíso, ainda que se mantenha intacta uma intensa produção e invenção dos que foram expulsos? (SKLIAR, 2003, p. 27)

O excluído, quando pensado apenas como pertencente ao grupo da exclusão, cada vez mais é distanciado das possibilidades de estar como igual entre os considerados fora da exclusão. Esse caráter de especialidade é percebido quando, por exemplo, o excluído apresenta uma característica comum a todos, uma opinião muito singular ou até mesmo muito geral (característica dos normais) é considerada em alto prestígio, passa a ser mencionada como um traço de normalidade, quase impossível e que se concretizou por uma capacidade que sobressai ao seu grupo de pertencimento, o grupo da exclusão.

Um outro cujo todo e cada uma de suas partes se tornaram objeto de uma obscena e caridosa curiosidade, de uma inesgotável morbosidade, de uma pérfida etnografia do mesmo, de um sonho ou ideal de completamento do outro, de perfectibilidade do outro, correção do outro, de normalização do outro (SKLIAR, 2003, p. 46).

As “façanhas” dos excluídos – como aproximações da normalidade — passam a servir de exemplos nos discursos de intelectuais da inclusão, que reforçam a tese de que a inclusão é premente, porque os anormais, por mais discriminados que tenham sido, são sujeitos capazes de expressar-se como os normais e que, portanto, precisam apenas da abertura das pessoas para recebê-los. E então elas permitem uma chance e se abrem para observar esses sujeitos, abrem suas escolas e outras instituições sociais, põem-se a analisar até que ponto vão as normalidades que os capacitam a serem incluídos entre os normais e onde estão as anormalidades que os façam pertencer ao grupo dos excluídos.

Estas concepções funcionam como extensão da maneira como as políticas de inclusão

vêm sendo formuladas, e em parte executadas no Brasil, como se o diferente fosse um “único

estranho”, um exótico, um portador de algo que os outros, normais, não possuem (VEIGA NETO e LOPES, 2007). As diferenças comuns a todos nós, parecem não ter a mesma importância que aquelas características dos excluídos, reforçando a noção de normal/anormal.

Quando uma pessoa em conversas comuns, tencionando diminuir a distância entre si e o deficiente, fala-lhe que sua diferença não é nada, que tal como ele, possui muitas limitações, fica evidente essa contradição. Pois a pessoa, muitas vezes sem qualquer instrução acerca dos jargões da inclusão, inconscientemente percebe que as diferenças não se apagam quando acabam as deficiências e que há algo errado nas ideias acerca da normalidade e anormalidade. Se ela mesma pode comparar suas diferenças às do deficiente, porque então se reforçam tanto as diferenças do deficiente? “Egocêntrica normalidade cuja infame tentação é a invenção do anormal” (SKLIAR, 2003, p. 46).

Somos levados então à seguinte reflexão: ou somos todos iguais, ou somos todos diferentes. Somos iguais na nossa essência humana, possuidores da mesma estrutura que quando submetida ao mesmo tempo, espaço, cultura e uma infinidade de variações, inclusive genéticas, seriamos idênticos. A nossa estrutura, a essência comum que qualifica a todos como humanos, é o que nos deveria unir enquanto iguais, mas já vimos como os mecanismos de poder e dominação cegaram os homens para este fato. As nossas diferenças passaram a exercer tamanho domínio em nossas relações, a ponto de nos colocar em constante conflito uns com os outros. Se não houvesse qualquer esforço de autocontrole consciente, as relações em sociedade se tornariam impossíveis. Esses conflitos são o que possibilita certo equilíbrio entre a necessidade de projeção pessoal e a necessidade de dar lugar à projeção de outros. “Porque se o outro não estivesse aí, só ficaria a vacuidade e a opacidade de nós mesmos, a nossa pura miséria, a própria selvageria que nem ao menos é exótica. Porque o outro já não

está aí, senão aqui e em todas as partes” (SKLIAR, 2003, p. 6). São aquelas variações a que estamos submetidos, que nos torna diferentes na nossa projeção externa. Essa compreensão nos parece tão simples e clara, até mesmo óbvia, mas é o que tem causado tanta confusão e interpretação, gerado exclusão e projetado modalidades específicas de ensino, conteúdos disciplinares, criado e recriado identidades e o pior de todos os males, distanciado o homem ainda mais de sua natureza humana.