Kapittel 4 – Det arkeologiske materialet fra yngre jernalder
4.3 Gravfunn fra yngre jernalder – Landvik sogn
É importante conhecermos como essas coisas acontecem e por que são assim, para não permanecermos no trabalho político de permanente luta e espera pelo mundo harmônico que tornará a todos felizes, e para mantermos a crítica radical constante como diz Veiga Neto citando a conhecida máxima de Foucault “ao invés da grande revolução, pequenas revoltas diárias”.
O problemático no ideal harmônico da sociedade está na sua transposição em práticas normativas de correção e normalização, ou na suposição de que: esse ser que é visto como imperfeito, ou ignorante, ou cego, ou egoísta, ou ainda na sua menoridade, teria se afastado, se desencaminhado e ao qual deveria retornar, por obra do nosso esclarecimento — filosófico, científico, psicológico, pedagógico — c de nossa militância – política (VEIGA NETO, 2001 p. 117).
É exatamente esse esclarecimento citado pelo autor que assumimos como problemático em nosso trabalho, sobretudo os que se dizem ser dele possuidores. Foi ele que constituiu as bases para que o homem construísse seus projetos de ordenamento do mundo, firmando-se nos seus saberes, nas suas vontades, na racionalidade e no poder de colonização do outro; o esclarecimento distanciado de suas origens, de seu propósito de afirmação, daquela razão que nos tiraria da menoridade e nos conduziria à vida autônoma, mas nos conduziu diretamente na direção oposta, à renúncia da maioridade que a serviço da razão irrefletida nos deixou a todos perplexos com a confusão com a qual nos envolvemos. Perplexidade que não nos imobilizou completamente, que deixa ainda uma fresta para determos a posse de certo esclarecimento, diferente do esclarecimento presunçoso da modernidade, e que também não é o esclarecimento de Kant, que nos livra da tutela de outrem. É talvez o único esclarecimento possível nos tempos atuais.
Conformamo-nos, ao menos a maioria, com o fato de que estamos fadados a permanecer sob o controle e sob o poder do sistema social atual. Nessa maioria, entretanto, percebem-se dois grupos: os que vivem alheios à dominação e à submissão da qual são servidores; e os que reconhecem tais mecanismos como impedimentos à manifestação plena de suas capacidades de pensar, de ser e de existir em total autonomia. Esses últimos adotam uma postura crítica e reflexiva frente às instituições sociais de controle e de poder, o que significa apenas ter consciência deles e minimamente se desviarem de servi-los cegamente. Esses são os homens esclarecidos da atualidade. Talvez seja essa a única liberdade possível de nos apropriarmos do entendimento e da razão em direção a uma vida esclarecida. Liberdade essa, ainda limitada ou impedida em muitos países que vigiam e punem os que tentam tecer críticas ao poder de seus dirigentes, ao passo que ainda vivemos em um país em que se permite certa liberdade, ao menos de refletir sobre o que nos oprime.
A liberdade que nos resta, inclusive aos excluídos, é a observância atenta e a análise profunda sobre os mecanismos de dominação implícitos nos discursos em defesa da igualdade indiscriminada entre todos. Reconhecer tais mecanismos e persistir na subserviência é negar a própria humanidade que existe em nós; é, como disse Kant, permanecer na covardia e na
preguiça, é nunca ascender da menoridade. Mesmo que em proporções irrisórias, ainda podemos lutar pela maioridade, que não será a liberdade total, mas que ao menos atingirá certa maturidade com senso de realidade suficiente para usufruirmos das possibilidades de autonomia que ainda nos restam.
Admitimos, assim, a perplexidade dos tempos atuais. O mundo desencantado pela razão e encantado pela ideia de progresso, pelas ideias nunca antes aplicadas de moralização da humanidade; das sociedades que se dizem estar abertas para receber a todos, independente de cultura, de cor, de raça, de normalidade física ou intelectual. Da maioridade conquistada que redundou na instrumentalização da razão; da substituição do mito pelo método científico; do ordenamento dos corpos e de mentes; das relações atravessadas pelo poder e pelo controle, invisibilizadas pela submissão “livre e consciente”.
Para Adorno e Horkheimer, os homens sempre tiveram diante de si duas escolhas: submeterem-se à natureza ou submetê-la ao eu. A instrumentalização da razão e sistematização das ciências é o resultado da segunda escolha, que coloca os homens em uma situação embaraçosa, pois nos parece irremediável enfrentar suas consequências, vivendo em constante luta por revertê-las, ou seja, aplicar a razão para trazer de volta ao homem sua humanização, como é o caso dos projetos inclusivistas. Eles tentam provar que o “entendimento esclarecido” é capaz de expulsar do mundo os seus males e que a ciência a serviço da ética e da moral pode levar os homens a conviverem harmonicamente uns com os outros apesar de suas diferenças. Para Adorno e Horkheimer (1985), a mudança jamais será
operada pela via da racionalidade, enquanto estiver a serviço da dominação: “a racionalidade
ligada à dominação está ela própria na base do sofrimento. À medida que agridem cegamente
e cegamente se defendem, perseguidores e vítimas pertencem ao mesmo circuito funesto”
(ADORNO; HORKHEIMER 1985, p. 80).
Para os autores, são os homens inteligentes os mais estúpidos, pois facilitam as coisas para os bárbaros. Com seus juízos bem informados e perspicazes, os prognósticos baseados na estatística e na experiência, as declarações começando com as palavras: “Afinal de contas, disso eu entendo”. Com essas declarações e enunciados, o homem estupidamente os falsifica quando assume o poder e controle sobre o que anuncia saber.
São esses bem informados que nos deixaram perplexos pela sua capacidade de invenção e produção do outro; traduzindo-o, governando-o e, no entanto, tornando-o ausente, inexistente. Seria possível encontrá-lo? O outro que se trata de nós mesmos, do humano
perdido no mundo material e encontrado apenas na essência de todos. Mas para encontrá-lo é necessário desejá-lo, precisar dele e, sobretudo, saber projetá-lo.