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Undersøkelsesenheten

O presente trabalho de investigação teve como objetivos saber, em primeiro lugar, quais são as caraterísticas culturais dos cabo-verdianos, em segundo lugar, como é que estas caraterísticas influenciam a formação de alianças empresariais entre os empresários cabo- verdianos donos de micro e pequenas empresas e de unidades produtivas informais e, em terceiro lugar, qual a perceção dos mesmos sobre a importância das redes sociais na gestão dos seus negócios.

Para responder a estas questões, foi pensado e desenvolvido um conjunto de atividades, que tiveram início com a revisão de literatura, seguindo-se a esta a implementação do trabalho de campo, que teve duas componentes. Em primeiro lugar, um inquérito cultural, destinado à população, para obtenção de resposta à primeira pergunta de investigação, inquérito que foi complementado com a realização de entrevistas a um conjunto de especialistas em história e cultura cabo-verdianas.

Em segundo lugar, um estudo de casos para obtenção de resposta às outras duas perguntas de investigação, ele próprio suportado por um conjunto de atividades, designadamente: análise documental, inquérito e entrevistas aos empresários e observação direta.

4.4.1 Inquérito à população

O inquérito cultural, aplicado a 389 elementos da população, nas ilhas de S. Vicente e de Santiago, com recurso ao questionário de Hofstede, apontou como características culturais dos cabo-verdianos as seguintes:

Tabela 26 – As caraterísticas culturais dos cabo-verdianos de acordo com o inquérito à população. Caraterísticas culturais dos cabo-verdianos

Pequena distância hierárquica Elevado colectivismo

Elevada masculinidade Baixa aversão à incerteza Orientação para o curto

Fonte: A Aluna

4.4.2 Entrevistas a especialistas em história e cultura cabo-verdianas

Os resultados do inquérito cultural à população foram um tanto ou quanto divergentes dos que são geralmente considerados como sendo os aspetos mais marcantes da cultura dos cabo- verdianos, sobretudo no que diz respeito à dimensão individualismo/coletivismo, na medida em que o cabo-verdiano é normalmente identificado como sendo muito individualista. Nesta medida, a segunda etapa do trabalho de campo foi dedicada à realização de entrevistas a um grupo de especialistas em história e cultura cabo-verdianas, aos quais se solicitou a opinião, em termos de concordância ou não, relativamente aos resultados do inquérito.

Relativamente às primeiras duas caraterísticas identificadas pelo inquérito, Baixa distância do poder e Coletivismo, dos sete especialistas entrevistados, apenas um concordou com esta classificação, três concordaram com reserva e três discordaram. Relativamente às outras três

caraterísticas, Elevada masculinidade, Baixa aversão à incerteza e Orientação para o curto prazo, os entrevistados concordaram totalmente com estes resultados.

4.4.3 Estudo de casos

Das atividades implementadas, foram atingidos os resultados a seguir indicados.

4.4.3.1 Análise documental

De acordo com os documentos analisados, Cabo Verde apresenta ainda grandes constrangimentos estruturais, mas o país conseguiu vitórias significativas na luta pelo desenvolvimento económico, tendo alcançado, hoje, o estatuto de país de desenvolvimento médio. A economia de Cabo Verde é baseada grandemente no setor de serviços, estando o Governo determinado a apostar no setor privado, para maiores ganhos de competitividade, maior capacidade de intervenção e de aproveitamento de oportunidades por parte deste

O tecido empresarial cabo-verdiano é dominado pelo setor das microempresas e unidades produtivas informais, que enfrenta constrangimentos de vária ordem, tendo o Governo vindo a tomar medidas importantes com vista à promoção deste setor, como seja a criação de instituições de apoio ao desenvolvimento empresarial, com ênfase na promoção do empreendedorismo.

4.4.3.2 Inquérito empresarial

Do inquérito aos carpinteiros/marceneiros, o destaque vai para os seguintes resultados:

Tabela 27 – Resultados síntese do inquérito empresarial

Apoio financeiro Cerca de 71% começou o seu negócio com utilização de recursos próprios, 18% recorreu a familiares e 11% a uma instituição bancária.

Aconselhamento Cerca de 58% não recorreu a ninguém para aconselhamento, sublinhando que sempre gostaram de tomar as suas decisões sozinhos. 38% dos carpinteiros recorreu a familiares e amigos.

Iniciativas para enfrentar

constrangimentos

45% dos carpinteiros entrevistados não adotou nenhuma ação ou aguarda por uma intervenção do Governo para que os constrangimentos sejam resolvidos. 28% dos carpinteiros tentou obter um empréstimo bancário ou resolveu os constrangimentos através de outras ações. Apenas 11% adotou uma solução de parceria contra 89% que preferiu uma solução individual ou nenhuma ação.

Experiência de cooperação empresarial

64% nunca teve uma experiência de cooperação empresarial, enquanto 18% teve mas desistiu porque correu mal e apenas 18% está atualmente numa situação de cooperação empresarial, ou seja, 82% desenvolve a sua atividade de forma independente.

Propensão para a cooperação empresarial

98% é de opinião que os cabo-verdianos, de uma forma geral e os carpinteiros, em particular, têm baixa ou nula propensão para trabalhar em cooperação.

Importância das relações pessoais

100% dos inquiridos declarou que as relações sociais dos empresários são muito importantes para o bom andamento dos seus negócios.

4.4.3.3 Entrevistas

As entrevistas aos carpinteiros/marceneiros revelaram que estes empresários, na sua grande maioria, preferem trabalhar sozinhos e que as principais razões para a não cooperação prendem-se, pelo menos parcialmente, com fatores ligados às caraterísticas culturais dos cabo-verdianos.

Esta afirmação resulta do facto de, se forem excluídos os fatores “falta de organização” e “falta de informação” e no entendimento de que os fatores “individualismo” e “falta de espírito de união” são valores culturais, facto também apontado, ficar claro que, para a maioria dos carpinteiros/marceneiros entrevistados, as caraterísticas culturais dos cabo- verdianos constituem o principal impedimento para a realização de acordos de cooperação empresarial.

Assim, de acordo com estes resultados, relativamente à dimensão individualismo/coletivismo, parece ser menos o coletivismo e mais o individualismo que carateriza os cabo-verdianos, caraterística que se traduz no facto de as pessoas terem um grau maior de confiança em si próprias, na sua família mais próxima e nas suas capacidades individuais de trabalho do que nos outros, tendendo a agir numa base concorrencial. Esta descrição adapta-se aos argumentos apresentados pelos carpinteiros/marceneiros explicando a sua atitude no que diz respeito à cooperação empresarial.

É assim que foram encontrados apenas alguns exemplos de parcerias entre os carpinteiros/marceneiros, isto é, 8 dos 45 que foram entrevistados, enquanto os restantes 37 preferem trabalhar de forma autónoma, mesmo que esse isolamento represente um insuficiente desempenho do seu negócio. Foram relatadas muitas experiências mal sucedidas de realização de parcerias no seio desta classe profissional.

4.4.3.4 Observação direta

Das visitas aos locais de trabalho para a realização das entrevistas, foi possível observar que a maioria dos carpinteiros/marceneiros tem problemas relativamente ao espaço físico, quer em termos de localização, quer em termos de dimensão, bem como ainda no que diz respeito ao local de venda, funcionando a oficina e o local de venda, na maioria das vezes, na própria casa do carpinteiro/marceneiro. Não possuem, por isso, as condições desejáveis para

desenvolverem a atividade de forma satisfatória e mesmo os que possuem uma boa oficina, têm necessidade de alguma prestação de outra oficina em termos de equipamento. A qualidade dos produtos vai de muito boa a muito má.