• No results found

Ulykkesdata

In document Miniscenario: Sikkerhetsstigen (sider 38-42)

Utilizamos por aporte teórico as ideias de reflexão elaborada pelo filósofo, psicólogo e pedagogo norte-americano John Dewey. Para tanto, realizamos um estudo na obra do autor intitulada Como Pensamos: como se relaciona o pensamento reflexivo

com o processo educativo: uma reexposição (1959) buscando compreender o sentido do pensamento reflexivo a fim de melhor entender o pensamento que os alunos possivelmente utilizaram na realização da atividade investigativa, gerando subsídio à nossa condução. As citações de Dewey nessa seção se referem a sua obra de 1959 e, portanto, na redação, restringimo-nos a citar a página.

Essa seção tem por intuito esclarecer o conceito de reflexão de Dewey, o qual mostra que não existe uma capacidade uniforme de pensar e sim modalidades diferentes, por meio das quais coisas específicas – como as observadas ou recordadas – provocam ideias em relação a um problema, conduzindo a mente a conclusões explicáveis, sendo que o desdobramento desse pensamento está ligado ao desenvolvimento da curiosidade, da sugestão e aos costumes de pesquisar e investigar.

Esses aspectos de inquirição servem para aumentar a sensibilidade quando, frente a um problema, a partir do problemático aparecem sugestões para sua resolução de forma evolutiva e acumulativa e a construção de uma solução se torna o objetivo. Dessa forma, pensar reflexivamente não é um processo mental separado e sim um processo onde são empregados, levados em consideração e analisados os diversos pontos observados no problema, provocando fluxo de sugestões favorecendo a “consecutividade” no ciclo de ideias.

1.2.1 O pensar e o pensar reflexivo

Para Dewey os seres humanos possuem várias maneiras de pensar. Quando percebemos quais e por que dessas maneiras de pensar, poderemos, caso quisermos, mudar nossa forma de pensamento, até que se torne eficiente, ou seja, até que ela possa executar melhor a operação mental para tornar uma situação indeterminada em uma situação determinada. O autor considera a melhor forma de pensamento, dentre o

conhecimento científico, o pensamento reflexivo que, para ele, é “a espécie de pensamento que consiste em examinar mentalmente o assunto e dar-lhe consideração séria e consecutiva” (p. 13).

Alguns outros processos mentais que recebem o nome de pensamento são tratados, na obra, pelo autor, de forma sucinta, contrapondo-se às suas ideias a respeito do pensamento reflexivo com intuito de descrever com mais detalhes esse conceito:

A “corrente da consciência”

De acordo com Dewey, trata-se do curso desordenado de ideias que passam por nossas cabeças de forma automática e que é chamado “pensar”. Já o pensamento reflexivo consiste em uma sucessão regular de coisas pensadas, é uma sequência de ideias de modo que uma gera a outra, naturalmente, sustentando umas às outras. Cada passo deixa depósitos que são utilizados pelo termo seguinte e esse fluxo torna-se uma cadeia com um propósito comum.

Pensar em relação ao que não é diretamente percebido

Nesse segundo sentido, o ato de pensar, segundo Dewey, é a representação mental de algo não presente (coisas não percebidas pelo sentido) e pensar é a sucessão dessas representações. Por exemplo, histórias imaginárias contadas por crianças, algumas desconexas e outras articuladas. Essas últimas aparentam-se ao pensamento reflexivo.

Entretanto, contrastando com esse tipo de pensamento, o reflexivo aspira a chegar a uma conclusão além das representações mentais. Por exemplo, a história de um gigante poderá, talvez, satisfazer sentimentos em relação a uma fantasia, mas não satisfaria a indagações do tipo, época e lugar em que o gigante vivia. São necessárias justificativas para aceitar as ideias apresentadas. Isso sugere “[...] algo obscuro a ser esclarecido mediante a aplicação do pensamento. Existe um alvo a ser atingido, que determina uma tarefa controladora da sequência de ideias” (p. 16).

Pensar como sinônimo de crer

O sentido desse pensamento é mais restrito e corresponde praticamente ao de crença. A crença:

abrange todas as matérias de que não temos conhecimento seguro, mas em que confiamos o bastante para nelas basear a nossa ação; e,

igualmente, as matérias aceitas como verdadeiras, como conhecimento, suscetíveis, todavia, de futuras indagações. (p.16).

Esse tipo de pensamento envolve realização intelectual e prática, mas, mais cedo ou mais tarde requer, em algum momento, a investigação a fim de se desvendar sua origem. Nesse sentido, segundo o autor, o pensar como sinônimo de crer não traduz a verdade, apoia-se em evidências que não são examinadas e comprovadas com outra evidência. Não envolve questionamento e investigação.

Em contraposição, no pensamento reflexivo é feito um estudo prolongado e minucioso com vistas à ampliação da área de observação, no raciocínio das conclusões para verificação da adoção de determinada crença, há que se ter uma corrente ordenada de ideias, um propósito e fim controlador, um exame pessoal, pesquisa e investigação. Dewey também faz uma crítica a respeito de que o ensino em torno de “crenças” é muito presente e o “pensamento reflexivo” pouco presente em várias salas de aula.

Pensamento reflexivo

Após contrapor os três tipos de pensamento explicitados ao pensamento reflexivo, Dewey afirma que o fator central do ato de pensar é a observação seguida da sugestão. Para ele, uma coisa lembra outra, isso nos leva a dar significado aos fatos, ou seja, a constatar até que ponto determinado fato é verdade para darmos crédito em outro fato. A reflexão começa quando iniciamos a investigar afirmações de coisas particulares, verificando dados existentes na luz de ideia sugerida com pretensão de justificá-la. Tendo em mente a investigação, temos um processo em que fatos presentes sugerem outros fatos tornando-se um elo em que uma coisa passa a ser fundamento da outra.

Dewey expõe que pensar não é um processo mental separado, os inúmeros objetos observados e sugeridos caminham juntos, também afirma que não adianta criar métodos para o exercício da faculdade de pensar se não estabelecermos condições que despertem a curiosidade.

[...] O problema de método na formação de hábitos de pensamento reflexivo é o problema de estabelecer condições que despertem e guiem a curiosidade; de preparar, nas coisas experimentadas, as conexões que, ulteriormente, promovam o luxo de sugestões, criem problemas e propósitos que favoreçam a consecutividade na sucessão de ideias. (p. 63).

Na primeira parte da obra de Dewey, em que são expostas algumas considerações sobre o pensar reflexivamente, entre outros tipos de pensamento, o autor evidencia que o pensamento reflexivo se traduz em se chegar a uma conclusão mediante indagações. Temos que desvendar algo obscuro, a ser esclarecido por meio da aplicação

do pensamento. Ainda segundo o autor, o pensamento reflexivo se baseia em um estudo cuidadoso e extenso, na observação, no raciocínio sobre as conclusões, a fim de verificar as hipóteses levantadas. O pensamento reflexivo “faz um ativo, prolongado e cuidadoso exame de toda crença ou espécie hipotética de conhecimento, exame efetuado à luz dos argumentos que a apóiam e das conclusões a que chega” (p. 18).

A necessidade da solução de uma dúvida é o fator básico e orientador da reflexão, devendo-se considerar que a natureza do problema a resolver determina o objetivo do pensamento e esse objetivo orienta o ato de pensar. Como reflexivo, um processo de pensamento segue um curso ordenado. É cuidadoso, lógico e determina com exatidão um resultado que, por sua vez, é procedido de uma vistoria. Já o pensamento solto deixa o resultado com um sentido vago em relação àquilo que foi conseguido com sua investigação (o resultado).

Desse modo, o pensamento reflexivo não é simplesmente uma sequência, mas também uma consequência, ou seja, é uma operação em que uma ideia completa e/ou sustenta a outra em uma sequência, tornando-se um fluxo, uma cadeia para um fim comum, de tal modo que nos induzam a crer. Faz com que sejamos induzidos a acreditar no que é sugerido. Por isso, é uma operação em que os atos e significados são alcançados por meio de constantes interações entre eles. Cada novo fato descoberto desenvolve, verifica e modifica uma ideia; e cada nova ideia conduz a nova investigação, revelando fatos novos que podem modificar a compreensão dos fatos anteriormente observados criando-se assim “[...] uma nova situação em que a dificuldade se ache resolvida, a confusão, esclarecida, a perturbação, aliviada, a questão proposta, respondida” (p.105).

O pensamento reflexivo também é considerado uma referência ao passado, a sugestão depende da experiência passada, já que, quando verificamos seu valor recorremos a experiências passadas. Para Dewey (p. 121), “O exame do passado pode ser o fator principal e decisivo no pensamento. Todavia, é provável que a referência mais valiosa ao passado apareça quando da conclusão.”

Uma grande vantagem, segundo o autor, da posse do hábito de atividade reflexiva é que o engano ou erro não é simples engano. A pessoa pode aprender tanto com seus erros quanto acertos, já que um erro serve como toque para a capacidade do pensamento apontando quais as alterações que devem ser realizadas na hipótese levantada, ou levantando um novo problema, ou ainda ajudando a esclarecer o problema em questão.

Podemos resumir as funções do pensamento reflexivo da seguinte forma: “[...] transformar uma situação de obscuridade, dúvida, conflito, distúrbio de algum gênero, numa situação clara, coerente, assentada, harmoniosa” (p. 105).

1.2.2 Inferência

Em todos os casos de atividade reflexiva, defrontamo-nos com dada situação presente, da qual temos de conseguir ou concluir alguma outra coisa não presente. Esse processo de se chegar a uma ideia do que está ausente na base do que está presente é inferência (DEWEY, 1959, p. 100, grifo do autor).

Na nossa interpretação da obra de Dewey a inferência contém em si uma transposição do que é dado para até o desconhecido por meio das sugestões (ideia – pensamentos) a qual é despertada pelo que é visto e lembrado e dependem da experiência pessoal, preferências, desejos, interesses ou estado emotivo, sendo necessário o controle das sugestões que são base de uma inferência a ser aceita pela verificação (prova) a fim de determinar sua conformidade com exigências da situação.

E complementando, a função da inferência “ é o núcleo de toda ação

inteligente; e em segundo, como o fim e o resultado do ato de pensar, é a transformação de uma situação dúbia e embaraçosa numa situação assentada ou determinada”(DEWEY, 1959, p. 100, grifo do autor).

O autor exemplifica três casos do ato de pensar e, por meio deles, ilustra a função da inferência. Dewey considera que existem situações externas e internas que despertam e orientam o pensamento reflexivo até certo ponto. Essa conjuntura é acentuada no primeiro caso. O segundo caso mostra a curiosidade como impulso do pensamento, e o terceiro caso relata problemas intelectuais, despertando a vontade para a investigação, considerando-se experiências já vivenciadas. A escolha desses casos mostra uma cadeia, da reflexão mais simples à mais complexa.

Mediante os casos apresentados por Dewey, vamos indicar a situação presente, e o desconhecido para explicitar a inferência relativa à atividade reflexiva em cada um. A inferência estará sendo representada pela transição da situação presente para a situação determinada.

Caso 1- Caso da deliberação prática: Para o autor, necessidades práticas, em conexão

In document Miniscenario: Sikkerhetsstigen (sider 38-42)