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In document Miniscenario: Sikkerhetsstigen (sider 54-62)

Dewey explica que a Educação interessa em saber como se dá o pensar nos seres humanos. “Interessa-lhe criar atitudes favoráveis ao pensamento efetivo e, para isso, cabe-lhe selecionar e dispor a matéria e as atividades que a irão tratar” (p. 81). Segundo o autor, o único meio de fazer com que os alunos tenham uma boa aprendizagem é ensinar mais e melhor, no sentido de estimular neles os métodos para bons costumes de pensamento, incentivando-os para que aprendam por si próprios.

Nesse sentido, Dewey compara o professor a um guia de uma embarcação e os alunos à energia propulsora. É preciso aprender como adquirir o hábito geral de refletir, porém, como esse hábito é uma característica de cada pessoa, cabe ao professor procurar saber algo da natureza do aluno, suas experiências passadas, seus desejos, para melhor saber as ações a serem utilizadas para a formação de hábitos de reflexão.

Em matéria de curiosidade, Dewey afirma que, geralmente, o professor tem mais a aprender do que a ensinar, sendo sua função prover as condições para dirigir a curiosidade nos alunos, rumo à investigação, podendo produzir resultados positivos em seu conhecimento, evitando o desinteresse do aluno e a prática de instruções/ repetições.

É dever do professor não deixar “morrer” essa curiosidade nos alunos, sabendo ministrar essa situação em dois casos: o primeiro, no sentido da curiosidade, fazer nascer uma disposição que quer ser satisfeita e o segundo, no sentido de falta de atividade indagadora, resultando no fardo e falta de espírito questionador.

Para Dewey quanto mais o professor conhece o aluno, melhor compreenderá as ações a serem utilizadas para formar hábitos de reflexão. Como variam de pessoas para pessoas as experiências vividas, não tem como o professor trabalhar esses hábitos levando-se em consideração as experiências de cada aluno, mas poderá criar ações que possam envolver, alcançar todos eles.

Segundo Dewey, há liberdade quando a capacidade exercitada por determinada disciplina se identifica com o conceito de liberdade concebida como o “poder de agir e executar, independentemente de tutela exterior” (p.93). Nesse sentido, quando o educador identifica a espontaneidade na participação de suas tarefas, ele tende a apresentar estímulos a fim de manter a atividade espontânea.

Segundo Dewey, toda atividade vital apresenta dificuldades no percurso de sua realização tornando-se desnecessária a busca de problemas externos, porém as dificuldades surgidas no desenvolvimento de uma experiência merecem atenção por parte do educador, pois são os estímulos naturais da investigação reflexiva. Nesse sentido, a liberdade é um êxito espontâneo, conseguido por meio da conquista, pela reflexão pessoal, sobre dificuldades que impedem uma ação imediata.

A verdadeira liberdade é intelectual, reside no poder do pensamento exercitado, na capacidade de “virar as coisas ao avesso”, de examiná- las deliberadamente, de julgar se o volume e espécie de provas em mão são suficientes para uma conclusão e, em caso negativo, de saber onde e como encontrar tais evidências. (DEWEY, 1959, p.96).

O autor expõe a importância das atividades e o papel do professor na sua condução. Para ele, é durante as atividades que se estreita o contato entre professor e aluno, é nesse momento que há possibilidade de guiar a atividade dos alunos, de despertar desejo de informação, exercitar nos alunos a comunicação/diálogo e orientar- lhes a observação. O modo como se conduz a atividade é fator decisivo da habilidade do professor em diagnosticar o intelectual do aluno, podendo criar situações que oportunizem reações intelectuais nos discentes. Desse modo, os professores deveriam, em geral, em suas atividades:

• Estimular a atividade intelectual, já que o ímpeto para o estudo vem do próprio indivíduo, devendo haver o interesse do aluno em aprender.

• Guiar o interesse apresentado pela atividade, fazendo perguntas/indagações para levantar questões a serem discutidas, de modo a orientar as indagações dos próprios alunos. É a arte de guiar a aprendizagem. Os estudantes precisam de direção em seu estudo. “Pode afirmar-se, mais praticamente, que a maneira de estimular, de despertar o espírito para a atividade em dado caso particular, é obter que cada argüição deixe uma vontade de seguir avante, como lastro de discussões posteriores” (p.264).

• Auxiliar a organização dos dados obtidos, a fim de verificar a qualidade e a quantidade.

Nessa perspectiva, segundo Dewey, o professor é concebido como agente de formação – tanto da formação dele mesmo como da formação dos alunos. Ou seja, o professor cria para si uma auto-formação, que poderá emergir da sua própria prática, uma prática reflexiva. As formulações de Dewey sobre o pensamento reflexivo, resultante da distinção entre o pensar como rotina e o pensar reflexivo, fundamentam a visão de formação de professores reflexivos. O ensino reflexivo exige do professor algumas atitudes que são; mentalidade aberta, responsabilidade e entusiasmo. Essas atitudes conduzem-no à aquisição de um pensamento e de uma prática reflexiva, assumindo a postura de “prático reflexivo” (RODRIGUES, 2004)7 .

O autor comenta sobre como deve ser conduzida a prova (verificação). Segundo ele, o professor deve conduzir a fase preparatória. Primeiro, é preciso que os alunos estejam preparados, ou seja, é necessário que neles tenha sido despertado o interesse por algo que deve ser explicado. Quando o aluno se encontra nesse estado, que é chamado pelo autor de “ardor intelectual”, ele se torna vigilante, indagador, pois existe algo que o estimula, permitindo que, a partir de uma pergunta, ele possa ir até onde pode para encontrar respostas. “É o senso de um problema a dominar, de um propósito a realizar, que obriga o espírito a inspecionar e rever o passado, a fim de descobrir o que quer dizer a questão e como abordá-la” (p. 265). O autor também alerta que essa parte preparatória não pode ser longa demais, pois o aluno pode perder o interesse.

Outro aspecto tratado pelo autor é o grau de participação do professor, que encontra, por problema prático, o meio termo para demonstração e explicação, que não deve ser nem tão insuficiente que deixe de estimular a reflexão, nem tão abundante que sufoque o aluno. O professor deverá intervir, especialmente em momentos difíceis que impeçam os alunos de prosseguir com a experiência.

Dewey ressalta a importância dos alunos acompanharem e justificarem suas próprias sugestões. Para ele, é preciso que os alunos façam um reexame de suas considerações no processo para que, nesse momento, haja comparações e apareçam sugestões alternativas. Nesse momento, o professor deve estimular uma pausa para reflexão. A falta dessa pausa para meditar compromete a formação de um hábito mental reflexivo. Assim, quanto à atitude do professor, ele deve promover em seu aluno pausas

7 A afirmação da postura do professor como “pratico reflexivo” é de Rodrigues. (O pensar reflexivo: uma

para organização do pensamento, pois “para chegarmos a conclusões coerentes e sólidas, é indispensável um silencioso e ininterrupto reexame das considerações, durante o qual se comparem e pesem as sugestões” (p. 268).

Dewey destaca também o papel do professor como líder intelectual de um grupo social. Essa condição depende de pontos importantes como seu preparo intelectual quanto à matéria, cujo conhecimento deve ser profundo e acompanhado de grande entusiasmo, contagiando os alunos. O professor deve observar as reações mentais dos estudantes; precisa ter conhecimento técnico para expor aos seus alunos as aplicações do conteúdo ensinado nos vários campos e, por último, preparar bem cada atividade visando às várias possibilidades, já que a bagagem de conhecimento do aluno ajuda para que ele faça conexões, aplicações para que o assunto seja mais bem esclarecido.

Em Dewey é realizada a análise do pensamento reflexivo, trazendo consigo o aprimoramento da prática docente, uma vez que, ao desenvolver a capacidade reflexiva dos educandos, o professor desenvolve também a capacidade de refletir, e a partir daí, supera as condições de mero aplicador de soluções definidas pela ciência para encontrar, por meio da reflexão da prática, a superação de situações de impasse tão presentes no cotidiano escolar. Além disso, Dewey valoriza os saberes da experiência, aos quais recorremos durante a atividade reflexiva, que é um processo de pesquisa e de experimentação.

No capítulo 3, construímos um ensaio de articulação entre o pensamento reflexivo e as investigações matemáticas. Estudando o referencial teórico, vislumbramos que alguns aspectos entre as atividades reflexivas e investigativas se relacionavam e a análise dos dados coletados reforçou nossas impressões nesse sentido. Dessa forma, na seção 3.1 as conexões que fizemos entre essas atividades abordarão:

• Seus aspectos gerais: problemas pouco definidos, método científico, ciclo de ideias, fatos gerando novas ideias;

• Realização da atividade investigativa e reflexiva: observação, sugestão, elaboração do problema, conjecturas, verificação;

• Importância educacional: função da escola de levar o aluno a atribuir significados aos conceitos matemáticos;

• Papel do professor: promover nos alunos o hábito de reflexão; mediador; orientador; motivador, devendo centralizar as atividades nos alunos.

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