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6.4 Ultrasound methods

As duas primeiras personagens que se destacam são Zeus e Hera. Começando pelo primeiro, há que iniciar a análise pela etimologia do seu nome. “Zeus” é uma palavra cuja raiz se encontra no vocábulo grego εὐδία, i.e., “bom tempo” e no deus latino, que significa “dia”. Se estivermos à procura de um antepassado comum para estas diferentes línguas, os vocábulos supracitados remontam ao proto-indo-europeu (c. 3500 a.C.)1. W. K. C. Guthrie fala em várias palavras indo-europeias cuja raiz significa “brilhar”, relacionando-se com Zeus devido ao “brilho” do raio manipulado pelo imortal. Este significado, porém, não é certo, pelo que também poderia referir-se ao céu em geral2.

Zeus é, portanto, “o pai celestial, o céu radioso do dia”3. Num sentido pragmático, ele define-se sobretudo como entidade ligada à natureza, sendo responsável pelo estado atmosférico4. Outros deuses, antecedentes de Zeus, que também se relacionavam com a meteorologia, e que podem ter influenciado o olímpico, são: Adad, Baal, Hórus e Set5.

1 Cf. DOWDEN, K., Zeus, Routledge, London e New York, 2006, p. 9-11. 2 Cf. GUTHRIE, Op. Cit., 1968, pp. 37-46

3 Cf. BURKERT, Op. Cit., 1993, p. 254.

4 Cf. SCHWABLE, H., “Zeus II”, KROLL, W., MITTELHAUS, et K., ZIEGLER, K. (ed.), Paulys

Real-Encyclopädie der klassischen Alterumswissenschaft, [s.n.], Munique, 1894-1980, 1978, Suppl. 15, p.

1014.

5 Vide GREEN, A.R.W., The Storm-God in the Ancient Near East, Eisenbrauns, San Diego, 2003, pp.

89-219; 281-293.

5 Vide GREEN, A.R.W., The Storm-God in the Ancient Near East, Eisenbrauns, San Diego, 2003, pp.

Zeus existe no céu ou é o próprio céu. Nos Poemas Homéricos, ele é Νεφεληγερέτα, “amontoador de nuvens”; κελαινεϕὴς, “nuvem negra”, βροντικόϛ, “tonitruante”, e Κεραυνόβολος , “lançador de trovões”. Um grego antigo, no seu dia-a-dia, podia usar o verbo ὓειν, “chover”, com o sujeito “Zeus”, para dizer que está a chover, i.e., “Zeus faz chover ou Zeus chove” Os cretenses podiam referir-se a “dia” dizendo simplesmente “Zeus”1. Ilustração 38 – Zeus Olímpico, segundo a descrição de Pausânias2. À esquerda: na pintura antiquária de esculturas de Quatremère de Quincy (1815). Ao centro: proposta de F. Adler. À direita: proposta de W. Schiering. É interessante ver que alguns pormenores se mantêm, mas Nice, por exemplo, e por não sabermos quais as suas dimensões, está em constante alteração.

As provas da Antiguidade, hoje conhecidas, da existência do deus-rei provêm de mitos – contados desde a infância e essenciais à vida de um grego; de cultos – a aceitação de que os deuses são seres superiores e que é necessário venerá-los, mas também a demarcação, calendarizada, do ritmo que compõe a vida nos festivais ao longo do ano; e das artes plásticas – resultando de uma combinação dos dois anteriores, visto que dão forma e aparência física a figuras mitológicas, mas funcionando também como condutores para que ideias religiosas possam penetrar no ser humano, a um nível individual e colectivo.

Zeus é filho de Crono e Reia3 e irmão mais velho4, ou pai, de grande parte do panteão grego. Segundo a mitologia, Zeus terá “nascido” na Lídia, Frígia, em Pérgamo, Naxos, Queroneia, Tebas, Messénia, Arcádia5 ou em Creta6. O deus-rei mora nas

1 Cf. DOWDEN, Op. Cit., 2006, p. 11, nota 1.

2 PAUS., 5.11.1 e segs: “O deus senta-se em um trono, e ele é feito de ouro e marfim. […] Na sua mão

direita segura a Vitória […]. Na mão esquerda do deus está um ceptro […] e o pássaro que se senta no ceptro é a águia […]” (A partir da trad. inglesa de W.H.S. Jones).

3 Vide APOLLOD., Biblioth., 1.1.6; CALLIM., Hymn 1, 1-10, 15-21, 28-38 e 46-54.

4 Nos Poemas Homéricos, pelo menos, é isso que sucede. Zeus chega mesmo a afirmar que essa é uma das

razões que lhe conferem superioridade, vide 15.165: “[…] pois afirmo que pela força sou superior e sou primogénito”. Hesíodo, por sua vez, afirma que ele é o irmão mais novo, vide HES., Theog., 881.

5 Arthur Cook afirma que este é o local em que mais veementemente se supunha que Zeus terá nascido.

Sobre esta questão e sobre os outros locais mencionados, vide COOK, A.B., Zeus – A Study in Ancient

Religion, Cambridge University Press, Cambridge, 1914, vol. I, pp. 150-154.

6 Vide HES., Theog., 453 sq. A etimologia do nome Zeus comprova que ele tem origem indo-europeia,

montanhas1 rodeadas por nuvens tempestuosas, como: Licáion na Arcádia, Orós em Egina, ou o Ida perto de Tróia2. A Ilíada associa este último rochedo montanhoso ao

temenos e altar do deus3, em que se uniu com Hera, ocultos numa nuvem dourada da qual caem pingos brilhantes4.

Na sua origem, Zeus é o deus do céu e do tempo, sendo cultuado pelos povos que falavam uma língua indo-europeia, a que chamamos hoje de Grego Antigo. Estas gentes invadiram e estabeleceram-se no território associado na actualidade à Grécia. Como primeiro entre os deuses, é normal que Zeus tenha acumulado muitas outras formas e entidades divinas na sua própria figura. Era deste modo que o deus local mantinha as suas características, mas alterava o seu nome para Zeus5.

O Zeus primordial não era o deus supremo, o que é comprovável pelo facto de não ter uma posição similar no culto e crença popular de um período antecedente6. A

“constituição monárquica do Estado dos Deuses” é especificamente homérica; gerações subsequentes foram influenciadas pelo impacte desses escritos. M. Nilsson defende que de todos os sistemas de governo gregos, a monarquia micénica será a que mais se aproxima, e que por tal poderá ter influenciado, este “Estado dos Deuses”, já perfeitamente estabelecido nos Poemas Homéricos7. O classicista acrescenta que este tipo de governo poderá servir de explicação para os mitos da classe reinante, que governa no Olimpo, baseando-se assim, não em liberdade poética e ficção, mas antes numa reflexão da vida real.

Os deuses podem ser considerados vassalos de Zeus, que é rei, porque segue o exemplo de um monarca micénico que, do mesmo modo, teria os seus próprios servos. Os Gregos, ao conquistarem outros povos e impondo-lhes o seu deus-rei, usam a força,

Grécia muito antes de os Aqueus lá chegarem. Este é, portanto, um mito etiológico. Um dos locais mais associados a esta divindade, que não se chamava ainda Zeus, era precisamente Creta; vide GUTHRIE, Op.

Cit., 1968, p. 42.

1 Ken Dowden relembra que os Gregos não acreditavam, verdadeiramente, nisto: “A mitologia era apenas

uma forma de falar sobre Zeus, uma forma de dizer. […] A mitologia sempre foi uma parábola, uma transposição do misterioso em outra linguagem. […] Os Gregos antigos não eram menos sofisticados que nós mesmos”, cf. DOWDEN, Op. Cit., 2006, p. 4, sobre montanhas e os deuses vide pp. 57-61.

2 BURKERT, Op. Cit., 1993, p. 255. 3 Cf. Il. 8.48.

4 Cf. Il. 14.350 sq.

5 Cf. GUTHRIE, Op. Cit., 1968, p. 51.

6 Cf. NILSSON, M.P., The Mycenaean Origin of Greek Mythology, University of California Press,

Berkeley, Los Angeles, London, 1972, p. 246.

7 Vide Id. ibid., p. 247-251, mesmo o Olimpo seria representativo dos palácios micénicos que se situavam

ao mesmo tempo que inseminam as raízes para um culto que, apesar de se poder miscigenar, é intrinsecamente “grego”1.

O trovão é directamente representativo de Zeus2, é a sua verdadeira forma3. O deus também maneja uma pedra, reproduzida sobre a forma de um lírio4, que inculca temor nos corações dos outros deuses e impotência nas vontades dos homens5. Zeus é o mais poderoso dos imortais, estes respeitam-no e temem-no6, tendo alcançado um estatuto que ganhou depois de derrotar o “vencedor anterior”7. Este “campeão” seria Crono. O titã,

num mito em que se alegorizam os problemas de sucessão, engole uma pedra, no lugar do seu último filho: Zeus. O neos acabou por sobreviver. O Tonitruante usou os seus raios como arma para dar o golpe final ao poderoso titã8. Esta conquista dá azo a que Zeus possa estar muito acima de qualquer outro imortal9. Mesmo que o enganem, que tentem conspirar contra si, ele acaba sempre por sair vitorioso. Depois do acontecimento que ficou conhecido como “Titanomaquia”10, o deus trovejante pôde aceitar o seu título de

βασιλεύς, rei.

Alguns dos animais que passaram a estar conectados a ele são o touro ou o leão, mas nenhum se liga mais à sua figura do que a águia11. Este animal pode aparecer ao seu lado ou em seu lugar, mas só a si é associado (vide ilustração 12).

Ao ser usurpador, Zeus nunca deixou de ter um receio: temor do próprio filho, que tal como o deus-rei, acabará por superar o seu próprio pai. Com isto em mente, e sendo ainda mais prevenido do que o seu progenitor, o rei dos deuses estava sempre muito atento às entidades femininas que podiam tornar essa hipótese realidade. Hesíodo afirma que Métis, a astúcia, é uma dessas divindades12. Sabiamente, Zeus convence a deusa a

1 Ou nas palavras de J. Campbell: “É característico de um povo imperialista ter o seu próprio deus, local,

“manda-chuva” de todo o universo”, cf. CAMPBELL, Op. Cit., 1991, p. 213.

2 Vide NILSSON, M. P., Op. Cit., p. 72 sq.

3 Vide o mito de Zeus e Sémele, OV., Met., 3.253-315; HYG., Fab., 179 e segs; NONNUS, Dion., 8.178-

406.

4 Este símbolo poderá associar-se ao ὀμφαλός, o ponto central. É o centro do mundo, podendo ligar-se ao

útero mas também ao falo. Vide VOEGELIN, Eric, Order and History – The World of the Polis, vol. II, University of Missouri Press, Columbia e London, 2000, p. 31 sq. Ver também CAMPBELL, J., Op. Cit, 2008, pp. 40-49.

5 Vide Il., 17.591-596.

6 Como a Ilíada comprova inúmeras vezes, vide Il., 5.753 sq.; 8.209, 432; 15.78, 108; 16.21; 18.366;

24.90 sq.

7 Sobre esta história vide HES., Theog., 453-506. 8 Cf. HES., Theog., 687-720.

9 Vide Il., 8.18-27.

10 Vide APOLLOD., Biblioth., 1.2.1; HES., Theog., 629-634, 665-669, 686-692 e 730-735.

11 Curiosamente, são também os animais do tetramorfo, vide Ezequiel 1,10: “No que toca ao seu aspecto,

tinham face de homem, à frente e os quatro tinham uma face de leão à direita, uma face de touro à esquerda e uma face de águia à retaguarda” (ed. Difusora Bíblica).

transformar-se numa gota e engole-a. Dessa saborosa união, origina-se Atena1 ou nasce Tétis, a mãe de Aquiles2.

O Crónida, apesar de não deixar que este possível inimigo chegue a existir, continua a ter outros adversários, como Tífon3. Tífon era parte homem, parte serpente, uma criatura ambiciosa que tinha o ensejo de governar o mundo. Zeus impediu o objectivo do monstro com o lançamento dos seus raios. Derrotado, Tífon foi enviado para o Tártaro4. O monstro ficou mais tarde conhecido pelos bafos que soprava através do Etna, debaixo do qual havia sido aprisionado.

Ilustração 39 – À esquerda: Zeus atira os seus trovões, em forma de duplo lótus, ao alado, meio-homem e meio-serpente, Tífon. Hídria de Cálcis. Staatliche Antikensammlungen 596., c. 540-530 a.C. À direita: Posídon ataca com o tridente o gigante Polibotes (apontado como hipótese), ao mesmo tempo que segura, ao ombro, a ilha de Nisiros. Taça de figuras- vermelhas. Cabinet des Medailles 573. Pintor de Brygos. De Vulci. c. 500-450 a.C. Esta imagem é um bom exemplo de “antropomorfismo giganteu” em artes plásticas da Antiguidade.

Outros inimigos que, desta feita, ameaçaram todo o panteão foram os Gigantes5. Deuses guerreiros como Posídon e o tridente, Apolo e o seu arco, ou Hefesto e o seu fogo, ofereciam luta aos Gigantes mas, mais uma vez, foram as armas de Zeus que mantiveram a vitória do lado dos neoi. Estas histórias são exemplos de um poder eminente que é usado, com êxito, contra um inimigo que, apesar de ameaçador, nunca chega a ser suficientemente forte. É com base nos derrotados e humilhados que a supremacia de Zeus

1 Vide nota anterior.

2 Cf. APOLLOD., Biblioth., 3.168.

3 Sobre Tífon vide HES., Theog., 820-868; Il., 2.781-783; PIND., Pyth., 1.15-30. 4 Sobre Tifonomaquia vide APOLLOD., Biblioth., 1.6.3.

5 Apolodoro descreve este embate, vide APOLLOD., Biblioth., 1.34-38, 1.6.1-2. Burkert, contudo, adverte

para o facto de este mito não poder ser atribuído com segurança a nenhuma fonte literária antiga, sendo mais tratado, no séc. VI, nas artes plásticas.

se apoia e mantém; esta é parte da função destes mitos específicos1. Assim sendo, não se encontra deslocada a ideia de equiparar esta divindade à noção de triunfo2.

Percebe-se que o rei dos deuses está presente em contexto guerreiro. Mas será essa a única situação em que demonstra deter o τρόπαιον, o troféu vencedor? Outro contexto poderá suplantar este. Falamos obviamente do seu ímpeto sexual. Burkert, apoiando-se na contagem de mitógrafos antigos, sugere 115 casos extraconjugais3.

Nem o mesmo sexo estaria livre do apetite do deus. Transformando-se em águia, Zeus decide raptar o “mais belo dos mortais”4, Ganimedes - nome que poderia significar

para os Gregos “aquele que se deleita com os órgãos genitais”5. Apesar de muitos textos e traduções se afastarem deste aspecto do mito, descrevendo o herói apenas como copeiro, esta sua outra faceta é irrefutável6. Que outra razão existe para a ênfase dada à beleza de Ganimedes? O leitor não deve, no entanto, julgar Zeus como um pervertido. Se aceitarmos que o rapto de um jovem por um homem adulto podia, em determinada época e contexto grego, ser algo admissível, então não podemos entender este mito, numa perspectiva histórica, como uma infâmia7. Isto significa que o aspecto sexual não era

essencial ao mito e que, através das diferentes formas de expressão, a história se foi desenvolvendo e alternando8.

Muitas eram as circunstâncias que levavam o deus a ter de se esforçar para conseguir “plantar a semente”, por vezes, não chega sequer a assumir uma forma humana9. Assim, Zeus metamorfoseava-se em homem, em touro, em cisne, ou mesmo em

1 Apenas como acrescento às origens do deus, poderíamos incluir as palavras de J. Campbell: “Quando tens

caçadores, tens assassinos. E quando tens pastores, tens assassinos, porque eles estão sempre em movimento, [são] nómadas, em conflito com outras pessoas e a conquistar as áreas para as quais se mudam. Estas invasões trazem deuses guerreiros, lançadores de raios, como Zeus ou Yahweh. [Boyers] A espada e a morte no lugar do falo e da fertilidade?”, cf. CAMPBELL, Op. Cit., 1991, pp. 212 e 213.

2 Vide BURKERT, Op. Cit., 1993, pp. 258-259. 3 Vide Id., ibid., p. 259.

4 Cf. Il., 20.233-235.

5 Cf. BURKERT, Op. Cit., 1993, p. 259. O autor sugere que esta palavra poderia ter surgido como uma

reinterpretação de um nome estrangeiro.

6 Este mito também pode estar relacionado com um dos rituais de iniciação cretenses. Cf. STR., 10.4.21.

Sobre a variação do mito, em que é Tântalo quem rapta o jovem vide GANTZ, T., Early Greek Myth: a

guide to literary and artistic sources, The Johns Hopkins University Press, Baltimore e London, 1993, vol.

II, p. 536.

7 Vide, HUBBARD, T.K., Homosexuality in Greece and Rome, University of California Press, Berkeley,

2003, pp. 1-20. Vide também DOVER, K. J., Greek Homosexuality, Duckworth, London, 1978, pp. 1-19. FOUCAULT, M., História da Sexualidade I – A Vontade de Saber, Relógio D’Água, Lisboa, 1994, pp. 55- 119.

8 Há a hipótese de este ser um mito importado da cultura hitita, nomeadamente, a história que envolve a

personagem “Etana”, vide DALLEY, Stephanie, Myths from Mesopotamia. Creation, The Flood,

Gilgamesh, and Others, Oxford University Press, Oxford, 1989, p. 189 sq.

9 Vide DOWDEN, Op. Cit., 2006, p. 5. Mais uma vez se encontra aqui um paradoxo, pois, apesar de “não

substâncias inanimadas, como chuva dourada1. Zeus tanto partilhava o leito de uma mortal como o de uma imortal. O primeiro tipo de união resultava no nascimento de heróis. O segundo criava seres inteiramente divinos.

Concomitantemente, Zeus é inevitavelmente chamado de pai2. Os homens e os seus filhos, mortais e deuses, mas até mesmo outras divindades, que não se incluem na sua descendência, actuam e dirigem-se a ele como tal, pois ele é o pai alegórico de todos3. Desde o período indo-europeu que inúmeros povos estabeleceram ligações entre os seus antepassados e Zeus-pai, legitimando assim as suas linhagens. W. K. C. Guthrie vai ainda mais longe no que diz respeito à importância e universalidade de Zeus na História, afirmando: “De tal forma estavam assentes a sua supremacia e universalidade, que o seu nome veio a ser usado por poetas e filósofos quase como o nome de Deus poderá ter sido usado por um Cristão, ou o de Allah por um muçulmano”4.

No século II, podia-se ler Marco Aurélio, um estóico, que, ao descrever o mundo, afirmava: “Querida Cidade de Zeus”5. Isto poderá parecer uma extrapolação excessiva,

mas a concepção imensa que os Gregos tinham deste deus nunca antes tinha sido concebida. Esta noção antecedeu, na sua universalidade contextualizada, o Deus judeo-cristão ou muçulmano. Isto não significa que Zeus e Deus, ou Allah, sejam similares ou estejam sequer interligados. Concomitantemente, estas afirmações também não funcionam como prova da sua omnipotência; somente da sua universalidade.