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Esta última estratégia geral ajuda a conjugar as três estratégias gerais anteriores, pois será através da capacidade de comunicação e de uma argumentação positiva e fundamentada que Portugal poderá constituir as alianças de que necessita para se posicionar de forma competitiva no mundo globalizado. O CEDN aponta a língua e cultura portuguesas, a diáspora, os emigrantes e a existência de políticas/estratégias de imagem e de marca nacionais como elementos valorizadores da afirmação internacional de Portugal, da sua credibilidade e de reforço da sua capacidade negocial externa (Governo de Portugal, 2013, p. 13).

Para Cabral Couto (1988, p. 230) e Silva Ribeiro (2010a, p. 81), a estratégia psicossocial (ou psicológica) engloba as vertentes de propaganda, contrapropaganda e de informação pública. Numa perspectiva militar, da qual entendemos que se podem extrapolar ensinamentos para as estratégias diplomática e económica, e que não pretendemos confinar exclusivamente a situações de conflito, as operações psicológicas são “actividades psicológicas planeadas, que utilizam métodos de comunicação e outros meios, dirigidas a Audiências Alvo (AA) aprovadas, destinadas a influenciar as suas percepções, atitudes e comportamentos, que contribuam para a realização de objectivos políticos e militares” (IESM, 2009, p. 1). No âmbito desta investigação, destacamos as “Operações Psicológicas Estratégicas”, de natureza política e de longo prazo, que “têm como objectivo ganhar o apoio e a cooperação de AA neutrais e amigáveis, diminuir a vontade e a capacidade de as audiências alvo hostis (…) em empreenderem acções agressivas (…) em apoio das acções diplomáticas” (p. 4).

Por conseguinte, interessa a Portugal, recorrendo ao soft power, isto é, à persuasão e à atracção, estabelecer alianças que lhe permitam concretizar um Uso pleno do Mar, através de uma comunicação eficaz; recorrendo, também, aos ensinamentos da EOA: alinhar o valor para os compradores (aliados e parceiros de Portugal), juntamente com o lucro para os produtores (crescimento económico, saldos macroeconómicos positivos e lucros) e a satisfação/bem-estar para as pessoas que para tal trabalham (os portugueses) (Kim & Mauborgne, 2016, p. 246).

Todavia, é necessário que as AA consideradas tenham consciência que Portugal dispõe de pelo menos duas formas de hard power - embora limitadas comparativamente face aos possíveis adversários identificados - assumindo uma estratégia defensiva em termos de finalidade dos meios de coacção, combinando medidas defensivas puras e preventivas (Ribeiro

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A. S., 2010a, pp. 90,95-7). A primeira é a vontade de defender os interesses nacionais, exigindo contrapartidas para o acesso e a utilização do nosso Mar, dentro do permitido pelos enquadramentos legais e institucionais; a segunda é a capacidade de demonstrar, de forma equilibrada, a capacidade de concretizar uma prova de força virtual (esperando-se que não se torne real) (Ribeiro A. S., 2010a, pp. 113,119), caso os interesses e recursos nacionais sejam ameaçados ou utilizados sem anuência ou invadidos. Ambas as funções cabem aos diplomatas e às Forças Armadas, com preponderância dos primeiros na primeira situação, e vice-versa.

A política global de comunicação empresarial ajuda a “estabelecer prioridades na escolha dos alvos, mensagens e meios”, e também, “a assegurar a coerência das diferentes mensagens e meios” (Lindon et al, (2011, p. 297), destacando-se a aposta em acções de relações públicas, de sponsoring, e em convencer prescritores e órgãos de comunicação social internacionais a divulgarem uma imagem positiva do país, criando um efeito de buzz entre as AA (p. 308).

Voltando a Panke (2012a, 2012b) recordemos a importância do “capacity-building” no trabalho informal de atracção de potenciais aliados, utilizando o conhecimento, experiência e sabedoria dos especialistas portugueses nos domínios do Uso do Mar, utilizando-os, também, como argumentos morais, normativos e legais que nos assistem para podermos explorar os nossos recursos de acordo com os nossos interesses, mas também, para divulgarmos, segundo a nossa perspectiva, a sua importância para o crescimento azul sustentado ao nível global.

Portugal pode inspirar-se nos modelos francês e espanhol. A rede diplomática francesa é reconhecida pela sua presença efectiva, pela retórica eficaz e valia da argumentação, e por um conhecimento das situações internacionais com base no terreno, capaz de gerar informações e análises de qualidade (Charillon, 2007); assumindo três vertentes para a sua diplomacia: política, económica e de influência, assentando esta última na promoção e difusão da cultura francesa e da francofonia, na promoção do desenvolvimento e na cooperação científica, cultural, técnica e universitária (MAEDI, 2017a), (2017b)). A Espanha aposta no Instituto Cervantes, dependente do Presidente do Governo, para “promover universalmente la

enseñanza, el estudio y el uso del español y contribuir a la difusión de las culturas hispánicas en el exterior (…) atiende fundamentalmente al patrimonio lingüístico y cultural que es común a los países y pueblos de la comunidad hispanohablante” (Instituto Cervantes, 2017).

Portugal tem vindo a desenvolver a cooperação com os PALOP e com Timor Leste com base no Conceito Estratégico da Cooperação Portuguesa 2014-2020, tendo como fulcro o Instituto Camões “enquanto entidade de referência ao nível da condução da política de

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cooperação, bem como ao nível da supervisão, direção e coordenação dos parceiros”, valorizando a cooperação portuguesa através de uma estratégia de acção unificada, e sensibilizando e informando a sociedade civil “para a importância da cooperação, demonstrando os benefícios e as mais-valias desse investimento” (Governo de Portugal, 2014b, p. 1765). Caberá, por conseguinte, à AICEP apenas, a aproximação aos países mais desenvolvidos? Na opinião de Pereira (2007, p. 115), a diplomacia portuguesa tarda em mudar a sua abordagem essencialmente política para uma abordagem mais económica, baseada numa “verdadeira cultura de apoio e promoção da actividade empresarial portuguesa no exterior”, urgindo conjugar e articular melhor os vários Ministérios envolvidos, incluindo o da Cultura.

Todavia, ainda não se vislumbram acções com grande impacto interno sobre as empresas, promovendo a adopção de boas práticas de gestão corrente e de longo prazo e o abandono da cultura de “subsidiodependência”; nem sobre as populações em geral, despertando-as para o interesse e o potencial económico, identitário e unificador do Uso do Mar.