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In document IGP-metodens tapte mulighetsrom (sider 48-53)

Os dados para análise deste estudo foram recolhidos através dos resultados de produção oral de dois sujeitos com Perturbação Fonológica.

Para o diagnóstico de Perturbação Fonológica, procedeu-se à clarificação dos critérios com maior relevância para a investigação em desenvolvimento fonético e fonológico que, de acordo com Grunwell (1981), Bernhardt, Stemberger e Major (2006) e Holm e Crosbie (2006) são:

1. o histórico clínico do ouvido e da audição, causado sobretudo por quadros infecciosos como a otite média, sendo importante a identificação do período de instalação da condição clínica (Correia, 2015);

2. o histórico respiratório, especialmente quando medicado;

3. o estado do comportamento, da cognição e das funções executivas e hiperatividade com terapêutica farmacológica;

4. a capacidade intelectual e competências de aprendizagem; 5. o desenvolvimento da linguagem em geral;

6. o desempenho em tarefas de percepção de fala e/ou de consciência fonológica;

7. a capacidade de tarefas oromotoras bem como o funcionamento do aparelho anatómico, fisiológico e neurológico relacionado com produção de fala;

8. fatores pessoais e/ou ambientais com relação etiológica com o desempenho em análise (fatores de risco como a baixa estimulação, por exemplo) e/ou com relação condicional com o processo terapêutico (como a disponibilidade para a terapia, por exemplo). Assim, para que os sujeitos pudessem ser incluídos na amostra da investigação, foi realizada uma avaliação formal da linguagem e uma avaliação de discriminação auditiva. Foi ainda avaliada a função do aparelho estomatognático (respiração, mastigação, sucção, deglutição e fala), bem como dos órgãos fonoarticulatórios (lábios, língua, dentes, bochechas, palato duro e palato mole), com

especial atenção para as alterações de mobilidade, postura e tónus, que pudessem comprometer a produção articulatória dos sons da fala. Dados de anamnese (antecedentes familiares, desenvolvimento psicomotor, desenvolvimento orofacial, sono, aprendizagem, gestação, etc.) foram recolhidos junto dos pais ou responsáveis. Exames complementares não foram realizados após avaliação terapêutica, por não se julgarem necessários por parte da pesquisadora, uma vez que não existiam indicadores de alterações neurológicas ou psicológicas.

6.2.1. Sujeito 1

De acordo com os dados de anamnese recolhidos, não se registaram alterações de desenvolvimento na história clínica de R.R., o sujeito 1 deste estudo.

R.R. foi submetida a uma timpanostopia por presença de otites médias frequentes com alterações audiométricas ligeiras aos 4;0 anos de idade (tendo iniciado queixas de otites, por volta dos 3;0 anos, à entrada para a escola, período de instalação considerado tardio para o impacto na qualidade perceptiva-fonológica). No momento da avaliação, registavam-se mais de 6 meses de avaliações audiométricas sem alterações, sem aparente evolução da qualidade das produções, sendo possível observar melhorias da condição auditiva nos exames realizados. Não foram mencionadas quaisquer preocupações relacionadas com alterações do comportamento, da cognição, em geral, ou das funções executivas, quer por parte dos pais, quer por educadores ou psicólogos do colégio frequentado por R.R.

R.R. nunca foi avaliada nem acompanhada em terapia da fala, não existindo dados de uma avaliação nessa área. Contudo, face às preocupações apontadas pela educadora e identificadas pelos pais, em termos do padrão de fala de R.R., procedeu-se a uma avaliação em terapia da fala.

Para determinar o diagnóstico foram ainda aplicadas as seguintes provas de avaliação da linguagem e fala:

• PAOF - Protocolo de Avaliação Orofacial (Guimarães, 1995);

• Teste de discriminação auditiva de pares mínimos, com imagem (Guimarães & Grilo, 1997);

• TALC – Teste de Avaliação da Linguagem na Criança (Sua Kay & Tavares, 2006);

• TFF – ALPE - Teste Fonético-Fonológico (Mendes et al., 2013).

Na avaliação oromotora, não se verificaram alterações anatómicas ou funcionais significativas que impedissem a função de fala.

No que respeita a sua capacidade de discriminação auditiva, R.R. não revelou quaisquer dificuldades ao nível da identificação de pares mínimos de palavras cujo contraste entre segmentos se encontra no vozeamento, ponto ou modo de articulação dos fonemas em competição, tendo obtido 100% de sucesso no instrumento aplicado.

Os resultados apurados a partir da aplicação do TALC encontram-se na quadro 32.

Compreensão Expressão

Cotação atribuída (média e desvio-padrão esperados para a idade de R.R.)

Vocabulário 12 valores (11,99 ±0,11)

24 valores (22,64 ±1,75)

12 valores (11,58 ±0,65) 18 valores (15,48 ±1,93)

Relações Semânticas 12 valores (11,06 ±1,22)

12 valores (10,10 ±1,74

-

Frases complexas 7 valores (4,69 ±2,11) -

Frases absurdas - 3 valores (2,03 ±1,10)

Constituintes morfossintáticos - 14 valores (9,88 ±1,88)

Intenções comunicativas - 6 valores (6,68 ±1,68)

TOTAL 67 valores (60,48 ±4,56) 53 valores (4212 ±4,26)

Quadro 32 -Resultados da avaliação da linguagem de R.R. com base na aplicação do TALC ( Sua Kay & Tavares, 2006)

Os resultados apurados na área da linguagem, em particular, nos domínios da morfologia, sintaxe, semântica e pragmática, apresentaram valores adequados para a idade de R.R., ao nível da expressão (52 valores, para uma média de 42,12 valores, com um desvio-padrão de 4,26), e ligeiramente acima da média na compreensão (67 valores, para uma média de 60,48 valores com um desvio-padrão de 4,56).

Os dados de fala analisados foram recolhidos através do TFF-ALPE (Mendes et al., 2013), sendo a análise dos mesmos o próprio objeto deste trabalho, pelo que os dados relativos à aplicação deste instrumento serão apresentados no capítulo referente à apresentação de resultados.

6.2.2. Sujeito 2

Na história clínica de L.R., o sujeito 2 deste trabalho, não se registam alterações de desenvolvimento ou outras relevantes, com interferências na linguagem ou no desempenho fonético-fonológico. Não foram mencionadas quaisquer preocupações relacionadas com alterações do comportamento, da cognição, em geral, ou das funções executivas, quer por parte dos pais, quer pelos educadores ou psicólogos do colégio frequentado por L.R.

L.R. nunca foi avaliado nem acompanhado em terapia da fala, não existindo dados de uma avaliação nessa área. Contudo, face às preocupações apontadas pela educadora e identificadas pelos pais, em termos do padrão de fala de L.R., procedeu-se a uma avaliação em terapia da fala.

Da mesma forma que para o sujeito 1, foram aplicadas as seguintes provas de avaliação da linguagem e fala:

• PAOF - Protocolo de Avaliação Orofacial (Guimarães, 1995);

• Teste de discriminação auditiva de pares mínimos, com imagem (Guimarães & Grilo, 1997);

• TALC – Teste de Avaliação da Linguagem na Criança (Sua Kay & Tavares, 2006);

• TFF - ALPE Teste Fonético-Fonológico (Mendes et al., 2013).

Nas provas aplicadas não se observaram alterações anatómicas ou funcionais significativas que impedissem a função de fala.

No que respeita a sua capacidade de discriminação auditiva, L.R. não revelou quaisquer dificuldades ao nível da identificação de pares mínimos de palavras cujo contraste entre segmentos se encontre no vozeamento, ponto ou

modo de articulação dos fonemas em competição, tendo obtido 100% de sucesso no instrumento aplicado.

Os resultados apurados a partir da aplicação do TALC encontram-se na Tabela 33.

Compreensão Expressão

Cotação atribuída (média e desvio-padrão esperados para a idade de L.R.)

Vocabulário 12 valores (11,99 ±0,11)

24 valores (22,64 ±1,75)

12 valores (11,58 ±0,65) 18 valores (15,48 ±1,93)

Relações Semânticas 12 valores (11,06 ±1,22)

12 valores (10,10 ±1,74

-

Frases complexas 7 valores (4,69 ±2,11) -

Frases absurdas - 3 valores (2,03 ±1,10)

Constituintes morfossintáticos - 13 valores (9,88 ±1,88)

Intenções comunicativas - 6 valores (6,68 ±1,68)

TOTAL 67 valores (60,48 ±4,56) 52 valores (4212 ±4,26)

Quadro 33 - Resultados da avaliação da linguagem de L.R. com base na aplicação do TALC (Sua Kay & Tavares, 2006)

Os resultados apurados na área da linguagem apresentaram valores adequados para a idade de L.R., ao nível da expressão (52 valores, para uma média de 42,12 valores, com um desvio-padrão de 4,26), e ligeiramente acima da média na compreensão (67 valores, para uma média de 60,48 valores, com um desvio-padrão de 4,56).

Os dados de fala, apresentados no parte III deste trabalho, foram recolhidos através do instrumento de avaliação TFF-ALPE (Mendes et al., 2013), sendo a análise dos mesmos o próprio objeto desta trabalho.

De acordo com os resultados da avaliação apresentados, entende-se que tanto o sujeito 1 como o sujeito 2 apresentam um perfil correspondente ao diagnóstico de Perturbação Fonológica, uma vez que:

• Têm fala ininteligível (sendo possível observar um valor baixo de

PCC), com alterações mais significativas nos segmentos

consonânticos;

• Têm idade superior a 4;0 anos; • Apresentam audição normal;

• Não se registam alterações anatómicas, fisiológicas ou neurológicas relacionadas com produção de fala;

• Apresentam capacidade intelectual e de aprendizagem adequadas; • Possuem capacidade nos restantes domínios linguísticos adequados

à faixa etária.

Esta amostra foi selecionada por conveniência, sendo o processo de amostragem não probabilístico e intencional, uma vez que fazem parte da amostra apenas os sujeitos que cumprem os critérios de inclusão e exclusão previamente definidos.

In document IGP-metodens tapte mulighetsrom (sider 48-53)