Sessões 1 - 4 /ʒ/ • Perceção (deteção e codificação) • Identificação e localização do som • Tarefas de consciência fonológica (segmentação silábica, identificação e localização do som alvo) • Produção de palavras isoladas • Onomatopeia do ‘aspirador’ • Gesto da onomatopeia do ‘aspirador’ • Modulação
• Movimento articulatório mais definido
• Produção prolongada do segmento-alvo
• Ícone e cor associados a MA (‘sons soprados’ para [+contínuo] e ‘sons explosivos’ para [- contínuo])
• Codificação das sílabas com círculos e identificação da sílabas que contenham o segmento-alvo
Sessões 5 -11 /ʀ/ • Perceção (deteção e codificação) • Tarefas de consciência fonológica (segmentação silábica, identificação e localização do som alvo, exclusão, rimas) • Produção de palavras
isoladas e em frases simples
• Construção de histórias com palavras com estímulo alvo
• Onomatopeia do “leão”
• Gesto da onomatopeia do “leão” • Modulação
• Produção prolongada do segmento-alvo
• Ícone e cor associados a MA (‘sons soprados’ para [+contínuo] e ‘sons explosivos’ para
[+contínuo])
• Recurso à codificação das sílabas com círculos. O círculo colorido contém o som alvo.
Sessões 12 - 27 /d/ • Perceção (deteção e codificação) • Tarefas de consciência fonológica (segmentação silábica, identificação e localização do som alvo, exclusão, rimas) • Produção de palavras
isoladas e em frases simples
• Construção de histórias com palavras com estímulo alvo
• Onomatopeia da “Campainha” • Gesto da onomatopeia da “Campainha” • Modulação • Produção prolongada do segmento-alvo
• Ícone e cor associados a PA (‘sons da ponta da língua’ para coronal [+contínuo] e ‘sons da garganta’ para [dorsal])
• Recurso à codificação das sílabas com círculos. O círculo colorido
contém o som alvo.
04.09.15 --- 2ª Avaliação – Recolha de dados Avaliação formal /aplicação TFF-ALPE
Sessões 28 - 36 /ʒ/ • Perceção (deteção e codificação) • Tarefas de consciência fonológica (segmentação silábica, identificação e localização do som alvo, exclusão, rimas) • Produção de palavras
isoladas e em frases simples
• Construção de histórias com palavras com estímulo alvo
• Onomatopeia do ‘aspirador’ • Gesto da onomatopeia do
‘aspirador’ • Modulação
• Movimento articulatório mais definido
• Produção prolongada do segmento-alvo
• Ícone e cor associados a PA (‘sons do meio da língua’ para coronal [-anterior] e ‘sons da ponta da língua’ para coronal [+anterior]) • Codificação das sílabas com
círculos e identificação da sílabas que contenham o segmento-alvo 15.12.15 Avaliação – Recolha de dados Avaliação formal /aplicação TFF-ALPE Quadro 35 - Descrição das sessões de intervenção terapêuticas do sujeito 1 em função do número de sessões, dos estímulos alvo selecionados, daas tarefas realizadas e das estratégias utilizadas.
Ao longo do processo de intervenção foram realizadas 36 sessões de intervenção. Após o primeiro momento de recolha de dados e análise dos mesmos, a terapeuta responsável pela intervenção procedeu à seleção dos estímulos alvo a utilizar na intervenção terapêutica. Esta seleção teve como base os modelos implicacionais tais como o Modelo Implicacional de Complexidade de Traços (MICT), de Mota (2001), e o Modelo Terapêutico Implicacional de Distância entre Traços (MOTIDT), de Duarte (2006), com o objetivo de obter o maior número de generalizações possíveis no sistema fonológico da criança, já que o alvo selecionado deverá conter informação fonológica em falta no sistema. Desta forma, o estímulo alvo /ʒ/ foi selecionado como primeiro segmento a estimular, uma vez que contém o traço [+ contínuo], alterado no sistema fonológico de R.R.
Embora a intervenção tenha sido iniciada com o estímulo alvo /ʒ/, após reanálise dos modelos implicacionais, considerou-se que a intervenção através do segmento alvo /ʀ/ poderia promover maiores generalizações, já que, para além do traço [+contínuo], R.R. ainda não tinha combinado o [dorsal] com [+contínuo] e, por
esse motivo, ainda se encontrava em falta o segmento [ʀ]. De forma a promover esta combinação, optou-se pela alteração do alvo, passando a contemplar o traço [+contínuo] e informação de ponto de articulação Dorsal no alvo selecionado. Após 7 sessões de intervenção, verificou-se a automatização do segmento com generalização aos segmentos /z/, /s/, /ʒ/ produzido como [z], e /ʃ/ produzido como [s]. Desta forma, foi selecionado o segmento /d/ para dar continuidade à reorganização do sistema fonológico, já que se encontravam em falta os traços coronal [+ anterior]. Após 15 sessões observaram-se generalizações aos segmentos /t/ e /n/. Por fim, foi escolhido para intervenção o segmento /ʒ/, com o objetivo de estimular a ocorrência de coronal [-anterior], que promoveu as aquisições de /ʃ/ e /ɲ/.
As sessões de estimulação com os diferentes estímulos alvo foram estruturadas de forma muito semelhante, sendo realizadas tarefas de perceção (deteção e codificação), de consciência fonológica (segmentação silábica, localização do som alvo, identificação do som em palavras, etc.) e de produção de palavras isoladas que contêm o som selecionado. As tarefas fonológicas eram dinamizadas através de atividades “corta-cola”, labirintos, lotos, jogos de memória, jogos do lince, jogos da glória, construção de frases, histórias, entre outras. As palavras selecionadas continham o som em periferia esquerda na palavra, num primeiro momento, e posteriormente, o mesmo surgia noutras posições da palavra. Para reforço fonológico, foram utilizadas onomatopeias e gestos associados ao som alvo. As unidades fonológicas foram codificadas com formas geométricas, tal como proposto por Alves e Reis, 2011, 2014 (Os Sons d’A Relicário), para intervenção fonológica. Para além disto, durante as tarefas de perceção foi utilizada a modulação através do aumento da duração da produção dos sons para facilitar a tarefa, bem como o exagero do movimento articulatório e sempre associado às estratégias propostas por Alves (2014) e Alves e Reis (2011, 2014), Os Sons d’A Relicário. Todas as estratégias foram gradualmente retiradas em função do sucesso na execução das tarefas.
b) Sujeito 2
Com o objetivo de completar o sistema fonológico de L.R. no momento da primeira avaliação, foi estabelecido um primeiro objetivo específico – promover a
emergência e coocorrência de [+contínuo] e [dorsal]. Pretendeu-se chegar a este objetivo por meio do fonema /ʀ/, que contém os traços mencionados. Para este fim, selecionaram-se as tarefas fonológicas (i) promotoras do desenvolvimento da competência fonológica e estratégias (ii) para representação global do segmento, bem como das propriedades fonológicas a trabalhar (Alves, 2014; Alves & Reis, 2011; 2014).
Através desta primeira estimulação, observou-se a emergência e estabilização do traço [+contínuo] bem como a combinação do mesmo com outros traços já presentes no sistema, o que permitiu o domínio de toda a classe das fricativas. Apesar de se ter verificado esta generalização, a informação fonológica de ponto de articulação Dorsal não obteve os mesmos resultados. No sentido de promover o sucesso na aquisição das componentes fonológicas em falta no sistema de L.R., foi selecionado como alvo de intervenção seguinte, o segmento /g/ que contém a informação de ponto de articulação necessária (Dorsal). Após ser observada a emergência de /g/ e generalização à dorsal não vozeada /k/, foi escolhido o segmento /ʎ/ como alvo, de forma a promover a aquisição da informação fonológica coronal [-anterior]. Depois deste percurso, L.R. interrompeu a intervenção terapêutica, por motivos alheios ao processo de intervenção, tendo sido reavaliado cerca de 3 meses depois.
O Quadro 36 sintetiza o conjunto de tarefas realizadas e de estratégias utilizadas ao longo das sessões de intervenção.
Data Estímul
o alvo Tarefas realizadas (I) Estratégias utilizadas (II)
22.10.14
Avaliação – Recolha de dados
Avaliação formal /aplicação do teste TFF-ALPE
Sessões
1 – 7 /ʀ/
• Perceção (deteção e codificação) • Produção de palavras isoladas e
em frases simples
• Identificação e localização do som • Identificação das propriedades
fonológicas-alvo (de MA e de PA) • Tarefas de consciência fonológica
(segmentação silábica,
identificação e localização do som alvo, exclusão, rimas)
• Construção de histórias com palavras com estímulo alvo
• Onomatopeia do ‘leão’ • Gesto da onomatopeia do
‘leão’ • Modulação
• Movimento articulatório mais definido
• Produção prolongada do segmento-alvo
• Ícone e cor associados a MA (‘sons soprados’ para [+contínuo] e ‘sons explosivos’ para [-contínuo] • Ícone e cor associados a PA
(‘sons da garganta’ para Dorsal)
• Codificação das sílabas com círculos e identificação da sílabas que contenham o segmento-alvo
Sessões
8 - 12 /g/
• Perceção (deteção e codificação) • Produção de palavras isoladas e
em frases simples
• Identificação e localização do som • Identificação das propriedades
fonológicas-alvo (de MA e de PA) • Tarefas de consciência fonológica
(segmentação silábica,
identificação e localização do som alvo, exclusão, rimas)
• Construção de histórias com palavras com estímulo alvo
• Onomatopeia do ‘gongo’ • Gesto da onomatopeia do
‘gongo’ • Modulação
• Movimento articulatório mais pronunciado
• Produção prolongada do segmento-alvo
• Ícone e cor associados a PA (‘sons da garganta’ para Dorsal)
• Codificação das sílabas com círculos e identificação da sílabas que contenham o
segmento-alvo
04.09.15 Avaliação formal /aplicação TFF-
ALPE
Sessões
13 - 16 /ʎ /
• Perceção (deteção e codificação) • Produção de palavras isoladas e
em frases simples
• Identificação e localização do som • Tarefas de consciência fonológica
(segmentação silábica,
identificação e localização do som alvo, exclusão, rimas)
• Onomatopeia do ‘gelado’ • Gesto da onomatopeia do
‘gelado’ • Modulação
• Movimento articulatório mais definido
• Produção prolongada do segmento-alvo
• Codificação das sílabas com círculos e identificação da sílabas que contenham o segmento-alvo
15.12.15 Avaliação – Recolha de dados Avaliação formal /aplicação TFF- ALPE
Quadro 36 - Descrição das sessões de intervenção terapêuticas do sujeito 2 em função do número de sessões, dos estímulos alvo selecionados, das tarefas realizadas e das estratégias utilizadas.
Tal como descrito para o sujeito 1, as sessões de estimulação com os diferentes estímulos alvo foram estruturadas de forma muito semelhante sendo realizadas tarefas de perceção (deteção e codificação), de consciência fonológica (segmentação silábica, localização do som alvo, identificação do som em palavras, etc.) e de produção de palavras isoladas que continham o som alvo. Os objetivos terapêuticos e tarefas selecionadas foram dinamizadas através de atividades de “corta-cola”, labirintos, lotos, jogos de memória, jogos do lince, jogos da glória, construção de frases e exploração de histórias. As palavras selecionadas continham o som-alvo em periferia esquerda, num primeiro momento, surgindo, posteriormente, noutras posições da palavra, pois sabe-se que as posições periféricas são mais fáceis de processar – sobretudo a esquerda -, o que facilita o processo de modelação terapêutica. Para mediar a evocação do som-alvo e da unidade fonema, foram utilizadas onomatopeias e gestos associados ao som alvo, e as unidades fonológicas (sílaba e fonema) foram codificadas com formas geométricas, tal como proposto no instrumento. Para a mediação e a estabilização das propriedades fonológicas de Modo de Articulação e Ponto de Articulação visadas, recorreu-se às estratégias propostas em Alves (2014) e em Alves e Reis (2011, 2014), por meio dos respetivos ícones e cores.
Ao longo do processo de intervenção, foram realizadas 16 sessões de intervenção. Após o primeiro momento de recolha de dados e análise dos mesmos, a terapeuta responsável pela intervenção procedeu à seleção dos estímulos alvo a utilizar na intervenção terapêutica. Esta seleção teve como base os modelos implicacionais tais como o Modelo Implicacional de Complexidade de traços (MICT), de Mota (2001), e o Modelo Terapêutico Implicacional de Distância entre Traços (MOTIDT), de Duarte (2006), com o objetivo de obter o maior número de generalizações possíveis no sistema fonológico da criança, já que o alvo selecionado deverá conter informação fonológica em falta no sistema.
Com base no descrito, a terapeuta responsável pela intervenção selecionou o estímulo alvo /ʀ/ como primeiro segmento a estimular, uma vez que contém o traço [+ contínuo] bem como a informação de ponto de articulação Dorsal, alterada no sistema fonológico de L.R.
Após 7 sessões de intervenção com o segmento /ʀ/, observou-se generalização do traço [+ contínuo] a toda a classe das fricativas através da emergência dos segmentos /z/, /s/. Nesta altura, /ʒ/ e /ʃ/ surgem também com o traço [+ contínuo] embora sendo ainda produzidos como [z] e [s], observando-se ainda alteração relativa ao ponto de articulação (traços relacionados com Ponto de Articulação não foram alvo de intervenção). Não se observando generalização da informação fonológica de ponto de articulação Dorsal à classe das oclusivas, foram realizadas 5 sessões de estimulação através do segmento alvo /g/. Após observação da aquisição de /g/ e emergência de /k/ e /ɲ/, foram realizadas 4 sessões de intervenção por meio do segmento alvo /ʎ/, com o objetivo de promover coocorrências dos traços existentes no sistema e os traços coronal [-anterior], tendo- se verificado a sua completa aquisição. No final da recolha de dados, o sistema fonológico não se encontrava ainda completo, tendo sido recomendada a continuidade de intervenção terapêutica (tendo em conta os procedimentos do presente trabalho, foram selecionados apenas 3 momentos de avaliação).