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5. ANALYSE

5.3 M ULIGHET FOR PRISDISKRIMINERING

Os sistemas hipermídia podem ser adaptados para uso em diferentes áreas e contextos, a fim de melhor atenderem aos propósitos de seus usuários. Segundo suas características peculiares e as aplicações a que se destinam, pode-se fazer a classificação dos sistemas hipermídia em quatro áreas abrangentes (CONKLIN, 1987):

a) Sistemas macro literários. Bibliotecas virtuais acessadas pelo computador, apresentando grande quantidade de informações, nas quais as ligações entre os documentos são realizadas com o emprego da máquina, possibilitando a leitura, a colaboração, a crítica e a

publicação na própria rede. Nesses sistemas, os leitores podem adicionar suas contribuições à rede sem que se percam os documentos originais. O memex de Bush, o NLS de Engelbart e o projeto Xanadu de Nelson são sistemas hipermídia dessa categoria.

b) Ferramentas de exploração de problemas. Ferramentas que apóiam o processo de autoria, resolução de problemas, programação e delineamento de projetos, quando o pensamento ainda não foi muito estruturado, encontrando-se em uma fase inicial de elaboração na qual surgem várias idéias ainda desconectadas. Esses sistemas de autoria- -pensamento-programação apresentam mecanismos adequados para filtrar, organizar e percorrer amplas quantidades de informação relativamente desestruturada. Um exemplo desse tipo de hipertexto é o WE, desenvolvido por um grupo da Universidade da Carolina do Norte (EUA), projetado para apoiar o processo de redação de textos. A escrita é enfocada como um processo em que uma rede livremente estruturada de idéias internas e fontes externas é primeiramente organizada em uma hierarquia apropriada ou esboço, e então transformada em um fio linear de palavras, frases e outros elementos. Para auxiliar nesse processo, o WE apresenta duas janelas maiores para a visualização do material (constituído por nós e links contendo texto). Na janela gráfica, o material pode ser disposto com pouca estruturação, em qualquer localização, e os nós podem ser agrupados em pilhas que apresentem alguma inter-relação ou colocados entre pilhas diferentes caso se relacionem com ambas. Na janela hierárquica, os nós podem ser copiados na medida em que alguma estrutura conceitual começa a emergir do processo. Para isso, o WE possui diversos comandos especializados para mover e estruturar o material entre esses dois modos de visualização.

c) Sistemas de navegação. São similares aos sistemas macro literários, mas menores em escala, voltados para o ensino, referência e a informação pública. Nesses sistemas, a facilidade para o uso e a interface amigável são essenciais. Em geral, esses sistemas não possibilitam que o usuário comum adicione novas informações. Um exemplo

desse tipo de sistema é o Hyperties de Shneiderman, desenvolvido para ser uma ferramenta prática e fácil de aprender destinada à navegação em bancos de dados instrucionais e para ser utilizado como plataforma experimental de pesquisa sobre a elaboração de interfaces hipermídia. Hyperties foi usado em uma exibição sobre a Áustria e o Holocausto em um museu de Washington (EUA). Suas unidades básicas são artigos curtos, compostos de 50 a 1000 palavras em média, interligados por um grande número de links. Os links são palavras ou frases destacadas no texto do artigo, ativados pelo toque do usuário com o dedo na tela ou pelo teclado, que levam a outro artigo relacionado. O sistema permite ao usuário voltar facilmente de caminhos exploratórios trilhados.

d) Tecnologia geral de hipertexto. Sistemas de propósito geral, projetados para permitir a realização de experimentos em diversos tipos de aplicação da hipermídia, tais como leitura, escrita e colaboração, dentre outros. Sua principal finalidade é a experimentação da hipermídia em si enquanto tecnologia. Um exemplo é o Intermedia, desenvolvido na Universidade de Brown (EUA) visando à experimentação em sala de aula mediante o uso dos computadores. Esse sistema foi desenvolvido para ser um ambiente de trabalho com um conjunto de ferramentas que permitem a criação de links entre documentos contendo vários tipos de mídia, tais como texto, linhas do tempo, diagramas, imagens, documentários em vídeo e música. Intermedia foi elaborado para auxiliar os professores a organizar e apresentar o material de suas aulas pelo computador e para que os estudantes pudessem estudar os materiais e adicionar suas próprias anotações, em um meio interativo. Uma preocupação fundamental do grupo de pesquisa do Intermedia era proporcionar ao usuário maneiras efetivas de gerenciar a complexidade crescente do ambiente hipermídia.

Jonassen (1986) considera os seguintes tipos de estrutura para os sistemas hipermídia: segmentado ou nó-link, estruturado e hierárquico. Essas modalidades são ilustradas nas figuras 2, 3 e 4, elaboradas por Jonassen.

Figura 2. Sistema hipermídia nó-link. Diagrama representando um sistema hipermídia nó-link,

em que o acesso é possível a partir de qualquer nó.

Um sistema hipermídia segmentado ou nó-link, conforme o proposto por Nelson, funciona como um glossário de acesso não-seqüencial, possibilitando o acesso direto a qualquer nó do sistema. Esse sistema pode ser constituído por meio de um sumário que possibilita o acesso aos nós cujo conteúdo se deseja examinar, a partir de um menu contendo os títulos dos nós ou a partir de um mapa no qual os nós são exibidos graficamente, semelhante ao representado na figura 2. O sumário deve ser organizado de tal forma que não seja representada uma seqüência a ser seguida, devendo ser atribuída igual importância a cada tópico. Outra opção para a elaboração do sistema é um índice de assuntos que exibe os tópicos para escolha em uma ordem arbitrária – alfabética, por exemplo.

Nesse sistema hipermídia, o leitor pode realizar escolhas em qualquer parte do hiperdocumento por intermédio de termos do texto ou locais assinalados por um asterisco ou destacados em negrito, sublinhado ou com a utilização de cores. Ao acionar o tópico assinalado mediante uma tecla, o leitor salta imediatamente para o assunto correspondente,

podendo retornar diretamente ao local de onde partiu. As opções de escolha também podem ser indicadas por ícones com rótulos ou etiquetas contendo o título de nós, por botões ou por figuras em destaque.

Um sistema hipermídia completamente aberto deve possibilitar ao leitor o acesso a qualquer outra tela a partir daquela onde se encontra, simplesmente acionando-se um termo assinalado ou digitando-se o termo que se deseja explorar. O autor do sistema pode também sugerir certas conexões organizando referências cruzadas, tais como “veja” e “veja também”, para evitar que as associações estabelecidas pelo leitor sejam sem significado. Ao sair de uma apresentação de texto, o leitor seria conduzido ao índice ou subíndice mostrando as conexões possíveis a partir daquele ponto do hipertexto. Outra opção é a apresentação de uma lista de termos relacionados em uma janela na parte inferior da tela.

Figura 3. Sistema hipermídia estruturado. Diagrama representando um sistema hipermídia estruturado.

Um sistema hipermídia estruturado (figura 3) é constituído por blocos de nós, cada qual acessível a partir de qualquer outro conjunto. Cada bloco de nós consiste de um

arquivo de texto ou banco de dados separado, com o sistema hipermídia atuando enquanto metabanco de dados, que controla o acesso a cada um dos bancos de dados específicos.

Como no sistema hipermídia segmentado, o acesso a cada um dos blocos de nós pode ser feito a partir de índices ou menus. Ao se acessar um bloco de nós, sua estrutura deve ser exibida nas telas correspondentes, possibilitando a escolha das telas a serem vistas na ordem desejada. Um determinado bloco de nós pode ser estruturado de modo que o nó introdutório exiba o nome de um conceito e um menu para o acesso a subestruturas detalhadas, tais como definições, exemplos, ilustrações, regras envolvendo o conceito, descrição de aplicações e uma lista de conceitos relacionados. De qualquer tela desse conjunto de nós, constituindo uma unidade, poderia ser acessado um outro conjunto, correspondente a outra unidade.

Figura 4. Sistema hipermídia hierárquico. Diagrama representando um sistema hipermídia

Em um sistema hipermídia hierárquico (figura 4), o conteúdo é estruturado de modo hierárquico, com o texto correspondente a um conceito mais específico incluído naquele de um conceito mais geral. A hierarquia estabelecida exige que os usuários se movam para cima e para baixo ao longo desta para acessar os conceitos relacionados.

Cada bloco unitário apresenta relações hierárquicas definidas previamente, em termos de superordenação ou subordenação, podendo consistir de um conjunto de telas mostrando, por exemplo: termos-chave; sinônimos; termos mais amplos, ou seja, blocos de informação genérica na parte superior da hierarquia; termos mais específicos, ou seja, mais detalhados, na parte inferior da hierarquia; outras informações relacionadas, como analogias; dentre outros. O movimento do usuário pode dar-se somente ao longo da hierarquia, com a restrição dos movimentos laterais a termos relacionados ou sinônimos.

O software hipermídia para o ensino de Física Moderna proposto e avaliado neste trabalho pode ser classificado como um sistema de navegação, destinado à educação, organizado em seis módulos temáticos.

Esse recurso didático é dotado de um conjunto de 30 textos com extensão variando entre 100 e 5.400 palavras. Os textos mais longos foram divididos em blocos menores, com menos de 2.000 palavras, acessíveis na ordem desejada por meio de links situados na parte inferior da tela, cuja origem ou fonte consiste em uma palavra ou pequeno conjunto de termos. Além desses links, em cada tela podem ser encontrados, em média, outros três ou quatro, cuja origem ou fonte são ícones com imagem e rótulo relacionados ao assunto afim referenciado.

O sistema possui interface amigável e pode ser explorado sem dificuldade. Em toda tela há uma barra de controle com ícones que permitem voltar à tela anterior, seguir para a tela de abertura do software, imprimir a tela atual, ativar um bloco de notas, acionar uma calculadora e controlar o som. Menus suspensos na parte superior da tela facultam ainda

acesso a um mapa do software, a uma lista contendo links que levam a sites relevantes da

Internet, à bibliografia consultada para elaborar os textos, à relação de créditos do programa e

a um comando para interrompê-lo. O mapa do software apresenta graficamente os nós do sistema e suas interconexões, permitindo acesso aos textos em qualquer ordem. O sistema não viabiliza que os usuários alterem o conteúdo dos textos ou modifiquem os links existentes.

Em relação à sua estrutura, o software é basicamente hierárquico, embora características de outras categorias também sejam encontradas em menor grau. Os links estabelecidos possibilitam que o leitor percorra seqüências de telas nas quais os conceitos são expostos com nível crescente de especificidade ou retorne de um percurso em sentido inverso. Porém, vários caminhos diferentes podem ser trilhados conforme o interesse do estudante ou os objetivos definidos por um professor. Essa forma de organização será descrita em pormenores no capítulo 6. Apesar da hierarquia existente, o mapa do software, que pode ser aberto a partir de qualquer tela, torna factível ler os textos em qualquer ordem desejada, como em um sistema segmentado. O fato de o conteúdo do software estar disposto em módulos temáticos faz com que este apresente também alguns traços de sistemas estruturados.