4. METODE
4.5 S PØRREUNDERSØKELSE
A concretização da hipermídia tornou-se possível a partir de um conjunto de desenvolvimentos tecnológicos envolvendo a criação e o aperfeiçoamento de meios cada vez mais eficientes para o registro, o processamento, a recuperação e a transmissão de informações, que levaram à união das telecomunicações com a informática.
A aproximação entre indústrias diversas, tais como a de equipamentos, eletrônica, informática, telefone, cabos, satélites, entretenimento e comunicação, levou as pessoas a incorporarem em seu cotidiano televisões que captam imagens de todas as partes do mundo com transmissões via satélite, TV a cabo, terminais de computadores conectados à Internet
com acesso a bancos de dados nacionais e internacionais, telefones celulares, videogames, fibras ópticas e outras tecnologias.
Os avanços tecnológicos verificados até o momento estão levando a mudanças significativas na visão do homem e na sua maneira de atuar, conduzindo a uma Sociedade em que a manipulação de informações passará a ser fundamental. Como observa Pretto (1996, p. 38):
Esse conjunto de transformações colocou a modernidade em seu limite histórico e aponta para uma mudança no modo de produção dos paradigmas neste novo tempo que se aproxima. Um tempo no qual o homem deixa de ser o centro e a informação, a produção e a circulação de imagens passam a ser os vetores mais significativos.
O aumento extremamente rápido da quantidade de informações disponíveis no mundo foi o principal fator que motivou o desenvolvimento do conceito de hipertexto, proposto originalmente por Vannevar Bush, em 1945.
Bush (1945) considera que os sistemas de indexação geralmente utilizados em bibliotecas são artificiais, tornando o processo de recuperação de informações ineficiente. As informações armazenadas são arquivadas em ordem alfabética ou numérica e a informação é encontrada seguindo de subclasse para subclasse, segundo uma hierarquia. Ao encontrar a informação desejada, é necessário sair do sistema e reentrar por um novo caminho, para prosseguir a busca.
Entretanto, como expõe Bush, a mente humana não opera desse modo e sim por
associação. Cada idéia leva instantaneamente a outra pela associação de pensamentos,
segundo uma rede intrincada de caminhos estabelecidos pelas células do cérebro. Com base nesse fato, Bush propõe um dispositivo denominado memex, que constituiria um arquivo e
biblioteca pessoal no qual seriam armazenados livros, jornais, fotografias, registros e comunicações, organizados de modo a permitir consultas com grande velocidade e flexibilidade.
O armazenamento das informações seria feito por meio de microfilmes, possibilitando um arranjo compacto para o memex, cujo aspecto seria o de uma peça de mobília, semelhante a uma escrivaninha. Haveria uma tela em que os textos para leitura seriam projetados, a partir de comandos fornecidos por meio de um teclado e alavancas, e as páginas projetadas de um livro poderiam ser mudadas rapidamente, até se localizar a informação desejada.
Além da consulta segundo o princípio tradicional de indexação, na qual um livro poderia ser acessado fornecendo-se seu código, seria possível também a consulta por indexação associativa, em que se pode, a partir de um determinado item, acessar imediatamente outro a ele conectado. Para isso, o memex viabilizaria ao seu usuário, por meio de comandos simples, estabelecer conexões entre dois itens quaisquer, segundo o seu interesse, levando à construção de trilhas em que vários documentos estariam interassociados. Um mesmo item poderia fazer parte de diversas trilhas diferentes, originando uma rede de conhecimentos inter-relacionados. Uma vez estabelecidas as conexões, estas poderiam ser recuperadas por qualquer usuário, acionando-se uma alavanca ou um botão. Para Bush, o
memex funcionaria na condição de extensão da memória de seu usuário, facultando a
armazenagem e recuperação de grande quantidade de informações, apoiando o processo de elaboração do conhecimento pelo ser humano.
Como expõe Lévy (1996), o termo hipertexto foi proposto somente no início dos anos sessenta, por Theodore Nelson, para exprimir a idéia de escrita e leitura não-linear em um sistema de informática. A meta desse pesquisador era criar uma imensa rede acessível em tempo real, contendo todas as principais obras do pensamento humano. O projeto recebeu o
nome de Xanadu e visava a permitir que milhões de pessoas pudessem trocar informações diversas entre si, incluindo textos, filmes e sons, consistindo em um ideal de hipertexto.
As idéias de Bush influenciaram Douglas Engelbart que, segundo Conklin (1987), expressou em 1963 a idéia de que os computadores levariam a um novo estágio na evolução humana, caracterizado pela manipulação externa de símbolos de modo automatizado. Nesse estágio, a utilização de tecnologias especiais possibilitaria que os símbolos utilizados pelo ser humano para representar os conceitos fossem manipulados em frente a seus olhos, sendo movidos, armazenados, recuperados e operados segundo regras complexas, respondendo a quantidades mínimas de informação fornecidas pelo usuário. A simbiose entre o ser humano e o computador teria o efeito de amplificar a inteligência do usuário.
Em 1968, Engelbart implementou suas idéias mediante o NLS (oN Line Sistem), um sistema hipertexto que reunia um banco de dados de texto não-linear, filtros de visualização para a seleção da informação e visores que estruturavam a exibição desta em um terminal (CONKLIN, 1987).
O NLS era uma ferramenta experimental constituída de computadores na qual eram armazenados planos, projetos, programas, documentação, relatórios, memorandos, bibliografia, notas de referências e outros itens da equipe de trabalho de Engelbart no Centro de Pesquisa do Intelecto Humano Ampliado (SRI). Utilizando-se de periféricos sofisticados, que incluíam o mouse (uma invenção de Engelbart) e permitiam lidar com imagens de televisão, a equipe realizava todo seu trabalho preparatório, o planejamento, a elaboração de projetos, a verificação e eliminação de erros, e também boa parte da intercomunicação. Os arquivos eram estruturados no NLS em uma hierarquia de segmentos, cada um apresentando um identificador de seu nível no arquivo (Por exemplo: 1, 1a, 1b). Qualquer número de ligações de referência poderia ser estabelecido entre os segmentos de cada arquivo e entre arquivos.
Embora a idéia de hipertexto tenha surgido em 1945, sua implementação plena e difusão em escala mais ampla somente ocorreu com o desenvolvimento da velocidade e memória dos microcomputadores e o aperfeiçoamento das tecnologias que possibilitaram a integração de imagens, filmes e sons com a informática. O trabalho simultâneo com elementos de diversas fontes de informação originou o termo multimídia (PRETTO, 1996, p. 19):
Computadores, televisões, vídeos, telefones, satélites, cabos, novos equipamentos são aperfeiçoados e desenvolvidos, estimulando-se um uso mais integrado e mais global de todos esses recursos. Surge a multimídia, um novo conceito que engloba todo o universo audiovisual.
Os microcomputadores e seus periféricos, conectados entre si constituindo grandes redes de informação, forneceram as condições ideais para a proliferação e popularização da hipermídia, resultante do uso conjunto da multimídia e do hipertexto.
A hipermídia pode ser considerada hoje um dos futuros da escrita e da leitura, configurando uma nova linguagem para registro, processamento e recuperação de conhecimentos. Essa é a linguagem básica utilizada na Internet, ou grande teia mundial, que exemplifica um imenso sistema hipermídia e estende-se a praticamente todos os países do mundo, com milhões de interconexões e uma infinidade de informações disponíveis.
Também se tornaram comuns sistemas hipermídia de porte mais modestos e voltados para domínios específicos, tais quais enciclopédias em CD-ROM, programas de auxílio ao trabalho coletivo e programas de apoio ao processo de ensino e aprendizagem. No entanto, há dificuldades na programação de bancos de dados muito grandes e padronizar
dados na forma de hipertexto requer bastante trabalho, da mesma forma que sua organização para o atendimento ao usuário, limitando o tamanho dos documentos.