Del II Analyse og konklusjon
5.2 Uklar ansvars-‐ og arbeidsfordeling
Para a Educação
Penso que a educação é um processo que acontece ao longo da vida, preparando os membros da sociedade para a participação na vida social, sendo assim, é um fenômeno social, universal, cultural e existencial – todas as sociedades dependem dela para se manter, para funcionar. (PINTO, 2000)
Nas relações entre o Homem e o Homem e deste com a natureza, o conhecimento9 é produzido. Portanto, podemos dizer que a educação é um
processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais10 que os tornam aptos a atuar no meio social e a transformá-lo em função de necessidades econômicas, sociais e políticas da coletividade.
Neste processo de produzir conhecimento, o homem transforma o mundo social em que vive e transforma a si mesmo. Este duplo processo é que Marx chama de práxis.
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Álvaro Vieira Pinto, em Ciência e Existência define o conhecimento como “um processo de extrema amplitude e complexidade pelo qual o homem realiza sua suprema possibilidade existencial, aquela que dá conteúdo á sua essência de animal que conquistou a racionalidade: a possibilidade de dominar a natureza, transformá-la, adaptá-la ás suas necessidades.”
10 Cultura: conjunto de práticas, de representações, de comportamentos, relacionado a um grupo
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Charlot (2001) ao falar sobre educação, e a relação desta com a cultura, acrescenta outro aspecto a questão: diz que educação é cultura – e o é em
“(...)três sentidos que não devem ser dissociados. Ela é cultura porque é humanização. Ela é introdução na cultura, isto é, no universo de signos, de símbolos, da construção de sentidos. (...) é socialização porque (sem ela) não é possível introduzir-se na totalidade do que a espécie humana produziu. Introduzir-se na cultura só é possível introduzindo-se em uma cultura, a de um grupo social determinado, em um momento de sua história.”
Neste sentido, minha relação com outros indivíduos e outras culturas, a partir de um grupo, faz e refaz minha cultura, me constituindo. Esta construção de sentidos me permite tomar consciência das relações com o mundo, com os outros e comigo mesma.
A cultura, portanto, é essencial para compreender em escala menor, meu grupo e na maior, a sociedade da qual faço parte. Nestas relações o conhecimento vai sendo produzido e reproduzido, a partir das significações que lhe atribuo, privilegiando ou não conhecimentos para a transmissão às novas gerações. Geralmente este processo é pensado a partir de uma educação escolarizada, sistematizada, planificada.
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Meu olhar para a educação, e para a educação dentro do terreiro, será a não escolarizada, não sistematizada, não planificada11. O que me interessa aqui é o processo de construção do conhecimento, do saber, impresso na cultura do grupo, visto a partir da educação não formal.
Almerindo Janela Afonso faz uma distinção entre educação formal, informal e não-formal, dizendo:
Educação formal: educação organizada com uma determinada seqüência e proporcionada pelas escolas; Educação informal: abrange todas as possibilidades educativas no decurso da vida do indivíduo; Educação não-formal: embora tenha uma estrutura e uma organização, não se prende a fixação de tempos e locais e flexibiliza os conteúdos.
A preferência por trabalhar com o conceito de educação não-formal, ainda que esta preveja uma organização e uma estrutura, se dá pelo fato de acreditar que estes elementos podem ser encontrados no terreiro, inclusive no que diz respeito a um conteúdo12 selecionado a ser transmitido aos filhos/médiuns.
11 No sentido escolar.
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Conjunto de conhecimentos socialmente acumulados, mas selecionados, pré-determinados e sistematizados que são transmitidos ao grupo social geralmente através da escola formal.
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Para a Humanização e a Emancipação
O conceito utilizado por mim é proposto por Paulo Freire, principalmente a partir de seu livro Pedagogia do Oprimido. Este texto que já completou trinta anos de existência, a cada dia torna-se mais atual. Sua leitura deve ser feita com o olhar no presente, para as relações hoje estabelecidas na sociedade.
Diversas são as análises feitas da nossa sociedade e de como as relações estão sendo modificadas e ressignificadas, a partir da lógica do mercado, da economia e do dinheiro como principal fonte de prazer e de delimitação das relações.
O que mais ouvimos, seja na rua, em casa, no terreiro ou na televisão é de como as pessoas estão mudando, os jovens principalmente, que não têm mais respeito pelos mais velhos, pelos “bons costumes”, a famosa expressão “inversão de valores”. Os noticiários televisivos a todo instante informam isso, de maneira determinista, como se estas ações e valores não pudessem ser modificadas ou transformadas. As pessoas sentem-se acuadas e com seus valores, crenças, moral, conhecimentos e experiências descartados como os produtos vendidos nas lojas de departamentos e constantemente lembrados de sua descartabilidade.
O que gosto em Freire é como vai descrevendo nossa sociedade a partir das relações sociais, de como homens e mulheres constroem seus espaços e tempos a partir dos mecanismos de opressão existentes e ao mesmo tempo
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mostra as possibilidades de rompimento com estas práticas. E a maior possibilidade é a educação. Muitas vezes refere-se à educação formal, escolarizada, mas quando faz a análise destas relações não é da escola que fala, mas sim da educação como possibilidade humana, como prática da liberdade, que tem no ato de conhecer, uma aproximação crítica da realidade.
Para se pensar a educação como possibilidade da práxis libertadora, é necessária a crença em homens e mulheres, na sua história e na sua inconclusão humana. É sabermo-nos seres inacabados, inconclusos, mas não determinados no sentido da paralisação da ação. É confiar, crer que o outro tem o poder de decisão, da assunção da liberdade, e a esperança inabalável na possibilidade do estar-sendo no mundo.
Para a Práxis e a Práxis Umbandista
Na educação utiliza-se muito o termo práxis como referência a prática pedagógica, ou seja, aquilo que os educadores realizam em sala de aula. Mas este conceito prevê duas formas de pensar sobre ele: em primeiro lugar apenas como a coisa prática, a ação em si mesma, uma ação concreta, que parte do conhecimento adquirido para a realização de uma ação especifica; outra forma de pensá-la pode ser como um movimento em que o conhecimento é utilizado pelo homem na sua relação com a natureza, transformando-a e transformando a si mesmo, em diferentes esferas como a cultural, a social e a política.
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A maior dificuldade quando pensamos em mudança, em mudança social e/ou transformação social, está justamente na ruptura da consciência comum, na ruptura do pensamento que acredita que a prática está desvinculada de qualquer tipo de reflexão, da reflexão sobre seu ato, seja ele construir uma cadeira ou ensinar uma criança os pontos cantados no terreiro, como se estas ações estivessem desvinculadas do seu pensar, da sua reflexão, de seu estar no mundo.
Essa “atitude natural” se baseia no fato do indivíduo ver a atividade prática como um simples dado que não exige explicação. Com tal atitude, este acredita estar numa relação direta e imediata com o mundo dos atos e objetos práticos. Suas conexões com esse mundo e consigo mesmo aparecem diante dele num plano a - teórico13. Não sente necessidade de rasgar a cortina de preconceitos, hábitos mentais e lugares-comuns na qual projeta seus atos práticos. (VAZQUEZ, 1977)
A definição trabalhada aqui é aquela que tem por concepção o Homem como um ser ativo, criador e prático, capaz de refletir criticamente sobre as condições objetivas da realidade a qual pertence e compreender que se encontra inserido – num tempo e espaço únicos.
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