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Del  II   Analyse  og  konklusjon

5.4     Fagteamets  balansekunst

O Terreiro de Umbanda Caboclo Três Penas Brancas, localiza-se no distrito de Cipó, município de Embu-Guaçu, 30 km aproximadamente do bairro do Socorro, Zona Sul de São Paulo. A cidade, hoje faz parte de uma área de proteção aos mananciais e da Mata Atlântica e tem procurado se destacar como uma região de proteção ambiental, promovendo o seu desenvolvimento a partir da idéia do turismo ecológico.

Como toda cidade da grande São Paulo, Embu-Guaçu enfrenta vários problemas advindos de uma urbanização sem planejamento. Com a aprovação da LEI 12.233 de 16 de Janeiro de 2006, que instituiu a Bacia Hidrográfica do Guarapiranga como área de proteção e recuperação dos mananciais, o município inicia um processo de investimentos na região como cidade turística, e oferece a natureza como forma de lazer e de crescimento econômico.

Cipó como distrito de Embu-Guaçu, também sofre com a falta de planejamento e vai crescendo sem pressa, em comparação com seus vizinhos paulistanos, como Colônia e Parelheiros.

Em menos de 15 anos estes bairros, antes considerados zonas rurais, hoje são vistos como parte da periferia da cidade de São Paulo. As chácaras e sítios que existiam, foram perdendo espaço para loteamentos clandestinos e sem a infra-estrutura necessária para acomodar o contingente de moradores, em sua maioria migrante e pobre. Este processo indiscriminado de ocupação do solo

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causou na região uma série de problemas, tanto para seus moradores, como para a própria natureza, que foi sendo dizimada.

A região de Parelheiros, Marcilac, Colônia e Embu-Gaçu, são consideradas áreas de mananciais, o que deveria reduzir sua urbanização, mas isto está longe de acontecer. Somente Embu-Guaçu cresceu mais lentamente, principalmente porque o transporte era precário, com tarifas mais caras (intermunicipais), associada a pouca infra-estrutura, como asfalto, luz, água e esgoto encanados, como também a escolas que atendessem a todos os níveis de ensino. Ainda hoje, próximo do local do terreiro, existe somente uma escola que atende o ensino fundamental I e as crianças e adolescentes que precisam freqüentar o ensino fundamental II, deslocam-se até Cipó.

A região do Cipó é composta basicamente de sítios e chácaras de fim de semana e pequenas produções agrícolas locais. O acesso ao terreiro é por estrada de terra, distante 9km do centro de Cipó.

A luz elétrica chegou à região do terreiro, bairro dos Borges, em 1994, clandestinamente, mas com o aval da prefeitura(!!), que forneceu o transformador para os moradores, que arcaram com a despesa dos postes e da fiação.

Para se chegar ao local é necessário ter condução própria e não se incomodar com os buracos, poeira e quando chove, lama e até enchentes. Atualmente há uma linha de ônibus (micro-ônibus) que faz ponto final, a uma distância de 2

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km e meio do terreiro, mas os horários são incertos e aos finais de semana a circulação é ainda mais reduzida.

Como todo município da grande São Paulo, Embu–Guaçu e Cipó começam a enfrentar os problemas oriundos das regiões urbanas, como assaltos, empregos, drogas e organização de gangs ou tribos de adolescentes, que não encontram na cidade opções de lazer ou outras atividades que possam ocupar- lhes o tempo.

É neste cenário que se encontra o Terreiro de Umbanda Caboclo Três Penas Brancas: numa área remanescente da Mata Atlântica, rodeado de nascentes, rios e matas ainda intocadas, mas que tem recebido um grande número de moradores, provenientes de vários locais de São Paulo e outros estados, gerando uma série de demandas que podem fazer desaparecer o que resta desta mata, se não houver um planejamento responsável e efetivo.

Imigrantes e Benzedeiras

Em 1995 realizei pela primeira vez uma monografia sobre e Umbanda48.

48 Em 1994 início uma pesquisa sobre a origem da família na Umbanda, concretizando em 1995,

quando cursava Educação Artística na UNESP. A monografia foi realizada como avaliação final na disciplina de Folclore sob a supervisão do Prof. Alberto Ikeda, com o nome de “Umbanda: um ensaio sobre a religiosidade Afro-Brasileira.”

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Intrigava-me como a família, no caso direto meus pais, tinham optado pela prática da Umbanda. Eram netos de imigrantes italianos que se diziam católicos e praticantes, mas as lembranças que tinha da infância não conseguiam registrar estes fazeres.

A recordação mais viva era de minha avó paterna recebendo em sua casa crianças e adultos para que ela benzesse – quebranto, erisipela, bucho virado, entre outros males cotidianos. Outras imagens também vêm em minha memória, como, ser levada a uma benzedeira49, no bairro onde cresci, por minha mãe ou ir com minha avó a um centro de mesa branca, para tomar passes. Estas práticas pareciam contradizer a fala, de que eram católicos, pois suas ações estavam muito mais próximas da religiosidade popular.

A partir destas lembranças e dos primeiros questionamentos, iniciei uma pesquisa para descobrir estas origens e como estas práticas tinham se transformado numa prática umbandista por parte da família e mais

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As benzedeiras, pois geralmente são as mulheres que exercem esta atividade, utilizam as rezas/orações para afastar algum tipo de mal ou doença da pessoa que a procura reclama. Embora se possa acreditar que na zona urbana esta atividade não exista mais, sendo uma prática em extinção, percebemos que ainda existem muitas mulheres praticando a benzedura, como por exemplo, para a cura de doenças para uma população que não tem acesso ao sistema de saúde, seja particular o público. (QUINTANA, 1999) É através da benzedeira que o indivíduo tem um encontro com o sagrado. Ela faz a ponte entre seus problemas cotidianos, como uma doença ou um mau-olhado, pois a partir da sua intermediação com o sagrado este obtém a cura. A benzedeira tem a legitimidade do seu grupo social para fazer esta intermediação – a do mundo sagrado com o mundo cotidiano, o profano.

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significativamente por meus pais, que hoje dirigem o Terreiro de Umbanda objeto desta pesquisa.

Tanto a família de meu pai como de minha mãe são de origem italianas, filhos e netos de imigrantes que vieram para o país em busca de melhores condições de vida, fugidos de uma Europa em guerra e sem emprego.

As pesquisas no Memorial do Imigrante50, na Mooca, em São Paulo, mostram

uma leva de imigrantes chegando ao país, pelo porto de Santos principalmente, para- trabalhar nas fazendas de café em substituição aos recém libertos escravos, como mão-de-obra barata. Meus bisavós provavelmente faziam parte dessa leva. Embora tenha encontrado três nomes com o mesmo sobrenome paterno, vindos por volta de 1887, nenhum deles foi reconhecido pelo membro mais velho da minha família como parente.

Nome Sobrenome Parentesco Ano Nacionalidade

BARBARA VAINI SORELLA 9/14/1887 ITALIANO

GIUSEPPE VAINI CAPO 9/14/1887 ITALIANO

ISIDORO VAINI CHF 8/21/1895 ITALIANO

www.memorialdoimigrante.sp.gov.br acesso em Nov/2007

De fato, nas entrevistas realizadas com a integrante mais velha esta diz que seus primeiros parentes – avós – chegaram por esta época, mas que seu avô

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Rua Visconde de Parnaíba, 1316 – Mooca (Próximo à estação Bresser do metrô - linha Leste- Oeste)

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“tinha uma profissão, era ourives e trabalhava com ouro e prata”, e que por esta razão seu nome não consta dos registros no Memorial. Inicialmente vão para Serra Negra, interior paulista, mas terminam por fixar-se no bairro da Vila Mariana e é neste bairro que a minha família paterna e materna se encontra e fazem sua história.

O mais interessante nessa trajetória são as práticas religiosas, pois os primeiros descendentes trazem na bagagem cultural a herança do catolicismo popular, como promessas, ex-votos e benzimentos e o conhecimento das chamadas “mesas giratórias”, que já aconteciam na Europa e que provocaram as pesquisas de Alan Kardek51, pseudônimo do pedagogo francês Hypolite Leon Denizard Rivail (1804-1869).

Algumas destas práticas foram transmitidas a filha mais nova, no caso minha avó paterna, que aprende a benzer com seu pai. Torna-se mais tarde uma benzedeira conhecida nas imediações onde mora, entre as avenidas Lins de Vasconcelos e Domingos de Moraes. Dos três filhos e três sobrinhos que criou somente o filho mais novo optou pela Umbanda e um dos sobrinhos pelo

51 A partir destas pesquisas são escritos cinco livros: O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns

(1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo (1865), A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868), considerados o “Pentateuco espírita”. Para maiores informações a respeito do tema, há uma dissertação de mestrado pela USP com o titulo de “Geografia do (in)visível: o espaço do kardecismo em São Paulo”, de Alberto Pereira dos Santos, professor e geógrafo.

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kardecismo, realizando obras assistenciais ligados ao grupo de Chico Xavier, em Minas Gerais.

A história da família de minha mãe é parecida, mas os dados a respeito dos primeiros integrantes perderam-se no tempo, e nem mesmo no Memorial do Imigrante há qualquer informação a respeito.

Provavelmente a vinda destes para o Brasil deve ter acontecido de forma individual, ou seja, por conta própria, independente dos acordos estabelecidos entre os dois países, já que não foi encontrado nenhum indivíduo com o mesmo sobrenome.

A família materna era católica praticante, mas também freqüentava o “espiritismo de mesa”, até conhecerem um grupo que praticava a Umbanda. Iniciam suas atividades na Tenda de Oxalá, Amor e Caridade, na Vila Ema, por volta de 1958 quando participam ativamente da construção do terreiro e de sua fundação52.

52Em entrevista com um dos membros da família que participou ativamente deste período no terreiro,

contou que para poder terminar a construção do terreiro o grupo tinha inventado um sistema de venda de tijolinhos, como se fosse uma rifa e o dinheiro arrecadado era revertido para o término da construção.

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Fotografia 7 - Convite de Inauguração da Tenda de Oxalá, amor e Caridade - 1958 Imagem cedida por Ilia Ruiz Digitalizada em 04/07/2007 por Solange Vaini

É a partir deste momento que, meus pais iniciam sua história dentro da Umbanda, ainda solteiros, ela com pouco mais de quatorze anos e ele com vinte e três.

Fotografia 8 Trabalho na Praia Grande 1958 Tenda de Oxalá Amor e Caridade

Imagem cedida por Iridia Vaini Digitalizada em 28/11/2007 por Solange Vaini

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Após casarem-se, abandonam por alguns anos as práticas umbandistas, mas logo retornam para realizar as giras em São Caetano do Sul, com a participação de toda a família. Mesmo praticando a Umbanda, com a incorporação de caboclos e pretos velhos, nomeavam o encontro como “trabalho”53, designação que perdura até os dias de hoje.

Após alguns anos o casal decide procurar um terreiro aberto para freqüentar, mas não são acompanhados pela família, que preferem cultos mais reservados, familiares e sem o compromisso com as responsabilidades de um terreiro aberto54.

53 Ivone Maggie em seu livro “Guerra de Orixá: um estudo de ritual e conflito” encontra várias

utilizações para a palavra “trabalho”, como “trabalhar na macumba”, “trabalhar com santo encostado”, “trabalhar para o mal”, “trabalho feito”, entre outras. A palavra pode ser utilizada de acordo com a situação, portanto, pode adquirir variadas significações.

54 Décadas mais tarde este será um dos argumentos utilizados por alguns filhos(as) para o cisma

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Optam pela “Casa de Caridade Caboclo Guarantã”, localizado na Av. Santa Catarina em São Paulo. Após várias

tentativas sem sucesso para conversar com a entidade dirigente da casa, optam por conversar com o Caboclo Pena Vermelha, incorporado pelo médium Jaime. Tornam-se amigos, estreitando os laços de amizade e formam um grupo com mais dois casais que freqüentavam o terreiro. Quando o Sr. Jaime abandona este terreiro, o grupo o acompanha e começam a freqüentar um terreiro na

baixada santista, toda sexta-feira, próximo ao prédio da prefeitura da Praia Grande – Boqueirão.

Esta casa iniciava suas atividades com orações católicas e cânticos de umbanda, mas não se recordam de haver elementos considerados da cultura africana em suas atividades. Não tinha atabaques, pouco se falava em orixás e não havia obrigações. Deixam de freqüentar a casa pela distância.

Iniciam nova peregrinação para encontrar outro terreiro que pudessem freqüentar e que agradasse a todos. Optam pela “Tenda de Umbanda Caboclo

Arranca Toco”, localizado no Brás, numa zona comercial de São Paulo. Este

Encerrado os trabalhos no terreiro, os casais e seus filhos – todos com idades variando entre 7 e 10 anos, paravam no calçadão da praia do Boqueirão, na Praia Grande, para fazer piquenique e conversar sobre os acontecimentos da noite, antes de subirem para São Paulo. Estes piqueniques aconteciam à noite e

muitas vezes entravam na

madrugada, com as crianças

brincando na areia e os adultos conversando. Esta prática de oferecer um lanche após os trabalhos encerrados acontecem ainda hoje no TUCTPB, onde todos participam, desde os médiuns até o pessoal da assistência, levando alguma coisa para o lanche coletivo.

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terreiro é comandado por duas mulheres negras, irmãs biológicas e difere dos outros dois, pois era mesclado com o Candomblé.

As roupas utilizadas no terreiro consistiam em saias de renda e rodadas para as mulheres e calça e camisa para os homens. Em dias de gira, era utilizada uma fita larga na cintura representando o orixá ou a linha que seria trabalhada naquele dia.

Também era permitido aos médiuns a utilização de objetos solicitados pelas entidades, como espadas (alumínio) em tamanho natural, capas para os Oguns e Exus e cocares de penas para os(as) caboclos(as). Possuía três atabaques, que podiam ser tocados noite adentro; faziam oferendas para entidades e orixás, nos seus pontos de força, como praia, cachoeira, mata, pedreira; obrigações de feitura para os(as) filhos(as) e festas em homenagem aos orixás, principalmente a Yemanjá, na Praia Grande.

O terreiro utilizava o sistema de “sócio”, pagando-se uma taxa pelas fichas que davam a pessoa da assistência o direito de falar com a entidade de sua preferência.

Embora tenham feito várias obrigações, principalmente meu pai, o que dava- lhe o direito de ser Pai Pequeno ou Babalorixá, acabam desligando-se do

Neste terreiro as crianças também podiam participar da corrente, vestindo a roupa branca. Entravam na gira e já trabalhavam como cambonos

e muitos passavam pelo

desenvolvimento, incorporando suas entidades. O número de crianças era grande a ponto da dirigente do terreiro sempre falar que o seu sonho era realizar uma gira somente com elas.

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terreiro por descobrirem que os trabalhos externos eram cobrados. Quem necessitasse de trabalho particular, tinha que pagar por ele. Como o grupo não concordava com esta prática, saem do terreiro, iniciando nova busca por um terreiro que pudessem freqüentar.

É neste momento que este grupo se desfaz, pois cada casal opta por uma casa com propostas de atuação distintas. Dois casais optam por um terreiro com práticas próximas do kardecismo e com pouquíssimos elementos do Candomblé; o outro casal opta por trabalhar sozinho em casa e meus pais optam por freqüentar a “Tenda Espírita de Umbanda Cacique Pena Branca e

Joãozinho das Sete Encruzilhadas”, na Rua dos Trilhos, Mooca.

Embora permaneçam no terreiro pouco mais que um ano e meio é dele as maiores referências que o TUCTPB tem. É neste terreiro também que se iniciam os primeiros registros escritos, por volta de 1974. Como este período não foi selecionado, como um dos momentos de constituição do TUCTPB, este será descrito brevemente a seguir, propiciando a identificação posterior de possíveis elementos que permaneceram ao longo dos anos na prática do casal.

A Tenda Espírita Caboclo Pena Branca e Joãozinho das Sete

Encruzilhadas

Ficava na Mooca, na Rua dos Trilhos, hoje uma das principais vias de acesso do bairro. A casa era alugada e foi modificada para poder atender as

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necessidades do terreiro. A parte da frente possuía dois espaços, um da assistência e outro das giras; nos fundos havia dois quartos para se vestir (um para os homens e outro para as mulheres); uma cozinha e um quintal, onde foram construídos mais dois cômodos: um quarto, com cozinha e banheiro em que morava um senhor que tomava conta do terreiro durante o dia e um quarto pequeno, destinado aos assentamentos de esquerda – Exu e Pomba Gira.

As giras começavam às 20h. Geralmente os(as) filhos(as) chegavam um pouco mais cedo para auxiliar na preparação da gira como, limpar o espaço, o congá, verificar se não faltava nada para as entidades, colocar as flores no congá, etc.

Os médiuns de incorporação deveriam chegar mais cedo, para poder fazer suas obrigações antes do início dos trabalhos, como as firmezas para exu/pomba gira, que consistia em acender uma vela no local destinado para este fim e colocar um copo com pinga ou

outra bebida da preferência da entidade.

No espaço externo aconteciam os “passes magnéticos”, aplicados pelo Sr. Manoel, um dos médiuns da casa. Muitas pessoas chegavam mais cedo ao terreiro, somente para passar com ele, que cuidava basicamente da saúde, como problemas na coluna e dores em geral.

Em um dos cadernos, está registrada uma aula em que o Pai fala sobre estes passes, explicando como funcionavam e qual era finalidade dos mesmos.

“O Sr. Manoel com o passe magnético e para operações, tirar perturbação dos filhos e não dar irradiação para chamar os guias.” Primeira aula do mês (Caderno de Registro 02/04/1975 – Escrevente

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As giras no terreiro eram organizadas conforme o dia da semana: a segunda feira era destinada as gira de caboclo, preto velho ou boiadeiro; a quarta-feira para as aulas proferidas pelo pai, o Sr. Julio, ou para as operações espirituais, que trabalhavam para a saúde do indivíduo; e na sexta-feira gira de baiano e boiadeiro e uma vez por mês gira de exu/pomba gira, que eram abertas ao público.

O terreiro também realizava muitos trabalhos externos, na casa das pessoas que necessitassem de acompanhamento extra. Para estes trabalhos os médiuns eram escolhidos pelo guia espiritual, o caboclo ou o exu, que convocava os médiuns para participarem. Estes trabalhos não eram cobrados e aconteciam nos dias em que não ocorriam as giras para atendimento público, ou seja, de terça, quinta ou sábado.

No terreiro funcionava o sistema de filiação de sócio, em que este pagava uma taxa mensal, para auxiliar nas despesas diárias como a compra de velas, defumação, fitas, fósforos, pinga, pólvora etc. bem como o pagamento do aluguel, água e luz. Embora houvesse a carteirinha de sócio, não havia restrição quanto à participação dos inadimplentes, tanto da assistência quanto dos médiuns. Todos participavam e saldavam suas mensalidades quando pudessem o que gerava do ponto de vista material um grande problema, pois o terreiro estava sempre com suas despesas no vermelho e o Sr. Julio (Pai Espiritual) é que arcava com elas, transferindo o problema para sua vida pessoal.

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O terreiro possuía estatuto e regimento, era regularizado em cartório, mas não era filiado a nenhuma federação ou outro órgão umbandista. Possuía uma diretoria que cuidava da parte material

da casa e uma organização interna – hierarquia – que coordenava a parte espiritual do terreiro. No terreiro existia a figura do pai/mãe de santo, padrinho e madrinha, pai/mãe

pequeno(a), médiuns, ogã, curimba e cambonos.

As giras públicas no terreiro aconteciam basicamente três vezes por semana, ou seja, segunda, quarta e sexta. Cada dia da semana era destinado a uma linha diferente, como caboclo ou preto velho. Começavam sempre por volta da 20h, mas sempre acontecia de iniciarem às 20:30h para que todos os médiuns pudessem chegar.

Os médiuns ao chegarem, faziam suas obrigações, vestiam a roupa branca e dirigiam-se ao terreiro para esperar o início dos trabalhos. Eram cantados pontos de “bater cabeça” onde todos cumprimentavam o congá e o pai, sendo cantado ponto de abertura das cortinas, que separavam o espaço do terreiro e da assistência. Após este ritual eram cantados os pontos de defumação, de abertura das cortinas do congá e dos trabalhos. Se fosse gira de caboclo cantava-se para o caboclo chefe da casa, o Caboclo Pena Branca e seguindo a hierarquia as demais entidades.

Foi registrado no 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos- Cartório Dr. Arruda, sob nº 932.245 do protocolo A nº 41 Registrado no Livro A nº 18 sob o número 16.920 em São Paulo a 08 de novembro de 1968.