Essa metodologia tem por objetivo estabelecer o valor econômico de uma empresa pela adoção de técnicas semelhantes às utilizadas para avaliar o preço de opções financeiras.
Aplica-se na avaliação de projetos de investimento cuja viabilidade depende da ocorrência, ou não, de certos acontecimentos sobre os quais existe incerteza na atualidade. É utilizada, por exemplo, em uma alternativa de expansão de uma unidade de negócio, na qual o estudo de mercado indica condições de evolução favorável. Assim, sua utilização significa uma medida que considera a probabilidade da ocorrência de um evento.
Segundo Estly (1999, p. 9), uma opção real pode ser entendida como um meio de capturar a flexibilidade que os administradores possuem ao tomar decisões de investimento ou operações. O termo real distingue estas opções sobre ativos tangíveis ou intangíveis das opções sobre ativos financeiros.
Uma grande vantagem dessa metodologia é a incorporação da flexibilidade como uma tomada de decisão, no caso de adiamento de um investimento, nos casos de expansão, mudança de tecnologia ou sair desse investimento.
Segundo Copeland e Weiner (apud LINTZ; SOUZA, 2001, p. 5), esta metodologia possibilita aos gestores uma melhor ferramenta para trabalhar a incerteza nas decisões de investimento. Já para Leslie e Michaels (1997, p. 4-22), o grande ganho das opções reais não está na sua precisão de avaliação, mas em suas aplicações estratégicas para análise de opções que uma empresa pode encontrar em certas oportunidades de investimento.
Opções são contratos que dão ao seu titular o direito de comprar ou vender um determinado ativo (ativo de referência), a um preço pré-fixado (preço de exercício), numa certa data, ou antes desta (data de vencimento). São contratos no qual o emissor da opção garante ao comprador o direito de compra ou venda de um determinado ativo de referência, a um preço pré-estabelecido, denominado preço de exercício.
No vencimento, a opção extingue-se. O titular de uma opção detém o direito de exercê-la (comprar ou vender o ativo-referência desse contrato); no entanto, esse direito não precisa ser exercido.
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Segundo Cavalcante (2001, p. 28), o termo Opções Reais foi utilizado por Myers (1977), destacando que as oportunidades de expansão de uma empresa (novos investimentos) podem ser vistas como sendo análogas às opções de compra. Iniciava-se, assim, uma nova abordagem para a análise de investimentos, que faz uma analogia entre uma opção e um projeto de investimento.
Segundo Minardi (2000, p. 74-79), com modificações, a flexibilidade gerencial ou as formas de adaptação às mudanças do ambiente empresarial nada mais é que uma série de opções reais, algumas inerentes aos projetos e outras construídas mediante um custo maior de investimentos como:
a) A opção de fazer investimentos no futuro que se encontram associados a investimentos atuais, ou seja, existem investimentos estratégicos que são tomados com vista a obter quota de mercado ou posições de liderança tecnológica no mercado. Depois de efetuar estes investimentos que normalmente tem valores atuais líquidos negativos, a empresa poderá utilizar outros tipos de investimentos que tirem vantagens dos investimentos já efetuados.
b) O abandono de um projeto de investimento antes da sua conclusão, ou seja, um investidor pode decidir abandonar o projeto durante a sua execução porque, entretanto, as condições de mercado mudaram. Caso exerça a opção de abandonar, o investidor irá limitar as perdas porque não terá custos variáveis e irá realizar o valor de venda de seus ativos.
c) Esperar caso a empresa o decida pelo desenvolvimento das condições de mercado para saber se vale a pena iniciar o investimento.
A metodologia do FCD estima os fluxos de caixa futuros de maneira tradicional, ou seja, considera as premissas de início da vida útil do projeto, muitas vezes evidenciando seus resultados serem inviáveis. As decisões gerenciais são consideradas estáticas, e as opções reais existentes no projeto (como por exemplo, as acima descritas), não são quantificadas. Por outro lado, como a flexibilidade gerencial possibilita o aproveitamento de oportunidades futuras, favoráveis ao negócio quando ocorre minimização de perdas, ela aumenta o valor de oportunidade do investimento, ao melhorar o seu potencial de ganhos quando analisadas sob as expectativas iniciais. Ignorando as opções reais existentes, o FCD subavalia projetos, implicando uma tomada de decisão errada.
O VPL tradicional apura o valor de um empreendimento com base na estimativa de seu fluxo futuro de caixa. Ele pode tender a subavaliar as empresas, porque ignora aspectos estratégicos na tomada de decisões, especialmente a existência da flexibilidade. (MARTINS, 2001, p. 287)
Por outro lado, a teoria das opções se constitui num método eficaz para avaliar projetos que possuem opções operacionais e estratégicas significativas, conseguindo integrar estratégia e finanças.
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O valor das opções depende do de outro ativo, que é denominado ativo-objeto. O projeto é visto como um conjunto de opções reais, que têm como ativo-objeto o valor do projeto. Essas opções reais são avaliadas de uma maneira semelhante às opções financeiras.
Para Minardi (2000, p. 74-79):
Independentemente da preferência e percepção do risco, todos os investidores concordarão com uma mesma relação entre preço de opção, preço do ativo-objeto, volatilidade (desvio padrão das taxas de retorno do ativo-objeto), tempo até o vencimento da opção e dividendos ou efeito dividendos existentes durante a vida da opção. Essa concordância implica que opções são avaliadas em um mundo neutro ao risco, e isso permite que se utilize a taxa de retorno do ativo livre de risco.
O exercício da opção (investimento) é irreversível, mas a empresa tem sempre a possibilidade de postergar o investimento, até configurar-se um momento em que as condições do mercado se tornem mais favoráveis, permitindo a obtenção de mais informações sobre o projeto e dos fatores que o influenciam, diminuindo, assim, algumas incertezas . Conforme (HARRISON; PELLETIER, 2000, p. 38), em termos financeiros, uma estratégia de negócios é muito mais semelhante a uma série de opções do que uma série de fluxos de caixa estático.Uma das grandes vantagens da metodologia de opções reais é a possibilidade de a empresa reagir conforme as informações obtidas no mercado sejam adversas ou favoráveis ao investimento.
Damodaran (1999, p. 473), afirma que as opções sobre ativos são bem utilizadas na análise de programas de P&D, na introdução de novos produtos e na avaliação de negócios que exploram e extraem recursos naturais.
Basicamente, a teoria de opções pode ser aplicada a projetos de investimento não comercializados no mercado, desde que exista uma carteira que esteja altamente correlacionada com o projeto. Não se concretizando a hipótese de se montar esta carteira, maior é a chance de não se obter uma boa avaliação, tornando-se, na maioria das vezes, uma avaliação grosseira.
Para Damodaran (1999), uma opção também pode ser precificada pelo modelo de Black-Scholes, contudo este modelo somente pode ser utilizado em algumas situações, pelo fato de ser feito com base em distribuições normais, não sendo válido para situações em que existam grandes variações de preços.
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3.3.5.1 Limitações da Avaliação por Opções Reais
A complexidade operacional do modelo de opções reais poderá vir a ser uma limitação para a extrapolação do estudo para um caso real. Por esse motivo, esta metodologia é a menos utilizada e a menos conhecida pelo mercado financeiro. (LANDER; PINCLES, apud LINTZ; SOUZA, 2001, p. 11) Além disso, as ferramentas para avaliar as opções existem com base na modelagem proposta por Black, F. Schoeles M., na década de 70, portanto, em torno de três
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