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Para melhor compreensã o deste modelo, apresenta-se, a seguir, um exemplo de aplicaçã o, considerando-se um eventual cliente de consultoria com o mesmo perfil do E mpresário objeto do estudo de caso.

Quadro 2.a - E studo de modelo de intervençã o na consultoria F onte: A daptado do Modelo de Politis ( 2005 apud S IL V A , 2013) .

O Quadro 2.a foi idealizado para que o consultor possa nele identificar o perfil de seu cliente, e a respectiva recomendaçã o de abordagem a utilizar, visando uma intervençã o mais eficaz no trabalho de consultoria.

5.2.2.1 V alorizaçã o de experiê ncias de carreira empreendedora (C omponente 01 do Modelo)

C onforme apurado na análise dos dados, o S r. W aldemar Garcia de Mello apresenta influê ncia tanto de sua ampla experiê ncia na criaçã o de empresas, quanto na de administraçã o desses empreendimentos. C ontudo, a pujança demonstrada ao montar mais de vinte empresas leva a concluir que a experiê ncia na criaçã o de empresas prepondera.

A ssim, com base no Quadro 2.a, a abordagem recomendada ao consultor que venha a ter cliente com este perfil é a de valorizaçã o dessa notável experiê ncia do cliente, e de utilizá-la em conjunto com seus próprios conhecimentos e experiê ncias, como consultor, para em conjunto viabilizarem o ê xito do projeto de consultoria.

5.2.2.2 V alorizaçã o do conhecimento empreendedor (C omponente 02 do Modelo)

D e acordo com as informações obtidas a partir do estudo de caso, em se tratando de conhecimento empreendedor, o E mpresário apresenta, notoriamente, perfil para identificar e reconhecer oportunidades de negócio.

L ogo, a abordagem deve considerar que o cliente normalmente analisa e toma decisões com amplitude de visã o e extremo senso de oportunidade. D esse modo, os aspectos do projeto de consultoria que contenham componentes de natureza empreendedora e remetam à originalidade, seja nos processos, seja nos resultados, deverã o ser ressaltados.

Quadro 2.b - E studo de modelo de intervençã o na consultoria F onte: adaptado de Modelo de Politis ( 2005 apud S IL V A , 2013) .

A segunda parte do modelo de intervençã o (Quadro 2.b) contém vários componentes básicos. C ontudo, suas características apontam para a polarizaçã o em apenas dois perfis distintos. A ssim sendo, a recomendaçã o de abordagem será apresentada após a identificaçã o dos componentes nos quais o E mpresário se enquadra.

5.2.2.3 T ransformaçã o de experiê ncias em conhecimento (C omponente 3 do Modelo)

E ste componente trata de identificar se os empreendedores transformam suas experiê ncias de carreira empreendedora através do conhecimento pré-existente (E xploitation), ou através da exploraçã o de novas oportunidades, cuja experimentaçã o serve como técnica de aprendizagem (E xploration). No caso do E mpresário que se utiliza como exemplo na aplicaçã o deste modelo, ele pode ser classificado com perfil “E xploration”, de acordo com a análise do estudo de caso.

5.2.2.4 F atores que influenciam o processo de transformaçã o de experiê ncias em conhecimento (C omponente 4 do Modelo)

E stes fatores compreendem a resultante de eventos prévios, da lógica ou racionalidade dominante e da orientaçã o de carreira.

A cerca do resultado de eventos prévios de sucesso e de insucesso, o E mpresário manifesta sua forma de transformar experiê ncias em conhecimento através da verificaçã o de novas possibilidades ( E xploration), ilustrada pela experiê ncia de insucesso que o levou a repensar as atitudes e decisões tomadas à época, e pela elaboraçã o de novas estratégias que o levaram a se tornar um empreendedor bem-sucedido. Ou seja, ele tende a ter a mudança de comportamento como estado dominante em sua atuaçã o como empreendedor, e utiliza suas experiê ncias como técnicas de aprendizagem.

S obre a lógica ou racionalidade dominante na tomada de decisões econômicas, conforme anteriormente citado no estudo de caso, o E mpresário parece apresentar ambas. E ntretanto, o raciocínio eficaz mostra-se mais evidente, sobretudo em sua forma de idealizar novos mercados.

E m relaçã o à orientaçã o de carreira, o E mpresário poderia ser enquadrado tanto na carreira espiral quanto na transitória, com preponderância nesta última. Pois naquela, os empreendedores optam por explorar novas atividades relacionadas à s anteriores; e nesta, buscam mudanças frequentes, variedade e independê ncia que favoreçam novos projetos, em busca de novos desafios e de aprendizado novo – fatos que ficam patentes no estudo de caso.

Portanto, os elementos do estudo de caso, analisados de acordo com os componentes da segunda parte do modelo de intervençã o (Quadro 2.b), permitem inferir, em síntese, que o E mpresário apresenta tendê ncia de exploraçã o de novas possibilidades como forma de aprendizagem empreendedora (E xploration); no tocante aos resultados de eventos prévios, é movido a partir de episódios de insucesso, que o impelem a buscar novas formas de empreender e agir; em relaçã o aos fatores que o influenciam no processo de transformaçã o de experiê ncia em conhecimento, sobre a lógica ou racionalidade dominante, predomina o raciocínio eficaz, que se manifesta através da síntese e da imaginaçã o lógica de controle; e por fim, acerca da orientaçã o de carreira do E mpresário, evidencia-se a orientaçã o transitória, marcada pelo desafio, por constantes mudanças e novos projetos.

C om base neste perfil, é possível sugerir uma abordagem ao cliente, pelo consultor, que enfatize os aspectos do projeto que remetam a uma proposta de valor que vá além do âmbito da empresa. A lém disso, que enfatize estratégias que contemplem, dentre outros, o caráter de diferenciaçã o, criatividade, inovaçã o, exploraçã o de oportunidades latentes e sustentabilidade, apontando possibilidades de desdobramento do projeto, que mantenham a dinâmica de desenvolvimento dos negócios.

R essalte-se, entretanto, que essas recomendações nã o devem, absolutamente, ser confundidas com técnicas de manipulaçã o. A o contrário, foram elaboradas com fundamentaçã o científica para contribuir, efetivamente, para facilitar a compreensã o de como pensa e age o cliente, para que assim a intervençã o do consultor seja ainda mais eficaz.

C om a conclusã o deste tópico, cumpre-se o segundo e último objetivo específico da pesquisa, qual seja, o de estudar um modelo de intervençã o que utilize abordagem adequada à s peculiaridades de motivaçã o, de pensamento e de açã o dos empreendedores, com base no modelo de Politis (2005 apud S IL V A , 2013).