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Uma ação prévia à realização das entrevistas foi entrar em contato, por telefone, com o gestor de TI de cada empresa, reservar a data e horário, na sequência, enviar correspondência eletrônica, para registrar o contato, e confirmar solicitação da agenda para a entrevista.

3.4 Tratamento dos dados

Para o tratamento dos dados, foram empregados na pesquisa o método de Análise de Conteúdo de Laurence Bardin, e o método formal para a análise de dados qualitativos que, de forma sistemática, converte texto em variáveis numéricas , ou unidade de código, que serve de base para a análise quantitativa de dados (COLLIS; HUSSEY, 2005).

Bardin (1977) explica:

A an álise de cont eúd o é u m co njunto d e técni cas de an álise d as comuni caçõ es visando o bter, por p rocedim entos sistemáti cos e o bjetivos, d e des cri ção do conteúdo das men sag ens, indicado res (qu antitativos o u não ) que p ermit am a in ferên ci a de conh ecim entos relativos às con diçõ es d e p rod ução/recep ção (variáv eis in ferid as) destas m ens ag ens. A autora compl ementa citand o qu e a an álise d e conteúdo pod e ser entendi da com uma anális e dos signi fi cad os.

A intenção da análise de conteúdo é a inferência (ou dedução lógica) de conhecimentos relativos às condições de produção (ou, eventualmente, de recepção), sobre o

emissor da mensagem ou sobre o seu meio. A inferência é um processo intermediário da descrição do texto com a interpretação ou a significação (concedida sobre as suas características), que pode recorrer a indicadores quantitativos ou não. Entenda-se por inferência a operação lógica, pela qual se admite uma proposição em virtude da sua ligação com outras proposições já aceitas como verdadeiras (BARDIN, 1977).

A autora descreve que a Análise de Conteúdo visa ao conhecimento de variáveis de ordem psicológica, sociológica, histórica e outras, por meio de um mecanismo de dedução com base em indicadores reconstituídos com arrimo numa amostra de mensagens particulares. Para definir estes indicadores, faz-se necessário antes definir a unidade de registro, que serve de base para codificar e categorizar o texto da mensagem, que, por sua vez, poderá aplicar o método da contagem frequencial. A unidade de contexto, além de ser superior, é utilizada para compreender melhor a codificação e a significação da unidade de registro.

Assim, a natureza da Análise de Conteúdo aplicada foi a temática, que, segundo Bardin (1977), consiste em descobrir os “núcleos de sentido” que compõem a comunicação e a frequência de aparição, as quais podem significar alguma coisa para o objetivo específico escolhido. A autora ensina que o tema é “geralmente utilizado como unidade de registro para estudar motivações de opiniões, de atitudes, de valores, de crenças, de tendências, etc. As respostas às questões abertas, às entrevistas individuais ou de grupo [..] podem ser e são, frequentemente, analisadas tendo o tema por base”.

Na realização da Análise de Conteúdo, três etapas cronológicas estarão seguidas - a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados .

A pré-análise, que consistiu na definição e aplicação de técnicas para a organização, possui três etapas: a escolha dos documentos que servirão de base para o exame, os quais estão ligados aos objetivos , a formulação das hipóteses/pressupostos e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final, a serem constituídos com estas hipóteses. No caso da pesquisa, esta etapa consiste nas definições dos objetivos do referencial teórico, definição das categorias de análise e roteiro da entrevista.

Na preparação do material, realizamos a transcrição, a organização, a ordenação e a classificação das entrevistas, por entrevistado. Em seguida, foi feita a codificação dos textos, como premissa para o tratamento eletrônico utilizado no polo exploração do material.

Na etapa exploração do material, foi realizado o estudo detalhado do material, orientado pelas hipóteses/pressupostos da pesquisa e referenciais teóricos escolhidos, com apoio nos quais foram realizadas a codificação, a classificação e a categorização do conteúdo.

categorias predefinidas, conforme a segmentação em suas respectivas unidades de registro, que também foram predefinidas com as suas respectivas unidade de contexto. Lembramos que as unidades de registro poderão ser alvo de alterações durante a fase de codificação, pois foram preestabelecidas com o intuito de balizar o início dos trabalhos (QUADRO 9).

Desta forma, considerando os objetivos específicos, estabelecemos três categorias de análise: competência empreendedora, experiência de carreira empreendedora na aprendizagem empreendedora e transformação das experiências empreendedoras na aprendizagem empreendedora. Com supedâneo nessas categorias de análise, foram definidas as respectivas unidades de contexto e unidades de registro, conforme Quadro 9.

CATEGO RIAS DE

ANÁLISE UNI DADE DE CONTE XTO UNI DADE DE REGISTRO

Compet ênci a empreend edo ra Oportu nidade

Percep ção da n ecessid ad e do client e e proposi ção de um a solução qu e o satis faça. Estimulo a dem and a de solu ção.

Relacion amento

Redes d e relacion amentos Neg oci ação

Con flitos Consenso Imag em Conceituais Inov ação Di ferenci ação Riscos Administrativa Planej amento Controle Org ani zação Lideran ça In flu ên cia Estimulo/motivação Del egação Utilização de recursos Estrat égi ca Visão sistêmi ca Visão holísti ca Metas Des afios Posicionament o/nich o Monitoramento dos resultad os

Comprom etimento

Compromisso

Dedi cação ao trab alho

Comprom etimento com a empres a/eq uipe Bom atendim ento

Experiênci a de carreira empreend edo ra n a aprendi zagem empreend edo ra Experiênci a na criação de empres as

Conhecimento prévio por m eio da família, amigos, grup os soci ais

Particip ação n a criação de um emp reendim ento

Experiênci a na administração d e empres as

Conhecimento por m eio da gestão d e algum empreendim ento

Conhecimento por m eio do pro cess o de compra, vend a de algum pro duto/servi ço

Experiênci a esp ecí fica do seto r de negó cios

Conhecimento por vi a do rel acio nam ento com client e ou fornecedor

Trans fo rm ação das exp eri ênci as empreend edo ras n a

aprendi zagem empreend edo ra

Exploração d e con hecim entos preexist entes

Reco nhecim ento de op ortunid ad es Sucess o

Previs ão / estatística

Motivação por cois as impo rtant es Especiali zação do con hecim ento

Exploração d e con hecim ento através d e nov as possibilid ades

Contato com n ovos negóci os Insu cesso

Intuição e im aginação

Des envol vimento p esso al em ativid ad es correl acionadas

Novos d esafios, novos proj etos, mudança const ante

Q uadro 9 – Categorias, unidades de contexto e unidades de registro da análise de conteúdo.