Arquivo: Revista-Flor do Sertão (ano I, n. 3, 1949).
Naquele momento, que antecedia a inauguração, houve, também, registro da visita do sr. Albano Barreto, coadjutor e do professor de canto e música, José Lessa, ambos vindos do Colégio de Cajazeiras, e do dr. Paulo Ferrer, diretor de Obras Públicas do Estado, do prefeito de Crato e do diretor de Agricultura e da Fazenda, o dr. Martiney Rodrigues e o dr. Juvêncio, que era Juiz de Direito, além do frei Agostinho, de Fortaleza. No dia 19 de março, foi transladada para a capela do novo prédio a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora.
Em fevereiro de 1942, a diretoria da Casa fez reunião para decidir questões relacionadas ao início das aulas. Ficou estabelecido o dia 2 de março para o início das aulas diurnas. Ficaram abertas as matrículas para as aulas noturnas.
Reabertura do ano escolar. No novo edifício, futuro Colégio Padre Cícero, iniciam- se as aulas diurnas. A matrícula apresenta uma cifra consoladora 156 alunos. Depois das orações o Rvmo. Padre Agra, diretor do Colégio de Juazeiro, dirige a palavra aos presentes, dando-lhes as bôas vindas e (convidando-os) a observância do regulamento. Para os novatos houve exame de habilitação terminando as 12hs. (CRÔNICA DA CASA, mar. 1942).
A alegria e o sentimento de pertença são significativos para o alcance dos objetivos da Casa. E isso já poderia ser sentido, tanto por alunos quanto por professores, naqueles momentos iniciais de ação dentro do novo prédio, considerado pelos padres o espaço físico
que daria oportunidade de criar o espaço imaterial da constituição da obra salesiana na cidade. Foi o dia 5 de março de 1942 quando os salesianos reuniram os alunos para
Ensaios gerais de canto e de exercícios físicos pela manhã, seguindo-se animadas partidas de footebol. A tarde os salesianos com o Padre diretor foram de automóvel ao Sítio de dona Maria Ferreira. Os imbus doces e apetitosos, seguidos de saboroso doce de goiaba fizeram o encanto daquele passeio. (CRÔNICA DA CASA, mar. 1942).
Foi grande o movimento da cidade para receber as visitas e autoridades que chegavam de lugares diversos para a inauguração do Colégio:
Com o trem das 11hs. Chega o Rvmo. P. Inspetor vindo de Recife por via terrestre. No mesmo trem veio a representação do Colégio de Cajazeiras acompanhados respectivo diretor Pe. Antonio Câmpelo. Na estação da R.V.C. aguardavam os ilustresvisitantesoRvmo.PadreAgra,oSr.Prefeitomunicipal.ODr.Juvêncio Brito, Juiz da Comarca, o Padre João Damasceno e uma representação do nosso Colégio. De Fortaleza representando os salesianos da Piedade veio o professor João Batista [...].Ànoiteinauguraçãodaluz elétrica fornecida pela usina de Joaseiro. (CRÔNICA DA CASA, abr. 1942).
Continuaram os preparativos para inauguração do prédio. Era um dia nublado e fresco. O padre diretor e o inspetor salesiano, o sr. João Batista e a representação de Cajazeiras aproveitaram a ocasião e foram ao Crato em visita ao bispo.
A solenidade de inauguração do Colégio Salesiano em Juazeiro do Norte ocorreu em forma de evento histórico inesquecível para a cidade, com uma solenidade de instalação oficial, de acordo com a ata da reunião:
Ata da sessão de inauguração do Colégio Salesiano do Juazeiro. Aos vinte e seis (26) dias do mês de abril do ano de mil e novecentos e quarenta e dois (1942), as dez horas e trinta minutos nesta cidade do Joazeiro, Estado do Ceará, no auditórium do colégio, aí presentes o excelentíssimo e reverendíssimo Senhor Dom Francisco de Assis Pires, Bispo Diocesano, que presidiu esta solenidade, o excelentíssimo Senhor Governador da cidade – Cidadão Antonio Pita, o Reverendíssimo Senhor padre Diretor Guido Barra Digníssimo Inspetor casa Salesiana do Nordeste do Brasil, o Sr. Arcebispo do Clero Metropolitano Dom Antônio de Almeida Lustosa [...]. Lavrei a presente ata, Juazeiro, Estado do Ceará, 26 de abril de 1942, 3º Domingo da Páscoa deste ano do senhor de 1942.
Expedito Pereira – Secretário, ad-hoc. (CRÔNICA DA CASA, abr. 1942).
Entre outras coisas citadas na ata, estavam um agradecimento feito pelo padre Agra ao “representante superior dos salesianos, padre Pedro Ricaldone”. O sr. Damião Ferreira da Silva é citado como benfeitor do Colégio; José B. Menezes foi orador oficial dos salesianos.
tornou-se responsável pela formação educacional da juventude rica e, ainda colaborando com a educação de jovens menos abastados, funcionando com aulas gratuitas para o curso primário ofertados nos turnos da tarde e noite, escolas profissionalizantes: mecânica, modelagem e fundição, marcenaria, alfaiataria e a escola agrícola São José, situada à margem da estrada do Crato. Esse trabalho destinava-se aos jovens de famílias menos afortunadas. Temos um relato de Odilon Pereira da Silva, um ex-aluno da Escola Agrícola São José, que pertence ao Instituto padre Cícero. Ele fala sobre a escola:
Não sei a história completa de minha querida Escola Agrícola Salesiana São José, ‘Os Menores’, epíteto que lhe deu o povo em sua genial e multimilenar capacidade de simplificar as coisas. Teria sido, em passado remoto, talvez em seus primórdios, uma casa de recuperação (dizia-se, então, correção) de pequenos delinquentes, ou, talvez, apenas uma instituição governamental para acolher meninos pobres (meninos de rua, seria?) e transformá-los em cidadãos plenos.
Como Escola Agrícola é que a conheci, mas já entregue aos cuidados dos Salesianos, que a transformaram em pré-seminário, ou seminário menor, ou ‘casa de formação’, com a designação específica, tipicamente salesiana, de ‘aspirantado’ [casa de formação de aspirantes à vida religiosa na Congregação de São Francisco de Sales, invenção do padre Giovanni Bosco, São João Bosco, desde 1934, mas conhecido popularmente como, simplesmente, Dom Bosco] (Entrevista: ODILON PEREIRA DA SILVA, out. 2010).
Isto teve continuidade mesmo depois da inauguração. Iniciou-se a mudança para o novo Colégio no dia 8 de abril de 1942 e se estendeu até o dia 18, quando se mudaram definitivamente. A mudança foi feita em carro de boi. Os armários do refeitório foram os primeiros a ser transportados para o devido lugar onde já se encontrava um “ótimo” relógio, presente e lembrança do padre Cícero (CRÔNICA DA CASA, abr. 1942).
A documentação fotográfica da inauguração mostra o nível de aceitação e acolhimento da sociedade sul-cearense, bem como do bispo diocesano, Dom Francisco de Assis Pires, do Crato. Dr. Elysio Figueiredo foi comissionado para proceder à verificação prévia do Ginásio Salesiano São João Bosco.
Assim, teve-se como inspetor do estabelecimento o dr. Elysio Figueiredo, residente na cidade do Crato e inspetores em comissão especial; além do dr. Elysio Figueiredo, o dr. Valdir Gondim Colares, inspetor itinerante do quadro da I.S. de Fortaleza para os colégios e ginásios do interior (informação complementar: exerciam os cargos de inspetores: dr. Adilson Brasil Soares, Solon Farias e Silva, Antonio Aurélio Estelita Silva, Elysio Figueiredo e Maria Haydia Melo Bezerra).
Receberam a visita do bispo Dom Francisco de Assis Pires e o bispo Dom Felipe Conduru, de Ilhéus, acompanhados do monsenhor Assis. Eles percorreram as salas de aulas onde se encontravam alunos e professores em plena atividade. Foram recebidos com calorosas
salvas de palmas. Outros visitantes ilustres apareceram para conhecer o edifício imponente que estava em construção, sendo motivo de orgulho para os padres exibi-lo para as autoridades que se mostravam interessados em acompanhar a evolução desse trabalho.