4.1 Hva er fremmende faktorer i det tverrfaglige samarbeidet?
4.1.1 Personlige egenskaper og ressurspersoner for samarbeid
Em janeiro de 1962, chegou o padre José Ferreira, sacerdote recém-ordenado pertencente à Inspetoria do Nordeste, filho de Juazeiro do Norte. Em festa solene, com a participação de cooperadores, associações, fiéis e até do comércio, tratava-se de um grande acontecimento para a cidade. A festa era ocasião propícia para que os padres falassem aos pais sobre as vocações sacerdotais, visto que este era também objetivo deles na cidade. Chegou o padre Olavo Coimbra. “Vem a serviço das Vocações Salesianas. Fala com os meninos que apresentam indícios de vocação. Fez palestra para os alunos do curso noturno, falando da vida do coadjutor Salesiano, encontrou numerosas adesões”.
Enquanto o padre Celestino cuidava dos aspirantes em 1963, o padre inspetor estava outra vez na cidade. Veio lançar grande campanha de estímulo à devoção de Maria Auxiliadora. Acompanharam-no o padre Olavo e o coadjutor, Benício.
Segundo a Crônica da Casa (set. 1963), mais de 900 alunos fizeram comunhão. Padre Olavo falou com os jovens nas várias séries sobre o problema vocacional. Destes, mais de 100 responderam ao Padre Olavo. “Estes alunos poderão ter reuniões durante o ano e seguidos conservarão mais facilmente a própria vocação neste ambiente difícil.” Esta é uma ação comum, já que se trata de uma escola confessional e, quando o padre Cícero falava que os salesianos deviam fazer em Juazeiro do Norte uma obra completa, parecia referir-se à formação da juventude para o sacerdócio.
Em entrevista, um ex-aluno fala sobre o trabalho realizado pelos padres relacionado ao despertar das vocações:
[...] Então, em todas as épocas era assim a gente não tinha o que fazer realmente como criança, ia para Colégio Salesiano. Foi ali que fiz amizade com os padres. Eu
me lembro bem do Padre Tadeo Baginski, esse era um grande amigo. Então você começava aquela amizade com os salesianos e ia logo despertando a idéia, ser salesiano também.
Como eles tratavam com muita amizade, com aquela presença na hora da igreja, do esporte,dolanche,eraumapresença constante na vida da criança. Aí aquilo segurava muito, você ficava cada vez mais envolvido. O Padre Lourenço Gatti era o diretor – ele queria conversar com a minha mãe, e começou exatamente há dizer que eu tinha vontade de ser padre e ele já começou então a preparar o terreno, começou já estudar como fazer.
Eu tinha dois outros irmãos que não estudavam lá, mas ele conseguiu arranjar que os outros dois ficassem na Escola Agrícola São José, que pertencia aos Salesianos, em Juazeiro [...] (Entrevista: FRANCISCO OSANI DE LAVO, Recife, 2011).
Dom Bosco era o grande exemplo de santidade jovem e sempre era utilizada a sua imagem para auxiliar no trabalho sobre vocações com os alunos. Assim, seguia a rotina do Colégio – cinema à noite, quando se passou a fita de Dom Bosco. A projeção estava muito boa e o padre diretor explicou a vida de Dom Bosco ao passar da película. Enquanto isso, ele teve contato com a história do padre Cícero, por meio de um filme assistido pelos padres Dantas, Luiz e João, e mais os senhores Batista e Egídio, o qual agradou bastante.
O certame catequético foi outro tipo de atividade religiosa a serviço das vocações, que também envolveu toda a sociedade, demarcando um momento importante de interação dos salesianos com a comunidade.
ÉodiadoCertameCatequético.A meninada começa a chegar com grande animação. [...] o salão estava completamente cheio. E assim com a presença da diretora da Escola Normal e das alunas internas e de outras pessoas da sociedade desta cidade iniciamos o certame que constou de catecismo, liturgia e palavras de missa. [...] um dos nossos alunos foi condecorado com a medalha de honra pela diretora da Escola Normal.Terminadoocertamehouverepresentaçõesteatrais. (CRÔNICA DA CASA, nov. 1940).
Essas comemorações com apresentação teatral não representam algo novo na cidade, visto que o professor José Marrocos e a professora Isabel da Luz costumavam organizar apresentações parecidas.
O certame, palavra que significa combate, era uma atividade confessional que constava de uma condensação da doutrina bíblica apresentada aos meninos em forma dialógica. O estudo dessas perguntas e respostas era feito em aulas semanais e terminava com um grande evento do ano. Mobilizava alunos e professores entre tensão, torcida e premiação. No final, os vencedores tinham seus nomes expostos em um quadro de honra.
Em 1949, constam os seguintes vencedores por ordem de classificação: 4ª série, Jesus N. de C. Alencar; 3ª série, Pedro Costa Dias, Hélio Cordeiro Manso, Edilson Cruz Santana; 2ª série, José A. S. Bezerra, José Pereira da Cruz, Sebastião E. de Oliveira; 1ª série, Conrado Costa Dias, Francisco A. Germano, Ancilon A. de A. Junior. Admissão, João de C.
Rozendo, Daniel G. de Lacerda, Hidelgardo L. Marinho; 3º ano, Raimundo Gonçalves, FranciscodeA.Ferreira,JoséAuceliSobreira;2°ano,JoséOliveiraCruz, Francisco Gonçalves, Almique J. dos Santos; 1º ano, Luiz Arraes Almeida, José Geraldo Rodrigues, Antonio M. Gonçalves. (FLOR DO SERTÃO, ano I, n. 3, 1949).
Assim, o ideário do catolicismo na teoria e na prática, no cotidiano escolar, era percebido quando os alunos participavam, também, do certame catequético. Com muito entusiasmo, o ex-aluno Francisco Osani fala que essa atividade o marcou muito, porque ele era muito estudioso e tinha uma participação constante nesse desafio catequético:
Os meninos iam para o teatro, nós íamos para o palco e ficávamos num bombardeio de quem sabia mais o catecismo. E as famílias todas participavam. Em um desses certames eu saí com o 1° lugar, eu tinha 9, 10 anos. Consegui vencer todos os concorrentes. Respondi corretamente todas as perguntas. (FRANCISCO OSANI DE LAVO, Recife, 2011).
Era o momento em que o aluno prestava contas do que aprendeu do programa religioso desenvolvido durante o ano nas aulas de Catecismo. Apresentavam-se diante de uma banca constituída pelas autoridades educacionais e religiosas. Tratava-se de uma competição entre alunos, na qual eles mostravam capacidade de memorização; o vencedor, além de medalha, ganhava a admiração da comunidade educacional.
Apresentada sempre em formato de grande festividade para marcar o objetivo confessional das atividades salesianas na cidade, era o momento em que se definiam marcas diferenciadas de rituais católicos, mais ao estilo italiano, voltados para apagar as marcas de catolicismo popular presentes até então. Em vários momentos, desses anos iniciais da presença salesiana na cidade, já era possível observar atividades com a marca salesiana, como frisam as Crônicas da Casa. Percebe-se, também, que os padres eram pacientes e compreensivos para com as questões locais. Em poucos momentos viram-se desconfortados, a não ser naquele citado anteriormente, quando falavam do Cristo Rei e do Caldeirão.
Os desfiles cívicos constituíam um importante espaço de teatralidade. Embora ainda não tivesse sido inaugurado, o futuro Colégio demonstrava os primeiros sinais de uma educação que envolvia pátria e religião, ação que constituía uma estratégia de fortalecimento da Igreja em relação ao Estado. Foi enfatizada a união entre catolicismo e patriotismo, quando os alunos uniformizados tomavam parte da “grande parada do dia 7 de Setembro” de 1941, tendo havido no dia 5 o desfile da raça, o que eles chamavam de “um grande desfile da juventude”; alunos das turmas diurnas e noturnas sempre estavam juntos nestes momentos especiais. Somam-se neste ano 294 alunos.
[...] os nossos alunos que piedosamente assistiram no Altar da Pátria o Santo Sacrifício da missa. Esses além de desfilarem, participam da missa cantando, e cantam também o hino Nacional e da bandeira, o que representava um despertar nos alunos do espírito nacionalista. [...] os orfeões das nossas escolas executaram o Hino Nacional a três vozes. Foi um verdadeiro sucesso. Os nossos alunos tiraram o primeiro lugar na parada do dia 7. (CRÔNICA DA CASA, set. 1941).
Azzi (1982) nos inspira a entender que o espírito patriótico e nacionalista surgia, naquele período, como saída para resolver problemas deixados pelo Império, no que diz respeito a um exército fortalecido. Era justificativa para que o salesiano promovesse uma educação voltada para o patriotismo, sem contar que existiam, também, questões relacionadas à necessidade de provar que, apesar de ser de origem italiana, os salesianos estavam imbuídos deste espírito nacionalista, ao lado de Olavo Bilac, encarregado então de promover este espírito junto à juventude.
O Boletim Salesiano ressalta o clima de patriotismo e entusiasmo pelos militares, citando em discurso de Aquino Correia que diz: “[...] Amo o soldado, porque foram sempre a Igreja e o Exército, as duas maiores escalas do heroísmo, porque a cruz e a espada foram sempre os dois mais sublimes bordões dos heróis na luminosa estrada de ascensão humana” (1916, p. 107).
A característica de espontaneidade e liberdade da pedagogia de Dom Bosco foi substituída por uma disciplina autoritária e militarista, em razão da necessidade que os salesianos sentiam, naquele momento, por questões de sobrevivência da Congregação no Brasil. Portanto, a presença militar e sua influência nos desfiles de 7 de Setembro eram uma característica da educação salesiana no Brasil, na busca de sobrevivência em momentos críticos de transição política; era necessário adaptar-se.
Momentos que marcam uma educação cívica no Colégio podem ser vistos nos alunos que dali saíram alcançando altos postos no Exército Brasileiro. Era o momento em que o sistema educativo de Dom Bosco “preventivo” é substituído pelo “repressivo”.
Esta educação militarizada é, também, característica da própria sociedade brasileira, com uma tendência maior em aceitar valores de ordem autoritária, originada da Filosofia positivista, do que os de liberdade, mais característicos do pensamento liberal (AZZI, 1982).
Se analisarmos o fato de que a História do Brasil mostra um culto exagerado aos heróis, “vultos da pátria”, com uma tendência maior à organização social e política autoritária do que liberal, acredita-se que havia uma grande dificuldade de adaptação da filosofia de Dom Bosco no contexto nacional. Em se tratando de Juazeiro do Norte, ainda existia um agravante,
que era a luta entre catolicismo popular versus catolicismo romanizado, permeado por questões político-partidárias. O projeto educacional do padre Cícero foi sendo reescrito por seus herdeiros, afastando-se dos ideais por ele preconizados.
E assim seguia a escola com essas exibições, constituindo o perfil de melhor escola da cidade, lugar apropriado para o refinamento da juventude.
A comemoração do Estado Novo, no dia 10 de novembro, foi outro indício dessa formação nacionalista. Estavam presentes os alunos, participando e criando os novos rituais que parte dessa sociedade que estavam formando. Juazeiro do Norte está inserida no âmbito nacional, como era o desejo do padre Cícero: não ser ignorado nem pela Igreja de Roma nem por nossa Pátria.
Ao longo dos anos, a presença salesiana em Juazeiro do Norte foi percebida e admirada pela população local com origem nas comemorações religiosas, inicialmente, e cívicas. Acreditamos que as festividades do mês de setembro de 1941 foram um marco inicial desta jornada, que continuou por muitos anos e foi sendo readaptada às novas situações, acompanhando o progresso da cidade.
Raimundo Rodrigues Araújo41 foi aluno do Colégio nos anos de 1950. Suas lembranças da festa da Pátria são parecidas em termos sentimentais com alunos das décadas seguintes:
Os desfiles de 7 de Setembro, para mim, têm um significado de ordem pura e simplesmente saudosista. E as lembranças dos mesmos são de cunho romântico e poético. Jamais esquecerei os desfiles do Colégio Salesiano acontecidos no dia da Pátria nas ruas do nosso Juazeiro. É de se devanear com a lembrança do esplendor daquela apoteose! (Entrevista: RAIMUNDO RODRIGUES ARAUJO, Juazeiro do Norte, 2009).
Seguindo a mesma forma de pensar sobre o Colégio e os desfiles, o ex-aluno Osani relembra o dia 7 de Setembro como uma coisa maravilhosa. Para ele, não era somente o belo desfile – era o Dia da Pátria, comemorado “com muito garbo e com muita elegância. O Colégio era o mais primoroso de todos. A farda era toda branca, tinha um palapardo, um símbolo que ficava sobre o peito, uma fivela grande, com botões cor de ouro e tinha um quepe”.
41 Raimundo Rodrigues Araújo, ex-aluno do Colégio Salesiano, é escritor e jornalista. Residente em Juazeiro no
Foto 17 – Francisco Osani de Lavo, com farda de gala (1950).