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Planlegging, utvalg og gjennomføring av datainnsamlingen

Arquivo: Renato Casimiro e Daniel Walker38.

38 De acordo com Renato Casimiro e Daniel Walker: da esquerda para a direita, sentados: dr. Edvard Teixeira

Férrer, promotor de justiça; Antonio Gonçalves Pita, prefeito municipal de Juazeiro do Norte; mons. Joviniano da Costa Barreto, pároco da Igreja-Matriz de Nossa Senhora das Dores; Dom Francisco de Assis Pires, bispo Diocesano de Crato; padre Antonio de Almeida Agra, diretor da comunidade Salesiana em Juazeiro do Norte; dr. Juvêncio Joaquim de Santana, juiz de Direito da Comarca de Juazeiro do Norte e padre Guido Barros, inspetor salesiano. Da esquerda para a direita, em pé: não identificado; José Bezerra de Melo; não identificado; não identificado; dr. Gregório Callou de Sá Barreto; José Bezerra de Menezes; não identificado; cap. Manuel Gonçalves de Araújo, delegado regional de polícia; não identificado, padre Davino Ferreira, da comunidade salesiana de Juazeiro do Norte; não identificado; Odílio Figueiredo; Antonio Soares da Silva; não identificado.

registrando a chegada dos padres salesianos à cidade. Chegaram à cidade e iniciaram as atividades, procurando o entrecruzamento de culturas.

4.2 Instalação oficial da Congregação Salesiana

Com a morte do padre Cícero em 1934, os bens ficaram à disposição dessa Congregação, mas somente em 1939 apareceram para tomar posse da herança. Em razão da longa ausência, muitos dos bens foram ocultados, como comenta o sr. José Ferreira de Menezes, na carta endereçada ao padre José Bizerra, em 17 de julho de 1935, e esse foi um grande problema encontrado pelos padres salesianos, mesmo antes que chegassem a Juazeiro do Norte.

Conforme Ata da sessão de instalação oficial da Congregação Salesiana em Juazeiro do Norte, elaborada em 31 de março de 1939,

OsSalesianosacompanhadosdoSr.D.Franciscoe do Cel. Ananias Arruda chegaram a esta cidade às 8 horas da manhã, o Reverendíssimo Inspetor da Companhia, Padre Antonio Agra, digo o reverendo Padre Antonio Agra celebrou em frente à Matriz uma missa campal, após a qual S. Excia. D. Francisco Pires apresentou ao povo de Juazeiro os padres recém chegados, dizendo da sua obra maravilhosa que em breve se processaria nesta cidade. O inspetor da companhia Padre Guido Barra agradeceu comovidíssimo.

Os primeiros personagens dessa história de implantação do Colégio Salesiano são os padres: Guido Barra – Inspetoria; Provincial – padre Antonio de Almeida Agra; diretor do futuro Colégio – padre Davino; e o bispo de Crato, Dom Francisco de Assis Pires. Levariam adiante as negociações, então com o intuito de que essa obra fosse elaborada em conformidade com a Diocese de Crato e aceita pela população, que, dessa forma, faria as pazes com a Igreja Católicaaceitandoobra que era fruto, também, da luta dessa Diocese para benefício da cidade. O rescrito com que o reitor-mor promulgou o Decreto de ereção canônica, cujo número é 423/39. A casa foi erigida canonicamente com o Decreto nº 1.259/39, de 7 de março de 1939, que contava São Francisco de Sales como padroeiro dessa Casa. (Arquivo Central da CASA GERAL, ROMA, 2010).

A chegada dos salesianos foi vista com muito otimismo pela população local, entre aqueles que estavam presentes e que foram citados na ata e na “crônica da casa”. O ato oficial de instalação da Congregação aconteceu na sede social do Círculo de Operário e Trabalhadores Católicos São José. Estavam presentes: Dom Francisco de Assis Pires, bispo Diocesano,

padre Guido Barra, inspetor dos salesianos do norte do Brasil, os padres Antonio de Almeida Agra e o padre Davino Ferreira que constituíram residência de Juazeiro do Norte, o prefeito municipal, cel. Antonio Pita,o vigário, monsenhor Joviniano da Costa Barreto, o padre Orlando Tavares, o padre José Correia, vigário de Barbalha, Odílio Figueiredo, presidente do Círculo Católico, Amália Xavier de Oliveira, diretora da Escola Normal Rural, o cel. Ananias Arruda, prefeito de Baturité, Ceará e procurador dos salesianos, nesta cidade, o sr. Deusdete Maia, suplente de juiz, Luiz Teófilo Machado, tabelião, dr. Mário Malzone, dr. Mozart de Alencar, Neli Sobreira, Generosa Ferreira Alencar, Doralice Matos, Alacoque Bezerra, José Bezerra de Melo, Olga Sobreira, Manoel Francisco Germano, o coletor estadual, José Fausto Guimarães.

À vista desses nomes e de outros que assinam a ata de instalação, temos configurada uma representação da sociedade de então, representando os “filhos da terra”, bem como os romeiros, dos distantes segmentos da população, manifestando igual interesse no trabalho e nas benfeitorias que eles trariam para a cidade.

As palavras do bispo traduzem pontos fundamentais dessa história. Primeiro, o trabalho realizado pela tarefa de educar a juventude, habilitando-a para o exercício de uma profissão e para a religião, mostra a compatibilidade de intenções, deixando claro que era a vontade do padre Cícero, Dom Francisco diz em seu discurso:

[...] cumprindo as vontades do inesquecível Padre Cícero Romão Batista, que em testamento lhe legara a maior parte dos seus bens, a fim de que fundassem nesta cidade uma escola para educação profissional e ensino primário, destinada aos meninos pobres desta propalada cidade, conseguindo o assentimento do superior da congregação aceitaram e aqui estão nesta hora, recebendo solenemente das suas mãos a investidura de ‘benfeitores da juventude de Juazeiro’, desprotegida da sorte [...] integrada no convívio social.

“Uma enchente de gente descomunal” eram essas as palavras utilizadas pelo padre Agra ao escrever a primeira CrônicadaCasa, após a solenidade de abertura da obra salesiana na cidade. Assim, no dia 1º de abril de 1939, tem-se um padre surpreso com o que observa:

A notícia da chegada dos Salesianos se avoluma, a cidade ainda vibra e parece em festa. Aflui gente a cidade para tomar a bênção dos ‘Santos Padres’. Houve missa celebrada pelo Padre Agra que falou ao evangelho a mais de 2 mil pessoas. (CRÔNICA DA CASA, abr. 1939).

Era grande o número de pessoas que queriam se confessar. O movimento chegou ao auge, pois trabalharam até as 2 horas da madrugada. Muitos queriam se aproximar para entregar aos padres o que o pe. Cícero lhes confiara. Padre Agra se dividia entre os trabalhos litúrgicos, educacionais e de inspeção para conhecer e tomar posse dos imóveis que possuíam.

A chegada dos salesianos deixou a cidade em festa durante muito tempo, e, na medida em que a notícia corria, muita gente se aproximava deles para se confessar e tomar a benção dos “santos padres”, assim chamados pelo povo simples desse lugar. As missas celebradas por eles passaram a ter uma grande quantidade de gente; as confissões, também, não pareciam ter fim, se estendiam até as duas horas da madrugada. Outros queriam entregar aos padres aquilo que o padre Cícero lhes confiou. Receberam telegramas de congratulações e de bênçãos do núncio apostólico e do arcebispo de Fortaleza.

Dom Bosco passou a fazer parte da vida religiosa da cidade. Este foi o primeiro impacto religioso causado pela chegada da Congregação, pois a população da cidade passou a conhecer e cultuar um novo santo. Os padres continuaram seu trabalho espiritual. Tinham a missão de pregar sobre Nossa Senhora Auxiliadora, Dom Bosco e Domingos Sávio.

O trabalho que eles desejavam fazer com a população ainda não era possível, naquele momento, por não possuírem uma igreja própria. Mostram-se, também, mais à vontade, quando, a partir do dia 12 de maio de 1939, mudou para sua casa, o que os deixou mais aliviados, por se sentirem em casa de verdade. Ainda não conseguiam, porém, fazer um trabalho religioso da forma como achavam necessário, por não terem ainda uma Igreja própria. Enquanto isso, utilizavam a Capela do Círculo Operário São José.

A demonstração de carinho da população não tinha fim. A cada dia os salesianos recebiam mais visitas e presentes. Padre Agra começou a tomar posse dos bens. Um deles foi o sítio Catolé, que antes estava arrendado à beata Mocinha. O pároco continuou o seu trabalho na cidade dividido entre funções administrativas, por meio das inúmeras visitas aos sítios por ele herdados, as viagens a Fortaleza, Recife e outras cidades mais próximas onde se encontrava com autoridades para resolver problemas de interesse da Congregação e, também, realizar as funções da igreja.

Padre Agra celebrou uma missa na capela improvisada no próprio oratório, onde pôde contar com trinta oratorianos e umas cinquenta pessoas, embora fosse um dia de muita chuva. À tarde compareceram ao catecismo cerca de oitenta e cinco meninos. A “[...] procissão do Corpo de Deus causou profunda comoção à atitude de nossos oratorianos. Rezavam e cantavam piedosamente”. (CRÔNICA DA CASA, maio 1939).

[...] o batalhão compacto de oratorianos, muitos deles sujos e mulambudos, mas compenetrados do próprio dever, de livrinhos de oração aberto a soltarem seus cânticos novos para a terra e agradáveis para todos os ouvidos num côro uníssimo em homenagem ao Rei dos Reis. (CRONICA DA CASA, maio 1939).

oratorianos foi a cremação das cartas à Virgem Santíssima. “Enquanto espirais de incenso subia ao céu, os meninos entoavam hinos”. O fato acontecia no final do mês de maio quando eram convidados a escrever bilhetes ou cartas a Nossa Senhora Auxiliadora, fazendo pedidos e agradecendo favores.

É um dos trabalhos mais importante que compõe a obra salesiana, sendo o ponto alto das suas ações junto à juventude pobre, em todos os lugares onde se instalam. Naquele período registraram o número de 85 meninos assistindo ao catecismo e missas bem frequentadas e os registros mostram que a frequência aumentava a cada mês, passando em maio para quase 100 meninos e depois 120. Era costume, após as aulas, os alunos dirigem-se para a residência dos padres, na rua Padre Cícero, para rezar as orações da noite, constituindo uma ação importante de aproximação da juventude com os padres.

Os irmãos educadores e demais docentes e colaboradores foram importantes para união de esforços que possibilitaram o trabalho com educação escolar da juventude, que teve início no mês de outubro de 1939, quando foi inaugurada a Escola do Horto, com 100 vagas, para crianças de ambos os sexos: “foram colocadas duas professoras às nossas custas”. (CRÔNICA DA CASA, out. 1939). O Horto é, até hoje, um dos bairros onde se concentra considerável número de católicos “fanáticos” e muita pobreza. Não encontramos mais informações sobre a continuidade e, mesmo, o fim dessa escola.

Em janeiro de 1940, chegou o padre Davino, que, de acordo com Cícera Viana da Silva,“Comentam que houve verdadeira atração do povo da época em torno desse sacerdote o modo como os antepassados se referem a ele, tudo indica que teve grande influência evangelizadora, o chamavam de meu ‘Padim Davino’”. Ele veio do Recife em companhia do clérigo Saraiva, que veio se juntar à comunidade salesiana na cidade. Ele começou ajudando com o catecismo da paróquia. Até aquele momento ainda não era possível organizar da forma devida, o Oratório Festivo. Mas, em 28 de abril do mesmo ano, “Inauguramos a sede provisória do Oratório Festivo em uma das nossas propriedades é a casa de dr. Floro. Foi criada e conservada para o Oratório”. (CRÔNICA DA CASA, abr. 1940).

No dia 1º de abril de 1940, ainda segundo a Crônica da Casa, dá-se a inauguração das aulas noturnas. São bem frequentadas e funcionam em uma das salas da casa dos padres. Havia, inicialmente, 25 alunos matriculados e frequentando regularmente. “Ensina-se a ler e a escrever e principalmente a rezar e Já cantam e rezam bastante bem”, comenta o padre Agra. No mês de maio, inaugura a sede das aulas noturnas em uma de suas casas situada à rua São José. Naquele momento registram a matrícula de 93 alunos, marcando o início de uma profunda e importante intervenção na vida social e cultural da cidade, que aconteceu entre os

anos de 1939 e 1940.

Foto 3 – Alunos do Oratório Festivo e o padre Agra (1942).