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TV P REACHING IN THE P UBLIC S PHERE – I NTERPRETATIONS

In document Two Narratives of Islamic Revival (sider 69-74)

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2.4 TV P REACHING IN THE P UBLIC S PHERE – I NTERPRETATIONS

A caracterização dos agregados familiares é baseada nas respostas dos inquiridos em relação à sua própria situação, assim como, face aos restantes elementos que compõem o agregado, compreendendo questões referentes aos seguintes variáveis: sexo, idade, grau de parentesco em relação ao inquirido, estado civil, naturalidade, nacionalidade, nível de ensino mais elevado concluído, principal fonte de rendimento, condição perante a ativida- de económica, profissão, situação na profissão, local de trabalho ou estudo.

A aplicação dos inquéritos permitiu reunir informação relativa a 6.809 pessoas, incluindo os 1.599 indivíduos respondentes. No referente à distribuição das pessoas que compõem os agregados por sexo, verificou-se que 48,7% são mulheres e 51% são homens.

Figura 20

Distribuição dos membros do agregado por género

Conforme se pode depreender a partir da tabela 8, a amostra revela agregados bas- tante jovens, não obstante um intervalo de idades amplo. A idade média é de 24 anos e apenas 25% dos elementos que compõem os agregados tem mais de 35 anos. Estamos assim perante uma população muito jovem como atestam outros estudos (Mendes, 2005 e 2007; Bastos, Correia e Rodrigues, 2007; REAPN e FSG, 2009) e os resultados recolhidos no âmbito do presente estudo e resultantes da aplicação dos outros instrumentos de pesquisa.

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Tabela 8

Estatísticas sobre a idade dos elementos dos agregados familiares, em Nº de anos

Moda QuartilQuartilQuartil3º Média Desvio Padrão Min. Máx. Intervalo

3 9 20 35 23,8 17,8 0 94 94

Considerando a distribuição por sexo e escalões etários, parece sair reforçada a ideia inicial de comunidades ciganas jovens. De facto, a pirâmide revela uma base relativa- mente alargada, a qual se vai estreitando à medida que se caminha para o topo. A proporção de homens e de mulheres nas faixas etárias entre os 0 e os 29 anos é sempre superior à pro- porção presente nas faixas etárias acima, diminuindo o quantitativo de homens sobretudo a partir dos 55 anos de idade, sendo assim clara a maior presença (e longevidade) das mu- lheres nos grupos de idades mais avançadas.

Figura 21

Pirâmide etária dos agregados familiares

A maioria dos agregados familiares em análise é composta pelos filhos(as) (43,0%) e pelos cônjuges/companheiros/as (18,6%), ou seja, famílias nucleares com um núcleo ape- nas (Mendes, 2005 e 2007; Bastos, Correia e Rodrigues, 2007), seguidos dos pais e mães e dos irmãos/as (3,7% e 3%, respetivamente). O que em certa medida contraria a representação de senso comum sobre a prevalência da família alargada.

Os restantes membros dos agregados dividem-se entre netos/as e bisnetos/as, no- ras e genros, e sogros/as (respetivamente, 2,8%, 1,5% e 0,8%) e outros graus de parentesco, como enteados/as, avôs e avós, cunhados/as, primos/as, sobrinhos/as e tios/as.

Assim, e em média, pode dizer-se que os agregados familiares são compostos por 3 elementos.

Figura 22

Composição do agregado familiar quanto ao grau de parentesco para com o respondente

No que respeita ao estado civil, os elementos que compõem estes agregados são maioritariamente solteiros (41,9%), facto que está em consonância, por um lado, com a ele- vada proporção de filhos(as) nos agregados (recorde-se, 43,0%) bem como, por outro lado, com o peso dos jovens abaixo dos 19 anos (48,7%). Existe também um elevado número de pessoas casadas e em união de facto, representando 13,8% e 31,5%, respetivamente. É muito residual a presença de viúvos, separados de facto e divorciados.

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Figura 23

Estado civil dos membros do agregado familiar

No que se refere à naturalidade, 65,6% dos elementos dos agregados são naturais do concelho onde residem, o que indicia uma certa estabilidade em termos de enraiza- mento territorial. Dos restantes, 4,2% é natural de Lisboa, seguindo-se o concelho do Porto (2,3%), Beja (1,9%), Faro (1,3%), Évora (1,2%) e Coimbra (1,1%).

A esmagadora maioria dos inquiridos e elementos dos agregados são de naciona- lidade portuguesa. No entanto, surgem indicados 0,7% de membros com nacionalidade es- trangeira (28 pessoas de nacionalidade espanhola, 7 brasileira e 1 pessoa de cada uma das seguintes nacionalidades: angolana, argentina, norte-americana, indiana, moçambicana e venezuelana).

A caracterização da distribuição dos elementos do agregado por níveis de ensino mais elevado concluído ou completo encontra-se refletida na figura 24, revelando que: i) 15,5% são analfabetos; ii) cerca de 30% não tem o 1º ciclo completo, nem nunca frequenta- ram a escola; iii) aproximadamente 39% completaram apenas o ensino básico, maioritaria- mente o 1º ciclo e só cerca de 6% o 3º ciclo; e iv) apenas 2,5% completou o ensino secundá- rio ou acima (148 casos com ensino secundário, 16 casos com ensino médio/profissional, 1 caso com bacharelato e 5 casos com licenciatura). De uma forma geral estes dados estão em linha com os estudos disponíveis em Portugal e que demonstram que as pessoas ciganas apresentam níveis de escolaridade obrigatória baixos (Bastos, Correia e Rodrigues, 2007; Mendes, 2007; Nicolau, 2010).

Figura 24

Níveis de ensino dos elementos do agregado familiar

Quando se cruza esta variável com o género (figura 25), verificam-se algumas di- versidades. Assim, existem mais mulheres sem saber ler e escrever do que homens; há mais mulheres com o 1º ciclo e a presença das mulheres tende a diminuir à medida que subimos no patamar dos níveis de ensino. As desigualdades de género são ainda muito marcantes, já que as mulheres ciganas têm um nível de escolaridade ainda mais baixo do que os homens sendo raros os casos em que ultrapassam o ensino básico (1º ciclo). Num estudo recente- mente publicado e que se focaliza nos percursos de integração das pessoas ciganas, verifica- se que mesmo entre as pessoas com este perfil, as mulheres detêm níveis de escolaridade inferiores aos dos homens (Magano, 2014).

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Figura 25

Distribuição dos níveis de ensino dos elementos agregados familiares por sexo

Por outro lado, se analisarmos os níveis de escolaridade atendendo às idades (figu- ra 26), no que respeita às crianças até aos 5 anos de idade, a larga maioria frequenta o pré- escolar. Na faixa etária seguinte predomina a frequência do 1º ciclo, embora 1,5% já o tenha concluído.

Quanto aos jovens entre os 10 e os 14 anos verifica-se uma forte presença nos 1º e 2º ciclos e uma percentagem menos expressiva no 3º ciclo. Ou seja, a frequência escolar vai diminuindo à medida que a criança se aproxima da adolescência.

No grupo etário entre os 15 e 19 anos é onde se verifica a maior percentagem de pessoas com o 3º ciclo e ensino secundário; é também bastante elevada, comparativamente a outros grupos etários a proporção de pessoas com o 1º e 2º ciclos.

É nos grupos com mais idade (acima dos 50 anos) que se nota uma maior concen- tração de pessoas que não sabem ler nem escrever.

Figura 26

Níveis de ensino dos membros do agregado familiar por escalões etários

As principais fontes de subsistência dos agregados familiares dos indivíduos ba- seiam-se no apoio da família (33,8%) e no Rendimento Social de Inserção (33,5%). No en- tanto, o trabalho também assume alguma relevância (9,1%). A pensão/reforma (3,8%), o apoio social (1,8%) e os biscates (1,7%) são outras das fontes de rendimento indicadas.

Relativamente a outras situações referidas, a mais comum foi o abono (de doença, de família, de deficiência, etc.) (1,4%): outros referiram que não havia qualquer tipo de ren- dimento ou que a pessoa responsável pelo rendimento familiar estava detida.

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Figura 27

Fontes de rendimento dos membros dos agregados familiares

Talvez justificado por a maior parte dos agregados familiares serem compostos por efetivos jovens, a maior parte das respostas relativas à condição perante a atividade eco- nómica concentram-se na opção estudante (24,7%). A seguir a esta, e complementando a informação das fontes de rendimento, observa-se que uma percentagem relevante reve- lou estar desempregado (16,1%), seguindo-se, os ativos com profissão (10,7%). No entanto, deve ser ressalvado que foi percebido, durante o trabalho de campo, que alguns dos inqui- ridos que se declaravam como desempregados, desempenhavam alguma atividade laboral, contudo, esta por ser de natureza informal (biscates, vendas, tarefas agrícolas) os inquiridos optaram por subvalorizá-la. Uma questão pertinente, remete também para as concepções sobre o que se entende por trabalho. Por exemplo, num campo de resposta aberta, um in- quiridor anotou “nunca trabalhou, só como vendedor ambulante” o que nos remete para o não reconhecimento pelos próprios ciganos da venda ambulante como “trabalho”. O que resulta de uma interpretação do termo trabalho que o associa, exclusivamente a trabalho pago mediante salário, por conta de outrem, ignorando as situações de trabalho doméstico não pago ou serviço comunitário voluntário, por exemplo (Scott e Marshall 2005: 188 e 703).

Figura 28

Condição perante a atividade económica dos membros do agregado familiar

Em relação à distinção de ocupações entre homens e mulheres, verifica-se que há uma percentagem maior de mulheres domésticas, reformadas e que nunca trabalharam do que homens. Em contrapartida, existem mais homens ativos com profissão, desemprega- dos, inválidos/reformados e estudantes do que mulheres.

Figura 29

(177) A profissão mais mencionada pelos inquiridos é a venda ambulante (14,0%), segui- da do trabalho agrícola (3,0%), das limpezas, na qual se inclui os serviços domésticos (1,1%), comerciante (0,7%) e trabalho na construção civil (0,6%).

A situação na profissão mais referida é a de trabalhador por conta própria sem em- pregados (12,6%), seguida de trabalhador por conta de outrem (0,8%).

Figura 30

Situação na profissão dos membros do agregado familiar

O local de trabalho ou estudo mais referido foi o concelho de residência (41,7%), no entanto, 4,1% refeririam estudar noutro concelho e mesmo 0,3% no estrangeiro, o que revela uma fraca mobilidade geográfica para o exercício de actividades profissionais e de frequência escolar.

Figura 31

Local de trabalho ou de estudo dos membros do agregado familiar

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