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3. Teori

3.2 Multimodalitet og multimodale tekster

3.2.1 TV-bildenes meningspotensial

a documentação e o registro das atividades do cuidado farmacêutico.

Neste capítulo inicial são apresentados os resultados referentes à estruturação, adaptação e aplicação dos instrumentos referentes ao macro-componente da AF: documentação e registro

contínuo e sistemático das atividades clínicas, mensuração e avaliação dos resultados, em

específico para o cuidado das PVHIV/AIDS.

5.1.1. Ficha de Acompanhamento Farmacoterapêutico (FAFT): A ficha de acompanhamento farmacoterapêutico do paciente HIV positivo foi estruturada de forma a contemplar sete blocos, cada um objetivando obter informações específicas a serem registradas durante a entrevista do AFT individualizado. O processo de elaboração da ficha contemplou, passo a passo, as peculiaridades da população estudada e a viabilidade de aplicação no serviço.

O “bloco A” contemplava uma seção única com 25 questões sobre os dados pessoais e o estilo de vida do paciente e era preenchido com base nas informações obtidas na primeira entrevista e na análise do prontuário do paciente. Este bloco foi dividido em dois subitens: o primeiro, “Dados do paciente”, define o perfil social do paciente (sexo, idade, estado civil, raça, escolaridade etc.), além de sua situação econômica e atividade laboral; e o segundo, que inclui informações sobre o “Estilo de vida”, como hábitos de vida (consumo de álcool, drogas lícitas ou ilícitas), atividades físicas, religiosas e recreativas.

O “bloco B” foi aplicado durante a primeira entrevista e preenchido de acordo com as informações obtidas do paciente e da análise do seu prontuário. Contemplava os dados farmacoterapêuticos e de AF. Esse bloco foi subdividido em sete seções (de II a VIII), as quais abordam os seguintes temas: II) Anamnese farmacêutica remota; III) Anamnese farmacológica referente à automedicação e aos medicamentos rotineiramente utilizados nos últimos 30 dias, exceto os ARV; IV) Problemas gerais que podem interferir no tratamento; V) Avaliação do conhecimento do próprio paciente sobre a doença, forma de contrair/transmitir o vírus, tratamento, formas de prevenção e complicações da doença; VI) Dados sobre a TARV e adjuvantes, local e tempo de diagnóstico, presença de sinais e sintomas à época do início da TARV, esquemas de

tratamento antirretroviral inicial e secundários, dentre outras informações; VII) Problemas relacionados aos medicamentos antirretrovirais, registrando também as IF realizadas e, ainda, VIII) Exames laboratoriais realizados, tomando como base a consulta ao prontuário.

O “bloco C”, composto de 14 questões, visou desenhar o perfil de adesão dos sujeitos à TARV e afins. Neste bloco, estava inserido um questionário desenvolvido por DELGADO e LIMA (2001) intitulado “Medida de Adesão aos Tratamentos (MAT)”, composto por sete questões fechadas e complementado por quatro questões abertas, estruturadas a partir de uma adaptação do teste de Morisky (MORISKY et al., 1986). Estas questões tinham o objetivo de aprofundar as informações fornecidas no questionário e eram aplicadas no segundo encontro com o paciente e em todos os meses subsequentes.

Por sua vez, o “bloco D”, composto por seis questões, visava coletar outras informações, permitindo ao farmacêutico obter dados extras que possibilitem o entendimento amplo da situação do entrevistado, abordando temas como: alteração da rotina de vida diretamente ligada aos ARV, conhecimento acerca de IM, dificuldades na obtenção dos medicamentos, cuidados em relação ao armazenamento dos medicamentos e na administração dos mesmos, bem como o apoio familiar para realização do tratamento. Este bloco era preenchido no segundo encontro, em uma única vez.

O “bloco E” contava com oito questões sobre o atendimento e a relação do paciente com o Serviço de Farmácia e ênfase para a assistência prestada pelos outros profissionais da equipe multidisciplinar específica do paciente soropositivo. O farmacêutico responsável pela aplicação desse bloco realizava esta atividade no quinto encontro. Dentre as informações abordadas no “bloco E” estava a relativa satisfação do paciente com a TARV e o atendimento do Serviço de Farmácia, confiança na equipe médica e informações fornecidas pela equipe multidisciplinar quanto à finalidade do tratamento, efeitos adversos da TARV, IM e armazenamento dos medicamentos.

O “bloco F” consistia no “Questionário de Satisfação do Paciente com Relação ao Farmacêutico e ao Programa de Atenção Farmacêutica” adaptado por LYRA JÚNIOR et al. (2005), abrangendo 14 questões objetivas sobre o atendimento do farmacêutico-pesquisador e sobre as informações prestadas por esse profissional, além de duas questões subjetivas sobre a percepção do paciente em relação à importância do farmacêutico para sua saúde e a importância da participação em um programa de AF. A aplicação deste bloco é proposta ao final do AFT.

Por fim, tem-se outro bloco G, relacionado à análise humanística dos indicadores da AF. O questionário traduzido e validado por CICONELLI (1999) para avaliar a qualidade de vida dos

pacientes deste estudo foi escolhido porque este tipo de

instrumento genérico pode avaliar com acurácia os diferentes aspectos relacionados à saúde e mostram o impacto que uma doença afeta em um indivíduo em particular (CICONELLI et al, 1999; FAYERS, MACHIN, 2000).

Para a avaliação da viabilidade e da necessidade de ajustes no instrumento, realizou-se um estudo piloto a partir do dia 1ª de setembro ao dia 31 de outubro de 2008 com 25 pacientes atendidos no centro de especialidades do estudo. Como indicador de processo, durante o piloto, verificou-se que o tempo médio de aplicação dos blocos da ficha de AFT foi de 40 minutos no primeiro encontro e de 15 minutos nos encontros subsequentes. Dentre os pacientes, 14 eram do sexo masculino (56%) e a idade média foi de 37 anos. Quanto ao tempo de diagnóstico da infecção, a maioria o havia recebido há, no máximo, um ano. O estado civil mais citado entre os entrevistados foi o solteiro.

No que diz respeito aos indicadores de resultados farmacoterapêuticos, os problemas relacionados aos ARV e às IF foram, inicialmente, registrados na ficha de AFT. No entanto, para estes indicadores, notou-se a necessidade de se fazer ajustes no instrumento matriz do AFT devido ao espaço exíguo e à pouca operacionalidade decorrente do fluxo de preenchimento do Método Dáder. Assim, foi elaborado um novo instrumento de documentação de registro para PRM e IF específico para este estudo de forma a otimizar o processo de coleta, tabulação e análise dos dados (APÊNDICE 4 - Quadro de categorização sistemática dos PRM, Intervenções Farmacêuticas e demais parâmetros do AFT).

Como resultados, foram identificados 322 PRM representando um total de 12,9 PRM/paciente. Considerando apenas os PRM reais (n=217; 67,4%), ou seja, aqueles que realmente aconteceram, o PRM-5 (relacionado à segurança do medicamento que não é dose-dependente, n=153; 70,5%) foi o mais evidenciado, seguido pelo PRM-4 (relacionado à efetividade do medicamento e depende da dose/ adesão, n=33; 15,2%) e PRM-1 (relativo à necessidade de se ter o medicamento/não-adesão, n=29; 13,4%). Ao longo do AFT, foram realizadas 295 intervenções farmacêuticas, prontamente registradas na ficha, se aceitas ou não, pelos atores envolvidos (farmacêutico-paciente; farmacêutico-paciente-médico; farmacêutico-médico).

Levando-se em consideração que a documentação/registro é um macro-componente estratégico da AF e, tendo em vista a necessidade de harmonização dos procedimentos e condutas durante a implantação de uma Unidade de Cuidados Farmacêuticos dentro de um contexto do SUS, a FAFT para as PVHIV/AIDS foi estruturada em uma perspectiva ampla alinhada nas bases filosófica-operacionais do cuidado farmacêutico (aspectos clínicos, focados nas necessidades de cada pessoa e com abordagem humanística), buscando sua aplicabilidade no cenário brasileiro da AF. Assim, obteve-se como resultado um instrumento de registro farmacoterapêutico em âmbito ambulatorial para esta população-alvo (APÊNDICE 3 – FAFT).

No decorrer do estudo, outras ferramentas de registros do cuidado farmacêutico foram elaboradas a partir das demandas que surgiam no Serviço de AFT. Dentre essas, podem-se destacar o Folder de Orientação Farmacêutica (APÊNDICE 5) para PVHIV/AIDS. Ainda, buscando promover uma maior segurança na farmacoterapia antirretroviral, foi estruturado um Guia de

Bolso prático para consulta rápida sobre as principais IM, envolvendo esses medicamentos

(APÊNDICE 11 – Guia de Interações).

Na perspectiva de incrementar o processo de comunicação entre a tríade farmacêutico- usuário-médico assistente, além de buscar fortalecer a efetividade e asegurança do plano terapêutico proposto, foi estruturado um Informe Farmacoterapêutico (Ficha de Contra-Referência Farmacêutica) da pessoa vivendo com HIV/AIDS (APENDICE 12) adaptado de Reis (2005) contemplando os seguintes parâmetros:

Apresentação do paciente: foram enunciados dados pessoais do paciente.

Medicamentos utilizados/prescritos: dados farmacoterapêuticos, de informação relevante, relacionando os medicamentos de sua doença de base (os que tiveram algum PRM real ou potencial e que necessitaram de IF com validação médica).

Queixas, sinais e sintomas relacionados com o problema de saúde que determinaram ou influenciaram no aparecimento do PRM.

Parecer do farmacêutico: relação possível do problema de saúde com os medicamentos, uma vez que foram estudados todos eles. Sugestão do farmacêutico para solucionar o problema.

Despedida: foram feitas as recomendações devidas; o pesquisador colocou-se à disposição da PVHIV/AIDS e do médico (contatos impressos no instrumento com o número de telefone e o e-mail) para elucidação de quaisquer dúvidas, bem como para ratificar o compromisso social e ético com o usuário.