ULYKKER
SCENARIO 9: TUNNELBRANN PÅ E6 GJENNOM SØRFOLD 9.1 Forutsetninger 9.1 Forutsetninger
O termo stakeholder, definido originariamente em 1963 pelo Stanford Research Institute (SRI) como “indivíduos cuja existência é fundamental para que uma corporação exista”, sofreu poucas evoluções até que Freeman (1994) definiu que a Teoria dos stakeholder era baseada no vínculo entre as organizações e stakeholders, onde estes eram entidades que “afetavam ou eram afetadas pelo atingimento dos objetivos da firma”.
Com os estudos subsequentes sobre o tema e a análise da função dos
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maior ênfase nas interfaces entre os stakeholders e suas consequências, na questão de valor para o stakeholder e o tipo de conflito que advém dessa questão:
The interests of all stakeholders are of intrinsic value. That is, each group of stakeholders’ merits consideration for its own sake and not merely because of its ability to further the interests of some other group, such as the shareowners (DONALDSON e PRESTON, 1995).
Decision-making, planning, and management are typically multifactor processes involving multiple stakeholders, both public and private, with conflicting interests (AALTONEN e KUJALA, 2010).
Para caracterizar alguns aspectos deste estudo recorremos à análise dos perfis de stakeholders realizada por Mitchell, Agle e Wood (1997) que utilizando as bases definidas por Weber e também por Suchman, para estabelecer os conceitos de Poder, Legitimidade e Urgência, definiram as dimensões que suportaram este estudo a qualificar alguns dos stakeholders do megaprojeto sob a ótica da sua relevância para o projeto. De forma resumida as dimensões estão definidas como:
a. Legitimidade, que indica a quão apropriada ou desejável é a solicitação de um stakeholder dentro de um determinado contexto; b. Poder, que explica a relação de influência entre stakeholders (ou
atores sociais no texto original) onde o stakeholder A consegue que o
stakeholder B faça algo que o stakeholder B normalmente não faria;
c. Urgência, que estabelece a importância de uma solicitação ou relacionamento para o stakeholder e que necessita de ação imediata por outras partes;
d. Relevância (no original salience), que identifica a importância que os gestores dão às solicitações de um stakeholder, e é determinada em função das combinações entre as dimensões de Poder, Legitimidade e Urgência.
Ainda tratando desta estrutura, foram definidas as classificações atribuídas para cada tipo de stakeholders, considera a presença em nenhuma, uma, duas ou todas essas dimensões, e são definidas como:
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1. Stakeholder Não relevante (ou “não stakeholder”): Não está presente em nenhuma das três dimensões;
2. Stakeholder de Baixa relevância: Presente em apenas uma das dimensões, classificadas conforme Quadro 2;
3. Relevância Moderada: Quando o stakeholder está presente em duas dimensões, se dividindo conforme Quadro 3;
4. Relevância Alta: que se caracteriza por uma classe que tem presença nas três dimensões, sendo considerado como o stakeholder definitivo.
Quadro 2 - Stakeholders de baixa relevância
Dimensão Classe Definição
Poder Dormente Sem legitimidade ou urgência, o poder deste
stakeholder fica “sem uso” ou adormecido, mas em
função da capacidade de obter legitimidade ou urgência em diferentes situações é um stakeholder que demanda atenção dos gestores
Legitimidade Arbitrário Sem poder ou urgência, fica à mercê da disposição dos gestores em atender suas demandas com base apenas na legitimidade destas. Este tipo de demanda é tratado como média ou baixa prioridade.
Urgência Reivindicador Sem legitimidade ou poder, baseadas apenas na questão de urgência, a prioridade das demandas desse tipo de stakeholder é considerada de baixa relevância, enquanto ele não consegue poder e/ou legitimidade. Fonte: (MITCHELL, AGLE e WOOD, Toward a theory of stakeholder identification and salience:
Defining the principle of who and what really counts, 1997, p. 874-878)
Quadro 3 - Stakeholders de relevância moderada
Dimensão Classe Definição
Poder + Legitimidade
Dominante Poder e legitimidade fazem com que as demandas e
posicionamentos desta classe sejam observadas com muita atenção pelos gestores
Poder+ Urgência
Perigoso Com poder e urgência, este tipo de stakeholder pode
adotar uma postura coercitiva ou fugir dos canais
tradicionais para ter suas demandas e
posicionamentos atendidos.
Legitimidade + Urgência
Dependente Pela falta de poder, as demandas e posicionamentos
desta classe de stakeholder vão depender de patrocínio e suporte de stakeholders com poder para que possam ser atendidas
Fonte: (MITCHELL, AGLE e WOOD, Toward a theory of stakeholder identification and salience: Defining the principle of who and what really counts, 1997, p. 874-878)
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Com relação ao posicionamento do stakeholder dentro desta estrutura, ainda segundo Mitchell, Agle e Wood (1997), é importante observar que:
a) A presença de um stakeholder em uma ou mais destas dimensões e classes não é perene ou estática, podendo ocorrer eventos ou movimentos que alterem este posicionamento ao longo do tempo, consequentemente afetando sua relevância em determinadas situações.
b) Estes atributos são socialmente construídos, não objetivamente, e dependem de como determinadas relações são estabelecidas. Aqui ressalta-se a importância de observar estes atributos também entendendo também aspectos históricos, políticos e sociais, que permitem entender não apenas o atributo em si, mas também o percurso que construiu estes atributos.
c) O exercício consciente da capacidade que cada classe de
stakeholder demonstra potencialmente pode ou não ocorrer. Figura 6 - Classes qualitativas de stakeholders – Análise de perfil
Fonte: (MITCHELL; AGLE, WOOD, Toward a theory of stakeholder identification and salience: Defining the principle of who and what really counts, 1997, p. 874)
Neste ponto, é preciso observar que, desde a primeira definição do termo em 1963 até hoje, o entendimento sobre o papel do stakeholder evoluiu com o
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aprofundamento da análise destas dimensões e os impactos que elas apresentam nos resultados e definições de um megaprojeto. Isto pode ser confirmado quando as distintas (e muitas vezes conflitantes) agendas aportadas por cada um dos stakeholders, adicionadas à complexidade de um megaprojeto, combinadas com a ocorrência de eventos não mapeados/planejados, acaba, como constatou Flyvbjerg (2014), por influir negativamente nos prazos e custos do projeto e no atingimento dos benefícios esperados.
Reforçando a importância destas dimensões, e para demonstrar como esta classificação de stakeholder pode ser dinâmica, recorremos a análise de Benn, Abratt e Kleyn (2016), quando observaram que os gestores tomam decisões baseados não apenas na importância do stakeholder, mas também na relevância da solicitação (e não apenas do stakeholder), considerando os atributos de poder, legitimidade e urgência da situação, o que permite aos gestores avaliar também se há um risco de reputação envolvido na solicitação apresentada.
Estas perspectivas reforçam a importância da influência dos stakeholders no resultado final, e nos permitem observar que, apesar da aparente convergência para um objetivo comum (o sucesso do projeto), como sugerem inicialmente os sublimes de Flyvbjerg, as prioridades de cada grupo de
stakeholders e a maneira que as dimensões de poder, legitimidade e urgência
se configuram, determinam como cada stakeholder estabelece sua relevância para o processo. Esta relevância influencia as decisões, com impactos que não estão necessariamente alinhados aos resultados inicialmente planejados para o projeto e para os stakeholders, podendo até mesmo prevenir os benefícios esperados de se materializarem.
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