• No results found

TILSIKTEDE HENDELSER

10.2 Sårbarhetsvurderinger

As discussões e propostas sobre estratégia e gestão, que além dos autores citados, tem também em Porter e Drucker alguns de seus mais seminais autores, e são resumidas por Magretta (2011). Ela define que estratégia trata-se de fazer escolhas que permitam alcançar uma performance superior sustentável. Ela indica que os gestores utilizem os cinco testes de Porter para avaliar uma boa estratégia. Estes testes pressupõe a existência de:

1) Uma proposta de valor diferenciada;

2) Customização, que define como suas atividades se encaixam nesta proposta de valor e podem servir de barreira de entrada para potenciais concorrentes;

3) Escolhas corretas (que se trata também de estabelecer o que não fazer);

4) Adequação, que estabelece o quão aderente a proposta de valor é a sua estratégia, o que reforça o seu aspecto de sustentabilidade; 5) Continuidade, que reflete a resiliência de uma estratégia, ou a

persistência num percurso a despeito das turbulências.

Desta forma, concordando com as observações de Freeman (2010) quando sugere que o conceito de stakeholder pode ser utilizado para enriquecer o estado da arte na gestão estratégica, e que esta visão também pode ser complementada e enriquecida com uma análise mais ampla sobre a estratégia utilizada pela Carvalho Hosken para capitalizar seus ativos intangíveis, podemos identificar quais fatores foram considerados para que a empresa Carvalho Hosken tomasse a decisão pela participação no megaprojeto Rio2016.

É principalmente com base nestes conceitos, autores e literatura que definimos a base teórica que subsidiou este estudo.

42

3 METODOLOGIA

Este capítulo tem por objetivo apresentar a metodologia utilizada para elaboração deste estudo de caso, explicando os procedimentos utilizados, como o levantamento documental, a condução das entrevistas, a forma de tratamento dos dados, mostrando, em suma, de que forma os resultados foram coletados e analisados ao longo do processo de pesquisa.

Este estudo foi conduzido individualmente pelo autor, que é gestor sênior de empresas, atuando em consultoria de tecnologia, estratégia e desenvolvimento de modelos de negócios desde 1995. Ao longo da carreira profissional, teve oportunidade de atuar em diversos segmentos de indústria, para avaliação de estratégias e de soluções. Este tipo de trabalho de consultoria tem, como uma das principais características, a necessidade de ser feito de forma agnóstica e isenta, de forma a permitir que se apresente ao cliente a resposta mais adequada às suas necessidades. Esta experiência, permitiu ao autor adotar uma postura de observador direto no presente estudo e norteou a condução da análise das entrevistas e das informações adicionais coletadas.

É importante observar também que o autor não possui nenhum vínculo profissional ou contratual com os stakeholders identificados neste estudo.

3.1 Tipo de pesquisa

Esta é uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, ancorada em um estudo de caso. O caso que aqui se estuda é o da participação da empresa incorporadora Carvalho Hosken no megaprojeto das Olimpíadas de 2016, realizadas na cidade do Rio de Janeiro.

Conforme Godoy (1995, p. 4), “um fenômeno pode ser melhor

compreendido no contexto em que ocorre e do qual é parte, devendo ser analisado numa perspectiva integrada”. Foi, precisamente, com o intuito de

buscar uma integração de diversas perspectivas a respeito da participação da Carvalho Hosken nas Olimpíadas, que a metodologia qualitativa foi entendida como a mais apropriada para atender os objetivos deste trabalho. A pesquisa qualitativa é adequada ao estudo de fenômenos envolvendo indivíduos em suas intrincadas relações sociais, permitindo que o pesquisador consiga, através do

43

ponto de vista dos envolvidos e de perspectivas relevantes, entender a dinâmica do fenômeno estudado (Godoy, 1995).

Além disso, o caso aqui estudado precisa ser compreendido à luz do contexto de um megaprojeto, que é, por si mesmo, um fenômeno envolvendo múltiplos atores e dimensões. Conforme foi discutido no referencial teórico, com base em Flyvbjerg (2014), num megaprojeto a relação entre os stakeholders é estabelecida tanto por fatores legais, relações contratuais, obrigações jurídicas e fiscais, quanto por relações sociais, políticas e econômicas. Estas últimas também atuam de forma determinante para definir e suportar a estratégia de cada um dos stakeholders. Assim, por meio das metodologias qualitativas foi possível acessar diferentes discursos de profissionais que desempenharam posições distintas à época das Olimpíadas do Rio, oferecendo a possibilidade de reconstruir o caso da participação da Carvalho Hosken baseado em diferentes perspectivas.

A participação da Carvalho Hosken nas Olimpíadas se materializou principalmente com a construção da Vila dos Atletas, tratando-se de um caso de visibilidade internacional e com grande impacto e repercussão nas mídias de grande circulação nacionais e internacionais. O projeto da Vila dos Atletas enquanto um empreendimento imobiliário apareceu, diversas vezes nesses meios, como um fracasso comercial, diante dos baixos resultados de vendas do empreendimento até o momento da realização deste estudo (230 unidades vendidas num universo de 3604). Em função deste cenário, para compreender se a estratégia da empresa pode ser ou não considerada como equivocada, é preciso trazer profundidade e clareza aos fatores que a empresa considerou e utilizou para definir sua participação no empreendimento, entendendo, também, os objetivos que a estratégia definida planejava atingir.

Para conduzir este estudo, recorreu-se a Godoy (1995), quando indica a utilização de pesquisa qualitativa para dar uma visão panorâmica do caso. Dois caminhos apontados pela autora para a pesquisa qualitativa foram adotados aqui: a pesquisa documental e o estudo de caso. Esta escolha se explica por fatores como: a) o grande volume de informação disponível sobre o caso oriundo de diversas fontes públicas e oficiais; b) o acesso do pesquisador a informantes estratégicos, capazes de oferecer perspectivas e dados relevantes e

44

consistentes sobre o caso , c) a adequação ao modelo proposto para o estudo e d) limitação do tempo disponível para a execução deste estudo.

No tocante ao método de estudo de casos, elaborado com base nos modelos e abordagens propostos por Yin (2014), que propõe a adoção de estudos de caso quando o fenômeno a ser estudado atende algum seguintes critérios:

a) É um caso crítico, b) É extremo/não usual;

c) É comum, com alto índice de repetição; d) É revelatório;

e) Há a necessidade de uma visão integral (holistic view, no original) sobre o caso a ser estudado.

Desta forma, o modelo de estudo de caso único se apresentou como mais adequado pelos seguintes motivos:

a) Alta criticidade, estabelecida pela dimensão do megaprojeto objeto deste estudo. A Vila dos Atletas é parte fundamental da estrutura necessária para a realização de uma Olimpíada; além de ser o maior lançamento imobiliário da história do Rio de Janeiro e ocorreu durante a preparação da cidade para sediar uma olimpíada.

b) Trata-se de um caso extremo e não usual, o que pode ser constatado ao comparar-se o porte do empreendimento da Carvalho Hosken em face do histórico do mercado imobiliário brasileiro, que foi objeto do maior financiamento imobiliário da história da CEF. Nunca se construiu no Rio de Janeiro 3604 apartamentos simultaneamente em um só lançamento deste nível. Além disto, este empreendimento foi idealizado e construído para uma situação não usual e inédita: a primeira Olimpíada no Brasil e na América Latina;

c) Ser um projeto de alta criticidade e complexidade para os stakeholders d) Haver a necessidade de uma visão integral para analisar o objeto de

forma profunda.

Por questões de temporalidade, disponibilidade e acesso, das seis fontes de evidências preconizadas no modelo de Yin (2014), a saber: documentação,

45

registros em arquivos, entrevistas, observação direta (neste estudo, contextual), observação participante e artefatos físicos, foram utilizadas as quatro primeiras. Excluímos observação participante e coleta artefatos físicos deste estudo, em função da temporalidade da primeira e disponibilidade/aplicabilidade para o caso da segunda.

A escolha pelo método de estudo de caso deveu-se também à concordância com as observações de Flyvbjerg (2006) sobre a aplicabilidade deste método em função de:

1) Existir relevância no uso do conhecimento prático x conhecimento teórico;

2) Observar possibilidades efetivas de generalizar o caso de forma a contribuir para o desenvolvimento científico;

3) Perceber a possibilidade de testar hipóteses e construir uma teoria; 4) Entender que é possível fazer um estudo de caso sem viés;

5) Apesar da complexidade, ser possível sumarizar o estudo de caso.

3.2 Coleta de dados

Os dados utilizados neste estudo foram coletados com base nas seguintes fontes:

3.2.1 Documentação

Apesar de questionada por alguns membros da academia, optou-se por considerar a utilização de informações publicadas em mídia de grande circulação, por concordar com Rubin e Rubin (2011), quando indicam que a análise documental, quando combinada com entrevistas, pode se beneficiar da utilização de fontes como jornais, publicações na internet, cartas públicas, entre outros por trazer acesso à informações e fatos que não poderiam ser acessados tão facilmente em algumas situações. Alguns destes elementos foram utilizados neste estudo, especialmente pela amplitude e exposição mundial de um evento como a Rio2016 e porque em diversas ocasiões, fontes distintas apresentavam informações semelhantes, suportando algumas das análises e conclusões efetuadas.

46

É importante observar que as informações publicadas em mídia, também trazem abrangência para o estudo, ao permitir acesso a pessoas que não seria possível entrevistar no tempo disponível e relatar eventos passados. Entretanto em algumas situações podem apresentar viés quando registram somente os aspectos verbais do que foi dito, deixando de retratar aspectos não verbais ou, em algumas situações específicas, por falta de isenção sobre o tema que está sendo relatado.

Cabe ressaltar que para reduzir o impacto de viés neste estudo, nenhuma das conclusões estabelecidas foi baseada apenas em uma informação publicada em uma fonte de mídia. Para estabelecer uma conclusão era necessário que houvesse: a) coincidência de mais de uma fonte sobre o mesmo tema, b) a existência de documento oficial que suportasse a evidência e/ou c) menção do fato nas entrevistas, de forma a triangular os dados utilizados para a análise.

Com base no exposto, considera-se como documentação as seguintes fontes: a)informações publicadas em mídia e jornais de grande circulação nacionais ou internacionais, b) informação de órgãos oficiais do governo, diligências e auditorias realizadas por entidades governamentais, com alguma ênfase no trabalho de auditoria realizado pelo Tribunal de Contas da União e do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, c) documentos públicos (leis, diários oficiais, acordão dos tribunais de contas da união e do município) e d) material produzido pelos stakeholders envolvidos no megaprojeto.

Estes documentos, de fontes primárias (quando produzidos por pessoas com envolvimento direto nos eventos citados) ou secundárias (quando produzidos por pessoas que não vivenciaram e/ou não estavam presentes na ocasião do evento), permitiram uma observação mais ampla e abrangente, trazendo distintos pontos de vista para este estudo. Outro aspecto importante, especialmente no caso dos documentos produzidos pelo TCU e TCM, foi o cunho de auditoria e a perspectiva de uma fonte oficial sobre os fatos e histórico do caso. Estes documentos ajudaram a estabelecer algumas das conclusões deste estudo, ao trazer análises aprofundadas, produzidas por auditores especializados e também trazendo um componente de isenção para este estudo.

47

Com relação a documentação originada por jornais, há que se observar as questões de isenção por parte da imprensa. Este foi um aspecto mencionado em algumas entrevistas, uma vez que, na visão de alguns dos entrevistados sobre o papel da mídia nos resultados projeto, a percepção é que as reportagens buscavam provocar uma repercussão excessivamente negativa em situações onde houve solução adequada e rápida, especialmente as da mídia local.

Um exemplo, citado por mais de um entrevistado, foram os problemas na chegada das delegações de atletas à Vila dos Atletas, onde as reportagens iniciais apontavam um cenário negativo, com representantes da delegação classificando o local como “inabitável” e, em menos de uma semana, outro representante da mesma delegação dizia que parecia estar hospedado num “hotel padrão cinco estrelas”. Na percepção dos entrevistados que mencionaram esta questão, as reportagens desse tipo tinham ênfase nos aspectos negativos.

Reforçando essa percepção, se observa que a reportagem negativa era mais longa e continha uma série de detalhes, enquanto a reportagem positiva era sucinta e tratava o elogio como algo dito em tom de brincadeira.

Figura 7: Delegação da Austrália reclama da Vila dos atletas

Fonte: Site do Jornal O globo, publicado em 24 de julho de 2016

(https://oglobo.globo.com/esportes/delegacao-da-australia-reclama-da-vila-dos-atletas-quartos- estao-inabitaveis-19775782)

48

Figura 8: Dirigente da delegação australiana muda o tom

Fonte: Site do Jornal O globo, publicado em 26-Jul-2016

https://oglobo.globo.com/esportes/dirigente-da-delegacao-australiana-muda-tom-parece-que- estou-hospedado-no-hilton-19786234

acessado em 14/02/2018

3.2.2 Entrevistas

Considerada por Godoy (1995), como uma das técnicas fundamentais de pesquisa para estudo de casos, as entrevistas foram a outra fonte utilizada para coletar dados e informações para este estudo.

Para a condução desta etapa, se optou por utilizar um modelo de entrevista semiestruturada, baseado num roteiro de perguntas abertas (Anexo 1), de forma a dar liberdade ao entrevistado para expor suas experiências, detalhes do seu envolvimento e de suas percepções, e seu ponto de vista sobre algumas das principais etapas do projeto. Todas as entrevistas foram conduzidas pelo autor e todos os entrevistados autorizaram a gravação por meio eletrônico das entrevistas realizadas. Estas gravações tiveram os seus principais

49

trechos transcritos pelo autor, e foram utilizados na análise de conteúdo e para triangular a análise de documentação.

Para seleção dos entrevistados, um dos critérios utilizados foi o de acessibilidade, onde se partiu de indivíduos com as quais havia um prévio relacionamento profissional e/ou pessoal, classificados como “primeiro nível de relacionamento”. No decorrer das entrevistas e em função da sua adequação ao modelo de estudo proposto, conforme Atkinson e Flint (2001) sugerem para casos de pesquisa qualitativa com entrevistas semiestruturadas, utilizou-se a técnica de amostragem por bola de neve (Snowball sampling). No caso, foi solicitada indicação ou foram indicadas espontaneamente durante as entrevistas, outras pessoas com o perfil adequado para acessar, as quais possuíam relação profissional e/ou pessoal com o entrevistado que as indicou. Todos esses indivíduos indicados, classificados como “relação de segundo nível”, foram contactados e entrevistados. Dentro deste grupo, a indicação de um novo indivíduo a entrevistar seguiu os mesmos critérios do primeiro nível e essa nova indicação foi classificada como “relação de terceiro nível”. Um resumo da estrutura de relacionamento entrevistador x entrevistados pode ser observado na Figura 9. Cabe notar que todos os indivíduos indicados foram entrevistados.

Figura 9: Acessibilidade: relacionamento entrevistador/autor x entrevistado

Fonte: autor

Autor 1º nível 2º nível 3º Nível

Ent_02 Ent_01 Ent_04 Ent_03 Ent_06 Ent_08* Ent_07 Ent_05

Nível de Relacionamento com o entrevistador/autor

Pessoal e Profissional Profissional Relação indicador x indicado

* - ENT_08 foi indicado por uma pessoa não relacionada ao projeto, mas com relacionamento pessoal com o entrevistador/autor. Pessoal ou pessoal indireta

50

Cabe observar que a transcrição das entrevistas não foi feita de forma integral, apesar da permissão para gravação, porque alguns trechos do que foi dito tiveram indicação de caráter sigiloso (“off the record”) ou anônimo pelo entrevistado.

Como o objetivo das entrevistas era trazer a perspectiva de executivos envolvidos diretamente em aspectos gerenciais e estratégicos do megaprojeto Rio2016, o segundo critério para definição dos entrevistados foi a função exercida pelo entrevistado à época do megaprojeto (coluna “Aderência” no Quadro 4), que deveria atender um ou mais dos seguintes itens: a) vínculo com alguns dos principais stakeholders identificados, b) função de gestor sênior ou superior, c) envolvimento direto com alguma das fases do projeto ou d) atuou em função vinculada à estratégia ou planejamento do projeto (Quadro 4).

Quadro 4 – Perfil dos Entrevistados Código Entrevistado Função Faixa Etária Aderência Entrevistado 01 (Ent_01)

Diretor executivo de empresa de empreendimentos imobiliários

50-60 a,b,d Entrevistado 02

(Ent_02)

Diretor executivo de empresa de empreendimentos imobiliários

60-70 a,b,c,d Entrevistado 03

(Ent_03)

Membro de órgão de auditoria do governo municipal do Rio de Janeiro

40-50 a,b,c,d Entrevistado 04

(Ent_04)

Membro executivo do time de assessoria estratégica do município e membro do conselho da APO

50-60 a,b,c,d

Entrevistado 05 (Ent_05)

Gerente executivo do time do escritório de gestão de projetos do governo municipal do Rio de Janeiro

50-60 a,b,c,d

Entrevistado 06 (Ent_06)**

Gestor do time do escritório de gestão de projetos do governo municipal do Rio de Janeiro

40-50 a,c,d

Entrevistado 07 (Ent_07)

Executivo e Consultor de empresas, foi o executivo Gestor do processo de logística e membro executivo da APO durante a Rio2016

40-50 a,b,c,d

Entrevistado 08 (Ent_08)

Executivo de empresa empreendimentos imobiliários, responsável por atividades relacionadas ao planejamento do lançamento comercial da Vila dos Atletas

40-50 a,b,c,d

51

Os entrevistados selecionados contribuíram com a visão estratégica e perspectiva executiva da participação dos grupos de stakeholders no megaprojeto Rio2016, subsidiando a elaboração das conclusões desse estudo.

Todas as entrevistas foram realizadas de forma presencial, no período de junho a outubro de 2017 e passaram por um processo de análise de conteúdo (Anexo 2), em conjunto com a documentação descrita no item 3.2.1, visando identificar e triangular dados, características e percepções comuns entre os entrevistados e os documentos pesquisados e iluminar os objetivos para responder a pergunta de pesquisa deste estudo.

Para efeito de análise, em função de terem sido entrevistados em conjunto, os pontos citados pelos ENT_05 e ENT_06 foram considerados como uma citação única, exceto quando houve discordância entre eles e/ou no momento em que o ENT_05 se ausentou temporariamente da sala de entrevista.

Conforme mencionado, as entrevistas foram conduzidas de forma semiestruturada com base no roteiro definido (Anexo 1). O objetivo de usar o método semiestruturado foi dar liberdade ao entrevistado para expor sua visão e apresentar suas experiências durante a execução do megaprojeto. Em função da proximidade com os entrevistados de primeiro nível, e da indicação pessoal para os entrevistados de segundo nível, foi possível conduzir entrevistas com um caráter maior de informalidade (quatro das oito entrevistas realizadas foram conduzidas fora do escritório de trabalho), que permitiu uma maior liberdade, em alguns casos, para o entrevistado apresentar seus pontos de vista de maneira mais espontânea e falar sobre suas experiências no projeto.

Uma vez concluídas as entrevistas, se utilizou a análise de conteúdo, que seguiu a estrutura proposta por Bardin (2009), partindo de uma pré-análise, seguida da exploração do material e finalmente o tratamento e interpretação dos dados. Concordamos com Bardin quando indica que a análise documental permite que o observador tenha acesso ao máximo de informação com o máximo de pertinência, auxiliando na inferência dos aspectos não verbais observados nas entrevistas. Esta inferência também serviu como base para estabelecer algumas das categorias utilizadas na análise de conteúdo.

52

Na elaboração da análise, se adotou a estrutura proposta por Vergara (2006), utilizando procedimentos interpretativos para classificar os trechos das falas dos entrevistados e definindo um modelo de grade aberta, onde se identificou as categorias de análise conforme estas surgiam. Esta análise não teve auxílio de software de análise de conteúdo, sendo feita com o auxílio de planilha eletrônica usando o software Microsoft Excel.

Após uma primeira varredura nestas categorias, foi feito um agrupamento por similaridade de tema, visando agrupar estas categorias, de forma a permitir que fosse estabelecida a relevância dos pontos identificados e classificados. Este agrupamento também considerou temas como quantidade de menções e ocorrência recorrente, temas citados com ênfase pelo entrevistado (aspecto não verbal desta análise) e também quando foi identificada a presença do tema nas duas análises (documental e conteúdo). Esta relevância, sempre que identificada, permitiu que fossem estabelecidas as conclusões deste estudo.

Na Figura 10Figura 1, se observa como a apresentação final da estrutura de análise foi montada (Apêndice 2), definindo como o detalhamento das respostas e achados para cada um dos objetivos de pesquisa foi organizado.

Figura 10- Estrutura utilizada para análise de conteúdo

Fonte: Autor

Objetivo de Pesquisa

Resposta ou achado de Pesquisa

Fontes documentais utilizadas que fazem referência à resposta ou achado de pesquisa

Categoria identificada nas entrevistas

Riscos inicialmente envolvidos no megaprojeto e ativos intangíveis que a Carvalho Hosken dispunha