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4   TRYGG MAT, DYREVELFERD, DYRE- OG PLANTEHELSE

4.1   Trygg mat

Em função da escala, os mapeamentos geoambientais do município de Grossos tiveram um maior detalhamento e importantes correções a partir da análise dos materiais geocartográficos disponíveis em escalas menores e de imagens de satélite, especialmente a imagem do satélite ALOS de 2009. Foram elaborados sob a plataforma do software Arcview 3.2 os mapas básicos, geologia, geomorfologia, solos, recursos hídricos, distribuição de amostras de sedimentos, uso e ocupação do solo, unidades de paisagem, ecodinâmica e zoneamento ambiental.

A parte técnica-operacional para a produção dos mapeamentos teve como ponto de partida a interpretação visual de imagens de satélite, supervisionada pelo software Google Earth e, fundamentalmente, trabalhos de campo para reconhecimento da verdade terrestre.

Na planície litorânea realizou-se, para um aprofundamento da reconstituição paleogeográfica, a análise granulométrica de sedimentos desde a faixa de pós-praia até os campos de dunas móveis, uma vez que ocorrem campos de dunas agrupados em diferentes posições relativas ao nível do mar atual. Desse modo, diagnosticar o perfil granulométrico pode ajudar a compreender a idade relativa dos campos dunares, de modo que, dessa forma, se torna possível inferir sobre a dinâmica futura desse componente morfológico de forma mais contundente.

Para isso, coletou-se quatro amostras de sedimentos. A primeira foi coletada nas dunas frontais, posteriores ao berma. A segunda foi coletada no setor a barlavento do primeiro campo de dunas, distante cerca de 1.500 metros da linha de costa. Já a terceira, no setor a sotavento do primeiro campo de dunas situado a cerca de 1.900 metros da linha de costa. A última amostra foi coletada no segundo campo de dunas, a barlavento, em uma distância aproximada de 2.500 metros do mar. Não houve coleta no terceiro campo de dunas devido às dificuldades de campo para chegar até a área.

No Laboratório de Geologia Marinha e Aplicada da UFC o material foi levado à estufa para secagem a uma temperatura de 600 C, e depois de seco, foi quarteado e retiradas 100 gramas para o peneiramento úmido, permitindo a classificação textural do sedimento em cascalho, areia e lama. Esse peneiramento foi realizado em um jogo de 12 peneiras com malha, variando de 1/4 phi. Para o cálculo dos parâmetros estatísticos (Md, Mz, Si, Ski e Kg) foram utilizadas as fórmulas de Folk &Ward (1957), sob a plataforma do software ANASED.

Além disso, realizou-se entrevistas estruturadas com membros das 4 (quatro) comunidades litorâneas existentes no município. As entrevistas foram aplicadas entre fevereiro e maio de 2011 e abordam temáticas referentes a resíduos sólidos, abastecimento de água e saneamento, utilização de recursos naturais, degradação ambiental, conflitos ambientais com outras comunidades e com a atividade salineira. Procurou-se sempre abordar moradores que morassem a pelo menos vinte anos na região. Também foi realizada uma entrevista com a Secretária

de Meio Ambiente da Prefeitura de Grossos que foi enviada e respondida via email (APÊNDICE C).

Para a estruturação da proposta de zoneamento ambiental, as zonas utilizadas foram adaptadas da concepção metodológica definida para zoneamentos de Unidades de Conservação elaborado pelo IBAMA (2002), o qual considera 12 (doze) tipos de zonas como mostrado no Quadro 5.

Quadro 5 – Zonas ambientais e suas respectivas características, segundo o IBAMA - 2002.

ZONAS AMBIENTAIS CARACT ERÍSTICAS GERAIS

ZONA INTA NGÍV EL Intacta e de uso proibido.

ZONA PRIMITIVA Pouco ou nada alterada e de uso restrito e eventual. ZONA DE USO

EXTENSIVO

Com alguma alteração e de uso restrito à circulação com atividades esparsas.

ZONA DE USO INTENSIVO Pode ser significativamente alterada e concentrar grande parte das atividades e serviços da unidade de conservação. ZONA DE USO ESPECIAL Destinada a moradia, serviços de administração,

manutenção e proteção. ZONA HISTÓRICO-

CULTURAL Para casos de ocorrências de sítios específicos.

ZONA DE RECUPERA ÇÃO Caso existam áreas que necessitem ser recuperadas (são zonas temporárias).

ZONA DE USO

CONFLITANTE Usos anteriores conflitantes com os objetivos de conservação. ZONA DE OCUPA ÇÃO

TEMPORÁRIA Ocorrem residentes, que posteriormente devem ser realocadas. concentrações de populações humanas ZONA DE SUPERPOSIÇÃO

INDÍGENA Ocupada por uma ou mais etnias indígenas. ZONA DE

INTERFERÊNCIA EXPERIMENTAL

Sujeitas a alterações mediante o desenvolvimento de pesquisas.

ZONA DE

AMORTECIMENTO Entorno de uma unidade de conservação onde as atividades humanas estão sujeitas a nor mas e restrições específicas.

Fonte: IBAMA (2002); UNESCO (2003).

A tipificação das zonas deve ocorrer de acordo com a realidade socioeconômica e geoambiental local. A partir da leitura sobre as necessidades de organização do sistema socioeconômico, aproveitamento das potencialidades ambientais e fixação de áreas destinadas à preservação no local sob processo de planejamento é que se podem definir quais as zonas mais adequadas para aplicação. De acordo com o que foi preconizado pelo IBAMA (2002), devidamente

adequado a realidade do município de Grossos, foram definidas 8 (oito) zonas ambientais para compor o quadro de zoneamento ambiental, conforme exposto no Quadro 6.

Quadro 6 – Zonas ambientais definidas para aplicação no município de Grosso s e suas re spectivas características.

ZONAS AMBIENTAIS OBJETIVO GERAL

ZONA DE PRESERVAÇÃO

PERMA NENTE (Z PP) Preservar áreas que já se constituam como Áreas de Preservação Per manente (A PPs) ou tenham significativo valor ecológico com a finalidade de criação de unidades de conservação da categoria de proteção integral. Restrição muito alta.

ZONA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (ZPA)

Proteger áreas com valor paisagístico e ecológico, permitindo e incentivando usos indiretos, com destaque para o uso turístico, lazer e educação ambiental. Restrição alta.

ZONA DE RECUPERA ÇÃO

AMBIENTAL (ZRA) Recuperar áreas de significativo valor ecológico que estejam sob forte impacto ambiental. Após a recuperação essa área deve passar a ZPP. Restrição muito alta.

ZONA DE PROTEÇÃO DE LAGOAS (ZPL)

Proteger as lagoas sazonais mais significativas do município através da promoção sistemática de ações de fiscalização e educação ambiental. Restrição alta. ZONA DE USO EXTENSIVO

(ZUE) Incentivar as atividades humanas de impacto ambiental baixo a moderado, garantindo a permanência de uma boa densidade de cobertura vegetal. Restrição moderada.

ZONA DE USO INTENSIVO

(ZUI) Incentivar as atividades humanas de impacto ambiental moderado a alto, garantindo a manutenção da qualidade ambiental geral. Restrição baixa.

ZONA HISTÓRICO-CULTURAL (ZHC)

Valorizar a concepção histórica das salinas artesanais, promovendo ações para incentivar a visitação, o turismo cultural e a educação ambiental. Restrição baixa.

ZONA DE PLA NEJAMENTO

URBA NO (Z PU) Zona destinada ao planejamento urbano que deve ser desenvolvido em uma escala maior, considerando um aprofundamento nas discussões sobre o uso e ocupação do solo com a população da área urbana.

3 ANÁLISE E DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO E AMBIENTAL NA BACIA DO RIO APODI-MOSSORÓ

As condições socioeconômicas e ambientais da bacia hidrográfica do rio Apodi-Mossoró, apresentadas na forma de inventário e seguidas dos respectivos diagnósticos, compõem etapa fundamental para o planejamento ambiental. As pesquisas que vislumbrem desvendar os caminhos para a sustentabilidade ambiental, necessitam da contextualização das principais vertentes temáticas que interagem sobre um território, derivadas do modo de apropriação humana e dos componentes ambientais setoriais.

Em todo caso, o pesquisador está submetido a variáveis que vão condicionar a construção desse apanhado inicial de informações como a disponibilidade de bases de dados públicas sobre sociedade, economia e natureza, trabalhos científicos que tragam informações gerais da área de estudo, disponibilidade de materiais geocartográficos, atlas, entre outras.