3.1 Roadblocks to be overcome
3.2.4 Trust and broken agreements
The Pirate Bay é o maior site de torrent do mundo em termos de material disponível. Segundo informações do documentário TPB AFK: O Caso Pirate Bay (do original, TPB AFK: The Pirate Bay Away from Keyboard), lançado em 2013 e dirigido por Simon Klose, o site The Pirate Bay é responsável por metade do tráfego do BitTorrent, o que significa uma quantidade enorme de dados. O filme mostra o julgamento dos três criadores do site na situação em que foram acusados de violação de direitos autorais pela indústria hollywoodiana, a maior indústria de cinema do mundo.
A análise do site The Pirate Bay é importante no contexto dessa dissertação porque ele se tornou um dos maiores repositórios de todos os tipos de material cultural na internet, principalmente no que se refere a materiais audiovisuais: segundo Eleveth (2014), 54% do total de arquivos compartilhados no site é referente a vídeos. Desde músicas e filmes até jogos e softwares, o site é referência na busca por material – original ou não. Segundo a revista Smithsonian, a quantidade de conteúdo publicado no The Pirate Bay em 2013 aumentou em 50%, o que fez com que o site passasse a marca de 2.8 milhões de arquivos compartilhados (EVELETH, 2014). Mesmo com bloqueios e ataques da justiça, os acessos ao site duplicaram de 2011 até 2014, tornando-o o maior site de compartilhamento de arquivos do mundo (CLARK, 2014) e comprovando a sua resiliência.
De acordo com os seus criadores128, Gottfrid Svartholm, Fredrik Neij e Peter Sunde, o site não tem interesse em compartilhar obras sob proteção de direitos autorais. Para eles, o The Pirate Bay é um meio genérico para distribuição de todos os tipos de conteúdo, e o site faz parte de uma luta por
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uma reforma nas leis de direito autoral, uma internet aberta e o livre acesso à cultura. Essa reforma é importante, segundo eles, porque a chamada “indústria do copyright” é apenas um mecanismo de controle e não leva em consideração os benefícios de uma internet livre. Conforme apresentado no documentário, ao saber dessa posição dos criadores do The Pirate Bay, a advogada que, no momento, estava representando Hollywood, Monique Wadsted, afirmou que não acredita que os jovens do mundo vejam as leis de direito autoral dessa forma ou as encarem como algo errado. Para ela, isso é apenas um mito.
Peter, Fredrick e Gottfrid defendem que o The Pirate Bay democratiza a internet e, assim, permite que os usuários compartilhem o material que quiserem. Nesse sentido, lutam por leis de direito autoral reformadas, uma internet aberta e o acesso livre à cultura.
Figura 11: Capturas de tela de exemplos de Promo Bay Fonte: Site do The Pirate Bay129
O site não contempla apenas materiais pirateados. Também podemos encontrar nele músicas, filmes e jogos de criadores independentes, além de material em domínio público. O The Pirate Bay tem uma seção no site chamada The Promo Bay (Figura 11), espaço destinado à promoção de artistas independentes. Em função do grande número de acessos do site, o The Promo Bay acaba sendo uma forma importante de divulgação de trabalhos de artistas pouco conhecidos.
129 Capturadas, respectivamente, nos dias 17 de abril de 2014, 29 de maio de 2014, 05 de
junho de 2014, 11 de junho de 2014, 16 de junho de 2014, 31 de julho de 2014, 16 de agosto de 2014, 18 de agosto de 2014, 22 de agosto de 2014, 23 de agosto de 2014, 26 de agosto de 2014 e 30 de agosto de 2014.
Com frequência, o site sofre tentativas de bloqueio por parte de governos ou empresas. Poucas tentativas tiveram sucesso e, mesmo as que tiveram, duraram pouco tempo: minutos depois, o site aparecia novamente no ar, normalmente tendo alterado o domínio. Recentemente, em 09 de dezembro de 2014, a polícia sueca confiscou os servidores do The Pirate Bay e derrubou o site. Mesmo sem os servidores físicos, o site voltou ao ar horas depois, com o domínio .cr, da Costa Rica, e rapidamente mudou novamente para o domínio .ee, hospedado na Estônia. É importante apontar que, mesmo com o site fora do ar, os torrents que já haviam sido baixados continuavam funcionando normalmente, confirmando o poder que os usuários tem ao utilizar esse tipo de tecnologia de compartilhamento de conteúdo.
A estrutura do The Pirate Bay conta com apenas 620 GB de armazenamento de disco 130 , uma quantidade muito pequena, se compararmos com a quantidade de arquivos disponíveis no site. O baixo armazenamento pode ser explicado em função do uso da tecnologia de BitTorrent (portanto, p2p), em que os usuários compartilham o conteúdo entre si, sem a necessidade de o site servir como servidor de mediação. Nesse caso, os arquivos não estão hospedados nos servidores do The Pirate Bay, mas nos computadores dos próprios usuários. O fato de o The Pirate Bay ser completamente online faz com que seja possível ter uma estrutura de apenas 21 máquinas virtuais hospedadas em diferentes países. A propósito, no documentário TPB AFK, os criadores do site comentaram que, durante o julgamento, muitas pessoas perguntavam a eles coisas relacionadas à empresa e sua estrutura. Segundo eles, essas pessoas não acreditariam que o escritório inteiro do The Pirate Bay era apenas uma sala de chat através do protocolo IRC – Internet Relay Chat.
Ainda que todos os seus três fundadores tenham sido presos em 2014, o The Pirate Bay apresentou uma inovação: o lançamento de uma versão mobile do site. A versão, disponível no endereço <http://www.themobilebay.org>, é similar ao o site tradicional, acessado através do browser do computador.
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Disponível em <http://torrentfreak.com/the-pirate-bay-runs-on-21-raid-proof-virtual- machines-140921/>, acesso em: 17 dez. 2014.
O lançamento de uma versão mobile do site é importante no contexto atual, que, segundo Fidalgo e Canavilhas (2009), sofreu um grande impacto em função da telefonia móvel. Para os autores, o celular é um “meio permanente e ubíquo da informação e da comunicação” (p. 15) e, dessa forma, o grande responsável pela massificação da internet. É através deles que os usuários tem o poder de acessar qualquer informação de onde quer que esteja. Nesse sentido, “o celular ao tornar-se uma extensão corporal liberta as pessoas dos constrangimentos espaciais e temporais na recepção de informação” (p. 14).
O problema de acessar o The Pirate Bay no celular ou em qualquer outro dispositivo móvel é que dificilmente as pessoas têm bloqueadores de anúncios instalados em seus tablets e smartphones, prática relativamente comum em browsers no computador. Ao abrir o site no browser do computador, alguns anúncios abrem em novas abas ou janelas, mas isso não dificulta a navegação em função de que o usuário já está acostumado a utilizar diferentes abas ao mesmo tempo. Já no celular, os anúncios tiram o usuário da aba do The Pirate Bay e levam a outros sites ou até mesmo à loja de aplicativos, dificultando a navegação.
Figura 12: Versão mobile do aplicativo µTorrent Fonte: Captura de tela do smartphone da autora131
Para fazer download através da versão mobile, é necessário que o usuário tenha instalado em seu tablet ou smartphone um aplicativo do cliente, responsável por fazer a transferência do arquivo (como, por exemplo, o µTorrent, como pode ser conferido na Figura 12). Com o aplicativo instalado, ele funciona da mesma forma que no computador. O lançamento da versão mobile só reforça a resiliência do The Pirate Bay, que conseguiu permanecer no topo da lista dos sites de torrent mais acessados mesmo passando por dificuldades ao longo da sua existência.
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Depois de definirmos o termo pirataria, aproximá-lo da área audiovisual e falarmos sobre as tecnologias que envolvem a pirataria digital de material audiovisual atualmente, vamos utilizar esses conceitos para embasar a análise proposta nessa dissertação. O capítulo a seguir vai analisar como a pirataria acontece em longas-metragens e como acontece a relação dos usuários de sites de torrent como esse material.