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2.2 Mathematical background for the Triplet Map

2.2.2 The Triplet map

De acordo com as pesquisas realizadas, a primeira Bicicletada no Brasil ocorreu em 1997, na cidade de Blumenau, conforme conta J.J.:

“Meu pai retornou da Alemanha onde morou por alguns anos e por volta de 97 ou 98, fizemos alguns Critical Mass na cidade. Fazíamos parte de um grupo que pedalava regularmente na noite e onde muitos utilizavam a bici como meio de transporte.” (mensagem via email 27/04/2012).

Figura 1 Cartaz de 1997 com ilustração do artista da cidade Telomar Florencio.

Atualmente as Bicicletadas não acontecem na cidade, entretanto existem grupos ciclísticos e organizações em prol do transporte por bicicleta que buscam por uma forma institucionalizada o diálogo com o poder público. De acordo com E.J., integrante da Associação Blumenauense Pró Ciclovia (ABC Ciclovia):

“Nossa proposta sempre foi realizar passeios ciclísticos com vistas às autoridades virem que há uma demanda reprimida. E como pesquisa consolidar isso e ao mesmo tempo procurar espaços ao conselho de desenvolvimento, junto ao conselho de mobilidade para ter voz, participar das audiências públicas.” (Roda de conversa)

Para ele, cada cidade tem uma cultura e realidades diferentes, por isso a importância de ter vários tipos de representações no meio ciclístico.

Apesar da primeira Critical Mass ter sido realizada em Blumenau, são poucos ativistas que conhecem essa história. Por isso, ao realizarem suas Bicicletadas, muitas cidades inspiram-se nos encontros de São Paulo que, além da influência da Critical Mass, tem origem a partir das organizações dos grupos autonomistas do país.

Em julho de 2001, em um sábado pela manhã, aconteceu a primeira Bicicletada na cidade de São Paulo8. O Centro de Mídia Independente (CMI)9, convocou a

sociedade para ocupar as ruas em manifestação contra o G810, utilizando meios não

motorizados de transporte.

O cartaz a seguir foi utilizado na divulgação do evento.

Figura 2 Cartaz feito por: Luiz Claudio//AGP-SP//CNA-SP

8 A Bicicletada de São Paulo firmou-se apenas no mês de março do ano seguinte quando passou a ser

realizada na sexta-feira à noite com concentração no canteiro central da Avenida Paulista, apelidada pelos participantes como a Praça do Ciclista, reconhecida formalmente em 2004

9O CMI é uma rede internacional de produtores de informação alternativa que busca levar a notícia através de outros olhares e percepções da grande mídia. São independentes, livres de apelos comerciais ou governamentais, por isso também se intitulam uma rede anticapitalista. Fazem cobertura de informação de movimentos sociais e da política que esses se opõem. A estrutura organizacional do site permite a inserção de matérias por diferentes atores, tornando assim uma rede colaborativa, horizontal e autogestionada.

10 Grupo internacional que reúne os oito países mais industrializados e desenvolvidos economicamente do

mundo. É muito criticado por um grande número de movimentos sociais, normalmente integrados no movimento antiglobalização que acusam o G8 de decidir uma grande parte das políticas globais, social e ecologicamente destrutivas, sem qualquer legitimidade nem transparência (http://pt.wikipedia.org/wiki/G8)

O cartaz mostra um ciclista na figura de cavaleiro medieval empunhado de sua lança armado para uma batalha, neste caso contra as forças do capitalismo na luta pelo direito à cidade e democracia popular. Na vestimenta traz a bandana, símbolo do movimento zapatista11. A lança, uma bandeira lisa na cor preta indica a luta contra o

partidarismo. O chamado feito pelo cartaz é claro, trata de uma luta contra hegemônica de um poder centralizado. A frase, “a rua é do povo”, pode ser entendida como na tomada do controle social pela sociedade. Para esse grupo a transformação social vem através da luta popular por meio de ações diretas e da crença que “um outro mundo é possível”.

Temos então que a primeira Bicicletada na verdade foi realizada não somente por usuários da bicicleta como transporte, mas pela população e movimentos sociais autônomos de lutas diversas que não tinham até então a bicicleta como principal pauta de luta. Após esse primeiro encontro aconteceram outros de forma esporádicas. Para os paulistas a Bicicletada inicia com regularidade somente em março de 2002 quando passou a ocorrer nas últimas sextas feiras do mês à noite. A partir de então se consagra outro formato de ativismo da bicicleta, na forma de ocupação do espaço urbano e tendo a horizontalidade como forma de organização.

Portanto, desde o início do movimento no Brasil temos maneiras diferentes quanto à forma e conteúdo das Bicicletas, voltadas para o lazer, através de passeios ciclísticos regulares; de caráter contestatório, com pautas e ações políticas; ou ainda como manifestações festivas que agregam públicos e interesses diferentes.

Ao descrever as Bicicletadas, na tentativa de compreender como esses grupos se constituem e reconstituem, a dinâmica dos encontros e o que estes representam, é preciso mencionar o atropelamento na Bicicletada de Porto Alegre e a rede de solidariedade formada a partir desse fato.

11O Movimento Zapatista inspirou-se na luta de Emiliano Zapata contra o regime autocrático de Porfirio Díaz que encadeou a Revolução Mexicana em 1910. Os zapatistas tiveram mais visibilidade para o grande público a partir de 1 de janeiro de 1994 quando se mostraram para além das montanhas de Chiapas com capuzes pretos e armas nas mãos dizendo Ya Basta! (Já Basta!) contra o NAFTA (acordo de livre comércio entre México, Estados Unidos e Canadá) que foi criado na mesma data. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_zapatista) Numa transformação muito peculiar, esta guerrilha mudou de uma estratégia que tinha como fundamental a organização política e militar da população para a tomada revolucionária do poder, para outra em que predominam práticas, formas de organização, discursos e objetivos que têm a comunicação e a criação de mecanismos de participação como elementos fundamentais.’ FIGUEIREDO, 2003

3. MASSAS CRÍTICAS DO BRASIL: EXPERIÊNCIAS, CONQUISTAS E