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Ao escolher a entrevista como técnica de coleta, procurei visualizar como ponto de partida, a sugestão de Gaskell (2012) de que, ao contrário da perspectiva econômica de mercado, o mundo social não é um dado natural. Ao contrário, esse mundo é ativamente construído por pessoas e organizações em seus cotidianos. McCracken (1988) defende que a entrevista longa é o método mais poderoso e o que se obtém maior profundidade no processo de coleta de dados em pesquisa qualitativa, permitindo que o pesquisador permeie os modelos mentais do indivíduo pesquisado, vislumbrando categorias de análise e sua (s) respectiva (s) visão (ões) de mundo. Há de se assumir, no entanto, suas fragilidades – não reconhecidas explicitamente pelo autor – tal como a possibilidade de o entrevistado omitir detalhes

importantes, ou ainda, de o entrevistado fornecer uma versão distorcida da informação, moldada por lentes que lhe forem mais convenientes (Gaskell, 2012), razões pelas quais levaram-me a buscar fontes alternativas de dados.

Antes propriamente de explicitar o processo de coleta de dados por entrevistas, faz-se relevante apontar elementos que justifiquem os caminhos percorridos. Primeiramente é importante recuperar a proposta de se investigar o desenvolvimento de Estratégias Sociais a partir do lócus de atuação da Eletronuclear, inspirado em uma perspectiva decolonizada de conhecimento, como forma de suportar a proposta de repensar a tese Polanyiana de duplo movimentos. Nesse sentido, é apropriado situar brevemente o modelo de governança presente no setor nuclear brasileiro, destacando que geração de energia é somente uma parte desse amplo e complexo setor, que pode ser sinteticamente visualizado na figura 2.

Figura 2. Modelo de Governança do Setor Nuclear Brasileiro

Fonte: Comissão Nacional de Energia Nuclear.

Olhando mais intimamente para a Eletrobrás Eletronuclear e para seu contexto, é possível identificar seu relacionamento com uma série de atores institucionais, alguns descritos

na figura anterior, outros não, que buscam, nessas relações, uma infinidade de objetivos. É possível, por exemplo, identificar relações laterais, não descritas diretamente na figura como, por exemplo, o fornecimento de insumos para geração, por meio da INB; o licenciamento ambiental, por meio do IBAMA; as trocas de conhecimento com universidades e com o CTMSP. Há ainda uma estreita relação entre a Eletronuclear e o órgão fiscalizador (CNEN), que na figura aparenta ter relação distante. Em função da percepção de risco inerente à atividade, a organização também mantém estreita relação com a Defesa Civil Estadual e Municipal e com o Corpo de Bombeiros, além da constante prestação de contas aos cidadãos, por meio do legislativo. Em função do extenso alcance e amplitude desses atores, que inclusive extrapolam ao âmbito nacional e transitam pela geopolítica de agências internacionais como WANO (World Association of Nuclear Operators), IAEA (International Atomic Energy Agency) e ONU (Organização das Nações Unidas), imputando ao setor altíssima complexidade relacional, pelo tempo e recursos disponíveis para a pesquisa, optei por desenvolver um recorte de pesquisa que selecionasse elementos de expressão para a coleta de dados primários baseada nos seguintes atores sociais: (i) empresa – por meio de entrevistas com membros da Eletronuclear; (ii) legislativo – por meio de entrevistas com vereadores da Câmara Municipal de Angra dos Reis (CMAR); (iii) agente fiscalizador – por meio de entrevistas com funcionários da CNEN; (iv) ambientalista – por meio de entrevistas com membros de uma ONG ambientalista local (SAPÊ); e (v) segurança – por meio de entrevista com um membro do Corpo de Bombeiros/Defesa Civil, ligado intimamente ao plano de emergência das usinas. Houve ainda, uma entrevista com uma pessoa que participou das obras de Angra I e Angra II, ligado à empresa Andrade Gutierrez e que, por sua relação duradoura com o histórico da organização e sua disponibilidade em contribuir, também fora entrevistado. O quadro 3 descreve os detalhes das entrevistas realizadas.

Quadro 3: Relação de Entrevistados

Ator Sigla Organização Posição/cargo Idade Exper. Titulação

Social Entrevistado 2 Andrade Gutierrez

Técnico em

edificações 59 36 Técnico em edificações

Segurança Entrevistado 12 Bombeiro/Def.

Civil Estadual Major 52 12

Doutorado em Eng. Nuclear

Legislativo Entrevistado 5 CMAR Vereador 46 12 Fundamental completo

Legislativo Entrevistado 10 CMAR Vereador 42 12 Técnico e

Administração

Legislativo Entrevistado 11 CMAR Vereador 55 30 Ensino Médio

Regulador Entrevistado 1A CNEN Chefe de Divisão 55 30 Doutorado em Eng.

Nuclear

Regulador Entrevistado 1B CNEN Chefe de Divisão 55 30 Doutorado em Eng.

Nuclear

Regulador Entrevistado 6 CNEN Tecnologista 43 18 Doutorado em Eng.

Nuclear

Regulador Entrevistado 7 CNEN Tecnologista 34 3 Mestrado em Eng.

Nuclear

Regulador Entrevistado 8 CNEN Tecnologista 67 38 Doutorado em Eng.

Nuclear

Regulador Entrevistado 13 CNEN Coordenador - 26

Doutorado em Letras / Mestrado em

Administração

Regulador Entrevistado 14 CNEN Diretor 68 36 Doutorado em Eng.

Nuclear

Empresa Entrevistado 16 Eletronuclear Supervisor - 34 Ensino Médio

Empresa Entrevistado 18 Eletronuclear Superintendente - 35

Doutorado em Planejamento Energético

Empresa Entrevistado 19 Eletronuclear Engenheiro - 15 Mestrado em Eng.

Nuclear

Empresa Entrevistado 20 Eletronuclear Diretor - 30 Doutorado em Eng.

Naval e Oceânica Legislativo Entrevistado 9 Eletronuclear /

CMAR

Técnico /

Vereador 37 10

Técnico/Superior Incompleto Empresa Entrevistado 15 Eletronuclear /

ABEN Coordenador 62 36

Grad. em Eng. Elétrica / Especialização

Empresa Entrevistado 17 Eletronuclear / Marinha

Assistente da Presidência / Almirante

- - -

Social Entrevistado 3 SAPE Ex-presidente da

SAPE 44 22 Grad. em Pedagogia

Social Entrevistado 4 SAPE Militante 43 20 Grad. incompleta em

Engenharia Nota. Fonte: dados da pesquisa35

35 Em razão do cumprimento do protocolo de ética, que assegura anonimato aos participantes, diversas informações

foram omitidas na aludida tabela, inclusive referente ao gênero dos entrevistados. Maiores detalhes podem ser obtidos diretamente com o autor, mediante análise prévia.

Os entrevistados foram selecionados com base na relevância de atuação em cada uma das dimensões sociais apontadas, sobretudo levando-se em conta experiência, posição na organização e titulação. Em parte significativa das entrevistas, contei com a ajuda da indicação de amigos que atuam nessas organizações, operando de maneira similar a um processo de amostragem por ‘bola de neve’ em pesquisas quantitativas. Creio que seja relevante descrever cada uma dessas dimensões. Seguirei, portanto, a ordem das dimensões sociais relatadas no quadro 3, a começar pela dimensão social.

O leitor atento pode estar se questionando as razões que levaram-me a entrevistar apenas um elemento do contexto social de entorno. Essa foi uma das primeiras entrevistas que fiz. Foi bastante rica em termos de informações, mas reconheço que ainda que o entrevistado tenha sido indicado por um grande amigo, pude perceber seu imenso desconforto durante o processo. Logo no início da conversa, o entrevistado disse uma frase que marca bem o que pretendo informar: “Não é melhor você ir, eu primeiro ensaiar, antes de gravar primeiro (risos tensos)?” (Entrevistado 2). Ficou claro o quanto o entrevistado se revestiu, inicialmente, de um personagem, se esforçando para dizer o que acreditava ser correto aos olhos do entrevistador e, por conseguinte, da sociedade. Após um tempo de conversa isso pôde ser parcialmente contornado, mas notei que a observação seria mais eficaz nessa dimensão da pesquisa, muito embora essa entrevista tenha trazido informações que não podem ser desprezadas no trabalho.

A entrevista com o ator da Defesa Civil surgiu após um evento em que fui apresentado ao entrevistado e, a partir de então, consegui uma agenda. Desenvolvemos uma conversa que durou aproximadamente uma hora e vinte minutos. Inicialmente acreditei que a entrevista seria centrada apenas em aspectos do Plano de Emergência, mas e, função da larga experiência e conhecimento do entrevistado, pude percorrer calmamente todo o roteiro de entrevistas, com acréscimos importantes por parte do entrevistado. A oportunidade permitiu-me desenvolver observações e conversar com outras pessoas sobre o trabalho e sobre as informações que desejava. Tais conversas e observações foram anotadas em um caderno de campo. Cabe apontar que o acesso à Defesa Civil Estadual foi muito facilitado, ao contrário do que ocorrera com a Defesa Civil Municipal, que nem sequer retornou aos meus contatos, ao demandar por uma entrevista com o secretário municipal.

Outro aspecto curioso nesse trabalho foi a dificuldade de acesso aos representantes diretos da sociedade municipal – os vereadores. Tentei contato com 13 dos 14 vereadores, inicialmente por meio de seus respectivos gabinetes, por intermédio de telefone e e-mail. Apenas dois deles retornaram com propostas de agendamento, que foram alteradas diversas

vezes, no entanto cumpridas. A partir daí decidi buscar a informação pessoalmente. Fui presencialmente em cada um dos 11 gabinetes restantes, batendo de porta em porta. Em dois deles obtive resposta imediata, inclusive com agendamento de entrevista. Ambas as datas foram reagendadas por mais de uma vez, mas também concluídas. Cabe destacar que um desses vereadores é funcionário licenciado da Eletronuclear. Infelizmente nos demais nove gabinetes não pude contar com essa ‘sorte’. Um dos vereadores, por meio de seu chefe de gabinete retornou-me com uma negativa imediata, demonstrando clara falta de interesse em prestar informações. Nos outros oito casos, os intermediários foram mais elegantes, no entanto, mais cansativos e dispendiosos, já que sempre pediam-me para retornar em outra data, para enviar mensagens eletrônicas – que nunca eram respondidas, ou para telefonar no dia seguinte, até que constatei que não conseguiria os respectivos agendamentos. Achei no mínimo curiosa essa dificuldade de acesso aos supostos representantes da sociedade.

Acredito que por ser um órgão fiscalizador, e pelo fato de eu possuir um contato bastante próximo e influente na CNEN, esta foi, de longe, a organização mais aberta, transparente e acessível. Tive grande facilidade de trânsito dentro da mesma, obtendo ampla disponibilidade de todas as pessoas que busquei e entrevistei, em todos os níveis, com agendamento rápido, não levando mais que dois dias. Não tive nenhuma negativa na organização. Senti que tudo ocorreu de forma muito realista e honesta dentro dessa organização, que tem papel fundamental no processo de fiscalização da operação das usinas nucleares.

O processo de coleta de dados na Eletronuclear foi no mínimo interessante. Não consegui identificar se a questão que colocarei reflete aspectos da cultura organizacional, mas senti uma situação de extremos, do tipo ‘oito ou oitenta’, como nos referimos popularmente. Em outras palavras, enquanto alguns candidatos à entrevista mostravam-se extremamente solícitos e disponíveis, independente de nível hierárquico, outros foram extremamente resistentes. Foram 15 candidatos à entrevista, dos quais consegui entrevistar somente sete – todos esses sete, extremamente disponíveis e solícitos. Algumas pessoas de mais alto nível hierárquico foram mais solícitas que outras de níveis inferiores (não entrevistadas), no entanto, não pareceu-me ser essa a causa das negativas.

Dentre as negativas recebidas, duas chamaram-me muito a atenção. A primeira, foi de uma pessoa de alto escalão hierárquico, que se mostrou muito gentil ao telefonar-me pessoalmente. Permaneceu por mais de vinte minutos na ligação, explicando-me uma série de aspectos do setor e da empresa, mas ao final justificou sua negativa. Embora eu tenha insistido, informando que o anonimato lhe era assegurado, o candidato, que ocupava a época uma posição

política, mostrou-se um tanto quanto incomodado com o fato de ‘dizer o que pensava’, embora o tenha feito intensamente na ligação telefônica. Curiosamente, ao mencionar que lecionava na Universidade Federal Fluminense (UFF), o candidato logo questionou minha posição político/ideológica, afirmando vigorosamente que a UFF era uma instituição de esquerda – o que muito o incomodou – como se não houvesse, em uma instituição pública de ensino, espaço para a pluriversalidade, ao invés da universalidade. Decidi fazer um relato do telefonema imediatamente após a conversa, já que a mesma trouxe elementos bastante ricos ao debate.

Outro candidato chamou-me a atenção pela resistência à entrevista, sobretudo por sua posição dentro da organização, destinada a esse fim, de contato com a sociedade. O mesmo alegou inúmeros motivos para a negativa. Compreendi seu desejo de não participar e o respeitei. Posteriormente consegui entrevistar seu chefe imediato, que estranhou o fato de ele não ter me atendido. Esse mesmo estranhamento ocorreu em diversas outras oportunidades, quando outros entrevistados indicavam esse profissional como potencial candidato e eu os informava que ele não havia aceitado.

Por fim, um ator não menos curioso investigado foi a Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (SAPÊ). Digo curioso pelo fato de uma ONG, com claras motivações de enfrentamento ao setor nuclear e, mais especificamente, à Eletronuclear, e com um longo histórico de lutas sociais, surpreendeu-me por impor algumas dificuldades ao exercício da voz, por meio de um veículo acadêmico como uma tese. Dos cinco candidatos à entrevista, dois mostraram-se extremamente solícitos e receptivos, no entanto outros três, bastante resistentes à conversa. Um deles atendeu ao meu telefonema com bastante desdém e reserva, negando prontamente a entrevista, alegando falta de interesse. Nos outros dois casos, não consegui agendamento.

Cabe destacar ainda que em função do contexto político local, vivenciado à época da coleta de dados, optei por não buscar entrevistas com o poder executivo municipal. Na oportunidade, a prefeita respondia um processo de cassação de mandato, sob a acusação de abuso e uso indevido de meio de comunicação social36. Conversei informalmente com pessoas ligadas à prefeitura, que desencorajaram-me a buscar entrevistas formais com esse ator, em virtude da clara dificuldade de agendamento. Procurei contornar o problema por meio de conversas diretas com membros da própria prefeitura e por meio de coleta de dados secundários,

36 Ver notícia veiculada na mídia local em: < http://www.diariodovale.com.br/noticias/0,89284,TRE-ainda-vai-

obtidos em pronunciamentos e documentos públicos oficiais, e também por meio de notas na mídia, que pudessem favorecer a compreensão dos processos de concepção das estratégias sociais que eventualmente emergissem desse ator.

Ao todo foram 21 entrevistas, com 20 pessoas pertencentes às organizações mencionadas anteriormente. Desse total, nove entrevistas puderam ser classificadas como longas (com mais de uma hora de duração) e 11 delas como entrevistas curtas (com menos de uma hora) (McCracken, 1988). Todas as entrevistas foram integralmente gravadas (em dois aparelhos simultaneamente, como forma de redundância), mediante prévia autorização expressa e formal. Somadas, as gravações resultaram em quase 19 horas de áudio, que optei por transcrevê-los pessoalmente, na íntegra, como parte do processo de análise (Myers, 2012). A transcrição resultou em um documento com mais de 370 páginas. Operacionalizei as entrevistas, inicialmente por meio de um roteiro semiestruturado, que possibilitava uma espécie de co-construção das narrativas, à medida que o mesmo fomentava o aprofundamento de questões, por meio de novas perguntas. Esse roteiro foi concebido com base na literatura empregada nesse trabalho, composto por questões abertas, que sugeriam ao entrevistado discorrer sobre temas previamente planejados. Por vezes, questões não planejadas surgiam no decorrer das entrevistas, sob a forma de novas dimensões (ou camadas) de análise, já que procurei conceber o roteiro com questionamentos indiretos, que circundavam questões mais complexas e polêmicas, reforçando o caráter de co-construção das narrativas. Em alguns casos, quando entrevistados mostravam-se à vontade com a entrevista, optei por deixar o roteiro em segundo plano, e então conduzir a entrevista sob a forma de conversa, menos formal, no intuito de obter informações mais profundas, que viessem a surgir naturalmente. Melhorias foram sendo feitas ao roteiro, especialmente após as duas primeiras entrevistas, levando-me a trabalhar posteriormente com dois roteiros, sendo um completo, empregado em entrevistas com atores de relação íntima com o setor nuclear e com a Eletronuclear, e outro sintético, destinado aos atores como ativistas da SAPÊ e vereadores, que mantém relação indireta com a organização. Momentos antes de cada entrevista, as pessoas eram apresentadas ao protocolo de ética empregado, inspirado em McCracken (1988) e Sauerbronn (2009). Vale apontar que o protocolo de ética também passou por duas pequenas melhorias no decorrer da pesquisa. Os modelos finais dos documentos empregados na coleta (roteiro de entrevista completo e sintético, e protocolo de ética) encontram-se disponíveis respectivamente nos Apêndices A, B e C.

O processo de coleta de dados por entrevistas permite ao pesquisador desenvolver habilidades em campo que certamente não podem ser aprendidas apenas em termos teóricos. A sensibilidade de silenciar a fala, ou de concordar gestualmente, como forma de estimular o entrevistado a falar mais, são elementos que se desenvolve fazendo, e que foram amplamente empregados. Durante diversos momentos das entrevistas vi-me na necessidade de desenvolver uma afirmativa que reforçasse a fala do entrevistado, como forma de ir mais a fundo na questão exposta, vez que o gatilho “fale-me mais sobre isso” nem sempre funcionava.

Como forma de permitir que o leitor também visualize as dificuldades e barreiras inerentes ao processo de coleta de dados, organizei as negativas às entrevistas no quadro 4. Cabe destacar que tais barreiras mostram-se presentes, ainda que o pesquisador esteja apoiado por contatos que lhe permitam e lhe facilitem o acesso às informações, especialmente quando se opera em temáticas e contextos sensíveis como o aqui estudado.

Quadro 4: Negativas nas Entrevistas

Organização Posição/cargo Motivo

SAPE Militante Negativa imediata / Falta de interesse

SAPE Militante Sem retorno

SAPE Militante Negativa imediata / Falta de interesse

Defesa Civil

Municipal Secretário Sem retorno

Eletrobrás Superintendente Sem retorno

Eletronuclear Gerência Sem retorno

Eletronuclear Gerência Negativa imediata / indicou outra pessoa

Eletronuclear Chefe Sem retorno

Eletronuclear Assessor Negativa após inúmeras tentativas / alega não ter agenda Eletronuclear Supervisor Negativa imediata / Possíveis conflitos de interesse Eletronuclear Coordenador Postergada inúmeras vezes, sem perspectiva de agenda

Eletronuclear Operário Sem retorno

Eletronuclear Coordenador Sem retorno

CMAR Vereador Negativa imediata / Falta de interesse

CMAR Vereador Postergada inúmeras vezes, sem perspectiva de agenda

CMAR Vereador Postergada inúmeras vezes, sem perspectiva de agenda

CMAR Vereador Postergada inúmeras vezes, sem perspectiva de agenda

CMAR Vereador Postergada inúmeras vezes, sem perspectiva de agenda

CMAR Vereador Postergada inúmeras vezes, sem perspectiva de agenda

CMAR Vereador Postergada inúmeras vezes, sem perspectiva de agenda

CMAR Vereador Postergada inúmeras vezes, sem perspectiva de agenda

CMAR Vereador Postergada inúmeras vezes, sem perspectiva de agenda

Com o passar das entrevistas, embora tenha conduzido a investigação com grupos distintos, no entanto bastante homogêneos entre si, comecei a encontrar diversos pontos de convergência, no que tange às informações levantadas. Como as entrevistas com membros da Eletronuclear ocorreram ao final do processo, muitas questões levantadas acabavam sendo rapidamente respondidas, de maneira repetitiva e redundante ao que já havia encontrado. Nesse momento, comecei a notar, de maneira crescente, que alcançava a saturação teórica (Fontanella et al., 2011; Fontanella & Magdaleno Júnior, 2012) daquilo que pretendia investigar, dentro dos limites possíveis da técnica de coleta por entrevistas individuais. Na última entrevista realizada, com um dos diretores da Eletronuclear, tive essa certeza constatada pois, apesar do entrevistado ter muito a dizer, com base em uma brilhante carreira no setor, notei que sua fala não trazia muitas informações além daquelas que já tinha obtido com outros entrevistados.

Gaskell (2012) também coloca dois importantes argumentos que motivaram essa interrupção. No primeiro deles, o autor defende que se não houve grandes mudanças no contexto do que se investiga, entrevistar mais pessoas não melhora a qualidade do corpus, nem tampouco leva a uma compreensão mais detalhada. Em outro ponto, o autor aponta com preocupação para o tamanho do corpus a ser analisado, indicando que há um limite máximo de entrevistas individuais que um pesquisador consegue analisar, girando no entorno de 15 a 25. Na proposição, Gaskell estima que 20 entrevistas gerariam algo da ordem de 300 páginas de transcrição (em média, 15 páginas de transcrição por entrevista), o que sugere um volume relativamente grande de informações para serem analisadas. Esses argumentos, associados ao sentimento de saturação teórica, motivaram-me a interromper o processo de coleta de dados (por entrevistas) após a vigésima primeira entrevista.