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PCI of treatment resistant osteosarcoma

4. Discussion

4.2 PCI of treatment resistant osteosarcoma

Ao se iniciar um estudo de usuário, é preciso primeiro avaliar o tipo de usuário a ser estudado. A partir daí, então, pode-se decidir que modelo será o mais adequado. Como esta pesquisa é um estudo de usuário, especificamente dos usuários com deficiência visual, foram selecionados dois modelos, o de Dervin (DERVIN; NILAN, 1986) e o de Kulthau (1999), ambos dentro da abordagem alternativa, centrada no usuário, que já foram aplicados, com sucesso, em estudos com o mesmo público-alvo (CASELLI, 2007; MALHEIROS, 2009; PASSOS, 2010). Além desses, também será apresentado o modelo de Wilson (2000) por ser considerado, na literatura especializada, o modelo mais completo, dentro da abordagem alternativa. As informações dos modelos de Dervin e Wilson foram retiradas de Chowdhury (2010).

No que diz respeito especificamente a usuários com deficiência visual, por ser a literatura sobre o assunto escassa, não foram localizados artigos sobre modelos de NI para esse público-alvo.

O modelo de Dervin, a abordagem sense-making, pode ser compreendido, segundo Dervin e Nilan (1986), como fazendo parte dos novos estudos de comportamento de usuários, que se caracterizam por:

1) observar o ser humano como sendo construtivo e ativo;

2) considerar o indivíduo como sendo orientado situacionalmente; 3) visualizar holisticamente as experiências do indivíduo;

4) focalizar os aspectos cognitivos envolvidos;

5) analisar sistematicamente a individualidade das pessoas; e 6) empregar maior orientação qualitativa.

Essas são basicamente as diretrizes da abordagem sense-making.

A abordagem sense-making, desenvolvida por Dervin, é uma dentre as abordagens que tem sido aplicada à Ciência da Informação e a Biblioteconomia, segundo Dervin e Nilan (1986), para mapear necessidades e uso de informação, de usuários em seus diversos contextos. A autora dá como exemplo, doadores de sangue, usuários de bibliotecas, pacientes com câncer. Essa abordagem, segundo Miranda (2007, p. 44), “[...] teria como pressupostos os seguintes atributos: individualidade (subjetividade), situacionalidade (histórico pessoal), utilidade da informação (para a compreensão da situação), padrões (processos cognitivos comuns)”.

Para Ferreira (1997), “essa abordagem é bastante crescente nas áreas de comunicação, informação e biblioteconomia. Também tem sido usada na educação, na assistência social, na psicologia, na medicina e em outras. Quanto ao número da amostra de pesquisados, esse número vai desde 20 a cerca de 100 elementos”.

Segundo o Modelo de Dervin, os usuários passam por diferentes fases na busca pela informação. Essa abordagem propõe que o comportamento informacional humano seja implementado em termos de quatro elementos constituintes:

1) a situação no tempo e no espaço, que define o contexto no qual o problema de informação surge;

2) uma lacuna, que identifica a diferença entre a situação contextual e a situação desejada;

3) um resultado, que é a consequência do processo sense-making; 4) uma ponte, que é o meio de fechar a lacuna entre a situação e a

A seguir apresenta-se, por meio da figura 2, o triângulo sense-making de Dervin.

Figura 2: Modelo de Dervin situação

lacuna uso

Fonte: Wilson (1999, p. 254, tradução nossa)

A Figura 3 representa o mesmo modelo de Dervin, redesenhado por Wilson (1999): a situação de uma necessidade de informação, surgida em um determinado tempo/espaço, gera uma lacuna de conhecimento, que necessita de uma ponte, o novo conhecimento, para se chegar a um resultado.

Figura 3: Modelo de Dervin redesenhado

Fonte: Wilson (1999, p. 254, tradução nossa)

Bax e Dias (2010) descrevem a metáfora da construção de sentido, da seguinte forma: a situação corresponderia a situação (restrições, contexto, experiência e história), as lacunas seriam questões, confusões, desordem e

angústias, a ponte seriam idéias formadas, conclusões, emoções e sentimentos e os auxiliadores seriam as saídas, consequências, usos e utilidades.

O modelo de Kuhlthau (1999), Information Search Process - ISP, é um modelo de letramento informacional (Information Literacy). A autora emprega a abordagem do processo construtivista (Constructive process approach). Ela identifica os aspectos cognitivos e afetivos que acompanham os indivíduos em seis estágios de seu processo de busca de informação, que podem ser visualizados no quadro 6.

Quadro 6: Modelo de Information Literacy – Comportamento de busca e uso de informação

FASE TAREFA PENSAMENTO SENTIMENTO ESTRATÉGICA AÇÃO

1 Iniciação Reconhecer a necessidade de informação Concentrado no trabalho proposto. Relação com experiências anteriores Incerteza Apreensão Confusão Iniciar leituras Identificar pessoas para ajudá-lo

2 Seleção Decidir o tópico geral que será investigado Escolher um tema com potencial de sucesso Dúvida Incerteza Euforia Consultar mediadores de informação Levantamento de informações 3 Exploração Investigar a informação sobre o tópico geral com o objetivo de formar um foco Tornar-se informado. Identificar possíveis focos Incerteza Confusão Dúvida Localizar informação relevante

Ler para aprender sobre o foco 4 Formulação Formar o foco a partir da informação encontrada Caracterizado

pelo insight Otimismo Confiança Formular um foco ou ponto de vista pessoal

5 Coleta Buscar e reunir a informação pertinente ao foco definido Reunir informação pertinente Confiança na habilidade de completar a tarefa Realizar busca compreensiva de vários tipos de materiais (periódicos, livros de referência 6 Apresentação Concluir a busca pela informação e apresentar os resultados Identificar necessidade de qualquer informação adicional Alívio Satisfação Confirmar informação e citações bibliográficas Fonte: Passos (2010, p. 81).

Para Kuhlthau (1999), o processo de busca da informação é vivenciado pelas pessoas de forma holística, com a interação de pensamentos, sentimentos e ações. A autora fez pesquisas sobre busca, aspectos afetivos e sentimentos da pessoa, juntamente com os aspectos cognitivo e físico.

O terceiro modelo, de Wilson, é considerado como um dos modelos mais abrangentes de comportamento informacional humano, pois explica o comportamento de busca da informação de todas as categorias de usuários. O autor sugere um modelo em 1981 e um novo modelo em 1996. Para ele, a busca de informação surge como a consequência de uma necessidade de informação percebida pelo usuário, que, a fim de satisfazer essa necessidade, faz exigências das fontes e serviços de informação. Os modelos de Wilson “dão um enfoque especial à questão do comportamento informacional, como resultado de necessidades de informação e apresentam definições importantes para a área” (CRUZ, 2008, p. 104).

Para Wilson (2000), a necessidade de informação pode surgir dos papéis da pessoa em um ambiente, em um campo de trabalho, ou em decorrência de um estilo de vida. Nesse modelo, as barreiras encontradas na necessidade de informação são barreiras pessoais, relacionadas aos papéis e ao ambiente. Suas etapas são: identificação do problema, definição do problema, apresentação da resolução e da solução do problema; as incertezas são reduzidas por meio das interações dos usuários com as fontes de informações (Figura 5).

A Figura 5 apresenta a pessoa num contexto, a partir daí é criado um contexto da necessidade de informação, mecanismos são ativados, o stress, o enfrentamento com a teoria, em seguida são consideradas as variáveis que intervém nesse processo que são os aspectos psicológicos, demográficos, papéis relacionados ou interpessoais, ambiente, características da pesquisa, novos mecanismos são ativados, o risco e a teoria da compensação, a teoria da aprendizagem social, a auto-eficácia, após ativação desses mecanismos a figura nos leva ao comportamento de busca da informação, seguindo para a atenção passiva, para a pesquisa passiva, para a pesquisa ativa, para o andamento da pesquisa e finalmente para o processamento e uso das informações, daí o processo se reinicia indo para a pessoa num contexto. A figura dá destaque às variáveis que intervém no processo e ao comportamento de busca da informação.

Figura 4: Modelo de comportamento informacional de Wilson

Fonte: Wilson (1999, p. 258, tradução nossa).

Dos três modelos apresentados, foi utilizado nesta pesquisa o de Dervin, um modelo objetivo e adequado ao universo em questão, por já ter sido aplicado, com êxito, em estudo de usuário anterior, desenvolvido pela pesquisadora (MALHEIROS, 2009).