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3. Results

3.7 PCI of EGF/rGel/rGel

Como foi visto na revisão de literatura, poucos são os trabalhos especificamente relacionados ao estudo de usuário deficiente visual, tanto na literatura nacional quanto internacional.

Nesta pesquisa, na literatura nacional, foram tomados como base os seguintes trabalhos, por tratarem diretamente de estudos relacionados ao tema em questão: Rabello (1989), Figueiredo (1994), Ferreira (1995), Silva, Turatto e Machado (2002), Brandão (2004), Raposo (2006), Caselli (2007), Miranda (2007), Sonza (2008), Passos e Vieira (2008), Malheiros (2009), Passos (2010), Silva (2010) e Pimentel (2011).

Rabello (1989), em sua pesquisa, faz um estudo do usuário deficiente visual da Biblioteca Pública Estadual “Luis de Bessa”, num cenário onde não era citada a informação digital, apenas o Braille e os livros gravados em fita cassete. Analisa o atendimento prestado pela biblioteca.

Figueiredo (1994), um clássico da literatura na Ciência da Informação, na área de estudos de usuários, foi tomada como base para os estudos de usuários e necessidades de informação. A essência do livro aponta para a necessidade dos serviços de informação de conhecerem os seus usuários e utilizar o resultado desse conhecimento como suporte para planejamento e avaliação desses serviços. Fala sobre os estudos de usuários em geral, as suas limitações e traz também críticas, métodos e metodologia para esses estudos e sobre a interação do usuário com o computador. Dentro dos aspectos especiais desses estudos, fala sobre o estudo do uso das bibliotecas. Em relação às necessidades de informação, define-as como sendo um dos “tópicos mais complexos dos estudos de usuários”. Traz informações sobre os estudos da comunidade e do uso de catálogos. No final traz modelos de formulários para coleta de dados para o estudo de uso de bibliotecas universitárias.

Ferrreira (1995) estuda a relação entre as redes eletrônicas e as necessidades de informação, integradas para evidenciar o comportamento de busca e uso da informação e compreender o papel dessa tecnologia no ambiente universitário. Aplica a abordagem sense-making para estudo do comportamento dos usuários, que são os estudantes do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).

Silva, Turatto e Machado (2002) fazem um levantamento de instituições na Grande Florianópolis que possibilitam recursos destinados à socialização/educação de deficientes visuais, tendo como universo pesquisado pessoas da comunidade, com diferentes níveis de escolaridade e também alunos de universidades. Foram identificadas dificuldades de acesso à informação e permanência desses alunos nos cursos dos quais fazem parte, causadas pela falta de material didático adequado, de recursos para adquirir computador com programa de voz, de material em Braille, e de acervo adequado nas bibliotecas.

Brandão (2004) aborda as necessidades informacionais dos médicos da família e o papel dos profissionais da informação como facilitadores do acesso às informações relevantes. Fizeram parte do universo da pesquisa dirigentes de centros de formação de médicos, segundo a Estratégia Medicina da Família, e formuladores de políticas para os setores público e privado.

Raposo (2006) descreve o impacto que o sistema de apoio da Universidade de Brasília tem na aprendizagem dos universitários com deficiência visual.

Caselli (2007) trata do acesso à informação digital por usuários com deficiência visual, abordando também suas necessidades de informação. Seu universo são os usuários do Telecentro Acessível de Taguatinga, que se assemelha ao universo da nossa pesquisa, pois são usuários com níveis de escolaridade e de renda diferentes, tendo em comum o fato de serem deficientes visuais e enfrentarem dificuldades de acesso à informação. Ela sugere um modelo de comportamento desses usuários e utiliza, dentro da abordagem alternativa de estudo de usuários, a abordagem sense-making, contextualizando-os e considerando os vários aspectos de NI desses usuários, sua subjetividade e seu histórico pessoal.

Miranda (2007) teve como objetivo identificar as necessidades de informação e as competências informacionais dos supervisores indiretos de instituições financeiras no Brasil.

Passos e Vieira (2008), na qual foi feito um estudo de usuário deficiente visual, realizado na Biblioteca do Centro Universitário Campus Santo Amaro Senac, em que não fica claro o público-alvo tratado, pois, apesar de se tratar de um centro universitário, a autora afirma que alguns usuários não concluíram o Ensino Médio. Tem como objetivo estabelecer uma política de desenvolvimento de coleções de livros em Braille, falado e ampliado. O artigo também fala sobre a necessidade do desenvolvimento de competências pelos profissionais de informação para ajudar os usuários deficientes visuais a criar habilidades que os tornem sujeitos ativos na busca por informações.

Sonza (2008, p. 6) faz uma pesquisa que “objetiva estudar os aspectos fundamentais em ambientes virtuais para que atendam à acessibilidade, usabilidade e comunicabilidade para com deficientes visuais no contexto do desenho universal”.

Malheiros (2009) faz um estudo de usuário deficiente visual, com o objetivo de identificar suas necessidades de informação para colher subsídios para o desenvolvimento da coleção física e digital destinada a usuários deficientes visuais da Biblioteca Central da Universidade de Brasília. Utiliza o modelo de Brenda Dervin e a abordagem sense-making. O seu universo foram os alunos e professores deficientes visuais da UnB.

Passos (2010) discute a problemática dos deficientes visuais que tenham ingressado ou que sejam egressos do ensino superior paulista, do ponto de vista informacional, com o objetivo de identificar como esses estudantes percebem a sua necessidade de informação, como adquirem, compreendem e utilizam a informação. Baseia-se no modelo de necessidade de informação “Information literacy”, de Carol Kulthau. Faz um estudo do usuário deficiente visual, com o foco na Information literacy, na identificação das competências informacionais necessárias para dar mais autonomia a esses estudantes.

Silva (2010) estuda os usuários da Biblioteca Dorina Nowill de Taguatinga (DF) com o objetivo de identificar suas dificuldades de acesso às informações na Web.

Pimentel (2011) apresenta um estudo de usuários deficientes visuais dos ambientes digitais do Distrito Federal (DF), identificando e analisando as políticas que orientam programas de acessibilidade nesses ambientes que oferecem serviços de informação. Procura identificar como programas e políticas de inclusão digital podem contribuir para diminuir a exclusão social dos deficientes visuais e conclui

que as políticas públicas nesse sentido devem ser reforçadas para diminuir a exclusão social desses cidadãos.

Na literatura internacional, foram considerados relevantes para o estudo os trabalhos de Williamson, Schauder e Bow (2000), Lewis e Klauber (2002), Carey (2007), Davies (2007), Graells et al. (2008), Adetoro (2010), e Singh e Moirangthem (2010).

Graells et al. (2008) analisam os problemas de acessibildade dos artigos científicos publicados em meio digital. São analisados os dois formatos mais usados, o HTML e o PDF. O estudo envolve dois grupos com 30 usuários cegos (todos usuários do Jaws – Job Access With Speech) e 30 com baixa visão. Concluiu-se que o HTML é mais facil de ser acessado pelos usuários cegos.

Adetoro (2010) investiga os interesses de leitura e necessidades de informação das pessoas com deficiência visual no sudeste da Nigéria, que foi o local escolhido por ser a única região da Nigéria que tem bibliotecas que atendem a usuários com deficiência visual. O instrumento de pesquisa utilizado foi o questionário, foram distribuídos 563 questionários e 401 foram respondidos. Foram selecionadas 14 bibliotecas divididas em não-governamentais, públicas, instituições de ensino superior e de escolas secundárias. Divide os entrevistados em dois grupos, os adultos e os estudantes do ensino secundário. Os dados coletados mostraram que 256 entrevistados eram do sexo masculino (67,1%), enquanto as mulheres foram 136 (32,9%), 104 (26%) eram estudantes na escola secundária, enquanto 297 (74%) eram adultos que estavam fora da escola. A maioria dos entrevistados era solteiros, 303 (75,5%), enquanto 98 (24,4%) eram casados. Os dados também mostraram que 224 (54,3%) dos entrevistados eram totalmente cegos, enquanto 177 (45,7%) tinham baixa visão. O estudo concluiu que adultos com deficiência visual tinham interesses de leitura nos negócios, em assuntos de religião, e materiais de entretenimento, entre outros. Entrevistados do ensino secundário tinham interesse de leitura em arte, materiais de referência, manuais e materiais sobre histórias de animais.

Singh e Moirangthem (2010) estudaram os vários serviços de biblioteca e fontes de informação fornecidas para as pessoas com deficiência visual em sete Bibliotecas Braille e bibliotecas de livros falados em Nova Délhi e também exploram as necessidades de informação e comportamento de busca da informação deste grupo de pessoas. Segundo os autores a Índia é o país que mais tem pessoas com

deficiência visual no mundo. O estudo conclui que, as pessoas com deficiência visual dependem de fontes de informação, em Braille, livros de áudio em forma de cassetes, livros DAISY que também são conhecidos como o livro falado digital e textos eletrônicos. Estas são importantes fontes de informação, mas o seu uso difere de pessoa para pessoa de acordo com a disponibilidade e acessibilidade. O universo foi composto por 100 usuários, estudantes de graduação e pós-graduação e pesquisadores e o instrumento utilizado foi o questionário aplicado pessoalmente. Essa pesquisa é um estudo de usuário, aonde foi utilizada a abordagem tradicional. São avaliados os serviços das bibliotecas e por meio dessa avaliação são também conhecidas as necessidades de informação dos usuários e o seu comportamento de busca da informação.

Carey (2007) fala sobre o impacto da publicação digital sobre o Braille, a impressão ampliada e o áudio; sobre a questão dos direitos autorais, quando estes superam os direitos do consumidor. Fala sobre o papel dos bibiotecários nesse processo, onde devem fazer valer os direitos do consumidor contra os direitos de autor, e defender o direito genérico à informação. Também aborda o maior problema enfrentado pelas pessoas com deficiência visual que tem sidos a explosão de imagens digitais estáticas e em movimento.

Davies (2007), aborda as necessidades em geral dos usuários com deficiência visual nas bibliotecas e constata que grande parte das pesquisas recentes relacionadas a esse usuário se concentra em torno do tema da tecnologia da informação, em particular a Internet; de tecnologia assistiva; e da investigação das necessidades gerais das pessoas com deficiência visual, com o objetivo de alcançar um estilo de vida gratificante, que inclui o acesso a informação e às bibliotecas. Exemplos selecionados de trabalhos completos de pesquisa de diferentes países são descritos apresentando os métodos e resultados.

Mojska (2005), (artigo original em eslovaco), discute os resultados de uma pesquisa para avaliar os serviços de bibliotecas para pessoas com deficiência visual. Apresenta estatísticas sobre o grupo entrevistado, discriminado por idade, sexo, profissão e grau de deficiência. Explica as preferências dos entrevistados em relação ao formato em que os serviços são prestados. Mostra que este grupo de usuários está interessado principalmente na ficção (80,9%), seguido de literatura especial (16,9%).

Lewis e Klauber (2002) em seu artigo fizeram um estudo sobre a acessibilidade na Web por pessoas com deficiência visual. Examina a acessibilidade a partir da perspectiva de um bibliotecário que é cego. Ele descreve suas experiências usando computadores e a Internet, com leitores de tela e software de ampliação de tela e explica o impacto da constante mudança de tecnologia na Internet e a falta de acessibilidade na Web o que dificulta o seu auxilio aos usuários. Apresenta exemplos da vida real dos obstáculos que a Web inacessível apresentou para ela e para seus usuários cegos ou com baixa visão e oferece sugestões para ajudar aos bibliotecários a fazer de suas bibliotecas ambientes acessíveis.

Williamson, Schauder e Bow (2000) em seu estudo trazem resultados de um estudo do comportamento de busca dos deficientes visuais, com particular ênfase para o papel da Internet. Uma revisão da literatura revelou uma escassez de estudos sobre as informações de comportamento de busca de grupos de pessoas com deficiência visual, inclusive aqueles que são cegos e amblíopes. O estudo centrou- se muito especificamente nas vidas e contextos sociais dos usuários baseando-se no modelo ecológico de Williamson (1995, 1998, apud WILLIAMSON; SCHAUDER; BOW, 2000) que baseou-se no modelo de comportamento de busca da informação de Wilson (1981) e na teoria ecológica do envelhecimento (BIRREN; BIRREN, 1990 apud WILLIAMSON; SCHAUDER; BOW, 2000). Seu modelo ecológico foi desenvolvido para o estudo do comportamento de busca de informação de pessoas mais velhas. Nesse estudo foi utilizado o grupo focal (16 pessoas) e entrevistas semi-estruturadas (15 pessoas). O universo era composto de pessoas de 20 a 81 anos de idade, no total de 31 pessoas. Os resultados abordam questões de necessidades de informação, fontes de informação, o papel da Internet na satisfação das necessidades e as barreiras para o uso da Internet.

A revisão dos trabalhos relacionados ao tema mostrou que o estudo de usuários deficientes visuais é pouco explorado, apresentando lacunas de conhecimento por não se ter um número grande de trabalhos que tratem do tema em questão. Deste modo, constata-se que essa pesquisa poderá colaborar com um conteúdo que irá contribuir com pesquisas futuras e também estimular mais pesquisas sobre o assunto.

Como resultado dos levantamentos feitos nas bases de dados concluiu-se que nos países mais desenvolvidos os trabalhos em geral estão relacionados a

assuntos específicos da tecnologia da informação, como estudos de usabilidade, de acessibilidade, leitores de tela, formatos mais utilizados, pois os usuários com deficiência visual e suas necessidades, são normalmente incluídos no planejamento dos serviços de informação. Em geral são países em que a inclusão social se dá em um nível maior de conscientização, e de forma completa. Já nos países em desenvolvimento os estudos mostram a necessidade ainda de se conhecer o usuário deficiente visual, pois no caso do Brasil, por exemplo, este usuário ainda é desconhecido dos serviços de informação. E em relação ao processo de inclusão social, este se dá de forma incompleta, sendo sociedades geralmente assistencialistas e que vêem a pessoa com deficiência como alguém que precisa ser ajudado.

Com o objetivo de recuperar mais trabalhos sobre o tema, foi feito um novo levantamento na LISA, a base de dados aonde mais se recuperou trabalhos. Foram recuperados sete trabalhos além dos que já tinham sido recuperados. Tatavam dos assuntos: serviços oferecidos por bibliotecas, sobre a interface homem computador e arquitetura da informação, sobre ações para melhorar o acesso de pessoas com deficiência visual às bibliotecas e estimular a leitura, normas de acessibilidade à Web, avaliação do uso do Kindle, Kobo e dos netbooks por estudantes, e um estudo comparativo do comportamento de busca de pesquisadores com deficiencia visual sem deficiência visual. Nenhum trabalho diretamente relacionado ao tema da pesquisa foi recuperado.

Comparando com o estudo de usuário realizado pela pesquisadora em 2009, o número de trabalhos recuperados relacionados ao tema foi maior, o que mostra que pesquisas sobre o assunto estão crescendo, embora ainda existam muitas lacunas.

Após a análise de cada um dos trabalhos acima recuperados, obteve-se a fundamentação teórica dessa pesquisa.